Saturday, June 30, 2012

nadar

tinha tudo em cima da cama, tudo disposto à mercê de uma forma só sua, e que, sendo apenas só sua, podia talvez considerar-se organizada; à sua maneira era, efectivamente, organizada, a forma. cinco pares de meias de algodão puro, umas cinco ou seis cuecas, não sabia ao certo, não se tinha dado ao trabalho de as contar, atirara-as para cima da cama apenas, cinco camisas, três de manga curta e duas comprida manga, dois pares de calças, duas bermudas e um cachecol. em pé, inerte, hirto, isento, contemplava o cenário. a mala aberta no chão; bem, não pode dizer-se que fosse exactamente uma mala, era um híbrido, algo entre a mala e a mochila... o híbrido aberto no chão e o chão sem qualquer tipo de temperatura. assim como era o dia que estava a decorrer. o único pensamento que o ocupava era: está um dia sem temperatura e eu estou a fazer a mala para uma viagem que não sei que temperatura, percurso, destino, objectivo e tempo terá. o telefone tocou, nem se moveu. ter um telefone era já, nesse momento, algo tão estranho e distante como o fim e o princípio de uma vida, respectivamente. desistiu de olhar para o que estava disposto em cima da cama, tampouco olhou para o híbrido aberto sobre o chão sem temperatura, e esforçou-se por fixar o olhar nos seus próprios pés. elaborou o pensamento, avançou nele, e concluiu: quando tudo acabar é aqui que estará marcada, inscrita, escrita, clara, precisa, ciente, visível toda a minha viagem. e, como é evidente, a viagem a que o seu pensamento se reportava não era apenas a viagem vindoura; era toda a viagem, era o todo, era toda a vida; toda a vida contada por aquilo que de um par de pés se pode vir a decifrar. 
sentou-se no chão e com ambos os polegares percorreu a planta do pé direito; descobriu-lhe socalcos, rugosidades, linhas, calosidades, atritos e cicatrizes até então, para si, completamente incógnitas. em voz alta, para o próprio pé, disse: não te conheço! esteve tentado a repetir a operação com a planta do pé esquerdo mas, num ápice, o seu corpo deu por si mesmo levantado e a partir daí tudo se passou muito rapidamente. tão rapidamente que o seu entendimento perdeu totalmente a capacidade de absorver e integrar as acções que o seu corpo se atreveu a produzir. a verdade é que, quando deu por si, o seu entendimento já integrava um novo cenário; um novo cenário exactamente feito dos mesmos elementos: uma cama, roupa espalhada sobre a mesma (não vamos agora enumerar o já enumerado) e um híbrido aberto sobre um chão. mas algo de inesperado, desconhecido, novo e altamente inspirador havia, agora, nesse chão sobre o qual o híbrido jazia aberto. essa novidade era a temperatura. e como chegava essa certeza ao seu entendimento, como? exactamente pela planta do pé direito; esse mesmo pé que há instantes para o seu entendimento havia parecido desconhecido era agora o intermediário de uma, tão, inequívoca e fortíssima verdade. a temperatura existia, ali. debaixo da planta do seu pé direito havia um novo chão, um novo chão que, mais do que uma nova temperatura, lhe trazia uma nova apreciação daquilo a que se pode chamar o tudo. e esse chão, e esse tudo, disseram-lhe: 
nada importa, nada, mesmo nada, importa; nada é totalmente teu, totalmente certo, totalmente fixo, totalmente e intrinsecamente teu, nada; tu, tu, que nem a planta do teu próprio pé conhecias! nada está totalmente escrito ao mesmo tempo que nada está totalmente por escrever. pensas e pensas-te e desejas e desejas-te. desejas-te aqui, ali, acolá e em sítios que nem sequer imaginas que existem; mas desejas-te. desejas-te e desejaste; desejaste o melhor para ti e para aqueles que te circundam, queres o bem, o bem de ti, o bem do outro, o bem dos outros, o bem do mundo, até do mundo que há-de vir, que esperas que venha a vir, e que sabes que jamais virás a conhecer. esperas que venha a haver um mundo depois de ti, esperas e acreditas nisso, desejas isso, prometes-te essa certeza mas nada te prometeu que assim o venha a ser. porque nada te é prometido; tudo em ti tem de ser acreditado, tem de ser esperançado, tem de ser uma palavra que nem tu sabes pronunciar. sabes porquê? porque essa palavra, esse verbo, esse vocábulo, simplesmente não