Thursday, November 05, 2009

falo de...

vou falar-te do tempo e do sabor do tempo. falar-te-ei do tempo, este tempo, em que tudo sabe a pouco, a ínfimo, a pó de giz, a nada.
queria falar-te de uma coisa, uma impressão, uma conclusão, uma certeza, um sentimento, a que agora não posso/consigo chegar. eu sei que não estou a ser preciso, penso que não conseguirei, agora, sê-lo mas atrevo-me a falar-te dele. refiro-me a esta impressão/sentimento/intuição de que nada chega. tenho toda a elaboração, aqui, guardada e não a consigo jorrar. mas eu sinto-a/pressinto-a. vou calar-me, não consigo; às vezes as saudades são tantas, tantas, toldam-me e eu já nem sei de quem, efectivamente, sinto falta. tu és tanta coisa, és um conceito muito grande, um conceito demais e és apenas um conceito. quem és tu que eu não tenho? quem és tu que me foste/vais? mas eu sei que sinto saudades da outra margem onde esta ponte assenta. tenho saudades de te ver agir, tenho saudades de me ver (partir)/aí/ chegar. e eu que luto só por me calar, e eu que tento, tudo, antes, durante, depois, olvidar.
tu és tanta coisa e eu sou tanto por ter sido ser.
e eis que o amor (se) (re)nasce/tece.
e eis que, uma vez mais, tenho a impressão de ter passado ao lado do que, a seu tempo, floresce/cresce. e eu que nunca desejei o mal.
mesmo que maktub, atrevo-me,: ainda está tudo por escrever. e eu ainda hei-de ser a nossa celebração/honra/louvor/prémio/estória por escrever... e ler.
ainda não sei quem me foste. e isso é a bala que não cuspo, tampouco engulo; é a bala que tenho, à força, retida entre os quatro frontais dentes. há ferida?
queria ter tentado chegar a um determinado lado, no que escrevi, mas, uma vez mais, por não saber, do que falo/escrevo/elaboro/sinto me perdi.
só me resta a certeza de que tudo à nossa volta é tão maior do que nós, tão maior. quando sentires, também, isso faz-me saber, peço-te.!
e continuarei, como sempre, a tentar ter o que dizer-te (mais).
e eu sei que sei ouvir, sei mesmo. apenas preciso de quem quer ter o que dizer/mostrar.

Wednesday, November 04, 2009

cinco anos

estimadíssimo diário:
há coisas na vida, muitas, mesmo, em que os principais implicados são os últimos a ter conhecimento. e, na matéria que se segue, assim é. no domingo fazes cinco anos e vais ter uma festa. não é a festa que eu vinha, há anos, a elaborar na cabeça mas quando se elabora muito, normalmente, pouco se consegue. não digo que o que se irá conseguir seja pouco, será o possível, fiquemos com isso felizes.
soprarás as tuas cinco velas no funicular e, o teu querido dono, fará duas apresentações da performance "a voz de onan" (23:05h e 00:05h). o amigo mfa fará as honras do djayísmo, eu também conto dar alguma música. espero que estejas contente. onan está. está contente e tem de pôr as mãos à obra.
com muita estima,
o, sempre, teu onan.

Saturday, October 31, 2009

um pedido

caríssimo diário:

agora que estás mais crescidinho, fazes cinco anos dentro de uma semana (e vais ter uma comemoração, não exactamente a que eu pretendia e que acho merecida mas a possível), vou fazer-te um sincero pedido.
nunca, mas mesmo nunca, te esqueças que, apesar de seres um espaço sempre da verdade és, por outro lado, o espaço onde muitas vezes me permito fantasiar. és, muitas vezes e portanto, o espaço do fétiche e da hipérbole. porque há momentos em que todo eu sou apenas fantasia, fétiche e hipérbole.

Monday, October 26, 2009

o gato de onan

é preto e branco e lindo, é meu.
era a irmã, parecida com ele, quem me estava prometida.
mas eu apaixonei-me foi por ele, assim que o vi.
tive dúvidas, não queria um gato por causa das mijadelas para marcar território e a castração e essas coisas algo perturbantes. mas não consegui resistir. a dúvida dissipou-se quando ele se veio deitar atrás dos meus joelhos e por ali ficou aninhado. foi ele quem me escolheu.
é preto e branco e lindo, é o meu gato: Om Shanti Lee (de seu nome).
vamos ser felizes juntos, bicho!

Sunday, October 25, 2009

há quase 24 horas

a hora pode mudar, tantas e tantas vezes, mas há coisas que não mudam. não muda esta vontade. não muda este desejo. não muda esta boa impressão que em mim fica depois de contigo ter estado. a hora pode mudar mas eu, nem por isso, mudo. há sete anos que te quero (bem). e isso ainda não mudou. há quase 24 horas que tudo se intensificou. falei-te de mim e tu falaste de ti. há quase 24 horas que gosto, ainda mais, de ti. há quase 24 horas que, dedicadamente, aprumaste o maço de lucky strike que, com blandícia e entusiasmo, hoje, todo o dia, trouxe comigo e agora depositei em cima da capa do "arabesque" da jane birkin. aqui está, à minha fente, em cima da secretária. sei que muitas vezes olharei para ele. penso na quantidade de horas que terão de passar até que tu, aqui, o possas ver e, eu, to possa demonstrar. há quase 24 horas que... me sinto mais perto daquilo que quero. quero-te. o que são vinte e quatro horas em sete anos? o que são sete anos numa vida? o que será que determina se, ou não, vamos ser tu mais eu, eu mais tu, nós? o que será que tu pensas/queres/és/ virás a ser (para mim)?
e cada vez te sinto/vejo/acho/creio mais bonito.
eu eu que, sempre te achei/senti nada mais, nada menos, do que lindo. cada vez mais lindo... nunca esquecerei o teu arrotinho e nunca esquecerei o teu riso quando te afirmei o quanto me agradou. lindo...
uma vez mais: as pessoas são complexas e felizes de nós quando perdemos o medo de ter o direito de o ser.
danças como ninguém; sempre dançaste e eu adoro, discreta e meio negligentemente, ver. tens tanto aí... tens aquilo que eu penso que preciso. venham novas manhãs...

