Sunday, September 13, 2009

o que consta hoje

o que onan promete, onan, cumpre.

aqui fica a citação proposta por onan, em "a voz de onan", como o que deve constar hoje neste diário:

“esta concepção da essência do repugnante como vida desregulada e rebelde a qualquer forma permite entender também o uso moral da palavra: com efeito é também repugnante a intrusão do imediatismo vital (como os impulsos e os interesses pessoais) em todas as questões que têm carácter objectivo e formal. repugnante é a mentira, porque está cheia de uma viscosidade vital e emocional, absurda e incongruente. repugnante é a impostura, quando oculta sob o manto do idealismo as afeições cúpidas e desordenadas do indivíduo. repugnante é ainda a cobardia, que consiste na intrusão de uma vitalidade malsã e mórbida em situações que exigem a defesa de uma escolha, o alcançar de um objectivo, a manutenção de uma decisão."
in, "a arte e a sua sombra", de mario perniola
onan cita e subscreve e ainda aconselha todo o artista(zinho) que por aí anda a ler com muita atenção esta obra. com muita, muita, muita atenção.

Saturday, September 12, 2009

achtung 4

TODAY, AT 11:50 P.M., ONAN WILL SPEAK.

("a voz de onan" irá ouvir-se na festa agradável: espaço ginjal, cacilhas a partir das 23h)

Wednesday, September 09, 2009

os contributos de onan (para a festa agradável)

contributo 1

a voz de onan:
os duplos não se fazem, os duplos acontecem. há sete anos aconteceu-me o duplo: onan. vai fazer em Novembro próximo cinco anos que lhe dei um espaço: http://odiariodeonan.blogspot.com. não sei se fui realmente eu quem lhe deu esse espaço ou se foi ele, o meu duplo, quem me deu essa oportunidade e o fez acontecer. os duplos fazem e acontecem. o meu duplo quer acontecer cada vez mais: quer apresentar-se before my eyes; eu também quero. quero vê-lo inteiro. mas antes será preciso ouvi-lo. ele pede-me, cordialmente, a voz e eu, de boa vontade, lha darei. os duplos não se fazem ouvir; acontecem e apoderam-se das palavras e da voz. somos nós quem tem de os saber ler e escutar; saber ceder-lhes toda e qualquer substância. não deixo, no entanto, de (pres)sentir que isto é ainda e apenas um começo. o desfecho é-me totalmente incógnito; assim como o é, seguramente, para o meu duplo.
uma ocorrência concebida por hugo amaro e ricardo batista
interpretação: hugo amaro e onan
vídeo: ricardo batista
adereços e figurinos: tânia franco

contributo 2
silicone lady:

a mais ilustre desconhecida banda portuguesa chamava-se: nude. há cerca de três anos extinguiu-se. agora, três dos seus sobreviventes criaram uma fénix de silicone e, num impulso harakiri, decidiram-se, com meia dúzia de ensaios, voltar a apresentar-se ao vivo (tais eram as ganas/saudades). revisitam-se temas inéditos extintos e versões muito estimadas, num outro prisma.

os lords da lady são:
filipe luig: teclados, guitarras
hugo amaro: voz
nuno varudo: teclados e programações

where and when onan will speak


Saturday, September 05, 2009

achtung 3

in a week onan will speak!

Monday, August 24, 2009

achtung 2

IN A FEW WEEKS, ONAN IS GOING TO SPEAK FOR THE FIRST TIME! ONAN'S VOICE IS ON ITS WAY.

Wednesday, August 19, 2009

a sorta rise and shine

onan acordou, ontem, a pensar que gostava realmente de ter pena dos fracos de espírito; mas não tem. tem antes uma vontade feroz de os degolar e, por outro lado, uma vontade indómita de se mandar trepanar quando se apercebe da quantidade de tempo que já devotou a algumas dessas criaturas. mas, meanwhile, relativiza-se a questão e arranja-se motivos para rir. porque há sempre, e cada vez mais, motivos para rir. onan ri-se e muito, sempre.
porque rir é um vício; e que merda de vício este!

Saturday, August 15, 2009

achtung

ONAN IS WATCHING YOU!

Sunday, August 09, 2009

telefone

onan, hoje, ficou a gostar mais do telefone. e de tudo o que ele implica. porque será? ah e ah.

