Saturday, February 25, 2006

uma (boa?) ideia, um desejo, uma decisão

uma casa branca, toda branca. tudo é branco: os móveis, os utensílios, as roupas, tudo. tudo completamente branco. a casa nunca é limpa, nunca.
objectivo da casa onde tudo é branco: ir ganhando cores das vidas que nela habitam. o que numa outra casa se poderia considerar sujidade, na casa onde tudo é branco considera-se registo, história, vida.
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(o que eu espero que me aconteça um dia)
os seus olhares não se cruzaram, embateram. embateram estrondosa e violentamente.
cada um sentiu dentro de si o furioso impacto de uma colisão. ainda não trocaram uma única palavra, deixaram de saber falar, desaprenderam a própria língua. tudo isto porque renasceram. os seus olhares não se cruzaram, embateram, e eles voltaram a nascer na eternidade que durou esse momento.
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há palavras que nos entram directamente nas veias e nelas navegam enquanto o sangramento não sucede.
são embarcações vocabulares que escrevem no nosso sangue a história da nossa vida.
vou sangrar-me para te apagar de mim.

1 comment:

Afon said...

as ideias tÊM formas de lâmpadas. as minhas têm cores. as tuas também e findam com cabelos de cores.
Os desejos são...
como beijos.
Eu gosto de olhar nos olhos
sei que tu também.
e as decisões são tratados.
se é assim, no meu sangue correm palavras mal coaguladas e palavras por sangrar.
gostei muito dos textos huguitol