Monday, October 19, 2009

it's all about decisions

tenho de conseguir reunir tempo, motivação e coragem para esculpir o "it's all about plato" (a última peça que escrevi). a conversa que tive com a andresa deu-me esse input. começo a pensar nessa escultura, surgem algumas ideias, tive hoje uma ao acordar, e na sexta-feira, no duche, surgiu uma decisão: a peça vai ter três fins diferentes. cada futuro interessado em vir a encenar a dita (que optimista sou) poderá escolher o que mais lhe convier.
primeiro fim: o fim já escrito.
segundo fim: w. não adormece, levanta-se e tudo não passou de uma encenação sua.
terceiro fim: p. não adormece e tudo não passou de uma encenação sua.
no que a mim concerne, não consigo decidir, por agora, qual o fim que escolheria; talvez porque ainda não consegui perceber, e muito provavelmente jamais o venha a conseguir, qual dos fins me, biograficamente falando, ocorreu (talvez para poder perceber o fim tivesse sido necessário ter podido perceber tanto do durante e, até mesmo, do antes; em ambas as "personagens").

Friday, October 16, 2009

sobre o impossível

"e levante-se quem nunca engoliu um considerável bocado de vidro".
dicidi, agora mesmo, que é assim que começará o romance que jamais escreverei, o meu romance impossível. ao aprofundar a cogitação ocorre-me um conto, sim, creio que é um conto, da patricia highsmith cujo protagonista é um escritor que apenas redige na cabeça e cujas obras jamais têm composição gráfica, ou redacção efectiva, chamemos-lhe assim. a propósito de impossível, revivo as discussões, discussões entre aspas, porque na verdade nunca o foram/são, entre mim e o ricardo aquando da concepção do projecto que, mais tarde, viria a intitular-se "a voz de onan". falávamos, nessas discussões que nunca foram/são discussões, sobre as minhas obras impossíveis. e decidimos que sobre as mesmas incidiria o produto que estávamos decididos a elaborar. não o foi, "a voz de onan" não foi sobre isso, efectivamente falando. pode ter sido de forma tácita mas não efectiva. mas o que interessa são as ideias que se constroem, as conversas que nos permitimos ter, a permuta, a criação; e na criação é tão importante o que fica como aquilo que se esfuma, sobra, vai, não acontece.
"e levante-se quem nunca engoliu um considerável bocado de vidro", é assim que começa o meu romance que jamais virá a acontecer. eu, que há algum tempo decidi que tenho um prazo de cerca de dois anos, mais coisa, menos coisa, para provar que sou a grande promessa da literatura portuguesa e dez anos para provar que sou o melhor autor da nossa língua, permito-me ainda conceber romances impossíveis ou, pelo menos, displicentemente não redigíveis.
descobri, numa entrevista, que o lobo antunes cita muito. alentou-me, eu cito, sou uma pessoa que cita. e cito, não é bem citar, é referir, o dito lobo antunes. a escrita é uma espécie de canal, entre mim e a folha/página em branco. a escrita é o uso que a mesma faz de mim. quando escrevo sinto-me comandado por uma entidade, cuja dimensão nem me atrevo a tentar definir, que me coloca na posição de escriba/emissário/medium/serviçal e aquilo que produzo mais não é do que um acertar das minhas impressões, ou seja: é colocar a minha sensibilidade, a minha intuição, o meu entendimento (que kantiano estou!), o meu sentir (que prosaico-popularucho estou) na certa dimensão. é o actualizar, é o configurar, é o colocar no devido lugar (que aleixiano estou, e sou, porque eu, vá-se lá saber porquê, adoro rimar). a escrita é o put in its righ place. e, concluo agora eu, o porquê da impossível obra deve-se ao facto de essa obra não ser a permitida/agendada/sentida/entendida/intuída por mim e, muito menos, a prevista para mim por essa "sobrenatural" entidade. vejamos o quão paradoxal (para não dizer pescadismo de rabismo no boquismo) tudo isto é; quando eu mais não sou do que o escriba, o serviçal. e com isto fiquemos; quando eu ainda tenho tanto para provar, nem que seja o porquê escrever. eu sinto-me encruzilhado; mas sei que o faço por algo que nem me atrevo a tentar definir.
conclusão: há tanta coisa que jamais poderemos vir a definir; e o gozo que isso dá (quando deixamos de tentar lutar contra isso).
"tu foste o país que eu nunca tornei hino
tu foste, e serás, o mote para deixar de ser menino
tu queres ser um estilhaço do divino
e eu sou uma guerra contra o antes, o durante, o depois da ideia de destino"
é assim que começa o poema odisseico que jamais irei escrever. e a culpa não é apenas minha! "a culpa é da vontade" antónio variações dixit.

Friday, October 09, 2009

estado de graça


ainda estou, e certamente ficarei, em estado de graça pelo concerto da jane birkin ontem. só me ocorre uma palavra: privilégio. há artistas assim, cuja arte é um privilégio. sinto-me privilegiado por ter passado pela experiência de ontem. quando confrontados com a superioriade, a beleza pura e o bem, desta forma, é que nos apercebemos que perdemos demasiado tempo com coisas tão rasteiras, ínfimas e mediocres...
a jane birkin tem a graça dos grandes, dos iluminados e, já agora, a combinação paradoxal, e superior, entre uma fragilidade desconcertante e uma fúria tácita, atávica, guerreira, maior: invisível mas inquestionável, certa. e toda ela é luz e sombra, toda ela é humana; tão superiormente humana; faz chorar a sorrir e sorrir a chorar.


À LA GRÂCE DE TOI

Pourquoi la grâce de toi
Me frappe, ensommeillée ce soir ?
Ton visage avec les yeux clos
Me rappelle toi dans mes bras

Pourquoi je te vois courir
Comme au ralenti
Et les rires ont un écho
Des plages de l'oubli ?

Pourquoi mes mains tremblent
Pour caresser une fois encore
Et comprendre la beauté
De cette complexité du corps ?

