Thursday, August 30, 2007

breaking glass

ele colocou o dedo indicador da mão esquerda sobre o rebordo do copo; fê-lo tombar e observou-o, plácida ou, julgar-se-ia, pela expressão que o rosto apresentava, friamente a rebolar mesa fora até no chão se estilhaçar.
ela sorriu e fez o mesmo.
nessa noite não mais falaram; nem na seguinte, nem na noite que sucedeu a essa. na verdade, jamais voltaram a trocar uma única palavra.
o amor que os une passou a ser isso: os dedos indicadores, o som do vidro a partir, cacos no chão e um abraço permanente, profundo, amigo, quente e impressionantemente resistente; amor à prova de choque, abrigo eterno das tempestades que as bocas geram antes, durante e depois das palavras.
partem tudo por onde passam; há quem os tema, quem os abomine, quem os ature e quem deles zombe. partem tudo por onde passam mas todos sabem que o fazem porque, numa noite há muito ida, decidiram, em conjunto e em silêncio, jamais partir o coração um ao outro.

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