Wednesday, April 20, 2005

tinha um cravo no meu balcão

"Tinha um cravo no meu balcão;
Veio um rapaz e pediu-mo
- Mãe, dou-lho ou não?


Sentada, bordava um lenço de mão;
Veio um rapaz e pediu-mo
- Mãe, dou-lho ou não?

Dei um cravo e dei um lenço,
Só não dei o coração;
Mas se o rapaz mo pedir
- Mãe, dou-lho ou não?"

Eugénio de Andrade

Hoje estava a lavar os dentes e lembrei-me deste poema. Conheço este poema há tantos anos que nem consigo saber há quantos. Surgiu-me este poema do nada, hoje a lavar os dentes, e, pela primeira vez, sinto que o senti verdadeiramente. Até agora, este poema, era apenas um texto que havia sido usado num espectáculo que fiz na minha adolescência. Era apenas uma memória dos tempos da escola secundária e do clube de teatro. Era uma memória dos tempos em que as palavras ainda não estavam suficientemente abertas. No dito espectáculo este poema era interpretado como uma cantilena. Lavei os dentes e revivi essa mesma cantilena. Hoje lavei os dentes e matei a cantilena; senti o poema aqui.

3 comments:

Madame said...

São posts como estes, simples e belos, que deixam Madame a suspirar e a perder-se em devaneios. Beijinhos sonhadores.

onan said...

são comentários como estes, afáveis e generosos, que deixam onan com vontade de nunca parar. beijinhos empreendedores

Maria Heli said...

Onan, a tua sugestão é deliciosa. Já li.
Venho agradecer-te pessoalmente, apesar do agradecimento colectivo que já fiz!
um abraço.