Thursday, July 02, 2015

o cínico já não mora aqui



a tarefa do cínico, convenhamos, em muito pouco está facilitada. imaginemos que o cínico se quer debruçar SOBRE a política coisa: na direita vai encontrar parco território porque a direita fala, e cala, por si mesma e no que à esquerda concerne, não tem outro remédio, note-se, que não seja o de se calar; isto porque a esquerda é um mero directo ripostar ao que a direita desenha, quer isto dizer que a esquerda é um birrento espelho, e não menos maior, de um mal, cada vez mais, menor. no que à religião confere, bem, temos de asseverar, o cínico, o nosso cínico, boceja; boceja porque religião é estar lado a lado/passo a passo/boca a boca/ombro a ombro com o divino mas, neste momento, o divino tem muito que fazer: articular discurso (mais ou menos presente e (invisível) com a tal direita e esquerda), arrrrrebentar pessoas bomba por aí e ser o sempre eterno estandarte que se carrega para que a vida faça sentido e para que a vida seja muito plural e outras coisas acabadas em al (mas não me venham com pessoas doentes e muitos diferentes de mim). o cínico, perante isto, olha para o domínio do "social" e, sem se querer adiantar por tal domínio, porque esse domínio depende dos acima referidos, feliz ou infelizmente, limita-se a isto: morrer, ridiculamente, de pila na mão, no átrio do prédio, porque, vá-se lá saber porquê, se estava a masturbar, no referido sítio, quando o, tão aguardado e, novo terramoto sobre (ou sob) lisboa se deu. o cínico morre sem se vir. esta não é exactamente a narrativa da tarefa do cínico; mas podia ser. o cínico é, apenas, uma, muito ínfima, pincelada do dali naquele quadro sobre a masturbação e o devir. o cínico é, tal como a sua tarefa, uma ideia... uma recordação de algo que nunca chegou bem a ser; um grande, simples, e, sempre eterno: pffffff! o cínico é um lugar que nunca tem onde se acontecer (mais). o cínico está morto e enterrado e o correio da manhã nem deu por isso! sim, é verdade, refiro-me à hipótese de um cínico português... quanto aos outros, aos de outros países, já não sei, os hugos mestres amaros, e outros parvalhões afins, lá deles, que se atrevam a aos seus, medíocres, desenhos fazer/escrever/partilhar/arrotar. o seu a seu dono e essas merdas todas. eu até odeio o cinismo. no algarve há uma coisa maravilhosa, no meu algarve, pelo menos, que é: cínico é sinónimo de sovina. no algarve é que se está bem, cada vez menos dúvidas sobre isso tenho. 
 errei: em portugal não arrebentam religiosas pessoas: por fora.

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