existe. porque acreditar é fixar. e tu acreditas e teimas em fixar e enquanto o fazes esqueces-te que, provavelmente, a vida, esta coisa do aqui estar, é muito mais simples e maior do que isto do acreditar, do ter de acreditar. porque tu acreditas que hás-de conseguir vir a tocar as faces do bem e do mal, que hás-de deixar bem claro e preciso quais são as coisas que te movem e comovem, quais são as coisas que te nutrem e te fazem prosseguir, te fazem instruir, te fazem actuar, te fazem viver. mas viver, se fizeres bem as contas, se, por um momento, tentares ter em ambas as mãos os pesos e as medidas, é essa incerteza plena e, simplesmente, sufocante de que nada te é prometido, nada te é dado e tudo depende da tua crença e vontade de a ter. e tudo isto acontece quase cientificamente, o método é quase científico, esse método, o método do acreditar. precisas de um tempo e de um espaço, para que a experiência do acreditar te seja possível; e o tempo, o tempo, meu caro, resolve-se em duas palavras: nascer e morrer (afinal são três as palavras). mas o espaço, agora o espaço... o espaço faz-se, exactamente, com tempo, com o tempo do acreditar. isto porque tu acreditas que o espaço onde estás é certo ou errado, apenas isso, nada mais do que isso. e tens de preencher esse espaço. tens de preencher esse espaço com crenças; com crenças do permanecer e com crenças do partir. e as crenças do permanecer são: eu venho dali, eu sou isto de onde venho, ou o contrário disso, e vou ser alguma coisa aqui; e para ser alguma coisa aqui tenho de encontrar o meu par. e o meu par será o meu espelho; o meu par será, nesse espelhamento, ou no antagonismo do mesmo, a certeza de que eu existo e de que aqui estou bem. mas isso do par é mais uma coisa em que tens de acreditar; porque o par não passa de uma necessidade e de uma crença. um par é sempre um desencontro, não nos enganemos! o par existe, e persiste, porque ambas as unidades se debatem pelo momento em que se vão, final e plenamente, encontrar (enquanto cada uma das partes nada mais vê do que a felicidade que obterá nesse, tão esperado, momento). o par nada mais é do que duas unidades, em si mesmas, sempre tão enfadonhamente encerradas, a tentar ter a aprovação/confirmação da sua própria existência. o par é, apenas, a segurança que se pode vir a obter de acreditar que a par, e em par, se está. e depois encontras o par e, pronto, decides um espaço, o espaço, e nisso ficas até... até ao fim do espaço que um par define. e se não tens um par? se não tens um par andas, qual cão a perseguir a própria cauda, no espaço à procura de o obter. mas também podes ser resistente a essa ideia, à ideia de par, e, então, tornas-te um viajante, um viajante no teu próprio espaço, sendo que te tornas um perdido, um perdido no espaço que conheces (ou que queres vir a, integralmente, conhecer)... e disso não sais. e, depois, sim, depois, tens outra possibilidade, no que ao espaço concerne, e essa possibilidade é: partir. e partes; dás por ti e já partiste... 
nesse momento decidiu caminhar e todo o discurso que a temperatura do novo chão lhe proferia foi simplesmente interrompido. nesse momento caminhou, para fora dali, caminhou e fitou o pé esquerdo. quando o mesmo, o pé esquerdo, pousou a sua planta sobre a areia molhada e fria do fim de um dia, daquele dia, ele disse, enquanto fitava aquele mar: acredito que nunca te hei-de conhecer. e nem o seu próprio entendimento chegou a perceber qual era o destinatário dessa proferição (se era aquele pé ou aquele mar). mas o seu entendimento, nesse momento, deixou de ter a vontade de se preocupar. o seu entendimento, a si mesmo, disse: deixai-o ir, acredito que esse é o melhor verbo: deixar. e ambos os seus pés, em par, soborearam, cada um a seu modo, em distintos e singulares tempos e espaços, aquela temperatura. e assim se afogou ele... na praia onde aprendeu a nadar; na praia que acreditava conhecer tão bem; na praia que acreditava ser sua. apenas sua. enquanto morria pensou: conheço-te, agora, a natureza, pé esquerdo; és o pé que não sabe, nem quer saber, nadar. anoiteceu nesse momento. 
passados três dias, o pé direito de um homem foi encontrado, naquela praia, por um menino que queria muito aprender a nadar.

