Friday, May 27, 2011
Sunday, May 15, 2011
novelas
ventanias-me, tu, sim, tu ventanias-me!
pena isto ser completamente mentira!
assim de repente, o tu deixou de me habitar. bem... na verdade, não foi de repente. essa desabitação foi acontecendo sem mais nem porquê. (será?)
ah, dou por mim sem o outro/tu. e agora?
agora nada.
diz que é uma espécie de alívio novo.
essa é a mais interessante coisa, chegar a isto, sonora e graficamente: alívio novo.
ALÍVIO NOVO. gosto.
vou começar a escrever a sério na próxima semana, tenho algumas novelas de, mim, novidade ser!
o sol é o sol e eu tenho dedos militantes.
bem, tenho aqui umas coisas para dizer...
Sunday, April 24, 2011
Tuesday, April 05, 2011
3.1
ainda não me tinha apercebido que já estava online. este é o primeiro (iPhonic-blair-witchic)videoclip do meu projecto musical: silicon lady. a canção ainda não está masterizada mas é um hint do nosso trabalho e de um futuro EP. "shape and content define what it's true when finally someone is loving you", i wrote and, proudly, sang.
Sunday, March 06, 2011
Sunday, February 27, 2011
para o amor que eu tive de deixar de ter (isto tudo, claro, em efabulações e com a devida distância)
houve um dia em que eu tirei o dia para me concentrar nos teus dedos, tirei o dia para isso. e, como já foi há muito tempo, hoje posso, sem qualquer tipo de resistência, revelar-te esse facto. e, comecemos pelo princípio.
durante a manhã inspeccionei as tuas falanges.
as tuas falanges:
arredondadas, acres, algo teimosas e imperativas; as tuas falanges são o princípio de um verbo que ainda mal conheço. são, como que, rebeldes, iniciáticas, brutas, e tentam, por todos os meios que conhecem, e outros que ainda teimam vir a conhecer, ser donas de uma verdade que não conhecem mas que sabem há muito vir a ser-lhes anunciada e sobre a qual muita autoridade, num futuro, mais ou menos próximo, virão um dia a ter. resumindo e, muito rapidamente, concluindo: as tuas falanges são a súmula de toda a tua arrogância, são arrogantes e sabem que em mim têm um pleno e delicioso território. conhecem-me.
depois da manhã concentro-me, já algo consternado, nas tuas falanginhas.
as tuas falanginhas:
quando se fuma muito, como tu o fazes, está-se sujeito a que na pele se instale o constatar desse vício. a pele é o principal receptor de um vício. e é, de facto, algo curioso, ou mesmo engraçado, que não seja nas falanges, mas sim nas falanginhas, que a imperiosidade de um vício tão imperioso, como fumar, se torne tão evidente. mas deixemos secundárias, e nada para aqui chamadas, considerações de lado e retomemos o cerne da questão. e o cerne da questão é, meramente, este: a meio do dia as tuas falanginhas nada mais são do que o impacto da minha língua nelas. melhor, o impacto da ponta da minha língua nelas. e têm um sabor. as tuas falanginhas têm um sabor; sabem ao ontem que não me dizes, por tanto medo teres do (nosso) amanhã, e a amarelo. as tuas falanginhas sabem a tempo e a amarelo; e amarelo é sinónimo dos dias em que já nada de nós restará.
algo tremente, algo descontente mas nunca desistente, a meio da tarde ocupo-me das tuas falangetas.
as tuas falangetas:
as tuas falangetas são o que, nessa tua mão, mais próximo está do coração e nelas perdi-me. perdi-me porque, segundo consta, nos hominídeos é a mais importante parte de um, tão importante, dedo: polegar. e eu nele, neles, nos teus polegares, sempre me senti tão uma, secundária, figura de estilo.
resta(-nos) a noite.
à noite tu não tens mãos. e por isso não somos. não somos porque eu ponho pratas na noite e só nos regresso de manhã; em espaçada, muito espaçada, cada vez mais espaçada, manhã.
nunca escreverei sobre a tua cara: esqueci-a, tive de a esquecer. talvez porque nunca a vi, talvez...
desejo que um dia percebas que o amor nada mais é do que, epidérmica, mas com voz, geografia.
Friday, February 18, 2011
Thursday, February 17, 2011
Saturday, February 12, 2011
aqui
enquanto ando a desenhar o ser, ando, por outro lado, a ouvir a voz que o ser me é. e o ser diz-me coisas tão precisas. diz-me que parta, diz-me que rompa, diz-me que me evada, que me desencontre para noutro lugar me encontrar. tenho a precisa e profunda noção de que não estou a viver no sítio certo. é como se houvesse uma maior voz que me diz: tu não és aí, és noutro lugar ou num lugar que não existe mas que há-de construir-se no trajecto que os teus pés desenharão. tenho a clara sensação de que eu não existirei num determinado ponto mas na locomoção, na deslocação, na viagem, em si. há algo que me precipita para a partida porque o permanecer é, cada vez mais, encaminhar-me para uma outra derradeira e irreversível partida. a partida definitiva. ficar será morrer. nada mais faço do que entregar o dia, o discurso, a energia, a presença aos dias. e os dias decorrem e exigem de mim, fazem-me actuar mas, e é isso que realmente feels like, há uma outra verdade forte e torrencial que afirma que quanto mais estou aqui menos estou no sítio onde deveria estar. no sítio para onde me deveria dirigir. e, talvez, esse sítio não exactamente exista. talvez esse sítio seja apenas o instituir do verbo caminhar. mas o que mais dói (por não estar a ir) e alicia (porque sinto que é lá que reside a verdade) é precisamente essa quase certeza: lá eu sou esperado. há alguma coisa, algo, alguém que me espera e eu, apenas, me deixo ficar por aqui.
