Wednesday, November 10, 2004

um poema velho (pré Onan mas que foi determinante para a sua concepção)

“The addiction”

Às vezes o preto e o branco nada mais são do que:
Adolf Hitler e o seu bigode.

Às vezes Adolf Hitler nada mais é do que:
a antologia de todas as birras, de todas as infâncias.

Às vezes as paredes das tuas veias:
abrem bocas famintas para a atmosfera.

Às vezes as tuas olheiras nada mais são do que:
o fracasso de um programa de exploração espacial.
(Os astronautas trazem a morte apertada entre os dentes)

Às vezes a filosofia nada mais é do que:
um preservativo universal usado vezes sem conta.
(Por todos os soldados
Em todas as vaginas
Durante todas as guerras
Tudo são orifícios)

Às vezes a guerra nada mais é do que:
uma apendicite aguda no devir.
(Aguda, sim, porque crónica só é a gravidade)

Às vezes Deus é:
simplesmente a, mortífera, indigestão de uns
para feliz arroto de outros.

Às vezes o céu e a paz nada mais são do que:
uma pepita de carvão vegetal ou o supositório que o teu ânus recusa.

Às vezes a droga nada mais é do que:
a reprodução infinita de todos os carinhos e castigos de todas as mães.

Às vezes a poesia nada mais é do que:
o vício da masturbação a tentar sublimar-se.

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