Tuesday, June 19, 2012

faz hoje um ano

faz hoje um ano,
faz hoje um ano que me pediste,
faz hoje um ano que eu disse: sim,
faz hoje um ano que eu queria que tu me pedisses,
faz hoje um ano que tu querias que eu dissesse: sim,
faz hoje um ano que eu queria que tu me pedisses para que eu pudesse dizer: sim.

comprei pêssegos, pêssegos daqueles que tu gostas,
comi um,
comi um em frente à janela da cozinha,
em frente à janela em frente à qual faz hoje um ano que faz sete dias que demos o nosso primeiro beijo; 
o beijo que fez com que faça hoje um ano que tu me pediste
e que faça hoje um ano que eu disse sim. 

vou mudar a nossa cama, 
o palimpsesto do nosso sexo, 
o testemunho do nosso amor.

o pêssego era bom;
sabia a hoje,
sabia a dia bonito, como hoje,
como tu.






Friday, May 04, 2012

radiografia

intoxica-me e enjoa-me, tanto, esta coisinha do aqui, enjoado, estar.
venham guerras e cataclismos; salvem-me deste compromisso do início do mês começar.
a cabeça sempre a prémio e eu não nasci para a tua folha de cálculo, meu cabrão.
não sou o teu tremoço de fim de tarde; nem a punheta que bates por fuga da tua vida ser.
não te sou;
às postas,
no relatório final do teu mensal saldo.
sou quem te arromba a cama e dela faz o finado.
fecha as janelas, a poça de sangue é minha.
o argumento é teu;
cinema?
volta ao início dos inícios e lá estarei monocular para te ver (aqui chegar).
as flores não nascem por ti;
as flores nascem porque, apenas, nascer sabem.



last snack here



e assim foi. e assim decorreu: my last snack here. caríssimo diário: há algum tempo que a ti não me dirijo mas aqui estou. e, hoje, estou aqui para te dizer que o nosso cenário mudou. o nosso cenário, tão habitual, foi transladado, modificado, mexido, enfim, mudado: mudou. a partir de hoje estamos em outro lugar, em definitivo, noutro cenário. fomos embora do sítio onde estivemos, do sítio onde temos estado, e passámos a viver num outro sítio. por amor, foi por amor que operámos esta passagem e ficámos a ficar mais lá. lá é o sítio do amor. estamos agora mais lá e mais nossos. estamos a viver o amor (vá-se lá saber o que isso quer dizer). partimos e fomos. fomos viver o amor. e que o amor seja connosco. mudámos e, esperamos nós, para sempre. e mudar é tão, melancolicamente, bom. mudar é, enfim, viver. e viva a vida; viva a mudança; viva o começar o novo viver. viva o tu e eu para sempre!

Sunday, March 11, 2012

(finalmente) um novo haiku

um haiku (um segundo, mais de dez anos depois de ter composto o primeiro):
os pássaros cantarolam porque é manhã,
tu ressonas,
e eu, de pé, quase conto os pêlos dos teus sovacos.

