Thursday, February 15, 2007

o grande amante

regresso hoje a lisboa, estou no algarve.
sonhei com facas hoje; não sei o que significa, procuro na net mas a resposta obtida nos sites brasileiros manhosos desanima-me. não me dou ao trabalho de aprofundar a pesquisa. sonhei com facas, pronto, paciência. podia ter sonhado com rodas dentadas ou bombas de hidrogénio.
faz hoje exactamente um mês que cheguei à Índia; essa bela e doce Índia. a esta hora estaria muito provavelmente a almoçar no leopold pela primeira vez. oh, que saudades do leopold!
não escrevi mais depois de cochim. fomos de lá para trinvandrum (não gostei de trinvandrum). esse viagem de comboio foi ao fim da tarde, anoiteceu entretanto. não usufruí, portanto, da porta do comboio nem do desfilar da Índia. era noite, veria muito pouco. fiquei na carruagem, ouvi o "six" dos mansun e fiz um desenho nas últimas páginas do caderno tosco que comprei em cochim. em trinvandrum foi difícil arranjar onde jantar. na manhã seguinte fomos ao mercado e a um templo cujos nomes não me recordo; recordo-me de que gostei. apanhámos, nessa tarde, o avião de regresso a mumbai. mumbai, mumbai, a gigantesca, viva, electrizante mumbai. chegámos ao fim do dia, demorámos uma hora e meia de taxi do aeroporto até colaba causeway, instalámo-nos no hotel causeway e fomos jantar ao nosso velho leopold. finalmente voltei a devorar half roast fry chicken; as saudades que eu tinha do leopold; aqui já não havia bules para esconder a cerveja, nem estratagemas. havia, de novo, a bela da garrafa da kingfisher à nossa frente. no dia seguinte percorremos mumbai como nunca; de manhã à noite. foi a nossa despedida, mumbai num domingo; uma bela despedida. fomos jantar no fancy "goa portuguesa", que tinha um proprietário muito particular. o dia seguinte foi o stress para levantar dinheiro, pagar o hotel e ir para o aeroporto. e aí, nessa viagem de táxi, as belas viagens de táxi que se fazem na Índia (sobretudo em mumbai), tive a minha hora de despedida. tal como se nos apresentou, assim se despediu, mumbai, suja, viva, cheia, forte, sonora, bela, doce; assim se despediu mumbai pela janela.
confirmei o que sempre suspeitei: a Índia é a grande janela, é a grande pintura, é a grande, grande, grande, liberdade.
demorei uns dois dias até conseguir desfazer a mala. o jet lag bateu forte. quando chegámos a londres estava exausto e indisposto, triste. dormimos em londres e regressámos cedíssimo para portugal. frio.
chegámos a lisboa e tudo nos parecia calmo, muito calmo, perguntámo-nos se seria feriado. não era; era lisboa, a, agora tão, pequena lisboa. o trânsito era fluído, não havia multidões, não havia uma sinfonia de buzinas. lisboa parecia ao ralenti. assim fiquei, ao ralenti.
não me conseguia decidir a desfazer a mala, não queria fazê-lo; seria acabar definitivamente a viagem. reuni forças e fi-lo. um nó na garganta. tudo cheirava a Índia, as roupas, os sacos, a própria mochila, as minhas mãos ficaram a cheirar a Índia. um choro pequenino, mais interior do que efectivo. comecei a ouvir os cds que comprei e prossegui. coloquei tudo em cima da cama e detive-me a olhar as coisas: as roupas que levei e que usei (poucas), as roupas que levei e não usei (muitas), as roupas que comprei, a bolsa com os medicamentos, os chinelos, a toalha de praia, tudo. tudo tinha estado na Índia; tudo ainda estava, de certa forma, na Índia. percebi que o que sentia era tão estranho e forte e palpável como o fim de uma relação da qual se sai ferido. a mesma necessidade de reconstrução de tudo o que a mesma foi, o coleccionismo das memórias da relação, das memórias do outro, do cheiro do outro, da voz do outro, da pele, suor e sangue do outro. percebi que chorava a Ìndia como se de um amante se tratasse. estranho mas tão real. ainda tenho tudo por arrumar no quarto, trabalhei durante o fim de semana e no domingo vim para o algarve para votar e ver a minha mãe e mano. só ontem consegui dormir mais do que cinco horas. só ontem comecei a recuperar. hoje estou triste e ansioso, por partir e voltar uma vez mais, apetecia-me ficar aqui no ninho um pouco mais. sem nada para fazer. mas sei que vou ter de me preparar. vou ter de entrar de novo na minha vida. sei que vou ter de entrar no meu quarto e organizar os destroços da suspensão que teve de haver entre mim e o meu grande amante: Índia.
parti com saudades do voltar!

Thursday, February 01, 2007

india song 9 (um dia para mim em fort cochin)

caro diario:

