Thursday, February 24, 2005

us 2

ainda bem que vieste e ainda bem que soubeste vir.
fui-te abrindo aos poucos a porta do meu quarto,
mas ainda não te entreguei as flores que prometi inventar
expressamente para ti.
já estão inventadas mas ainda não se sentem flores.
talvez seja porque o relógio não tem parado e porque
a minha arte, pelos vistos, não tem deixado de te divertir.
há muito tempo que o meu diário te esperava.
agora que chegaste, deixa-me celebrar-te.
deixa-me desenhar-te.
deixa-me cantar-te.
deixa-me rimar-te,
para que as flores possam chover em silêncio e verdade,
dentro da água das nossas bocas.

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