Sunday, February 26, 2012

inspiração hatherlyana

o acidente veio, acidentalmente, e ceifou-lhe toda a família: mãe, pai, irmã, cunhado e sobrinho. ficaram todos feitos em papa; as carnes fundidas com a carroçaria do veículo.
apesar de já ser, aquando da acidental vinda do acidente, um homem feito, toda esta peripécia jamais deixou de lhe parecer uma, de muito mau gosto, fantasia. passou a amar o teatro e, ainda hoje, a quando a ele, ao teatro, vai não consegue controlar o ímpeto de comprar seis bilhetes. assim são as suas dominicais tardes passadas em família.

(à excepção da fantasia do teatro, este acidental acidente aconteceu realmente, há alguns anos, a um primo do meu pai: uma tarde de domingo levou-lhe num ápice todos aqueles que do sangue lhe eram. acordei ontem a pensar, talvez pela primeira efectiva vez, nisso.)

anelar

perdeu o meu dedo o índice quando me anelaste o coração!


o dentro de um poema

enquanto conto e reconto
os trinta e tais embates da tua expiração no meu pescoço
firmo esta, na pele, certeza de que o teu sono e a minha insónia abrem,
de par em par,
a porta do nosso tão bonito-amor-secreto-bosque.
e,
quão íntimo pode o dentro de um poema ser?

Tuesday, November 15, 2011

problem (demo for NUDE'S SONG - 2003)

Problem (demo for NUDE'S SONG - 2003) by chambredonan

turn off the lights
cose i don't want them to see
this lack of love
is fastly, slowly killing me

i am the mother
i am the father as well
i am the child
that has been brought up in hell

i am a problem
in everything that i do
i am a problem
that's why i'm so close to you

i am a problem
i hate this din in my head
i am a problem
i am the one who'll drive you mad

please, watch me crawl
i really need, i've got, to fight the floor
to feel one thing
i have one, two, ten, thousand to ignore

i made a plan
to rescue us from pain
i hope one day
to have the blood from your veins

i am a problem
in everything that i do
i am a problem
that's why i'm in love with you

i am a problem
i hate this din in my head
i am a problem
i am the devil in your bed

tried, and tried, and have you ever tried?
tried, and tried, and have you ever?
tried, and tried, and have you ever tried?
to be me it's not easy, no

no,
to be me it's not that easy

cry, oh, cry, and you won't se me cry
oh, cry
and you won't see me

shy, oh shy, i'm growing up so shy
oh, shy
i'm growing up to shy

to shy to cry, to cry
to cry, to cry, to cry, to cry

i am a problem, everyday
i am a problem, i must say
i am a problem, you know that
i'll be a problem until i die

Wednesday, November 02, 2011

Bitterblue - NUDE'S (my first musical project/band) song demo

Bitterblue - NUDE'S (my first musical project/band) song demo by chambredonan

demo de uma canção da minha primeira banda: Nude. a canção data de 2001 e a demo foi gravada em 2003, creio. tenho muita pena que este projecto nunca tenha tido edição e a projecção que merecia. teria feito, sobretudo na altura em que existiu, todo o sentido (e falta) no panorama musical que se vivia. ainda assim, demos bastantes concertos (em muitas das mais emblemáticas salas de lisboa) e fomos uns ilustres desconhecidos (com uma excelente crítica no blitz e tudo, a propósito de um dos variados concertos que demos no Santiago Alquimista). e tínhamos, nos nossos cônjuges e cônjujas, amigos, conhecidos, familiares, e não só, uma acérrima e entusiasta massa fanática. tenho, sobretudo, muitas saudades de dar concertos.