outra vez a mesma conversa de que hoje e' feriado e que por isso nao se serve alcool. esta conversa foi no restaurante onde tivemos de almocar no primeiro dia aqui em fort cochin. fui entao para a esplanada dos rapazes que parecem estar pastilhados que fica junto ao posto de turismo. aqui nesta esplanada, onde ha dois dias, apesar de ser feriado, nao houve grande impedimento em ter uma vodka cola ao jantar, aqui, nesta esplanada, repetiram o numero de ontem ao jantar no restaurante que fica junto ao kerala kathakali centre, servem-nos cerveja em bules e canecas para cha ou cafe. pois que ja consta um bule desse tao especifico cha no meu interior. pelo que, estou algo flutuante.
eles foram fazer o tal passeio de barco no qual eu nunca tive interesse, fiquei, portanto, com o dia para mim. so far esta a correr muito bem. estava a precisar de passar umas horas sozinho tambem. nao porque esteja mal com os meus queridos amigos mas porque ja sao muitos dias sempre acompanhado, apenas isso.
antes de prosseguir com o presente dia, caro diario, vou contar-te o resto de calicut e os dois primeiros dias em fort cochin. entao, calicut e' feio, sujo, turvo, energia estranha (sente-se logo quando la se chega), o hotel era muito bom, o melhor (em termos de pingarelhice) onde ja estivemos. chega'mos, fomos para o hotel, toma'mos um duche, and'amos um pouco pela rua do hotel e acab'amos por desistir e apanhar um rickshaw para a praia (a tal onde o senhor vasco da gama chegou). chegados 'a praia depar'amo-nos com uma grande concentracao de pessoas no areal e um palco. um genero de festival. estava a tocar uma banda engracada, de cochin (faziam umja mistura de sort of free jazz com musica tradicional indiana), giro. acab'amos por nos fartar de ali estar e fomos embora. marisa e miguel nao tinham fome, eu e joni sim. par'amos num cafe armado em ocidentaloide que vendia fruta e sumos e la comemos melao e ananase etc. apanh'aos um rickshaw, com dificuldade, e est'avamos a dirigir-nos para o hotel, onde eu e o joni plane'avamos jantar, e ouvimos, vindo de um parque, ja perto do hotel, musica e agitacao. pergunt'amos ao senhor do rickshaw o que era e ele disse: kathakali. hsiteria geral. em coro: stop. sa'imos a correr do rickshaw e entr'amos parque adentro para ver a performance. foi entao, em calicut, querido diario, naquela estranha e turva cidade, que eu vi o meu primeiro espectaculo de kathakali (que como sabes 'e uma curiosidade-paixao com algum tempo e uma das grandes razoes da minha vinda ao sul da india). estavam meia duzia de gatos pingados a na assistencia, n'os l'a no acocor'amos e, eis senao quando, vem um senhor ter connosco e providencia quatro cadieras para fic'assemos bem instalados. o espect'aculo entusiasmou-nos mas tamb'em nos deixou a impressao (ontem confirmada) de que era um bocadinho bufao demais. finda a performance (a qual foi pontuado por uma nao menos surpreendete performance de um dos assistentes que, pelos vistos, 'e um maluco local e que ficou muito agitado com a nossa presenca), o senhor que nos deu as cadeiras fez questao de nos apresentar toda a gente que o cercava. ficamos entao a saber que estava a decorrer em calucut um festival de folclore de kerala (sort of, esta performance de kathakali e o concerto da praia eram, portanto, prova disso), este academia de khatakali era mesmo de calicut, fomos apresentados ao guru, o mestre de kathakali daquela academia, um velhinho com uns oculos garrafias que era igual 'a minha ha muito falecida avo inocencia augusta (que tambem usava uns oculos garrafais). uns dedinhos de conversa no parque e l'a volt'amos para o hotel. dia a seguir, bem cedo, rum'amos a ernakulam (estacao de comboio que permite a chegada a fort cochin e nome de uma localidade que 'e tipo almada de cochin).
essa viagem de comboio foi, para mim, outro dos momentos altos desta viagem. passei as quatro horas da viagem praticamente pendurado na porta do comboio. 'e impossivel ficar dentro da carruagem, as janelas tem grades e os vidros sao bacos e quase sepia. foi linda esta viagem, um calor fantastico a torrar-me o corpo, a india a desfilar perante o meu olhar. a felicidade absoluta: a india a desfilar, o calor no corpo, e a musica nos meus headphones. nada mais. assim sou inteiramente feliz. nao preciso de mais. podia passar assim o resto da vida: num comboio a ver a india e a ouvir musica. houve alturas em que nao consegui evitar uma afoita lagrima. e vi a imagem mais linda de sempre, a dois km de uma localidade chamada karakad (nao a posso descrever, 'e minha, para sempre e nao a consigo descrever, mas estou seguro de que um dia hei-de pisar aquele chao). nao consigo descrever a felicidade que obtenho nestas viagens de comboio (tao sonhadas). o olho fotografico, o coracao ligado ao tempo. o tempo do olho, a pintura do mundo.
fort cochin 'e muito agrad'avel, muito mesmo. ontem fomos ver um espect'aculo de khatakali numa academia mesmo (http://www.cyberkerala.com/kathakali/, http://en.wikipedia.org/wiki/Kathakali). muito bom, genial, complexo, simples, muito bem executado, faz pensar imenso nas ligacoes do ocidente e do oriente (teatro classico, tradicao, folclore, etc), um cantor magnifico, um dos actores (o mais velho, provavelmente o mestre) de cortar a respiracao. muito bom, quero mais kathakali na minha vida. hei-de estudar muito mais profundamente.
hoje tirei o dia para mim. acordei e comecei a ouvir o grande fausto ("por este rio acima"), que o miguel trouxe, e comec'amos a ouvir ontem 'a noite, e que aqui faz todo o sentido. tenho estado a dia todo a ouvir o disco em repeat (ainda estou: "navegar, navegar, mas o minha cana verde...")
tomei o pequeno almoco no monte carlo (mistura de vertigo, com noobai e royale), e a seguir fui "a saint francis church. de seguida um rickxhaw para o bairro judeu (jew town). fui 'a sinagoga: comprei um belo de um pyjama (finalizado ao meu gosto, por um senhor alfaiate velhinho), comprei essencia de amber musk, incenso, especiarias, e acho que mais nada. a seguir um rickshaw de regresso a fort cochin, eplanada: acabar de ler o livro da frida, cerveja no bule. agora cyber coiso a postar. agora vou fazer uma massagem ayurvedica. como ja gastei mais do que devia e j'a 'e tarde (espero que me atendam) vou fazer uma massagem para a sinusite apenas. nao vou fazer a tal full body (em que os senhores so nao te mexem no cerebro porque nao esta 'a vista). vou
de novo o fausto. que bom, acabar o post com esta genail cancao, uma das minhas preferidas de sempre.
Lembra-me um sonho lindo
Quase acabado
Lembra-me un céu abertoOutro fechado
Estala-me a veia em sangue
Estrangulada
Estoira no peito um grito
À desfilada
Canta rouxinol canta
Não me dês pena
Cresce girasol cresce
Entre açucenas
Afaga-me o corpo todo
Se te pertenço
Rasga-me o ventre ardendo
Em fumos de incenso
Ai, como eu te quero
Ai, de madrugada
Ai, alma da terra
Ai, lindaAssim deitada
Ai, como eu te amo
Ai, tão sossegada
Ai, beijo-te o corpo
Ai, seara
Tão desejada
Fausto Bordalo Dias (o genio que portugal mal consegue ver mas que grandemente o louva)

Wednesday, January 31, 2007

india song 8 (onan em fort cochin)

caro diario:

como te disse, the reward came perfect (depois da atribulada viagem de comboio nocturna, que nos levou de margao a kannur).

