Sunday, April 12, 2015

a sondagem

não sendo exactamente esquiva, pastosa ou, até, selectiva, e electiva, é, 
porém, efectiva, e corrosiva: 
a dor.

companheira forçada e altiva
não lhe conheço início, meio e fim
porque comigo se atreve 
à deriva
e comigo vive, permissiva,
ao alimento que lhe dou
e,
nada intempestiva,
ausculta-me,
de baixo a cima,
nada putativa,
do meu real cativa,
como eu lhe...


escrita e dor: latejam birrentas, interrompem-se, a si mesmas, no auge.
sonsas, deixam-se ficar, na sua ausência, em mim sossegadas para depois,
qual pequeno-almoço pelo amante à cama trazido,
pela surpresa, de mim adicto fazerem e, assim, 
com traminhas e da minha história fascículos,
o seu reino firmarem.


escrita e dor, dor e escrita, escrita e escrita, dor e dor,
dor da escrita 

escrita da dor:
raiz comum: 
fodem a paciência do ímpeto visionário
porque apenas me tornam habituado do seu passado e, do seu, tão presente, presente.
o futuro está sempre por escrever; todos os dias por doer.

e escrevo apenas sobre a escrita física sobre a física dor
porque 
a escrita da dor da alma é, tão gigantescamente, 
apenas:
o poço de um petróleo que, estrategicamente, não se deixa sondar. 

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