Saturday, August 08, 2009

past participle

onan reads the signs,
under a sun that ocasionaly shines,
even read some strange lines,
and
the story never defines
underneath,
lies the fact that here he only finds sketches
never real and efective strength of character designs.

foi ver e era o past participle.

Thursday, August 06, 2009

o pião/peão

(uma pseudoincursão na forma aleixiana. recomenda-se que se leia em voz bem clara e alta, de modo recitativo e tosco; numa piscadela de olho constante à cantilena que a, possível, rima sugere e permite.)


o pião (ou peão, ambos servem, tanto faz) faz um desenho equilátero,
ata e desata nós no cordel
que nada mais é do que a narrativa
da sua atabalhoada fuçanguice, para ir parar longe: ao teatro.

mas, vai-se a ver, e é tudo por amor, tudo.


onan, claro está, aprecia o espectáculo, onaniza-se e, como sempre, ri-se (muito).

Saturday, August 01, 2009

o visitante

a pele que tinha, e pela qual se pelava, era a pele que a sua pele se pelava por tocar, ou que, até mesmo, tocava.
não tinha olhar e, por isso mesmo, os seus olhos nada mais viam do que o movimento dos olhos dos outros; via ver e assim se convencia de que era vidente.
falava não por ter um discurso mas por piamente acreditar que tinha realmente de, em determinado momento, proferir quando uns olhos nos seus se fix...

quero lá saber de náufragos se eu sou o antes, o durante, o depois das vagas, a voz inteira das marés e consciência pura do salitre enquanto namora as âncoras.

sou o mar; és apenas a vontade menina de nadar (sem sequer o saber aprender a fazer).

a tinta compadece-se sempre de quem nunca será um livro.

Friday, July 31, 2009

mon paradoxe

o grande paradoxo de onan: desprezar visceralmente o solipsismo!

Monday, July 20, 2009

a ausência do poema

o poema descolou-se-me das mãos e eu nem dei por isso. sumiu-se, perdeu-se, quase que me atrevo a dizer que se liquefez, fundindo-se com o nada. nada é o que fica. nada é o vazio das mãos e um poema que tanto se quis escrever mas cuja vontade nunca, simplesmente, nasceu. não sei o que hei-de pensar disto: o porquê da partida da poesia. não gosto da ausência dos poemas, já é quase longa e não consigo habituar-me a ela. a verdade é que, por mesmo pouco que tenha tentado, há, quase, muito que não me semeiam poemas. sinto-me, francamente, mais pobre por isso; porque eu não sei não, ter de, escrever poemas.
cito-me (um poema com quase dez anos)
musa azulada querem teus pés esmagar os olhos do homem que espera
musa poeirenta entortas os olhos, falas sozinha e embebedas a pêra
musa cansada, cadelas com cio tricotam-me o manto com pêlo de fera
musa birrenta vem nestas noites roubar o poeta ao seu quarto de cera
eu quero (preciso), talvez, uma musa azul (ou pelo menos azulada), talvez como eu.

Thursday, July 09, 2009

tlinta e tlês

faz hoje às 23:05h 33 anos que onan veio ao mundo.

Thursday, January 15, 2009

os filhos de hédon (work in progress: actualizado a 08/04)

15/01
quem visita Hédon não visita um planeta, um continente, um país, uma cidade, uma vila, uma aldeia, um lugar, uma rua, uma casa, uma porta. quem visita Hédon visita a energia de um coração extensível, cuja dimensão pode oscilar entre uma mera partícula e toda a incógnita capacidade espacial do universo. quem visita Hédon pode estar a visitar-se.
sabemos que Hédon é habitado e que ocupa espaço mas não sabemos, prezado leitor, as suas reais e potenciais proporções. muito menos sabemos nós, legião mais ou menos intrépida de narradores, a data precisa da sua fundação. alguns de nós estão convictos de que Hédon não teve início e que jamais terá, porventura, um fim. outros de nós há, talvez mais evoluídos ou que sustentam a vontade de o ser, que suspeitam de que Hédon tem uma existência intermitente e que tenderá a desaparecer. esses, os supostamente mais evoluídos ou que sustentam a vontade de o ser, defendem que a extinção de Hédon se processará mediante a descoberta de uma cura porque, asseveram eles, Hédon é uma doença.
Hédon, como qualquer outra entidade espacial, tem uma dinâmica própria; é habitado. e, assim sendo, todos os dias em Hédon se registam nascimentos, uniões, desuniões e mortes. há quem nasça e morra em Hédon, há quem nunca lá viva, há quem apenas lá se una, ou desuna, e há quem apenas lá vá morrer. há, contudo, em Hédon, uma presença forte da hereditariedade.
há uma palavra, um código, uma téssera que permite a entrada, permanência e saída de Hédon. essa senha é igual para todos e não precisa de ser pronunciada. é uma senha sentida e chama-se: Amor.

