Monday, July 20, 2009

a ausência do poema

o poema descolou-se-me das mãos e eu nem dei por isso. sumiu-se, perdeu-se, quase que me atrevo a dizer que se liquefez, fundindo-se com o nada. nada é o que fica. nada é o vazio das mãos e um poema que tanto se quis escrever mas cuja vontade nunca, simplesmente, nasceu. não sei o que hei-de pensar disto: o porquê da partida da poesia. não gosto da ausência dos poemas, já é quase longa e não consigo habituar-me a ela. a verdade é que, por mesmo pouco que tenha tentado, há, quase, muito que não me semeiam poemas. sinto-me, francamente, mais pobre por isso; porque eu não sei não, ter de, escrever poemas.
cito-me (um poema com quase dez anos)
musa azulada querem teus pés esmagar os olhos do homem que espera
musa poeirenta entortas os olhos, falas sozinha e embebedas a pêra
musa cansada, cadelas com cio tricotam-me o manto com pêlo de fera
musa birrenta vem nestas noites roubar o poeta ao seu quarto de cera
eu quero (preciso), talvez, uma musa azul (ou pelo menos azulada), talvez como eu.

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