Trop faible pour nager
Au contre-courant, la
Vie envoie des vagues
Imprévues de mélancolie

Bafouée, ballotée, te voilà
Blottie comme les marins
Qui repèrent dans une
Tempête l'abri

Je bénis les dieux, en qui
Je ne croyais plus, de m'avoir donné
Un enfant à garder
Une nuit

Pourquoi la grâce de toi
Me frappe, ensommeillée ce soir ?
Ton visage avec les yeux clos
Me rappelle toi dans mes bras

Pourquoi je te vois courir
Comme au ralenti
Et les rires ont un écho
D'une plage de l'oubli ?

Pourquoi mes mains tremblent
Pour caresser une fois encore
Et comprendre la beauté
De cette complexité du corps ?

Trop faible pour nager
À contre-courant, la
Vie envoie des vagues
Imprévues de mélancolie.

Thursday, October 08, 2009

uma musa

hoje vou, finalmente e pela primeira vez, ver ao vivo uma das mulheres que mais amo e admiro: JANE BIRKIN.

que nervos!!!

Tuesday, October 06, 2009

os desígnios da (não) querença

ao longo dos tempos, nunca consegui deixar de me sentir melancólico, frustrado até, por não querer aqueles que me querem. hoje em dia, ainda assim o é. alías, hoje tem sido assim o dia todo.
talvez seja frustrante não ter quem querer mesmo quando se é querido.
"it´s so hard to find someone to admire": não sei o que isso é, essa admiração, há anos, e receio não voltar a ter possilidade de o saber/sentir, na verdade.

a escrita

"keep writing forward!"

esta foi a frase que o mick gordon mais proferiu no workshop de escrita que frequentei no sábado e domingo no TNDM.

it has to pop up in my head a lot, too. and i have to do it: write forward.

um poema

ontem dormi muito. mas dormi aos bocados. numa das muitas vezes que acordei fi-lo porque me senti invadido por uma imagem: um homem, uma rua, a solidão de uma rua, as horas. ainda aqui está, a construção dessa imagem. que bom, ando, novamente, a escrever um poema!

Monday, October 05, 2009

random splinter

por não ser amargo,
dou-te cabeçadas no coração.

Sunday, September 27, 2009

the delay

caro diário, tenho de te avisar de uma coisa: o que em ti por vezes expresso é meramente residual e não é necessariamente representativo da minha actualidade. algumas vezes o que aqui concretizo é ao retardador. mas se o faço é porque há coisas que aqui têm de ficar, nem que seja para, minha, memória futura; para me lembrar de por onde devo, ou não devo, num futuro ir. para estar atento. e também, claro está, para me poder revisitar/remontar/ler. porque o tempo muda tudo, tudo!

a carta

a carta que eu te escrevi não é uma carta, é um assassinato, é uma guerrilha tectónica, é um pranto, uma larva, uma parte de mim que persiste e se esvai, uma mancha de crude, uma catarse ao contrário; nunca se escreveu (ao escrever-se vai). a carta que eu te escrevi brinca com o tempo; rasga-se a todo e qualquer momento, é o curso, o desalento, é o rigor que não tento, e tento, oh se tento, é a ferver, é cimento... é uma carta que não consigo, e não quero, eu não quero, escrever. não posso, eu não a posso, escrever. nasces-me e morres-me aos bocados, não há escrita, não há paisagem que persista, e possa ser bonita, não há mão, não há antemão. não tenho mão na carta. não tenho onde colocar isto e, se persisto, é porque, ao mesmo tempo, desisto. resta-me o consolo de saber que houve, eu sei que houve, aqui, ali, there, onde quer que seja, ou fosse, o desenho do amor. mas eu não não conheço a perspectiva e tu és, foste, serás, a teimosia da tela, folha, guardanapo em branco. e a escrita não acontece assim. não sei como se acontece; mas, sei que a escrita não se acontece assim. a escrita é o real, e frontal, sincero, confronto do atrito e da vida. a escrita é a nudez inscrita; no que fomos, seremos, somos. é o puro de nós, atroz, mas sempre com o grão da vontade/verdade na voz.

e a pura da vontade, a pura da verdade é: era só o que faltava que eu fosse escrever-te uma carta! não tens olhos para isso.

onan quotes

"as mentiras criam solidão".
anaïs nin, in "a casa do incesto"

criam mesmo, eu, pessoalmente, não sei o que isso significa, porque não minto, mas, simultaneamente, sei, porque sinto e já vi mentir. e eu sinto, eu ainda consigo descobrir em mim a capacidade de sentir. e tenho pena; tenho pena de quem mente. tenho pena de quem mentiu... porque quem mente ou sente nada ou, então, sente tudo (mal).

Saturday, September 26, 2009

silicon lady


we guys. esta fotografia foi tirada pelo diário de notícias no dia 05 de setembro, a propósito do nosso primeiro gig no soundscapes, e foi publicada na edição de 12 de setembro do mesmo jornal.

Friday, September 25, 2009

statement

time changes everything, everything!

Tuesday, September 22, 2009

Wednesday, September 16, 2009

snapshots agradáveis 3: a voz de onan









onan agradece a maria filomena oliveira a gentileza de ter capturado, editado e partilhado os snapshots, até agora, aqui publicados.

Sunday, September 13, 2009

o que consta hoje

o que onan promete, onan, cumpre.

aqui fica a citação proposta por onan, em "a voz de onan", como o que deve constar hoje neste diário:

“esta concepção da essência do repugnante como vida desregulada e rebelde a qualquer forma permite entender também o uso moral da palavra: com efeito é também repugnante a intrusão do imediatismo vital (como os impulsos e os interesses pessoais) em todas as questões que têm carácter objectivo e formal. repugnante é a mentira, porque está cheia de uma viscosidade vital e emocional, absurda e incongruente. repugnante é a impostura, quando oculta sob o manto do idealismo as afeições cúpidas e desordenadas do indivíduo. repugnante é ainda a cobardia, que consiste na intrusão de uma vitalidade malsã e mórbida em situações que exigem a defesa de uma escolha, o alcançar de um objectivo, a manutenção de uma decisão."
in, "a arte e a sua sombra", de mario perniola
onan cita e subscreve e ainda aconselha todo o artista(zinho) que por aí anda a ler com muita atenção esta obra. com muita, muita, muita atenção.