assim que chegamos a estacao de kannur tinhamos um senhor a nossa espera, na plataforma, que tinha sido enviado pelo dono do costa malabari. este senhor era o nosso taxista, e, qual nao foi o meu espanto, os taxis aqui eram todos (como em todo o estado de kerala, presumo) os maginificos ambassadores (carros indianos com design dos anos cinquenta) nos quais eu, desde mumbai, estava mortinho por andar . em mumbai e goa tambem os ha mas nao sao os taxis convencionais e usam-se como carros do diplomaticos. (em kerala ja os vi em varias cores, do branco ao candy pink). aqui fica uma foto que encontrei na net de um ambassador http://www.flickr.com/photos/94926204@N00/101517603/
bem, a razao da nossa ida a kannur depreendeu-se com o facto de querermos ir ver um theyyam (http://www.theyyam.com/, http://en.wikipedia.org/wiki/Theyyam) e o sitio que nos foi recomendado pelo nosso grande querido lonely planet (como something special) foi exactamente o costa malabari (http://www.costamalabari.com/beachholidays.htm). caro diario, esta foi the big reward. o costa malabari apresenta-se como um sitio maravilhoso, uma guest house super intimista, numa localidade minima, no meio da selva, chamada thottada. a comida, maioritariamente vegetariana, simplesmente genial, os pouquissimos hospedes que la estavam eram uns irlandeses de meia idade (a excepcao de uma rapariga, filha de um casal) que foram uma bela companhia. grande, grande, grande bonus deste sitio: uma praia deserta, simplesmente linda, ainda melhor que palolem. agua quente, um caminho genial (entre a nossa casa e a praia) que comportava toda uma fauna, milhares de coqueiros, uma sinfonia de sons desconhecidos e pessoas simplesmente maravilhosas que davam tudo por ter dois minutos de conversa. outro grande, grande, grande bonus: o dono do costa malabari, o senhor kurian (a quem nos estivemos sempre a chamar senhor saudi e nao sabemos porque motivo) nao e nada mais nada menos do que um grande estudioso dos theyyam. proporcionou-nos, assim, um ponto alto da nossa viagem. fomos ver o theyyam, que acontecia num templo a 10 km de kannur, as quatro da manha. a cerimonia durou ate as sete e tal (pelo menos para nos). simplesmente genial. forte, telurico, puro. nao se consegue descrever com facilidade. momento muito bom (mas que na altura nos deu um formigueiro na barriga): de repente, fomos o centro das atencoes, levaram-nos para as traseiras do templo, sentaram-nos numas cadeiras e deram-nos a provar uma bebida genero arroz doce. fizeram um circulo a nossa volta a ver-nos beber aquilo. os primeiros visados: eu, miguel e joni. depois foram buscar a marisa e os nossos amiguinhos irlandeses e puseram-se a nossa volta (deviam ser uns trinta, homens e rapazes). eu estava todo enojado porque, como nos os tres fomos os primeiros a ter a honra, vimo-los a passar por agua (de um balde que para la estava) os copos de metal onde nos seria servida a iguaria. eu tentei fingir que bebia aquilo (o problema nao era o que se estava a beber, que era leite e arroz e canela e cardamomo; o leite fora muito provavelmente fervido. o problema era mesmo a agua da lavagem). um dos rapazes, ao ver que eu nao estava a deliciar-me com a bebida, pergunta-me: "dont you like it" e eu "its very good"; ele "than drink it'. e nao tive outro remedio senao dar mais um generoso gole na mistela.
adiante, gracas a shiva nada nos aconteceu. ate agora, e ja passaram uns bons dias, nenhum bicho desinterico noa atacou.
agora tenho de ir almocar. a marisa ja chegou da massagem ayurvedica e eles tambem ja estao a acabar. eu nao fiz hoje, vou fazer amanha enquanto eles vao num passeio de barco no qual nao tenho interesse. amanha fico por aqui, dou umas voltas by my own, vou tentar comprar especiarias e um pyjama e depois faco a massagem.
depois de dois belos dias em kannur fomos (o que me custou essa partida) para calicut. calicut muito feio, sujo, urbano mau. coisa muito boa: fomos a praia (onde o vasco da gama chegou e engane-se quem pense que existe algo que assinale fisicamente a coisa) ...
tenho mesmo de ir.
conto depois

Monday, January 29, 2007

india song 7 (onan, qual vasco da gama, chega a calicut)

caro diario:

chegamos ha cerca de quatro horas a calicut. foi aqui, nesta cidade que ate agora nada conhecemos, alem do hotel (bom), estacao dos comboios e caoticas ruas, que vasco da gama desembarcou em 1498. falar-te-ei mais tarde de belo momento que tivemos hoje de manha, ainda na praia de thottada, com um rapaz de 16 anos que sabia de vasco da gama, cricket, historia e religiao como um verdadeiro senhor. realmente incrivel a cultura que este povo tem e o empenho, desde sempre, no saber.
estivemos em palolem beach, o nosso paraiso turistico-freak, ate sexta-feira. depois apanhamos um comboio ate kannur. viagem realmente terrivel, um pesadelo; tinhamos bilhetes sleeper 2 ac. acontece que, como tivemos imensas dificuldades em conseguir os ditos, porque aqui os comboios esgotam constantemente (chega a estar-se uma semana a espera de um bilhete de comboio) um dos lugares estava separado dos outros. tinhamos as camas 1,2,3 e 44 da nossa carruagem. estavamos a contar trocar o tal 44 com a pessoa que o viesse ocupar, de forma a ficarmos todos juntos. eu acabei por ir para a cama 4, que era a que ficava por cima do miguel que era a 3 (a marisa era a 1 e o joni a 2). estava ja eu prestes a dormir, ja de cama feita, unisedil tomado, a ouvir as belas cantigas dos tres tristes tigres quando a marisa e o miguel me chamam e comunicam que a senhora indiana que ali estava especada era a dona do meu lugar e que se recusava a trocar. acho que fez uma mini peixeirada (em indiano mini massalada) e eu, por me recusar a ter de ir para o fim da carruagem, para a tal cama 44, dormir ao pe de pessoas que nao conhecia de lado nenhum (e tambem porque achei que nao tinha de ser eu o sacrificado), la decidi que dormia no chao da carruagem. chao este nojento, note-se, e com a possibilidade de ser visitado por uma ou outra barata (que as ha, e nao sao poucas, nos comboios indianos). resultado: nao dormi nada, cheio de comichoes, acordado constantemente pelo ir e vir de pessoas na carruagem (inclusivamente dois senhores, provavelmente revisores, que decidiram ter uma especie de reuniao noutra cama a um metro de nos, e pelo furor desse cavalo de ferro indiano a cavalgar noite fora pelos carris desta bela india. eu ja suspeitava que andar de comboio ca so de dia. mas muitas vezes tem de se viajar de noite (porque as viagens sao longuissimas, porque so se consegue bilhete nesse comboio, ou para nao se perder um dia numa cidade.
mas como shiva parece ser grande, the reward came perfect...
contarei depois.
a marisa e o joni querem ir ver esta bela (deve ser, deve) calicut.
pormenores mais tarde.
o joni tirou-me uma foto aqui a postar, depois publico.
agora vamos ver onde chegou esse senhor vasco da gama.
parece que nevou em lisboa. aqui estao 35 graus (mais coisa, menos coisa).
estou morto por beber outra kingfisher bem fresquinha.
tenho de ir. a marisa e o miguel chegaram agora ao cyber coiso, que fica numas galeria por baixo do hotel

