Saturday, August 01, 2009

o visitante

a pele que tinha, e pela qual se pelava, era a pele que a sua pele se pelava por tocar, ou que, até mesmo, tocava.
não tinha olhar e, por isso mesmo, os seus olhos nada mais viam do que o movimento dos olhos dos outros; via ver e assim se convencia de que era vidente.
falava não por ter um discurso mas por piamente acreditar que tinha realmente de, em determinado momento, proferir quando uns olhos nos seus se fix...

quero lá saber de náufragos se eu sou o antes, o durante, o depois das vagas, a voz inteira das marés e consciência pura do salitre enquanto namora as âncoras.

sou o mar; és apenas a vontade menina de nadar (sem sequer o saber aprender a fazer).

a tinta compadece-se sempre de quem nunca será um livro.

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