Wednesday, August 31, 2011

um poema antigo, com treze anos

veio-me agora à cabeça este poema que escrevi há mais de dez anos. há treze, precisamente. tive saudades dele (do poema), desse tempo, de coisas, talvez...

As chamas com que desmancho o céu

vêm do vómito alaranjado

que enaltece a planície de espanto que tenho:

azul neutro p´ra ti e p´ra todos.

Coça-te,

mostra-me mais um pouco dessa pele que quer ressequir,

assim como dessa voz bronzeada e o tumulto do decidir.

Fartei-me deste bolor inglês

e dos ritmos azarados que conheço.

Um pouco mais de pele é o que te peço,

com o olhar fixo no fim das tuas costas;

um tipo de cintura que nunca mordi

mas cujo sabor me é anunciado.

Dizes dez palavras por dia

e há determinados tons que recusas.

Andas a poupar-te mas eu conheço muito bem o teu tédio.

Já respiraste muito perto do meu pescoço, lembras-te?

Só não nos abraçámos por causa da fleuma:

platina p´ra ti e, claro, p´ra quem tu queiras.

Coça-te de novo e de súbito.

O princípio da tarde - cerveja preta - é uma revelação

quando distraída e indiferentemente te coças

dando ao mundo dois centímetros insípidos da tua inteira nudez.

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