Wednesday, November 17, 2004

um excerto do verdadeiro diário de Onan

1 de agosto de 2003
o7:??h

Às vezes gosto de pensar que nada na vida é por acaso. Às vezes gosto de pensar que existe uma entidade, que opera a um nível diferente do meu, que me regula e se encarrega da actualização contínua da minha experiência de vida. Às vezes acho a minha existência e todas a suas particularidades tão intrincadas e rebuscadas que me parecem uma ficção. Mas diz-se, passo o chavão, que a realidade ultrapassa muito a ficção em termos de originalidade. Eu sou, de facto, bastante original. Para minha grande tortura. Devo ser mesmo verdade! Se eu fosse muito menos perfeccionista e fútil seria certamente mais feliz.
Gostava de poder fazer uma grande viagem. Seria maravilhoso poder andar pelo mundo, sem compromisso, a perder-me e a encontrar-me. Gostava de ficar registado na história de lugares como o que chegou e que partiu. O que veio e não ficou. O que passou. O que não fez história. O que recusa o passado, o presente e o futuro. O que está. Simplesmente: está. Bastante incoerente para quem se dá ao trabalho de escrever um diário, não???!!!!!! Mas o meu diário é um espaço criado para eu estar, em absoluto. É o espaço que eu crio para estar, sem partidas nem chegadas. O meu diário é o espaço onde eu permaneço. É o meu espaço ideal, já que a minha obra ideal é impossível. A minha obra ideal consistiria em registar tudo o que penso, para uso meramente pessoal. Pelo prazer do registo e da revisão. Para Onan ser mais Onan.

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