Wednesday, December 29, 2004

um work in progress (ainda muito em progress)

Quando ela lhe disse adeus para sempre, mesmo no fim do inverno, ele deitou a língua de fora; desceu as escadas a correr e saiu a assobiar. Abrandou a marcha no fim da rua e acendou o último cigarro que tinha.
Ela fechou-se na casa de banho, pôs os pés dentro de água a ferver e sentiu nascer-lhe, de novo, na boca um gosto a hortelã. Voltou a sentir-se viva.
Ele foi para casa escrever, ela telefonou para o aeroporto. Escureu nesse instante.
Ela aterrou em Buenos Aires. Ele acordou às seis da tarde. Já era noite, havia três dias que não via a luz do sol. Bem no fundo de si, não nascia qualquer tipo de ressentimento, crescia a pena. Sentiu uma tremenda pena. Pena, pena - pensava ele- uma sensação diferente de um lamento. Uma sensação mais redonda. Tão redonda como a própria palavra. Até o som da palavra lhe parecia redondo.
Era a primeira vez que ela se deslocava a Buenos Aires. Prometeu a si mesma que seria também a última. Nunca havia tido qualquer tipo de interesse pela cidade em questão. Buenos Aires era, sempre havia sido e sempre haveria de ser, a cidade preferida dele. Ele sempre desejou revisitá-la com ela. Ela sempre sentiu que isso jamais iria acontecer.
Ela comprou uns sapatos em Buenos Aires. Ele comprou heroína em Lisboa.
Desenvolver:
nele
  • a semântica do amor
  • o amor como linguagem que se nasce entre os amantes
  • porquê uma linguagem?
  • dar exemplos dos códigos
  • o fim do amor como o ínicio da morte dessa semântica
  • a linguagem desterrada

nela

  • ainda não sei

No comments: