Wednesday, May 10, 2006

quem és tu?

quase à minha frente, a uma confortável distância.
não fui capaz de tirar os óculos, creio que corei.
olhares cruzados no vidro.
tentei não olhar demais, para não gastar e porque estava em doce choque.
um rosto assim, tão desconhecido e, deliciosamente, tão familiar.
uns olhos que não eram apenas uns olhos. uns olhos que eram os portões de um olhar onde eu consegui viajar milhares de quilómetros.
uma boca assim, tão pronta ao beijo e ao mimo, que denuncia perfeitamente o tardio e arrastado vício da chucha.
maior do que eu, talvez com mais idade.
um embate, de vermelho com vermelho; os dois de vermelho.
tinha um fio de couro com um amuleto quase invisível ao pescoço.
invento um desejo para aquele amuleto.
saiu no marquês, eu continuei imóvel a tentar inventar-lhe também um aroma.
acabei de me apaixonar no metro.
quem és tu?

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