os dias em Hédon são, por norma, agitados e intensos; são dias ansiosos. aliás, o ar que se respira em Hédon apresenta, na sua mais profunda composição, altas concentrações de ansiedade e, a existência e livre circulação desse mesmo elemento, é uma das razões porque viver em Hédon, mais do que uma imperativa condição, é um vício.

estamos nós, legião mais ou menos intrépida de narradores, certos, prezado leitor (e assumiremos o leitor como uma legião mais ou menos intrépida de seres que amam, uma massa plural e abstracta, o mundo), de que muitos de vós em Hédon se encontram viciados.

o vício começa muito cedo; começa, muitas vezes, com o início da vida e é transmitido aos recém-chegados ao mundo pelas suas próprias mães. recorde-se, prezado leitor, de que a questão da hereditariedade já foi por nós, legião mais ou menos intrépida de narradores, anteriormente enunciada.

essa questão fica, por ora, adiada; a sua peremptória e assertiva dissecação só poderá ocorrer mediante um concílio dentro da nossa própria legião e após selada a conclusão sobre a polémica questão:
é ou não Hédon, além de um vício, uma doença?

27/01

falemos, então e agora, das noites em Hédon. quando do céu o sol se evade e sua ausência num dinâmico manto, a o seu próprio ritmo e vontade, da cor do sempre o firmamento torna, começa em Hédon a sentir-se o efeito dessa operação. os sangues começam a apressar-se e existem zonas nos corpos que, quais magnetes transcendentais, imprimem à circulação do fluxo dessas substâncias, que, caso possam ser degustadas, das mesmas se dirá estarem carregadas de diversas e aleatórias ligas de diversos e aleatórios metais, uma velocidade por todos conhecida ou, pelo menos, sentida mas por nenhuns successfully explicada.

01/02

as noites em Hédon não são apenas o fruto da voz e da fúria do sangue; são o dentro, o interior absoluto do sangue em si mesmo.

17/02

pedimos ao prezado leitor que, caso a sua paciência demonstre a vontade de fraquejar, se retraia e tente ultrapassar o facto de o nosso relato se revelar ziguezagueante. a hesitação faz parte de Hédon e a verdade é que, uma vez mais, deixaremos em suspenso a descrição de uma das suas faces para, em seu lugar, aprofundar a dissecação de outra. nesse sentido, deixemos a noite por exaurir, numa outra ocasião, e passemos à caracterização, o mais afincada possível, do dia.

o dia em Hédon nasce muitas vezes.

08/04

não será certo, ou recomendável, adiantar a quantidade de vezes que o dia em Hédon nasce. porque em Hédon o dia não se afirma como um todo; é uma entidade plurimórfica, mutante e altamente contraditória. o dia desfaz-se, refaz-se e contrafaz-se; e todos esses processos em nada são previsíveis, sistemáticos ou classificáveis. muito menos possível é, prezado leitor, assinalar as causas que esses fenómenos vêm determinar. apenas os efeitos são detectáveis e sobre eles, por falta de vontade de o fazer mais tardiamente, focaremos agora a nossa narração.

há três espécies de efeitos que o dia em Hédon provoca:

1- a presença presente

2- a presença ausente

3- a fuga

1: a presença presente é um efeito imediatamente detectável, não somente pela força da redundância mas, sobretudo, pela força da relação dialéctica entre aquilo que o dia emana/produz, a cogitação sobre essa produção e o discurso sobre essa cogitação (em análise última, sempre sobre a emanação/produção per si; sendo esta a única parcela que comporta irrefutável factualidade). quando a presença é presente está constantemente a tentar estabelecer pontes, mais ou menos sólidas e bem fundamentadas, com a emanação/produção dos dias, a sua verdadeira verdade , o que a precedeu, a sua presente configuração e sobre o que a fará perdurar ou não (o teste tende a ser permanente). a presença presente tem como máximas intenções o aprisionamento do tempo e a certeza (no fundo ansiedade) da solidez do espaço. a presença presente é hipercinética, altamente analítica, voraz, dinamizadora, eufórica, ferozmente ligada à ideia de verdade, instável, combativa, intensa, séria, convicta da sua própria clareza, arrebatada, amante, sedenta de espelhamento, de empatia, de entrega, de certezas, de profundidade, de perenidade, de inteligibilidade, de entendimento, de discurso, de amor; no fundo, sendenta de presença. é esta presença que faz com que o amor seja a matéria transversal da arte, porque é ela, a presença presente, apesar de tudo e por amor, a própria vontade da arte.