Monday, January 22, 2007

india song 6 (onan em goa)

palolem beach, 17:15:

acho que apanhei uma insolacao nas pernas. estou a senti-las a ferver. esqueci-me de por creme nas pernas e tenho estado a tarde toda no alpendre da "cabana junto a praia" (qual tema de jose cid) a ler ao sol. adivinha-se uma bela noite. olha, antes isso de desinteria (como o pobre do joni que esta a desfazer-se ha 3 dias).
palolem beach: lembra-me duas coisas, a serie "a praia da china" e o filme a "praia". agua quente mas nao translucida (areia nao clara), um palmeiral selvagem a nossa frente, uma grande baia, uma ilha selvagem no lado direito da baia (quando se esta virado para o mar) e dezenas de pequenos "resorts" com beach shacks ao longo da mesma. paradisiaco. o tempo aqui parece que para. estamos num paraiso freak, apesar de ser ate para o caro dentro dos padroes indianos. mas mesmo assim ainda nao esta estragado pela prospeccao turistica. ainda se mantem tudo semi tosco e depois esta praia resolve tudo pela beleza imponente que tem.
quando vinha do cabanal, para o cyber onde agora estou e que fica tambem muito proximo da praia, descobri uma formula infalivel para nao ser interpelado pelos pescadores e angariadores que estao constantemente a querer levar-nos a fazer uma "boat trip to see the dolphins". ate ja foi uma ter comigo a cabana a querer impingir-me uma para amanha. ate foi a proposta mais barata de todas, andam a pedir 400 rupias por pessoa e ela pede 150. a ver vamos, eu gostava de ir mas temos de entrar em contencao de despesas. ja gastamos muito mais do que haviamos previsto. parece ser tudo muito barato mas acaba por nao ser a pechincha que se apregoa sempre. eles ja aprenderam muito bem a lidar com toda esta torrente de interessados pela tao especial india. ha coisas em que a diferenca dos nossos precos ainda se mostra muito grande (na maioria das coisas) mas ha outras que nem por isso. quer dizer... as coisas estao mais unifomizadas do que era suposto (ate pelo que fomos percebendo pelas indicacoes do lonely planet e outros guias). mumbai sabiamos que era caro, e ate agora foi o sitio mais caro mas a diferenca (e isso foi o que surpreendeu) nos outros sitios nao parece ser assim tao grande. mas goa significa turismo (e crescente) por isso nao choca que assim seja.
momento muito bom da viagem: a viagem de comboio entre mumbai e goa (estacao de karmali). este era um momento que eu aguardava com grande expectativa. uma coisa com que sempre sonhei e que me comecou a crescer na cabeca desde o momento em que comecamos a alinhavar a viagem. andar de comboio na india, durante muitas horas, ver a india, entrar pela india adentro. sobretudo porque nos ultimos meses sempre que entrava num comboio, no metro, num taxi, em lisboa, a ultima coisa que me apetecia era que essa deslocacao acabasse. tinha uma fome enorme de me deixar ir, de me deixar conduzir: tao farto, insatisfeito, entediado e exausto estava dos meus meus dias. nessas alturas a índia surgia (como desde ha muito) como o refugio que eu criei na minha cabeca. o refugio dos dias melhores, aquele sitio, situacao, sentimento, sensacao ou cenario que fantasiamos e ao qual recorremos muitas vezes to save us from grief. por isso quando percebi, ha pouco mais de um mes, que tinha a possibilidade de vir a india essa foi logo a imagem que apareceu na cabeca: finalmente vou andar de comboio na india, durante muitas horas, a ver a india, horas e horas a ver a india. nessa noite (na noite em que decidi fazer esta viagem) nao dormi.
a viagem de comboio comecou com um choque. ao entrar no comboio fiquei em estado de choque (isto da india primeiro estranha-se e depois entranha-se). tinhamos comprado bilhetes sleepers 3 ac. quer isto dizer: deitados, 3 de cada lado, ar condicionado (a la indiana, claro). pois isto para mim, na minha efabuladora e pouco efectivamente viajada mente, era ter acesso a um vagao de camas, com compartimentos, etc. mesmo que muito old school, era isso que eu esperava. ate porque a experiencia ate agora em termos de comboios, na viagem a nasik, era positiva. na viagem para la fomos sem ar condicionado e era mais precario mas no regresso, numa carruagem com ar condicionado, a viagem foi muito agradavel e a carruagem (dentro dos tramites indianos) era bastante confortavel. pois que o meu choque sucede quando entro na carruagem do comboio para karmali e me deparo com o que parece uma estagnacao no tempo. as carruagens sleepers parecem ser o interior de um submarino russo durante a guerra fria. o choque nao vem da precaridade: vem da austeridade (nao consigo explicar isto muito bem), da massificacao, do muito pouco para muitos, na funcionalidade maxima com o minimo.
(estou a perder a capacidade de articular frases, sinto que nada disto que escrevo acaba por ser suficientemente justo para expressar aquilo que vivo e quero transmitir. falta-me imenso vocabulario em portugues, ja falo com os meus amigos em ingles. quando escrevo tenho imensas duvidas em algumas palavras. que coisa tao parva e estranha. ainda nao escrevi uma unica linha na agenda moleskine (o tal cadreno preto de capa dura, que acabou por nao ser assim tao dura) que comprei. conclusao: so irei conseguir escrever a india depois da india).
para concluir a viagem de comboio: foi muito especial, como eu esperava. a india foi acontecendo. conforme as horas iam passando, 12 horas, note-se, para percorrer 654km, a india foi-se desenhando dentro da minha cabeca. a india que eu vim desenhando ao longo dos anos, dentro de mim, como um local fantastico, mitico, o refugio. a india desenhou-se e nao mostra ser um sitio mitico mas sim um sitio efectivo: feito de paisagens luxuriantes, de selva virgem, cursos de agua, cordilheiras, pessoas sempre, mesmo nos sitios mais inospitos e aparentemente desertos, povoacoes minimas e pauperrimas, uma luz sempre difusa e doce, o cheiro a lixo constante e que tambem nos parece doce, o cheiro das queimadas que se fazem para repelir os mosquitos, estacoes de comboio a cair de podres, outras mais intactas, outras bonitas, os carros e os rickshaws que tambem sao doces como o seu fumo que tambem acaba por ser doce. a india nao se mostra o sitio que sempre jukguei mitico e cristalizado. india igual a doce-amargo. bittersweet india. india igual a real, muito real. a india acontece-se, muito e realmente.
anteontem quando vinhamos nas motas de candolim para panaji, no fim do dia, eu e o miguel a cantar big hits da madonna, conclui que a india era bonita mas nao chegava a ser bela. mas, logo ali, suspeitei que a minha conclusao nao se ficaria por ali. hoje, fiz-lhe a errata, na minha cabeca: a india acaba por ser bela sem chegar a ser exactamente bonita.
e com isto me vou a ver se ainda consigo dar um mergulho antes de jantar.
(nao revi nada do que escrevi, erros, dislexias, etc, serao muito possiveis, nao revi pontuacao mas neste teclado isso seria impossivel)

Thursday, January 18, 2007

india song 5 (back to mumbai)

(ACENTUACAO E PONTUACAO DIFUSOS, COMO A LUZ DA INDIA)
hoje foi o regresso a mumbai, depois de termos ido ontem para nasik e ter la passado a noite. tivemos ontem a primeira incursao no sistema ferroviario indiano. eficiente, de facto, mas particular. nada de porcos e galinhas mas com a venda constante de agua, cha, cafe, chamucas, sandes, souvenirs, eunucos a pedir (os primeiros que vimos), bonecos, revistas, etc. facto muito particular: o nome dos passageiros afixa-se em lista a porta da carruagem. ninguem ocupa o lugar de ninguem, nunca.
nasik e uma das cidades sagradas, uma pequena varanasi (a cidade que sonho visitar mas que nao vai ser possivel nesta viagem porque fica muito a norte e apenas temos tres semanas): vacas com fartura, das sagradas, bela vida que tem as vacas, um rio, sagrado, claro, onde os fieis se banham, templos. uma cidade pauperrima, realmente um mergulho na india profunda. nesta pequena aldeia, de 12000 habitantes, o rebolico, na devida escala, nao fica atras do de mumbai. mas eu confesso que prefiro mumbai (com os seus restantes 18 milhoes). hoje fiquei feliz por ter regressado ao nosso velho hotel causeway na avenida colaba. a avenida colaba e uma das principais arterias da cidade, muito proxima do gateway to india e onde tudo circula. de volta ao nosso velho leopold, sitio obrigatorio para turistas e indianos neste rebolico, uma especie de peters a indiana.
hoje fomos a elefanta, a ilha que fica em frente a mumbai e que deve ser o que de mais monumental, historico, ancestral ha a destacar ca. com as suas grutas escavadas na pedra onde se podem ver estatuas gigantes das divindades. uma hora barco para la chegar numa especie de mini cacilheiros.

consideracoes (mais interessantes que vagos e superficiais relatos): a india demonstra ser o que eu esperava, um constante contraste, movimento, caos que se organiza, ancestralidade, pobreza extrema, frenesim, idade. india sinonimo de idade. o que surpreende e a dignidade que esta impressa e tacita em todo esse caos. uma integridade e dignidade que perpassa, ou atravessa mesmo, tudo e todos e que se faz respeitar. isso supera o constante assedio (inofensivo), a impotencia perante a pobreza geral, a impotencia perante a impotencia, o medo de adoecer (so far nada de grave a declarar nessa materia, e todos os dias damos gracas aos deuses por isso).

ja em marrocos tinha concluido que a carencia se demonstra uma grande amiga da resolucao. a pobreza extrema gera uma imaginacao extrema, para la dos limites que sempre antevi. e a grande dignidade deste povo, como certamente a de muitos na mesma situacao, vem na forma dessa grande e inevitavel imaginacao.
ha nobreza no olhar do rapaz que te seduz para lhe comprares um brinquedo obsoleto, nos seis rapazes que te servem no restaurante em nasik e te tratam principescamente (e tu sentes-te mal por estares nessa situacao numa cidade que parece a buraca ampliada cinquenta vezes), como ha nobreza e dignidade no homem que hoje vimos, em elefanta, a flutuar em cima de uma placa de esferovite, que nao tinha mais de um metro, e que usava os chinelos como remos para chegar a um barco. ha nobreza e dignidade nesta gente, nobreza no sobreviver, no estar, no receber. pureza e dignidade. sentes-te completamente seguro sempre, sentes-te mal quando concebes a ideia de poderes nao estar seguro, mesmo quando estas rodeado por dez taxistas que te tentam angariar. so assim pode ser, ninguem tem culpa de serem muitos e todos tem de sobreviver. como tu, sobreviver. tu que apenas os vieste ver.

deixamos mumbai dentro de sete horas. partimos para goa, essa goa por mim ha muito sonhada.

coisa estranha: estou na india ha quatro dias e ja sinto saudades disto.

contrariamente ao que se diz sempre, mumbai fica em nos. em mim ficou. estava com muito medo dela mas bem no fundo eu sabia que iria gostar. esta coisa dos milhoes toca em qualquer coisa ca dentro, nao sei bem o que. mas toca. talvez seja esta sensacao de que nos milhares de pessoas que estao sempre a tua volta ha a forca dos milhoes que nao ves mas que estao, exponencialmente, tambem a tua volta. mumbai fica... grande e pequena de tao pura. um caos que se regula, como qualquer efectivo caos.
andar no meio do transito em mumbai torna-se viciante como uma droga. e eu sou um demonio vicioso.

ate ja mumbai, ola goa.

Monday, January 15, 2007

india song 4 (onan em mumbai)

querido diario:

mumbai, at last.
o que a seguir escreverei carece de acentuacao e alguma pontuacao. este teclado demonstra ser algo diferente.

ate agora tudo corre pelo melhor. as primeiras intencoes foram cumpridas: aterrar, trocar dinheiro imediatamente (operacao rapida e bem sucedida e com o minimo de prejuizo), deixar os casacos de inverno e demais bagagens desnecessarias num locker (o locker, note_se , trata-se de um barracao anexo ao aeroporto onde uma rapariga ate simpatica, de sari, regista e da entrada, com um rapaz menos simpatico e sem sari, da bagagem em questao. pagaremos 45 rupias por dia apesar de no quadro onde esta o precario estar indicado que sao 15 por dia. ao notar o facto reclamamos mas a rapariga simpatica de sari e o rapaz menos simpatico sem sari sao bastante peremptorios em esclarecer que naquele quadro, apesar de so para eles ser nitido, estao apenas indicadas as tabelas de precos para pessoal do staff das companhias aereas, portanto, o comum dos mortais paga as tais 45 que, presumo eu, decidiram eles cobrar pela nossa pinta. enfim, this is india and we knew it in advance), apos deixar a bagagem preterida vamos negociar o pre-paid taxi que nos levara ate ao aeroporto domestico onde iremos comprar na air deccan os bilhetes que nos trarao de regresso a mumbai no dia 3 de fevereiro, viremos entao de trivandrum (bastante a sul da india). operacoes bem sucedidas: a negociata do prepaid taxi (que nos faz a primeira incursao, 6 km, no, digamos, bastante particular trafego de mumbai... uma macacada) e a compra dos bilhetes que conseguimos por um preco mais baixo do que era previsto.
compra feita, passo seguinte: arranjar um novo taxi que nos leve do aeroporto domestico ate ao causeway hotel, onde agora me encontro, 400 rupias de tarifa: justo. agora sim, mumbai comeca.
mumbai a uma da tarde exibe um calor bastante aconchegante e muito similar ao de lisboa numa torrida tarde de agosto mas revela tambem um pequeno pormenor. ha todo um nevoeiro que em nada condiz com a temperatura. o nevoeiro acaba por ser a espessa camada de smog que torna a cidade algo difusa e que cola a todos os nossos sentidos, sobretudo ao tactil, cola-se um bocadinho a nossa pele. o transito infernal mas para nos, algo euforicos mas exaustos, parece muito divertido. o miguel conclui que seria para ele muito dificil conduzir nesta cidade. eu, que jamais em tempo algum condizirei, concordo. um caos, de viaturas, taxis, mais e menos jurassicos (os nossos sao e ainda bem, lindos, dos anos setenta (suponnho), amarelos e pretos), auto rickshaws, motas e muitas, muitas muitas pessoas. um caos de sons, um caos de pequenas e pauperrimas construcoes ao longo da estrada que acolhem os mais diversos tipor de actividade comercial, esgotos a ceu aberto, sim existem e as pessoas vivem quase, ou mesmo, neles, um cheiro pouco agradavel, vegetacao tropical, muita gente, uma sinfonia de buzinas, milhares de buzinas. movimento. a india, presumo eu, desde ja, sinonimo de movimento. eles estao sempre em transito. chegamos ao hotel, que reservamos avancadamente, apreensivos. o quarto ate se mostra agradavel, tem casa de banho e fica no coracao da cidade. o chuveiro da casa de banho demonstra ser a propria casa de banho mas ficamos contentes. duche e rua com eles. porta da india, mesmo perto do hotel, estamos mesmo no coracao de mumbai. comer, no leopolds, uma mistura de brasileira, com galeto, com o dos colunas em sevilha. simpatico. comemos bem. passear ver muita gente. comecou ontem o festival de musica e danca de mumbai. um espectaculo de rua mesmo na porta da india.
tenho de ir. todos dormem. o joni chegou a recepcao do hotel agora. estou tonto do jet leg, a hora paga para estar na net acaba. tenho de me ir deitar. pareco estar num barco, acho que vou cair da cadeira. estou muito tonto. calor. bom. dormir e sonhar que estou, finalmente na india. amanha ha mais MUMBAI.

Saturday, January 13, 2007

india song 3 (india countdown)

MENOS DE 24 HORAS! NERVOS! QUE BOM; QUE BOM! ESTÁ QUASE TUDO PRONTO! ATÉ A TOSSE ESTÁ MAIS CONTIDA. ESTOU CHEIO DE FOME E AINDA NÃO COMPREI O CADERNO DE CAPA DURA. TENHO DE IR À FNAC. E DEPOIS NOOBAI DAR PARABÉNS À ANDRESA.
PARABÉNS LÍGIA E ANDRESA!
QUASE: OLÁ ÍNDIA (ESPERO NÃO ENCONTRAR O CAVACO)!

Friday, January 12, 2007

india song 2 (india countdown)

caro diário:
afinal não te dediquei o tempo que era suposto, nestes últimos dias. livrei-me dos trabalhos forçados mas não fiquei, por isso, com mais tempo. A Índia aproxima-se a grande velocidade. Faltam, quase precisamente, quarenta e oito horas para a partida.
O stress ainda persiste. A mala ainda não está totalmente feita; compras de última hora (um caderno preto daqueles de capa dura, uma bic gel, um duplo jeck de headphones, para eu e o Miguelito partilharmos as melodias, e mais algumas coisas que ainda não risquei da lista).Muito provavelmente o que ainda falta comprar serão coisas de farmácia; este mês já lá deixei perto de duzentos e cinquenta euros. A quantidade de químicos que tenho intrometido no corpo (vacinas para Hepatite A e B, Mefloquin: profiláctico da Malária, vacina Anti Febre Tifóide, vacina Antitetânica, Amoxicilina, Brufen e Vibrocil para a apropriadíssima crise de Sinusite que está a preceder a viagem e Mucosolvan) dariam para abrir um laboratório farmacêutico caso se procedesse à incineração desta exausta carcaça.
Os nervos regressam, ainda tenho de deixar uma série de coisas tratadas: dinheiros e afins, telefonemas, e deixar as coisas vagamente organizadas em casa.
Agora, esta carcaça vai comer e vai guardar os setecentos euros que tem dentro da mala em casa. Ah, comprar uma bolsa para guardar o dinheiro junto ao corpo, já me esquecia. E tenho de ir comprar o protector solar para a Marisa.
Muito stress, Caro Diário. We'll meet in Mumbai.

Thursday, January 04, 2007

india song 1

caro diário:

está cada vez mais perto o momento em que finalmente terei tempo para poder estar contigo. esse tão ansiado momento em que te farei algumas revelações e confidências. o momento em que possa em ti, como em tantas vezes, fazer uma catarse. para já fica a novidade que há muito desejo dar-te: VAMOS PARA A ÍNDIA, EU E TU. AQUI ESTÀ O NOSSO PRESENTE; PELOS MEUS TRINTA ANOS, PELOS TEUS DOIS ANOS E POR ESTE NOVO ANO. DAQUI A DEZ DIAS VAMOS PARA A ÍNDIA!!!
QUE SHIVA NOS (A)GUARDE!

Sunday, December 10, 2006

saudades

querido diário:
Fizeste dois anos em Novembro. Tenho saudades tuas, nossas. Não tenho tempo para nós. Há muita coisa que te queria contar, algumas tristes, outras nem por isso. Não tenho tempo, não tenho tempo. Sobreviver dói, cansa, quase mata. Espero voltar a viver em 2007. tenho tantas saudades nossas. Não tenho tempo.

Parabéns, querido diário. Passados dois anos ainda aqui estamos; mas cada vez estamos menos aqui.

Friday, October 06, 2006

quase

és uma quase-musa e eu creio ter tudo o que a uma quase-musa se pode oferecer: a extensão da voz e todo o léxico da atenção.
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não estou a viver: rasga-me ao meio, parte-me em dois.

Monday, September 18, 2006

sentir

não sinto coisa alguma. não sinto; nem mesmo o vazio!
ah, sinto apenas uma coisa: a falta de tempo para poder escrever. a falta de tempo para poder sentir-me a escrever!
apenas a escrita importa e é para ela que menos posso viver!
não sinto coisa alguma. prefiro não sentir o vazio.

Wednesday, August 30, 2006

febre rimática

há uns anos atrás deu-me uma febre rimática. desde então, não tenho parado de fazer composições em rima. aqui fica um dos produtos dessa febre, a que sempre achei piada; ainda acho.

LÁBIOS

Uns lábios de mel
para orar a Rehael.

Uns lábios de sol posto
para provar o teu mosto.

Uns lábios de amargura
para pintar com tintura.

Uns lábios de carvão
para recitar o corão.

Uns lábios de metal
para escarrar no Natal.

Uns lábios de ocidente
para fazer música num pente.

Uns lábios de solstício
para continuar este vício.

Uns lábios de doçura
para louvar a literatura.

Uns lábios de sabão
para salvar um irmão.

Uns lábios de cocaína
para perpetuar esta sina.

Uns lábios de papel
para me manter sempre fiel.

Uns lábios de telefone
para verter água num cone.

Uns lábios de papiro
para mudar o rumo de um tiro.

Uns lábios de faca
para arrancar uma estaca.

Uns lábios de sorvete
para oferecer a um canivete.

Uns lábios de poliglota
para não rir de uma anedota.

Uns lábios de gim
para não me tornar ruim.

Uns lábios de lisboeta
para partir uma ampulheta.

Uns lábios de tecido
para filtrar a libido.

Uns lábios de porcelana
para provar a chanfana.

Uns lábios de escrita
para cantar uma canção bonita.

Uns lábios de Julho
para trincar um gorgulho.

Uns lábios de marmelada
para não conter a gargalhada.

Uns lábios de cicuta
para acusar um filho da puta.

Uns lábios de verão
para escorregar no corrimão.

Uns lábios de haxixe
para cuspir azeviche.

Uns lábios alentejanos
para corrigir os enganos.

Uns lábios de hedonista
para baralhar o machista.

Uns lábios de alegoria
para reinventar a poesia.

Uns lábios de computador
para registar o nosso amor.

E com um beijo trama
percorremos o mundo na cama.

Antes, durante e depois
somos felizes sempre os dois.

Pois, enquanto tiveres uns lábios assim
este poema não chega ao fim.

Uns lábios de electricidade
para reviver a puberdade.

Uns lábios de carnaval
para ser uma flor do mal.

Uns lábios de ...
para...

Uns lábios de ...
para...

(Preenche os espaços em branco s.f.f.. Afinal os lábios são teus!)

Wednesday, August 16, 2006

làtigo

làtigo:
projecto de música electrónica que eu e o nuno, baixista da minha banda (nude), formámos há cerca de seis meses.
estivemos durante estes meses a trabalhar em alguns temas inéditos e contamos, a partir de setembro, começar a trabalhar no disco de estreia do projecto e a preparar um show case para ser apresentado em bares, discotecas, bas fonds, desse mundo fora.
uma vez que os nude se extinguiram, este será o projecto musical que nos permitirá levar em frente as nossas ambições musicais.
é um projecto mais conciso e consensual, ambos temos as mesmas referências e objectivos e há uma grande organicidade no trabalho. até agora tem havido, e creio que assim continuará a ser. além de que o nuno, ao longo dos últimos anos, tem investido na aquisição e know how relativos a maquinarias e procedimentos técnicos fundamentais ao tipo de música que queremos desenvolver. na verdade, acho que ele apresenta já um grande domínio aliado a uma grande criatividade. o que me deixa bastante à vontade também para criar. é um processo, apesar de mais circunscrito, bastante mais livre. e, também, um passado de mais de oito anos a trabalhar na mesma banda deu-nos a sintonia que permite a tal organicidade referida e requerida.
aqui fica o link da nossa página no myspace:
o template ainda não é personalizado, faltam fotos actuais nossas, uma boa descrição do projecto, as canções são apenas demos gravadas num estúdio caseiro, etc. em todo o caso, dá para o projecto se ir divulgando e para recebermos feedback dos eventuais visitantes.
o convite está feito.
opiniões, críticas, lavagens de ego, destruições de ego, piropos e todo o tipo de impressões serão bem recebidos.
cheers

Tuesday, August 15, 2006

dois bons materiais

já acordei umas cinco vezes hoje. estou com uma tosse horrenda e tenho o peito cheio de uma compacta e impertinente massa expectoral que teima em sair ao relenti.
em todo o caso, em duas das vezes que acordei fi-lo para digerir dois bons materiais que se me nasceram na cabeça. o primeiro material é o início de um poema. o segundo material é uma mensagem mas é também um grande achado imagético-existencialisto-literário e pode, com toda a certeza, vir a tornar-se num bom material a aproveitar para o romance que estou a escrever. assim é:

bom material 1
não falas, nem cantas, nem tremes, nem voas; tu não te situas.
caminhas comigo no gume agudo da faca das ruas.

bom material 2
continua a dar-me música! manda-me um telegrama cantado a dizer que não me queres!

