Wednesday, November 10, 2010

uma nova forma de escrever poemas

eu desafio o desafiar porque eu
desafio o verbo, o poema, a récita e a vontade de o cantar - a bradar.

eu instigo o meu olhar, faço-o
crescer, forçar-se a ser - nada querer quando tudo está a dar.

eu mordo o desejar, pareço tolo e
(sou tolo)
sou o conjugar do conjugar.

eu acaricio as horas
torno-as brandas, moles, serenas, torpes;
dou-lhes um novo olfactar.

eu por ti viajo, eu por ti reparo, eu por ti remonto o estar e
a vontade de estar.

eu em nós dou à poesia um novo e
tão querido
paladar!

eu não sei estar no intervalo das palavras que não dás.

mas estou.

porque eu sou um poeta e

valha-nos isso,

até ao dia.

até ao dia se, a si mesmo, se cantar.

eu já vivi muitas vidas e isso dá-me a altitude de...

um novo poema, agora, começar.

olha bem por, e para, mim.

porque eu sou escasso como o luar do teu luar!



2 comments:

William Garibaldi said...

Meu Caro!
Você está a me surpreender profundamente!
És um Poeta de rara inspiração em nossos dias!...(?)
ou estou demente
pela tua beleza toda!
rsss

onan said...

muito obrigado, william.

as tuas palavras sabem-me bem. não estás demente, não. lol.

eu também gosto da hilda hilst.

abraço,

onan