Saturday, September 12, 2009

achtung 4

TODAY, AT 11:50 P.M., ONAN WILL SPEAK.

("a voz de onan" irá ouvir-se na festa agradável: espaço ginjal, cacilhas a partir das 23h)

Wednesday, September 09, 2009

os contributos de onan (para a festa agradável)

contributo 1

a voz de onan:
os duplos não se fazem, os duplos acontecem. há sete anos aconteceu-me o duplo: onan. vai fazer em Novembro próximo cinco anos que lhe dei um espaço: http://odiariodeonan.blogspot.com. não sei se fui realmente eu quem lhe deu esse espaço ou se foi ele, o meu duplo, quem me deu essa oportunidade e o fez acontecer. os duplos fazem e acontecem. o meu duplo quer acontecer cada vez mais: quer apresentar-se before my eyes; eu também quero. quero vê-lo inteiro. mas antes será preciso ouvi-lo. ele pede-me, cordialmente, a voz e eu, de boa vontade, lha darei. os duplos não se fazem ouvir; acontecem e apoderam-se das palavras e da voz. somos nós quem tem de os saber ler e escutar; saber ceder-lhes toda e qualquer substância. não deixo, no entanto, de (pres)sentir que isto é ainda e apenas um começo. o desfecho é-me totalmente incógnito; assim como o é, seguramente, para o meu duplo.
uma ocorrência concebida por hugo amaro e ricardo batista
interpretação: hugo amaro e onan
vídeo: ricardo batista
adereços e figurinos: tânia franco

contributo 2
silicone lady:

a mais ilustre desconhecida banda portuguesa chamava-se: nude. há cerca de três anos extinguiu-se. agora, três dos seus sobreviventes criaram uma fénix de silicone e, num impulso harakiri, decidiram-se, com meia dúzia de ensaios, voltar a apresentar-se ao vivo (tais eram as ganas/saudades). revisitam-se temas inéditos extintos e versões muito estimadas, num outro prisma.

os lords da lady são:
filipe luig: teclados, guitarras
hugo amaro: voz
nuno varudo: teclados e programações

where and when onan will speak


Saturday, September 05, 2009

achtung 3

in a week onan will speak!

Monday, August 24, 2009

achtung 2

IN A FEW WEEKS, ONAN IS GOING TO SPEAK FOR THE FIRST TIME! ONAN'S VOICE IS ON ITS WAY.

Wednesday, August 19, 2009

a sorta rise and shine

onan acordou, ontem, a pensar que gostava realmente de ter pena dos fracos de espírito; mas não tem. tem antes uma vontade feroz de os degolar e, por outro lado, uma vontade indómita de se mandar trepanar quando se apercebe da quantidade de tempo que já devotou a algumas dessas criaturas. mas, meanwhile, relativiza-se a questão e arranja-se motivos para rir. porque há sempre, e cada vez mais, motivos para rir. onan ri-se e muito, sempre.
porque rir é um vício; e que merda de vício este!

Saturday, August 15, 2009

achtung

ONAN IS WATCHING YOU!

Sunday, August 09, 2009

telefone

onan, hoje, ficou a gostar mais do telefone. e de tudo o que ele implica. porque será? ah e ah.

Saturday, August 08, 2009

past participle

onan reads the signs,
under a sun that ocasionaly shines,
even read some strange lines,
and
the story never defines
underneath,
lies the fact that here he only finds sketches
never real and efective strength of character designs.

foi ver e era o past participle.

Thursday, August 06, 2009

o pião/peão

(uma pseudoincursão na forma aleixiana. recomenda-se que se leia em voz bem clara e alta, de modo recitativo e tosco; numa piscadela de olho constante à cantilena que a, possível, rima sugere e permite.)


o pião (ou peão, ambos servem, tanto faz) faz um desenho equilátero,
ata e desata nós no cordel
que nada mais é do que a narrativa
da sua atabalhoada fuçanguice, para ir parar longe: ao teatro.

mas, vai-se a ver, e é tudo por amor, tudo.


onan, claro está, aprecia o espectáculo, onaniza-se e, como sempre, ri-se (muito).

Saturday, August 01, 2009

o visitante

a pele que tinha, e pela qual se pelava, era a pele que a sua pele se pelava por tocar, ou que, até mesmo, tocava.
não tinha olhar e, por isso mesmo, os seus olhos nada mais viam do que o movimento dos olhos dos outros; via ver e assim se convencia de que era vidente.
falava não por ter um discurso mas por piamente acreditar que tinha realmente de, em determinado momento, proferir quando uns olhos nos seus se fix...

quero lá saber de náufragos se eu sou o antes, o durante, o depois das vagas, a voz inteira das marés e consciência pura do salitre enquanto namora as âncoras.

sou o mar; és apenas a vontade menina de nadar (sem sequer o saber aprender a fazer).

a tinta compadece-se sempre de quem nunca será um livro.

Friday, July 31, 2009

mon paradoxe

o grande paradoxo de onan: desprezar visceralmente o solipsismo!

Monday, July 20, 2009

a ausência do poema

o poema descolou-se-me das mãos e eu nem dei por isso. sumiu-se, perdeu-se, quase que me atrevo a dizer que se liquefez, fundindo-se com o nada. nada é o que fica. nada é o vazio das mãos e um poema que tanto se quis escrever mas cuja vontade nunca, simplesmente, nasceu. não sei o que hei-de pensar disto: o porquê da partida da poesia. não gosto da ausência dos poemas, já é quase longa e não consigo habituar-me a ela. a verdade é que, por mesmo pouco que tenha tentado, há, quase, muito que não me semeiam poemas. sinto-me, francamente, mais pobre por isso; porque eu não sei não, ter de, escrever poemas.
cito-me (um poema com quase dez anos)
musa azulada querem teus pés esmagar os olhos do homem que espera
musa poeirenta entortas os olhos, falas sozinha e embebedas a pêra
musa cansada, cadelas com cio tricotam-me o manto com pêlo de fera
musa birrenta vem nestas noites roubar o poeta ao seu quarto de cera
eu quero (preciso), talvez, uma musa azul (ou pelo menos azulada), talvez como eu.

Thursday, July 09, 2009

tlinta e tlês

faz hoje às 23:05h 33 anos que onan veio ao mundo.

