Tuesday, August 01, 2006

sem destinatário

um poema azul

é no apartar da línguas que a vida começa.
adormeço,
durante este cair sem voar dentro do céu da tua boca,
enquanto a tarde volta a ser, uma vez mais, demasiado tarde para nós.

mas cabe-me esta certeza:
Mudámos o rumo, a fúria do sangue, e a certeza das mãos à força de tanto termos sido amantes.

(tem-me acontecido com frequência um certo fenómeno: escrevo poemas, muitas vezes letras das canções que canto, sem que estes se proponham relatar, atingir, situar, algo concreto. escrevo-os sem um referente. passados meses ou até anos acabo por viver as situações que escrevi a priori. creio que este poema é um desses casos. não que não tenha vivido algo que não se possa inscrever no poema mas, tenho essa certeza, porque este foi escrito sem um referente. escrevi-o pela beleza que penso estar contida na ideia do mesmo. é, portanto, uma estória escrita antes de ser vivida. ou talvez seja eu a armar-me em visionário, para brincar com o tédio. on va voir!)

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