Wednesday, November 10, 2004

O POEMA QUE ONAN JAMAIS ESCREVEU

MANTRA A UM DEUS menor

Pingam-te da boca palavras obscuras, em cachos impróprios
de estranhas tonturas.
Fechas os olhos e não te depuras, a vida é a membrana
que tu não perfuras.
Cerras os dentes, não mordes figuras, inventas doenças
que tu próprio curas.
Tropeças no fogo de camas impuras, mergulhas o rosto
em novas tinturas.
Vacilas com o corpo a cinco queimaduras, passeias o olhar
por estranhas iluminuras.
Engoles o termómetro, não medes fissuras, inalas os cheiros
por ordem de espessuras.
Partes pescoços, tíbias e cinturas; tu és o planeta
e eu a maldade das criaturas.

1 comment:

Vítor said...

Acredites ou não... gostei!