tenho a infantil/certa/forte/presente intuição de que há uma mão, algures, que (d)a minha precisa/espera. e eu, ainda, aqui.
é terrível a certeza de que, na vida, há coisas que para sempre se calam. eu não quero calar a vida/voz. por muito que, ao longe, a escute.
Friday, February 11, 2011
isto não tem título (nem, na verdade, exacto destinatário); é uma espécie de furiosa efabulação
e agora eu, todo eu, me transformava em sabre, um aceso e inevitável sabre. e agora eu cortava-te ao meio. tens coração? diz-me; tens coração? eu corto-o ao meio. fiz o mesmo ao meu. então, porquê poupar o teu? somos feitos da mesma matéria. a matéria do coração. sofres? olha, também eu. ou pensas que ando aqui a brincar aos corações que batem e batem e batem e batem até não mais poder?!
eu faço por me parar e quando o consigo começo a imaginar o ponto onde estás. isso dói-me, mas dói-me tanto, eu escorro raiva do nariz e, na minha cabeça, eu vou, a pé, da minha casa até à tua. odeio esta coisa do impossível, odeio-a, odeio-a; tu nem imaginas quanto, e a única vontade que tenho é: arrancar-te dos teus lençóis, arrastar-te para fora da tua cama, fazer-te ver. eu quero fazer-te ver. entro dentro do teu quarto, eu conheço o teu quarto, e arrasto-te até à luz e digo-te:
olha para mim, caralho, olha para mim. enfio-te a língua dentro da boca, falo-te. digo-te coisas de mim, de nós, e faço acordar-te. soubesses tu o quanto o cheiro do interior da tua boca me é território e nunca mais te atreverias a abrir a dita, a boca, em vão. nunca terás quem fale, escreva, pense, sinta, o interior da tua boca como eu. por isso, cala-te, cala-te, não mereces esta nossa língua. eu fui a melhor coisa que te aconteceu e nunca a ponta da tua língua irá tocar outro céu. cala-te, não tens céu na boca porque eu estive e já não, nos, estou. esta é a razão porque eu nunca nos escrevi poemas... éramos o lado obscuro e desconhecido da poesia. éramos o poema que nunca se escreveu. mas eu tentei... éramos a vontade de escrever. e tu ficaste à espera. e eu? bem, eu, hei-de continuar a escrever poemas que nunca hás-de ler/ser. eu sou um poeta e tu és a musa que não lutou. tu és a memória que, apartados, teremos dos dias, esses dois dias, dias gémeos.; o dia em que tudo começou e o dia em que tudo, para nós, findou. tens numa mão o início e na outra o fim. eu nada mais sou do que entre as duas, tuas mãos, a escrita. e eu que ainda acredito no poder logístico do amor... quando penso que nunca mais seremos alguma coisa começo a voltar ao dia em que percebi que a vida seria difícil e tu és a mais magnífica disso prova. já não és, para mim, uma pessoa: és o sofrimento em forma de gente; uma estátua de sal que eu contemplo a chorar de frente para trás.
Tuesday, February 08, 2011
Friday, February 04, 2011
oh, not again!
está a acontecer outra vez e eu apenas sei que não quero. não quero mesmo. para quê? já tenho idade para ter algum juízo e conseguir detectar um tornado apenas quando dois grãos de areia se embatem, no ar, enquanto a ponta dos meus dedos não os consegue sossegar, ou, de embater, deter. está a acontecer outra vez e eu não tenho antídotos para tempestades no deserto. it no longer feels good. foda-se, caralho, foda-se e refoda-se! odeio estas voltinhas que a vida dá!
Tuesday, January 25, 2011
chegado do porto num dia de inverno
há qualquer coisa de profundamente relacional,
paralelo ou perpendicular,
artimanhoso, incauto, silencioso,
ou apenas relacional,
entre o quarto que outrora tive, e já não tenho,
e uma cidade que já me foi mas que nunca chega a, concreta e absolutamente, ser-me.
parto-me aos bocados, conservando-me nessa operação,
porque o tempo nada mais é do que uma veníflua locomotiva.
há qualquer coisa de profundamente emocional,
alcalino ou por acidular,
que é a força das palavras ainda por escrever
sobre aquilo de desde sempre eu me soube ser e que mais não foi do que o prévio retrato do agora-mim.
eu ainda não consegui escrever-me em linha recta.
mas o meu coração, quando aberto ao meio, nada tem de ziguezagueante.