Thursday, January 15, 2009

os filhos de hédon (work in progress: actualizado a 08/04)

15/01
quem visita Hédon não visita um planeta, um continente, um país, uma cidade, uma vila, uma aldeia, um lugar, uma rua, uma casa, uma porta. quem visita Hédon visita a energia de um coração extensível, cuja dimensão pode oscilar entre uma mera partícula e toda a incógnita capacidade espacial do universo. quem visita Hédon pode estar a visitar-se.
sabemos que Hédon é habitado e que ocupa espaço mas não sabemos, prezado leitor, as suas reais e potenciais proporções. muito menos sabemos nós, legião mais ou menos intrépida de narradores, a data precisa da sua fundação. alguns de nós estão convictos de que Hédon não teve início e que jamais terá, porventura, um fim. outros de nós há, talvez mais evoluídos ou que sustentam a vontade de o ser, que suspeitam de que Hédon tem uma existência intermitente e que tenderá a desaparecer. esses, os supostamente mais evoluídos ou que sustentam a vontade de o ser, defendem que a extinção de Hédon se processará mediante a descoberta de uma cura porque, asseveram eles, Hédon é uma doença.
Hédon, como qualquer outra entidade espacial, tem uma dinâmica própria; é habitado. e, assim sendo, todos os dias em Hédon se registam nascimentos, uniões, desuniões e mortes. há quem nasça e morra em Hédon, há quem nunca lá viva, há quem apenas lá se una, ou desuna, e há quem apenas lá vá morrer. há, contudo, em Hédon, uma presença forte da hereditariedade.
há uma palavra, um código, uma téssera que permite a entrada, permanência e saída de Hédon. essa senha é igual para todos e não precisa de ser pronunciada. é uma senha sentida e chama-se: Amor.

os dias em Hédon são, por norma, agitados e intensos; são dias ansiosos. aliás, o ar que se respira em Hédon apresenta, na sua mais profunda composição, altas concentrações de ansiedade e, a existência e livre circulação desse mesmo elemento, é uma das razões porque viver em Hédon, mais do que uma imperativa condição, é um vício.

estamos nós, legião mais ou menos intrépida de narradores, certos, prezado leitor (e assumiremos o leitor como uma legião mais ou menos intrépida de seres que amam, uma massa plural e abstracta, o mundo), de que muitos de vós em Hédon se encontram viciados.

o vício começa muito cedo; começa, muitas vezes, com o início da vida e é transmitido aos recém-chegados ao mundo pelas suas próprias mães. recorde-se, prezado leitor, de que a questão da hereditariedade já foi por nós, legião mais ou menos intrépida de narradores, anteriormente enunciada.

essa questão fica, por ora, adiada; a sua peremptória e assertiva dissecação só poderá ocorrer mediante um concílio dentro da nossa própria legião e após selada a conclusão sobre a polémica questão:
é ou não Hédon, além de um vício, uma doença?

27/01

falemos, então e agora, das noites em Hédon. quando do céu o sol se evade e sua ausência num dinâmico manto, a o seu próprio ritmo e vontade, da cor do sempre o firmamento torna, começa em Hédon a sentir-se o efeito dessa operação. os sangues começam a apressar-se e existem zonas nos corpos que, quais magnetes transcendentais, imprimem à circulação do fluxo dessas substâncias, que, caso possam ser degustadas, das mesmas se dirá estarem carregadas de diversas e aleatórias ligas de diversos e aleatórios metais, uma velocidade por todos conhecida ou, pelo menos, sentida mas por nenhuns successfully explicada.

01/02

as noites em Hédon não são apenas o fruto da voz e da fúria do sangue; são o dentro, o interior absoluto do sangue em si mesmo.

17/02

pedimos ao prezado leitor que, caso a sua paciência demonstre a vontade de fraquejar, se retraia e tente ultrapassar o facto de o nosso relato se revelar ziguezagueante. a hesitação faz parte de Hédon e a verdade é que, uma vez mais, deixaremos em suspenso a descrição de uma das suas faces para, em seu lugar, aprofundar a dissecação de outra. nesse sentido, deixemos a noite por exaurir, numa outra ocasião, e passemos à caracterização, o mais afincada possível, do dia.

o dia em Hédon nasce muitas vezes.

08/04

não será certo, ou recomendável, adiantar a quantidade de vezes que o dia em Hédon nasce. porque em Hédon o dia não se afirma como um todo; é uma entidade plurimórfica, mutante e altamente contraditória. o dia desfaz-se, refaz-se e contrafaz-se; e todos esses processos em nada são previsíveis, sistemáticos ou classificáveis. muito menos possível é, prezado leitor, assinalar as causas que esses fenómenos vêm determinar. apenas os efeitos são detectáveis e sobre eles, por falta de vontade de o fazer mais tardiamente, focaremos agora a nossa narração.

há três espécies de efeitos que o dia em Hédon provoca:

1- a presença presente

2- a presença ausente

3- a fuga

1: a presença presente é um efeito imediatamente detectável, não somente pela força da redundância mas, sobretudo, pela força da relação dialéctica entre aquilo que o dia emana/produz, a cogitação sobre essa produção e o discurso sobre essa cogitação (em análise última, sempre sobre a emanação/produção per si; sendo esta a única parcela que comporta irrefutável factualidade). quando a presença é presente está constantemente a tentar estabelecer pontes, mais ou menos sólidas e bem fundamentadas, com a emanação/produção dos dias, a sua verdadeira verdade , o que a precedeu, a sua presente configuração e sobre o que a fará perdurar ou não (o teste tende a ser permanente). a presença presente tem como máximas intenções o aprisionamento do tempo e a certeza (no fundo ansiedade) da solidez do espaço. a presença presente é hipercinética, altamente analítica, voraz, dinamizadora, eufórica, ferozmente ligada à ideia de verdade, instável, combativa, intensa, séria, convicta da sua própria clareza, arrebatada, amante, sedenta de espelhamento, de empatia, de entrega, de certezas, de profundidade, de perenidade, de inteligibilidade, de entendimento, de discurso, de amor; no fundo, sendenta de presença. é esta presença que faz com que o amor seja a matéria transversal da arte, porque é ela, a presença presente, apesar de tudo e por amor, a própria vontade da arte.