Bitterblue

my city-silence here
your city-sentence there
i city-die between
i city-live nowhere

sometimes i wanna city-smash all the faces i see
he, he
sometimes i wish you'd never city-met me

well, i'm a city-enemy
all the city-folks try to kill me
the city-traffic never flows when i'm chasing you, you you
this mothafucking place made me a bitterblue

i'm city-hanging over city-junk
i'm city-overdosed with city-spunk
i'm a city-country-curser in a city truck
i don't wanna city-match with a city-punk

well, i'm a city-enemy
all the city-folks try to kill me
the city-traffic never flows when i'm chasing you, you you
this mothafucking place made me a bitterblue

i'm a bitterblue a city-toon
your tender kiss could mean cocoon
need to build a rocket to the moon
need to find my path re-really soon

i'm a bitterblue i was made for you
you can bet it's true i'm a bitterblue
i'm a bitterblue city-made for you, you, you
i can prove to you i'm a bitterblue

made for you: bitterblue
made for you: stupidblue
made for you: sick, sickblue

Thursday, October 27, 2011

rudolfo de pravda

rudolfo de pravda by chambredonan

rudolfo de pravda

rudolfo de pravda era circunscrito

e este é o facto

que mais prementemente

se pode asseverar do dito.


rudolfo de pravda era um gozão,

não ia cá em intrigas,

muito menos em cantigas,

e sabia ser anfitrião.


rudolfo de pravda tinha talento

inventava segundos nomes pra tudo

tinha um caderninho branco

e dormia ao relento.


rudolfo de pravda sabia dançar

da salsa à rumba

meneava a anca

e deleitava-se com o luar.


rudolfo de pravda era um homem a sério

tinha rigor nas palavras

cantava todas as oitavas;

e tinha musas em cada hemisfério.


rudolfo de pravda ria-se de si próprio

abria as cabeças aos outros

ia sempre mais longe

em vez de um par de olhos tinha um telescópio.


rudolfo de pravda tinha o coração no sítio

podia ter sido um platão ou um gandhi

dava a roupa do corpo

era o oposto do lítio.


rudolfo de pravda gostava e sabia brindar

criou uma nova ordem paradigmática

lê-lo não consegues

porque tinha aversão ao verbo publicar.


rudolfo de pravda era contente,

só com doce conversa,

das abelhas conseguia velas

era o mais inteligente.


rudolfo de pravda era imediato

assim como circunscrito

percebia tudo na hora e sem demora:

era o próprio do anti-atrito.


rudolfo de pra vada casou com uma perdiz

porque via essencialmente tudo

e tudo no essencial

dos seres que conheci: foi o mais feliz.


rudolfo de pravda nasceu e morreu esta manhã

de sorriso sempre aberto

guerreou e pacificou-se com tudo na vida

e fez da vida a experiência menos vã.


rudolfo de pravda foi um ser que inventei

e que nunca conheci

espero ainda encontrá-lo

dentro de uma simples e maior palavra chamada: aqui!

ou ali...

Wednesday, October 26, 2011

"a boca"

"a boca" de luiza neto jorge (o meu poema preferido) by chambredonan

"em espessura do tempo feito infindo
em amor me feria dilatava
a boca era um leito um órgão de lava."

Tuesday, October 18, 2011

costas

pintalga-me - disse ela, enquanto as costas ensaboadas, mas nada da espuma livres, lhe ofereceu.
e a água caía como a água tem de, nessas ocasiões cair; sem tempo, interstício, temperatura, textura, na verdade, sem peso e medida ter.
ele afastou-se; e se o fez foi para exactamente a zona que lhe era oferecida poder perceber.

pintalga-me - disse-lhe ela uma outra, e imperativa, vez.

e a água, na sua função de apenas água ser, nada mudou.

ele abriu e fechou os olhos, fingiu que estes embaciados estavam e apenas disse:

não posso. eles não me deixam!

ela perguntou: porquê?

ele não respondeu, vestiu a camisa, e toda a roupa que conveniente era vestir, e que para este caso nada, ou pouco, interessa; e a correr desceu as escadas do prédio.

ela continuou a vociferar.

ela continuou a proferir.

ela continuou a exigir: pintalga-me! pintalga-me já!

ele partiu, e ela isso sentiu.

cruzaram-se meses depois, numa buliçosa rua da cidade, quando a pele dela seca estava e nele ainda nada seco estava o medo de a nutrir poder vir.

ela lambeu os lábios e ele desmaiou à frente da Casa da Sorte.

assim se tornou claro quanto dois mundos não se unem.

