Friday, March 25, 2005

parte-a parte 1: resposta ao comentário/desafio de Gonn1000

cópia do comentário/desafio de Gonn1000:

gonn1000 said...
Pois pois, boa forma de conseguir comentários...Mas não seja por isso: "Eu estive aqui. gonn1000."

Palavras?? Hmmmm..."Becoming X", "Splinter" e "Bloodport". Acho que estas devem sugerir qualquer coisa por estas paragens...
10:07 AM
gonn1000 said...
Correcção: "Bloodsport".
10:08 AM


resposta/composição de Onan:

Não escolhi um sequer. Não fui. Não sei se deveria ter ido. Quando vou escolho sempre um e levo-o comigo. Já cheguei a levar os três. Se tivesse ido, desta vez, não sei qual teria escolhido. Talvez o segundo. O terceiro seria impossível. Não tem estado acessível. Tem estado apartado de mim; camuflado entre os escombros do meu quarto. Sei que não o conseguiria encontrar se o tivesse querido levar comigo. Isto, claro, se tivesse chegado a ir.
Lembro-me de pelo menos duas vezes em que fui com o primeiro (o terceiro ainda não existia). Foram duas belas vezes, essas. Fomos inseparáveis; eu e o primeiro. Fomos inseparáveis no autocarro, no comboio e no barco. Sim, porque quando vou não vou sempre da mesma forma. Mas, no matter how, um deles vai sempre comigo.
O segundo é o que me tem acompanhado mais. Tem-me acompanhado muito. Muito mesmo. Tem-me acompanhado na vida. Andava muito próximo dele quando comecei a viver o amor. Ele esteve muito presente. Esteve sempre lá, entre mim e o amor. Ficou comigo também. Manteve-se comigo depois da extinção desse amor. Só poderia ter ficado; ele já lá estava. Pensando bem, foi a amor quem se meteu entre nós.
O terceiro, além de um grande companheiro, tem sido também matéria para o meu trabalho. Usei-o em dois dos meus espectáculos. Mas partiu-se. Não é ele que vai comigo, quando o quero ter próximo, é uma cópia. Mesmo partido, tenho-o mantido perto de mim. Mas a bagunça tem-se instalado no meu aposento e por isso ele (e a sua siamesa cópia) tem estado fora do meu alcance. Já o recuperei. Não fui e resolvi declarar uma guerra à bagunça. Organizei, parcialmente, o aposento. Já posso olhar para ele.
Não fui. Não sei porque não fui. Tinha a plena certeza de que iria. Despedi-me de quem era suposto; convencido de que iria. Reservei o bilhete, convicto de que iria. Dormi. O despertador tocou. Não saí da cama. A hora aproximou-se e eu sem me levantar. Voltei a dormir. A hora de ir passou. Não fui. Não fui passar a páscoa com a minha família. Não seria obrigatório. Nós não ligamos a isso. Mas eu queria ir. Eu queria. Deixei de querer. Não fui.
Quando vou levo-os comigo; aos álbuns dos Sneaker Pimps. As viagens de autocarro para o algarve tornam-se mais suportáveis desta forma. Na verdade, qualquer coisa se torna mais suportável. Eu gosto muito dos álbuns dos Sneaker Pimps. Eles fazem a música que eu gostaria de fazer. Eu gosto da música que faço. Mas, tenho de o admitir, gostava mais se a música que eu faço fosse a música que os Sneaker Pimps fazem. Por isso eles andam sempre comigo: primeiro, segundo e terceiro.
Vou para o algarve na terça-feira; penso ir. Vou ter de os levar. E, decido agora, levarei os três: Becoming X- o primeiro, Splinter- o segundo e Bloodsport- o terceiro.
Vou para o algarve com eles e durante a viagem irei fazer muitos videoclips na cabeça. Este é o meu passatempo favorito: ouvi-los e inventar videoclips na cabeça. Eles são mesmo bons amigos.
O primeiro é diurno e temperamental.
O segundo é debaixo da pele.
O terceiro é um combate de línguas.







1 comment:

gonn1000 said...

Sim senhor, respondeste prontamente ao desafio e acho que superaste a prova, gostei do texto. Mas porque é que o "Bloodsport" é um combate de línguas?

Fica bem ;)