(a desenvolver posteriormente)

2: a presença ausente é, com efeito, um efeito cuja dificuldade na sua detecção se alimenta a si mesma. a presença ausente nunca deixa de ser presente mas essa presença não é imediatamente classificável; usa o tempo e o espaço de uma forma que é irregular e que está em permamente digestão desse mesmo uso. pode dizer-se que, com frequência, ao caminhar sobre a areia, esta presença, nesta não deixa as suas pegadas; isto porque o que para si assume é que se encontra a caminhar sobre água.



Monday, December 15, 2008

quatro anos

querido diário:

este ano o teu autor foi, uma vez mais, uma besta desnaturada. fizeste quatro anos de existência no dia 08 de novembro e ainda não te congratulei. devo confessar-te que me apercebi disso há umas duas ou três semanas mas a preguiça e a tormenta emocional foram o principal impedimento desta iniciativa. mas, tu sabes, sou particularmente negligente nesta coisa das datas, até hoje não sei a data do aniversário do meu pai; mas isso é um fenómeno mais complexo que a mera negligência. será, concerteza, um índice mais do foro endógeno, que a psicanálise conseguirá descortinar. adiante, não farei promessas de te compensar imensamente pela minha falta, nem irei desfazer-me em lamentos e desculpas. as coisas surgem no tempo em que têm de surgir. esta iniciativa surgiu agora e fi-la com a melhor das vontades. dá-te por contente por isso.
asseguro-te, no entanto, que gostaria de te fazer crescer mais, de te dar volume, substância, matéria. não prometo fazê-lo, prometo trabalhar essa vontade.
os meus parabéns.
prometo-te uma coisa, quando fizeres cinco anos terás direito a uma grande festa de aniversário. com balões, confétis, dj set, bolo, velas e tudo. tudo menos palhaços profissionais, odeio palhaços profissionais. faremos nós a palhaçada, como sempre, como bons palhaços amadores que somos.
ah, e faremos um brinde.

Friday, October 31, 2008

a draft (i do not know where it goes)

pôs-se assim, repleto de vontade de ter uma vontade, a redesenhar sobre aquele dia todos os seus relativamente recentes dias. decidiu que o melhor a fazer seria sorrir. e assim o fez: sorriu. se a cena fosse observada, coisa que, garantidamente, não foi, poderia dizer-se que o sorriso obtido, e no seu rosto posto e plantado, o sorriso possível, não era mais do que um sorriso invertido, possivelmente construído pelo avesso, um sorriso ao contrário. era, na verdade, o negativo de um sorriso. mas isso em nada o deteve. prosseguiu o redesenho e afincou a vontade de, sobre aquele mesmo e infeliz dia, reviver todos os dias predecessores.
fechou a luz. abriu a janela do quarto; chovia mas a noite não estava, no entanto, fria ou feroz. com um veloz mas ligeiro beliscão fez a gata miar. o animal saltou imediatamente de cima da cama para aterrar, sem graça, no tapete. ele despiu-se, então, e seguidamente bebeu dois goles da água que jazia há mais de duas semanas no copo deixado ao abandono em cima da mesa-de-cabeceira. soube-lhe mal, a pó. precipitou-se para a janela e cuspiu o líquido para a rua. o som do seu projéctil, ao embater no capot do carro estacionado por debaixo do parapeito, dissolveu-se na sinfonia caótica e cacofónica que a chuva protagonizava na rua. esfregou as mãos pelo corpo nu, sobretudo pelas coxas, para que, em virtude da inevitabilidade de um rápido e inesperado arrepio, pudesse ter a oprtunidade de voltar a aquecer ambas: ambas as mãos e ambas as coxas. deitou-se, voltou a construir o sorriso possível e começou o redesenho.

o redesenho tinha a sua dificuldade. era complexo, rígido, àspero, estava carregado de atrito.

Tuesday, September 16, 2008

o amor que existe

o meu amor tem lábios de silêncio
e mãos de bailarina
e voa como o vento
e abraça-me onde a solidão termina

o meu amor tem trinta mil cavalos
a galopar no peito
e um sorriso só dela
que nasce quando a seu lado eu me deito

o meu amor ensinou-me a chegar
sedento de ternura
sarou as minhas feridas
e pôs-me a salvo para além da loucura

o meu amor ensinou-me a partir
nalguma noite triste
mas antes, ensinou-me
a não esquecer que o meu amor existe

"o meu amor existe", jorge palma

tenho andado o dia todo com esta canção na cabeça; canção essa que amo.
hoje acordei super enjoado, deve ser do antibiótico. tenho estado meio touchy, sobretudo fisicamente. mas uma coisa assiste-me: o imenso amor que tenho por ti e a certeza de que o nosso amor existe (oh, se existe). quero ouvir esta canção contigo, já na caminha, muito cansadinhos, depois de lermos Platão.
VIVA O PLATÂO.
it's all about Plato (you wrote);
it's all about love (i feel)
it's all about us and for the good of us (we know).
tens tantos felizes contigo!!!

Saturday, August 02, 2008

o coração

querido diário:

sei que tenho estado ausente, as minhas desculpas, mas se isso tem acontecido é porque tenho estado a viver.
normalmente, em anteriores ocasiões, quando o meu coração "embicava" para alguma direcção não era raro que os meus desabafos passionais fossem feitos contigo.
desta vez, o meu coração não está apenas "embicado", o meu coração está tomado, bem tomado, bem cuidado, bem tratado, bem amado. é por isso que tenho poucas confissões a fazer, faço-as ao meu amor; prefiro assim.

i've been away because my heart is full of love!

Saturday, July 19, 2008

blame canada 7

blame canada is, at last, over.

voltaste!!!

ainda não consegui, nem de perto, nem de longe, aniquilar a saudade.

mon amour,
l'aventure (re)commence.


Tuesday, July 15, 2008

blame canada- 6

final countdown: 3 days!!!

no entanto,

"a saudade é uma espera
é uma aflição
se é primavera
é um fim de outono
um tempo morno
é quase verão
em pleno inverno
é um abandono"
in, "porque não me vês", de fausto

it feels good to feel feelings for you! (would sound nice in one of our songs, no?)