nesse momento alguém, por ter enviuvado, por eles, sem chorar, passou.

e assim se pode fazer Lisboa!

e assim se pode fazer qualquer cidade, onde costas, e medos, e escadas, e alguém por enviuvar há!

e assim se faz o mundo: no não, tão simples, por entre a água, ou do seu denso/simples/pleno vapor, nada conseguir fazer.

e eis que é assim que o amor mais não longe vai; fica reduzido ao simples descer das escadas de um simples prédio numa simples cidade de um simples país de um simples continente de um simples mundo.

e assim não se acontece.

e assim ninguém voltará a, por bem, virar as costas.



Wednesday, September 14, 2011

Hugo Mestre Amaro (curriculum profissional)

Hugo Amaro tem trabalhado profissionalmente como actor, encenador, performer, animador, produtor e dramaturgo desde 1999.

Em 2002 formou a sua própria companhia de teatro (Azul Ama Vermelho) juntamente com outros quatro actores. Desde então têm produzido diversas peças escritas e encenadas por Hugo.

Em cinema participou em cinco longas metragens (três nacionais e duas internacionais). Paralelamente teve participações pontuais em programas de televisão, telenovelas e filmes publicitários.

Hugo faz, desde 2002, dobragens para séries de desenhos animados e locuções e é vocalista de um projecto de música electrónica.

Data de Nascimento: 09/07/1976


Email: hugoamaro@hotmail.com, odiariodeonan@gmail.com


Actividade Profissional

Teatro

Encenação

2011

Goreti E Os Homens de Cristal (um projecto ecográfico de Alexandra Sargento e Hugo Mestre Amaro), estreado no Teatro do Bairro em Lisboa.

O Homem Que Plantava Árvores, de Jean Giono. Espectáculo para a infância.

Produzido por Hugo Mestre Amaro e Far Far Away Books.

2010/2009

A Voz de Onan, autoria de Hugo Amaro e Ricardo Batista, encenação, interpretação e produção de Hugo Amaro. (Projecto apresentado no Espaço Ginjal, Setembro 2009, na Festa Agradável e Curtas II - Mostra de Peças de Teatro de Curta Duração - Primeiros Sintomas).

2008

Apenas Jardim, autoria e encenação de Hugo Amaro, apresentado na Sala Estúdio do Teatro da Trindade. Uma produção: Azul ama Vermelho/Teatro da Trindade-Inatel.

2004/2003

Sickcom, de Hugo Amaro. Uma produção de Azul ama Vermelho – Companhia de Teatro.

2002

A Casa do Incesto, a partir do romance homónimo de Anaïs Nin. Dramaturgia e encenação de Hugo Amaro para a Azul ama Vermelho – Companhia de Teatro. Apresentada no Ginásio de Pavilhão 18 do hospital Júlio de Matos.

2001

A Cabeça do Escritor, de Hugo Amaro. Encenação de Hugo Amaro e Rogério Nuno Costa apresentada na Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul, no Teatro Municipal Maria Matos e no Teatro Taborda.

1997

Autoria e co-encenação do projecto de poesia e performance Uma a Uma Todas As Flores ou Azul Morre Vermelho, apresentado no espaço “Dress Me”.

Interpretação

2011

O Homem Que Plantava Árvores, de Jean Giono.

O Rei Vai Nu, encenado por Philippe Leroux, e produzido por Contemporâneo produções. Levado à cena no Auditório Municipal Lourdes Norberto.

2010

Homem Feito, de Andresa Soares, João Lucas e Lígia Soares. Uma produção de Máquina Agradável, apresentada no Espaço Nimas.

2010/2009

A Voz de Onan, autoria de Hugo Amaro e Ricardo Batista, encenação, interpretação e produção de Hugo Amaro.

2008

Apenas Jardim, autoria e encenação de Hugo Amaro, apresentado na Sala Estúdio do Teatro da Trindade. Uma produção: Azul ama Vermelho/Teatro da Trindade-Inatel.

