Friday, July 14, 2006

crudo

A tua boca descolou-se, rápida e furiosamente, da minha mas
deixei nela presa toda a importância dos meu olhos.
Os teus olhos, quando se fixam nos meus, oferecem-me
o regresso fugaz da pálida ideia do sabor da tua boca.
As tuas mãos são duas estações de calor e contratempo.
As palavras, que agora escrevo, são barcos que se afundam numa saudade que ainda não existe mas cuja fecundação adivinho no fundo da minha garganta.
Quando partires sei que vou fechar os olhos e a boca
para poder mudar de voz na paz que tu mereces que eu adquira.
Ofereceste-me a minha primeira guitarra e eu não consigo deixar de a abraçar (porque tu estás dentro e fora da futura afinação).
Agora ela dorme sempre a meu lado e transporta-me a música que tu és. Durmo neste doce dançar contigo.
Amo-te com gosto, ar e melodia.
(algo mudou dentro de mim nestes últimos dois dias. creio que deixei de sentir isto. ainda não tenho a certeza, mas é possível que sim. por isso é que decidi publicar o poema, para que conste: memória futura.)

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