Sunday, July 13, 2008

blame canada- 5

i'm googling amy's lyrics big time.
i loved her before you came into my life. i loved her, big time, for a while. but i never quite had the chance to really get focused on her words. and now, as i remind you, as i remind us in your car (as we cross the city), as i remind our love, i am forced, in a sweet way, to really get deep into her words. and, fuck, she is powerfull as i never thought she could be. she is quite a supreme writer. i'm really into her, into her words, into her writing. fuck... the girl is really awesome. you know i have a certain reservation about all that is concerning to her right now. you know i find it desgusting, i find it vampiresque, filthy, heartless. you know it shocks me to see a person, an artist, dying before everybody's eyes without any kind of sense of responsibility from world wide, youtube, media freak watchers. you know it pisses me off: all this live fast and die young, netcast, broadcast, alive, shit. so i quite gave up on her. but now, your love/mylove/our love made me come into her again. and i almost feel every fucking word she writes/sings. i feel so close to it. and this sense of closeness brings me back to us.
i'm eager for you to come back and translate me every single word of her. i'm eager for us to sing it loud in your car, the same words, the same amy, the same songs that make part of our path together.
in the end, i'm eager for you and i love you for all these things that i feel, for all these this that are happening to us. i'm eager for our togetherness.
i love you for who you are. "my fellow, my guy" and "they can't take that away from me".
i love you and "I MISS YOU LIKE THE DESERTS MISS THE RAIN".

Friday, July 11, 2008

blame canada- 4

final countdown.

in a week we will, finally, be in each other's arms!


"into my arms", by nick cave

I don't believe in an interventionist God
But I know, darling, that you do
But if I did I would kneel down and ask Him
Not to intervene when it came to you
Not to touch a hair on your head
To leave you as you are
And if He felt He had to direct you
Then direct you into my arms

Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms

And I don't believe in the existence of angels
But looking at you I wonder if that's true
But if I did I would summon them together
And ask them to watch over you
To each burn a candle for you
To make bright and clear your path
And to walk, like Christ, in grace and love
And guide you into my arms

Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms

And I believe in Love
And I know that you do too
And I believe in some kind of path
That we can walk down, me and you
So keep your candlew burning
And make her journey bright and pure
That she will keep returning
Always and evermore

Into my arms, O Lord

Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms

Wednesday, July 09, 2008

09 de julho


+
32
+


=
happy birthday to me!

Monday, July 07, 2008

blame canada- 3

"you give me fever"

this is what i feel and it tastes good to feel what other people wrote.

flowers in the window (by travis)

When I first held you I was cold
A melting snowman I was told
But there was no one there to hold
Before I swore that I would be alone forever more

Wow look at you now
Flowers in the window
It's such a lovely day
And I'm glad you feel the same
Cause to stand up, out in the crowd
You are one in a million
And I love you so
Let's watch the flowers grow

There is no reason to feel bad
But there are many seasons to feel glad, sad, mad
It's just a bunch of feelings that we have
To hold
But I am here to help you with the load

Wow look at you now
Flowers in the window
It's such a lovely day
And I'm glad you feel the same
Cause to stand up, out in the crowd
You are one in a million
And I love you so
Let's watch the flowers grow

So now we're here and now is fine
So far away from there and there is time, time, time
To plant new seeds and watch them grow
So there'll be flowers in the window when we go

Wow look at us now
Flowers in the window
It's such a lovely day
And I'm glad you feel the same
Cause to stand up, out in the crowd
You are one in a million
And I love you so
Let's watch the flowers grow

Wow look at you now
Flowers in the window
It's such a lovely day
And I'm glad you feel the same
Cause to stand up, up in the crowd
You are one in a million
And I love you so
Let's watch the flowers grow

Let's watch the flowers grow!


tum tum, tum tum, tum tum
("you know i feel it in my heartbeat...
wich makes me feel like the only one,
the only one,
that the light shines on")

Wednesday, July 02, 2008

blame canada- 2

i've been down there, really there
where i guess you wish me not-
been down there, really there,
you can bet i'm not a slut

been down there, really there,
just to make myself alive,
there, really there,
without you i can't survive

been down there, really there,
oh, such cute boys,
been down there, really there,
look at them and i see: toys

been down there, really there,
and i walk with no regret
been down there, really there,
what i've waisted i'll forget

been down there, really there,
and always think of you
so much faster, so much better, perfect,
you'll never sever , i wont do that too.

esta rima é pobre, fraca, despropositada. não está à tua altura. i'm drunk, really drunk, so much drunk. tu, meu querido e defendido amor, não mereces que eu te conspurque com esta leitura/redacção. mas eu vou fazê-lo. tenho de fazê-lo, não posso deixar de fazê-lo. estive no antro, naquele antro de que já algumas vezes te falei. não me arrependo, de todo, estive lá e gostei. nada me tocou, nada me moveu, realmente cá dentro, nada me abalou, nada. estive, vi, fui visto, falei, deixei falar e vim... vim para ti... expressamente para ti.
vim para te encontrar, no simples acto de te escrever. vim para ti. regressei-te, no simples acto de me recolher. porque recolher-me, sem ti, já não é o mesmo verbo. vim morar aqui, onde quero que tu mores, tu ouças, tu chores. vim adormecer na dor, calma e, ainda amena, certeza de não te ter. vim pensar em ti. i've been down there e tu nunca me saíste da cabeça. não houve, sequer, um segundo de hesitação. sou teu e tudo o resto é um espectáculo, uma parefernália, uma triste exibição,


bem, fiz aqui uma pausa de mais de dez minutos. borrifei-me para a anterior composição. fodi-me todo, esta noite, porque assim o decidi. fodi-me, tomei essa decisão, enquanto via e escutava, com miguel, pedro, mari, a rita lee. fizeste-me falta ali. pensei, durante o concerto, tanto em ti. faria todo o sentido ter-te ali. estiveste. hei-de contar-te. miss you so much. vou dormir. tu, estiveste ali. é isso que é maravilhoso no amor: faz alguém estar onde nunca sonha estar. decerto, estou onde não estou. eu sei disso. e tu, só tu, estás aqui.

beijo-te a amo-te como só eu sei (eu sei).

i miss our waking up.

you are my fellow and, you know, my guy.

