Saturday, May 30, 2015

parafina

amar rima com sina,
juntam-se os trapos logo à esquina.
menino dá-se todo à menina,
vida que ela nem imagina.

a casa é tosca, é pequenina:
pão, tecto, tusa e Tofina.
um abraço pela matina:
traz certeza e mais bolina.

mas o cavalo perde a crina e
a muralha nega a china;
eis que a galheta vem surda e fina,
alguns perdões, medo e surdina.

a culpa morre sempre albina; hoje
ela já nem opina.
lar casa com estricnina,
o cliché fica na vitrina.

a banheira vira puta tina,
a mesa põe-se tão cretina;
falta o guito, ó catarina:
liga à tua tia aldina.

ontem canora, agora rapina,
ave quer-se é assassina;
asas e paixão interina,
realidade má, cabotina.

ela boicota esta rotina,
volta a si mas clandestina;
ele arma a carabina
o resto é slogan, pivot, chacina.

apenas começa aquilo que nunca termina.
apenas começa aquilo que nunca termina.
alguma coisa muito asinina
não pára esta parafina!




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