Wednesday, July 27, 2011

como que acabado de ser: o, primeiro e último, poema

e, assim, disse eu ao poema:

- Vem, surge-me, aparece-me esta noite,

na tua tão mais última e verdadeira soma plena.

e, sem ainda o ter, prossegui:

- Mansamente, tem-te, desenha-te, acontece-te,

decorre-te, usa-me, veste-me as pontas dos dedos com o mais preciso de ti.

e, sem contenção, mais ainda lhe disse:

- Letra a letra, faz deste homem, de mim,

a insignificante folha em branco onde a poesia teve a sua meninice.

e o poema respondeu,

e de si poema saíram bestas, suspensões do tempo, alicerces e

as verdadeiras razões para no mundo haver tantas esperas.

e ele-poema apenas foi isto:

e aprende-se mais do mundo

quando,

de alto a baixo,

se rasgam feras.

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