(escrevo-te aqui porque este, aqui, sou, realmente, eu.)


"fique bem,

fique forte.

não temos tempo

para temer a morte"

rita lee, in pic-nic

Monday, June 30, 2008

blame canada - 1

bébé do amor:
quero escrever mas estou sem palavras para expressar a alegria que a tua missiva me deu. tu és do caralho, tens estado e estás, efectivamente, there quando eu preciso. e eu precisava, precisava de te sentir. a ideia de vir agora para casa, depois de ter funiculado, de ter de me render às tristes evidências, que tenho pouco mais de 24 horas para escrever uma coisa que sonho e quero há muito concretizar, e de não te ter, fisicamente, aqui, aterrorizava-me. mas vim. vim porque ainda quero tentar, ser capaz, conseguir. vim por mim, por ti, por nós. e ter chegado a casa e ter percebido que tiveste a, tão querida, preocupação de me deixares umas palavras tuas para me receber simplesmente comoveu-me como não podes imaginar. eu, que só penso em ti, falo em ti, estou 100% focado em ti/nós, derreti-me. isto é muito bonito, muito. eu estou pasmado connosco, com a nossa envolvência, sintonia, afinidade, relação. estou pasmado com a verdade disto tudo. eu já pouco acreditava na possibilidade de ser feliz com outra pessoa, na capacidade de me entregar, de receber, de dar, de viver o tempo a dois e estas últimas semanas têm sido uma chapada de luvinha branca nessa niilista crença. tu, eu, nós temos provado que our hearts are alive and kicking, que dar e receber é bom (é o melhor), que vale a pena esperar. we came a long way, you said so. lembras-te? we did, in fact, but we did for good. o que me pasma mais no meio disto tudo e que por vezes, quando a minha twisted, insecure, suspicious mind faz das suas, me aterroriza é a naturalidade, fluidez, facilidade disto tudo. tudo entre nós tem parecido ser afim e simples, descomplicado, sintoma da verdade e da vontade e isso, por vezes, assusta. but i'm going to let my twisted mind go to hell and enjoy this/us 'till the last minute.
you wrote: espera por mim, eu volto para ti.
i wrote: por ti esperaria a vida inteira (ou toda, não me lembro precisamente).
i feel now: this is so right. we deserve it, we are this. we are together. and this is what i live for: being there for. and being there for us seems such a quite good task. it feels so right, true, NATURAL.

i'll wait for you always (how can't i?)
with love,
onan
p.s.: tenciono publicar esta missiva no meu diário como o primeiro "blame canada". só o farei, no entanto, se tu o autorizares. espero, então, a tua aprovação/repovação. é que já é altura de nos registar no meu diário que, como sabes, é o registo mais íntimo e verdadeiro dos meus dias. you wanted to be there, didn't you? so it will be.
mon amour, l'aventure commence (adoro esta frase; sei que é dita num filme, que adoro esse segmento mas não me recordo do filme, apenas a frase. já estive para te perguntar se sabes de onde é mas, por esquecimento, nunca o fiz).
anyway, a aventura já começou, a 16 de maio de 2008 e tenho amado cada segundo.
kiss you there, although i blame canada.
p.s. 2: leia a segunda frase da missiva (onde refiro que não tenho palavras) e após lida toda a dita (a missiva) veja, afinal, a veracidade da afirmação.
sou mesmo verborreico (blame me). mas tu gostas, right?
you give me... (yup) FEVER!
.........................................................................................................................
a aprovação foi dada, a cópia da missiva publicada, a saudade cresce. blame canada (just for the fun of blaming it).

Thursday, May 15, 2008

poor misguided fool

a dor existe, está aqui, é real, quase palpável, quase visível, quase fatal. é incómoda; é dor.
frustra-me a incapacidade. frustram-me as minhas incapacidades e penso nelas; concretizo-as. frustra-me a incapacidade de vir um dia a sentir certas coisas; coisas que gostaria de vir a sentir. não, não falo de amor; não me refiro à paíxão, ao encantamento, ao arrebatamento, ao desassossego passional. refiro-me a coisas maiores, muito maiores; coisas realmente importantes.
frustra-me a incapacidade de vir a sentir um dia, por mais dias que ainda possa vir a viver, ou não, estou pouco certo da minha própria capacidade de me prolongar; frustra-me a incapacidade, tácita, efectiva, inevitável, de vir a sentir coisas tão importantes como:
  • a frescura de um jacto de água que me venha, realmente, refrescar o cérebro (tão despido, tão sem qualquer tipo de revestimento, tão escancarado, tão prostrado a este céu; tão poucas vezes aberto).
  • o interior absoluto da parede que separa, há longos e longos anos, a minha casa do precipício, feroz/delicioso, que é a rua.
  • o início exacto da vida (consciente, táctil, meu).

há outras frustrações desta ordem mas, em virtude das altas concentrações de egocentrismo e tédio, por ião quadrado, na minha pessoa, recuso-me a redigi-las; prefiro senti-las.

as frustrações são para se sentir, não para se redigir.

o amor, sim, é para ser escrito (com as duas mãos).

e nós ainda tão tetrápodes.

a banda sonora das dores nas minhas mãos durante esta redacção:

"Poor Misguided Fool", by Starsailor

As soon as you sound like him

Give me a call

When you're so sensitive

It's a long way to fall

Whenever you need a home

I will be there

Whenever you're all alone

And nobody cares

You're just a poor misguided fool

Who thinks they know what I should do

A line for me and a line for you

I lose my right to a point of view

Whenever you reach for me

I'll be your guide

Whenever you need someone

To keep it inside

Whenever you need a home

I will be there

Whenever you're all alone

And nobody cares

You're just a poor misguided fool

Who thinks they know what I should do

A line for me and a line for you

I lose my right to a point of view

I'll be your guide in the morning

You cover up bullet holes

As soon as you sound like him

Give me a call

When you're so sensitive

Its a long way to fall

You're just a poor misguided fool

Who thinks they know what I should do

A line for me and a line for you

I lose my right to a point of view