(a desenvolver posteriormente)

2: a presença ausente é, com efeito, um efeito cuja dificuldade na sua detecção se alimenta a si mesma. a presença ausente nunca deixa de ser presente mas essa presença não é imediatamente classificável; usa o tempo e o espaço de uma forma que é irregular e que está em permamente digestão desse mesmo uso. pode dizer-se que, com frequência, ao caminhar sobre a areia, esta presença, nesta não deixa as suas pegadas; isto porque o que para si assume é que se encontra a caminhar sobre água.



Monday, December 15, 2008

quatro anos

querido diário:

este ano o teu autor foi, uma vez mais, uma besta desnaturada. fizeste quatro anos de existência no dia 08 de novembro e ainda não te congratulei. devo confessar-te que me apercebi disso há umas duas ou três semanas mas a preguiça e a tormenta emocional foram o principal impedimento desta iniciativa. mas, tu sabes, sou particularmente negligente nesta coisa das datas, até hoje não sei a data do aniversário do meu pai; mas isso é um fenómeno mais complexo que a mera negligência. será, concerteza, um índice mais do foro endógeno, que a psicanálise conseguirá descortinar. adiante, não farei promessas de te compensar imensamente pela minha falta, nem irei desfazer-me em lamentos e desculpas. as coisas surgem no tempo em que têm de surgir. esta iniciativa surgiu agora e fi-la com a melhor das vontades. dá-te por contente por isso.
asseguro-te, no entanto, que gostaria de te fazer crescer mais, de te dar volume, substância, matéria. não prometo fazê-lo, prometo trabalhar essa vontade.
os meus parabéns.
prometo-te uma coisa, quando fizeres cinco anos terás direito a uma grande festa de aniversário. com balões, confétis, dj set, bolo, velas e tudo. tudo menos palhaços profissionais, odeio palhaços profissionais. faremos nós a palhaçada, como sempre, como bons palhaços amadores que somos.
ah, e faremos um brinde.

Friday, October 31, 2008

a draft (i do not know where it goes)

pôs-se assim, repleto de vontade de ter uma vontade, a redesenhar sobre aquele dia todos os seus relativamente recentes dias. decidiu que o melhor a fazer seria sorrir. e assim o fez: sorriu. se a cena fosse observada, coisa que, garantidamente, não foi, poderia dizer-se que o sorriso obtido, e no seu rosto posto e plantado, o sorriso possível, não era mais do que um sorriso invertido, possivelmente construído pelo avesso, um sorriso ao contrário. era, na verdade, o negativo de um sorriso. mas isso em nada o deteve. prosseguiu o redesenho e afincou a vontade de, sobre aquele mesmo e infeliz dia, reviver todos os dias predecessores.
fechou a luz. abriu a janela do quarto; chovia mas a noite não estava, no entanto, fria ou feroz. com um veloz mas ligeiro beliscão fez a gata miar. o animal saltou imediatamente de cima da cama para aterrar, sem graça, no tapete. ele despiu-se, então, e seguidamente bebeu dois goles da água que jazia há mais de duas semanas no copo deixado ao abandono em cima da mesa-de-cabeceira. soube-lhe mal, a pó. precipitou-se para a janela e cuspiu o líquido para a rua. o som do seu projéctil, ao embater no capot do carro estacionado por debaixo do parapeito, dissolveu-se na sinfonia caótica e cacofónica que a chuva protagonizava na rua. esfregou as mãos pelo corpo nu, sobretudo pelas coxas, para que, em virtude da inevitabilidade de um rápido e inesperado arrepio, pudesse ter a oprtunidade de voltar a aquecer ambas: ambas as mãos e ambas as coxas. deitou-se, voltou a construir o sorriso possível e começou o redesenho.

o redesenho tinha a sua dificuldade. era complexo, rígido, àspero, estava carregado de atrito.