Sunday, January 23, 2011
Friday, January 21, 2011
Thursday, January 06, 2011
a decisão
amadíssimo diário:
tenho a dizer-te várias coisas mas não neste momento. são coisas que estão dentro de uma decisão que tomei hoje de madrugada: vou mergulhar, vou abrir mais o jogo, vou pôr os dedos na ferida, ou nas feridas, vou revelar-me, vou crescer um bocado. decidi isso, queria que soubesses. temos de nos preparar. podes começar a destapar os espelhos!
Wednesday, December 29, 2010
poema-fénix
se sou poeta?
a noite sempre foi prateada -
e
nos meus olhos a fervura de te ver assim:
ser docemente oscilante no desequilibrio de uma vindoura intempérie.
este foi um dos primeiros poemas que escrevi; teria uns dezassete anos. esqueci-me dele, porque foi queimado. hoje renasceu das cinzas.
Sunday, December 05, 2010
mais uma vez a escrita
debruço-me sobre variadas coisas. antes de mais, disse à xaninha que preferia ficar sozinho e que não queria que ela viesse dormir comigo. acho que fiz bem, fiz o que senti; ela disse que percebia e que ainda bem que o fiz. eu sei que: ainda bem que o fiz; seria incapaz de ter, neste momento, alguém a meu lado. preciso de estar-me.
enquanto vinha no táxi invadiu-me uma, até agora, nova sensação. a sensação da despedida. vi as ruas como se da última vez se tratasse; vi as ruas como se nunca mais as voltasse a ver. a morte está-me sempre muito presente (começo, inclusivamente, a ponderar se não serei obcecado por ela) e, há minutos atrás, senti-a tão em mim. é estranho isto mas tão, ao mesmo tempo, quase, familiar; sinto que a morte me acompanha (talvez por tanto nela pensar). sinto que está sempre a pairar sobre a minha cabeça. eu não quero morrer agora, juro, mas, quase, sinto que ela está em permanente diálogo comigo (gostaria de escrever melhor, e mais, sobre isto mas agora há outras prioridades).
saí do táxi, e, no seguimento da reflexão sobre a morte, ao estar a escrever-me, como sempre, fui dar à escrita e percebi: a escrita é a coisa mais avassaladora e pesada que pode a um ser acontecer. é de uma responsabilidade tremenda. passo a explicar: quando se escreve, quando se é escritor, ou escrevente, como diz o outro, e acho bem, essa terminologia, o escrever passa a ser uma imposição inegável. uma pessoa que escreve não pode deixar isso de lado, silenciado, esquecido, inoperante. é uma obrigação. é uma responsabilidade. escrever é, mesmo, uma responsabilidade. está a tocar-se, operar-se, mover-se num nível muito do "sublime". e a escrita exige que algo daí decorra. vou tentar explicar melhor: o escritor/escrevente sente mas há, dentro de si, algo que lhe diz: - manifesta, concretiza, instala, escreve. a escrita nada mais é do que INSTALAÇÃO. quem está na escrita, ao sentir, tem uma imediata responsabilidade de concretizar aquilo que lhe surge/ocorre: é sua função. o escritor é um mero médium. nada mais do que isso. é, mesmo. é uma peça de um jogo tão maior... é apenas um obreiro. e isto leva-me ao derrubar de todas as fantasias que teci sobre a grande virtude de ser um escritor. ser um escritor é virtude nenhuma; é uma função, opressiva, desgastante e redutora, como qualquer outra o é. é uma função. é claro que existe a, nem sei bem, agora definir, mas tentarei, questão da eloquência, gosto, forma, virtude, até, talento e dote, mas ser escritor é nada mais do que uma tarefa. há aqui uma coisa terrível (no mais amplo sentido, que engloba o sentimento de grande benção e, ao mesmo, ser um mero servo: rato na gaiola): a imperiosidade de escrever. eu dou por mim a querer poder sentir as minhas coisas por, e para, mim sem ter a "obrigação" de as registar. mas não consigo, não consigo mesmo. há algo dentro de mim, completamente anexo ao que sinto, que, automaticamente, me obriga a expressar o que me ocorre. eu sei que nem toda a escrita é desta forma, for god's sake, mas, em mim, na forma confessional e endógena, como a escrita me acontece, não pode deixar de ser desta forma. e é isso mesmo: não pode deixar de ser desta forma! isto é grande e arrebatador. às vezes gostava de ter uma mais leve missão. mas não posso, não consigo virar-lhe, à escrita, as costas. até porque há aqui algo a grandemente ressaltar: eu adoro o que escrevo. e "quem corre por gosto não cansa". sou tão mais feliz quando escrevo. é, de facto, uma benção. ao escrever sou tão mais. tenho é de deixar de ter medo daquilo que a escrita me trará. só pode ser bom. porque eu sou bem; e eu escrevo(-me) bem. eu sou do bem. escrevendo-me ou não!
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