2007

Se Não Me Dás Um revólver, Ao Menos Tem Pena De Mim, a partir de Tchekhov. Encenação de João Mello Alvim, produzido por Chão d’Oliva – Companhia de Teatro de Sintra.

Casa de Bonecas, de Henrik Ibsen. Encenado por João de Mello Alvim. Produção da Companhia de Teatro de Sintra – Chão de Oliva.

2006

Uma Laranja Mecânica, Uma Peça Com Música, de Anthony Burgess. Encenação de Manuel Wiborg, produzido por Actores Produtores Associados. Apresentado no Grande Auditório da Culturgest.

Musicattos, autoria e encenação de Óscar Romero. Produzido por Romero Vox.

2005

A Pista, autoria e encenação de Óscar Romero. Espectáculo realizado num comboio. Produzido por Romero Vox.

2005/2004/2003

Sickcom, de Hugo Amaro. Uma produção de Azul ama Vermelho – Companhia de Teatro, estreada no Teatro Taborda inserida na 5ª Mostra de Teatro Jovem de Lisboa.

2004/2003

Falar verdade a Mentir, Almeida Garret. Encenação de Ruy Pessoa para a Companhia de Teatro “O Sonho”. Em cena no auditório do BES em Lisboa.

2004/2003/2002

Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente. Encenação de Ruy Pessoa para a Companhia de Teatro “O Sonho”. Em cena no auditório do BES em Lisboa.

2004/2003/2002

Auto da Índia, de Gil Vicente. Encenação de Ruy Pessoa para a Companhia de Teatro “O Sonho”. Em cena no auditório do BES em Lisboa.

2003

Cabaret Para 3 Actores, de Hugo Amaro, Cátia Nunes e Ruy Pessoa. Apresentado no Teatro Bar do Teatro da Trindade.

2002

A Relíquia, de Eça de Queiroz. Encenação de Luís Assis para a Cassefaz apresentada no Teatro Municipal Maria Matos.

2001

Barthes & Mandrake, de Hugo Amaro, José Carlos Pontes e Rosa Coutinho Cabral. Encenação de Rosa Coutinho Cabral apresentada no Teatro Taborda.

2000

“Megastore” (certame de teatro, dança, música, vídeo e escrita), realizado no Armazém do Ferro em Lisboa e organizado pela Companhia de Teatro Sensurround. Participação nas seguintes performances e instalações:

Instalação Teatral, projecto dirigido e encenado por Rosa Coutinho Cabral, com textos de Sade, Diderot, Baudelaire e originais dos actores;

Mandrake, projecto escrito, dirigido e encenado por Rosa Coutinho Cabral.

1996

O Paraíso Não Está à Vista, de R. W. Fassbinder, encenado por José António Pires para o Grupo de Teatro do ISCSP, apresentado no Auditório Carlos Paredes.

Outras funções

2006

Assistência de encenação do espectáculo Uma Laranja Mecânica, Uma Peça Com Música, de Anthony Burgess. Encenação de Manuel Wiborg, produzido por Actores Produtores Associados. Apresentado no Grande Auditório da Culturgest.

2002

Co-fundador da Azul ama Vermelho – Companhia de Teatro, onde assume as funções de director artístico e produtor.

2001

Assistência de encenação do espectáculo Barthes & Mandrake, encenado por Rosa Coutinho Cabral e apresentado no Teatro Taborda.

Luminotecnia no espectáculo Pausa – ensaio assistido, encenado por Rosa Coutinho Cabral para o Projecto Kairos e apresentado na Casa do Algarve.

Operação de som no espectáculo Problemas dirigido por Nuno Carinhas para a Companhia de Teatro Cão Solteiro, apresentado no Armazém do Ferro.

2000

Operação de som no espectáculo Eu-mesmo, encenado por João Cabral para o Grupo de Teatro do ISCSP. Apresentado n’”A Capital” / Artistas Unidos.

