Tuesday, May 11, 2010

a sort of a flashback to my favourite winters

quando o natal era natal o avô casimiro ainda tinha o cabelo preto e morava na alemanha. e chegava sempre de noite, de táxi, vindo do aeroporto. recordo-me do cheiro das malas, cheiravam a estrangeiro e trazia sempre muitas (cheias de embrulhos e doces que cá não havia). vinha sempre de fato, fatos que cá não havia. ele era muito alto, hoje tem a minha altura e o cabelo ralo e branco. enquanto ele não chegava, eu e o tio luizinho ajudávamos a avó carminha a finalizar a decoração de natal e esperávamos que ele chegasse para a terminar porque ele trazia neve em latinhas que cá não havia. um dia trouxe-me um avião, lindo e que cá não havia. anos mais tarde o meu reguila irmão partiu-o, o meu irmão nasceu com uma fúria que já cá havia. os anos e os natais foram passando. o avô veio morar para cá há muitos anos. e eu ganhei a fúria do meu reguila irmão (ainda em mim cresce).

quando a avó carminha morreu o natal acabou definitivamente para mim. esta canção fez-me voltar a tempos que havia e que já não há. porque o natal já não é natal. porque mesmo sabendo (sempre soubemos) que o pai natal não existia, porque o pai natal era o avó casimiro, havia o cheiro do natal: nocturno e estrangeiro. e agora sinto que somos nós quem somos estrangeiros (de nós mesmos) e as latinhas de neve já se compram nas lojas dos chineses. e por outras razões mas isso deixo cá com os meus botões...

(descobrir esta canção e estes senhores foi como abrir, com a de outrora felicidade, um belíssimo presente de natal. é porque cá não há...)

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