Operação de luz no espectáculo Furiosa Tempestade, encenado por Nuno Carinhas para a Companhia de Teatro Cão Solteiro e apresentado na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Operação de som na peça Aguantar, encenada por Nuno Carinhas para a Companhia de Teatro Cão Solteiro apresentado no IFICT/Lisboa, e ainda em Beja, Loulé e Porto inserida no programa de apoio a itinerâncias desenvolvido pelo IPAE/MC

1999

Operação de som na peça Tranglomanglo, encenada por João Cabral e Manuel Almeida e Sousa para o Grupo de Teatro do ISCSP. Apresentado no Teatro Cinearte e no Teatro Taborda.

Assistência de produção e operação de luz na peça O Fatalista, encenada por Rosa Coutinho Cabral e apresentada no Teatro A Comuna.

Televisão

C.C. Casting, programa que visou apurar o novo apresentador para Curto Circuito, programa transmitido pela Sic Radical.

Interpretação

2006

Filme Publicitário para a Zapp. Produzido por Ozono Filmes.

2004

Morangos com Açúcar, série produzida pela NBP/FEALMAR e exibida pela TVI. Personagem: Elvis

2002

Protagonismo em filme publicitário para o Banco Nova Rede. Produzido por

A FILMAR.

2002

Tudo por amor, telenovela produzida pela NBP/FEALMAR e exibida na TVI. Personagem: Mário.

Cinema

Interpretação

2010

Noite Sangrenta, longa-metragem/série realizada por Tiago Guedes e Frederico Serra, produzida por David & Golias.

2010

Mistérios de Lisboa, longa-metragem/série realizada por Raul Ruiz, produzida por Clap Filmes (Paulo Branco).

2008

Une Nuit de Chien, longa-metragem realizada por Werner Schroeter, produzida por Clap Filmes.

2007

Cinerama, longa-metragem de Inês Oliveira. Produzida por Clap Filmes (Paulo Branco).

2004

Lavado em Lágrimas, longa-metragem de Rosa Coutinho Cabral. Produção de Clap Filmes (Paulo Branco).

Dobragens

Roary

Os Pinguins de Madagáscar

Ying Yang Yo

Lazy Town

Dennis O Pimentinha

Tracey McBean

Viva o Hugo

Minky Mommo

Zula Patrol

The Large Family

Dibo

Yu-Gi-Oh

Creep School

Clamp Detective

Pucca

Tutenstein, série de animação, a ser exibida na Sic. Dobragens produzidas por Psb Dobragens.

Howdi Gaudi, série de animação, a ser exibida na RTP. Dobragens produzidas por Psb Dobragens.

Do Re Mi, série de animação, a ser exibida na RTP. Dobragens produzidas por Psb Dobragens.

Casper, série de animação, a ser exibida na TVI. Dobragens produzidas por PIM PAM PUM.

Escrita

2009

A Voz de Onan, texto para teatro.

2009

It’s All About Plato, texto para teatro.

2008

Apenas Jardim, texto para teatro.

2004-2011

htt://www.odiariodeonan.blogspot.com, blog pessoal de Hugo Amaro.

2005

O Quarto Rimado de Onan, poesia, obteve a Menção Honrosa no concurso literário Lisboa À Letra 2005, promovido pela C.M.L.

2004

Baile Demutante, texto para teatro

2003

Sickcom, texto para teatro.

Cabaret Para 3 actores, texto para teatro

2002

Adaptação teatral da obra A Casa do Incesto” de Anaïs Nin.

2001

Barthes & Mandrake, texto dramático para teatro em co-autoria com Rosa Coutinho Cabral e José Carlos Pontes. Encenação de Rosa Coutinho Cabral financiada pelo Ministério da Cultura (IPAE) e apresentado no Teatro Taborda.

If You Were in my Movie, texto para cinema (curta metragem).

A Cabeça do Escritor, texto para teatro.

Música

Assumiu de 1998 a 2006 a função de vocalista na banda de música rock “nude”.

Fundou em 2006 o projecto de música electrónica “làtigo”, assumindo as funções de letrista e vocalista.

Em 2009 funda e assume a função de vocalista no projecto electrónico intitulado “silicon lady”.