Friday, August 04, 2006

i wont run away again

gracias, muchas gracias.
(estar contigo é estar feliz. e isso é bom, muito bom. basta-me, bastas-me)

Thursday, August 03, 2006

present mood (based on last night)

"revolution, dope, guns, fucking in the streets"

(forget the guns, keep the revolution, come with me and use as a dope, let's keep fucking in the streets)

Tuesday, August 01, 2006

sem destinatário

um poema azul

é no apartar da línguas que a vida começa.
adormeço,
durante este cair sem voar dentro do céu da tua boca,
enquanto a tarde volta a ser, uma vez mais, demasiado tarde para nós.

mas cabe-me esta certeza:
Mudámos o rumo, a fúria do sangue, e a certeza das mãos à força de tanto termos sido amantes.

(tem-me acontecido com frequência um certo fenómeno: escrevo poemas, muitas vezes letras das canções que canto, sem que estes se proponham relatar, atingir, situar, algo concreto. escrevo-os sem um referente. passados meses ou até anos acabo por viver as situações que escrevi a priori. creio que este poema é um desses casos. não que não tenha vivido algo que não se possa inscrever no poema mas, tenho essa certeza, porque este foi escrito sem um referente. escrevi-o pela beleza que penso estar contida na ideia do mesmo. é, portanto, uma estória escrita antes de ser vivida. ou talvez seja eu a armar-me em visionário, para brincar com o tédio. on va voir!)

Tuesday, July 25, 2006

a minha canção de embalar

Divine, by Antony and The Johnsons

Good-Bye, baby
Baby, good-bye
Divine, oh Divine
Falling like a picture of time
Oh he was the Mother of America
He was my self-determined guru
Myself, I hold your big fat heart in my hands
And I hold your burning heart in my hands

A supernova
A flame on fire
Shining in the darkness
Did someone mention a rapture
Well I turn to think of you
Who walked the way with so much pain
Who holds the mirror up to fools
And I'll murder the ingrates
Who stand in our way!
And I'll swallow shit, laughing
On my bed of hay!
And I hold your burning heart in my hands

And I hold your burning heart in my hands
A supernova
A flame on fire
Shining in the darkness
Divine

Divine
A supernova

A flame on fire
Shining in the darkness

é bom quando alguém sabe escrever e cantar o amor e tem a possibilidade de o fazer. viva o antony.

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um dia hei-de cantar esta canção e hei-de pensar em ti.

why do you let me run away?
i've nothing left to say.
maybe this is the way.
you let me run away.
......................................................................................................................................

faz hoje uma semana. eu queria ir, sim eu queria, mas tive medo e não fui. quem perde sou eu, talvez. and you let me run away.
.......................................................................................................................................

ainda gosto muito de ti.

Monday, July 17, 2006

saturday

"only an expert can deal with the problem"
vi a minha amada, de quase sempre, laurie anderson pela primeira vez. sábado passado no castelo de montemor-o-novo. genial. aquela mulher é genial. apesar de o castelo ter uma atmosfera linda, forte, enigmática, tenho de concordar com a dany. um concerto da laurie anderson, ou este concerto, talvez resulte melhor num espaço fechado, onde se pode estar confortavelmente sentado, sem ter de estar a sacudir as melgas; é necessária a abstracção do corpo. a laurie anderson instala-se dentro da nossa cabeça (na minha está instalada há uns quinze anos). por isso é que me comoveu tanto a citação feita à comédia de Aristófanes "As Aves". é tão bom constatar que as pessoas cujo trabalho nós admiramos também se comovem com as mesmas coisas que nós. "As Aves" é uma das minhas peças clássicas de eleição. A foi muito bom ver a laurie anderson aludir à tal cotovia que, ao sepultar o pai na própria nuca, inventou a memória.
"underwear gods" é também, apesar de menos surpreendente, um conceito interessante e comovente. foi isso que o trabalho da laurie sempre me provocou: comoção no interior da cabeça. exactamente aquilo que pretendo atingir quando me disponho a trabalhar.

Friday, July 14, 2006

2 declarações

1 (particular)
estavas ali, serviste para o efeito pretendido. apenas isso, indiferenciadamente, estou certo. clap, clap, clap (isto são palmas, batidas com ar blasé, à la victoria beckham.)

2 (totalmente geral, sem destinatário definido)
who burps in the end burps a lot better.


crudo

A tua boca descolou-se, rápida e furiosamente, da minha mas
deixei nela presa toda a importância dos meu olhos.
Os teus olhos, quando se fixam nos meus, oferecem-me
o regresso fugaz da pálida ideia do sabor da tua boca.
As tuas mãos são duas estações de calor e contratempo.
As palavras, que agora escrevo, são barcos que se afundam numa saudade que ainda não existe mas cuja fecundação adivinho no fundo da minha garganta.
Quando partires sei que vou fechar os olhos e a boca
para poder mudar de voz na paz que tu mereces que eu adquira.
Ofereceste-me a minha primeira guitarra e eu não consigo deixar de a abraçar (porque tu estás dentro e fora da futura afinação).
Agora ela dorme sempre a meu lado e transporta-me a música que tu és. Durmo neste doce dançar contigo.
Amo-te com gosto, ar e melodia.
(algo mudou dentro de mim nestes últimos dois dias. creio que deixei de sentir isto. ainda não tenho a certeza, mas é possível que sim. por isso é que decidi publicar o poema, para que conste: memória futura.)

Wednesday, July 12, 2006

um poema com sete ou oito anos cuja verdade o tempo não apagou (eterno retorno)

Vou rimar
só por rimar
para não cortar
a jugular


Três cabeças numa chaveta
Tenho um romance na barriga
Siameses na ampulheta
Do mundo chega-me a intriga

A Pandora tem boceta?
Não tens sangue; é jeropiga
Filho de Maria Antonieta
És rapaz ou rapariga?

Eu sou a jóia e tu a a coroa
Esta tensão é irritante
Mudei de pele cá em Lisboa
Tornei-me um altifalante

No verão tudo me enjoa
Eu sou esperto e tu ignorante
Eu feliz? Ah, essa é boa!
Gosto de ti: Coração Mutante

Monday, July 10, 2006

30

foi ontem, 09 de julho, finalmente entrei nos trinta. vamos lá ver se se cumprem as previsões de certos visionários e esta década me traz a, tão ansiada, prosperidade. a ver vamos.
em todo o caso sinto-me próspero por ter os melhores amigos do mundo. felizmente não são poucos e são simplesmente maravilhosos. no sábado, ontem e hoje as acções de todos eles em conjunto e de alguns em particular (selma, miguel, xana, sandra e julián) deixaram-me profundamente comovido, esperançado, feliz. eu sei como sou amado, por vós, meus queridos. e amo-vos muito e vocês fazem-me querer ser uma pessoa melhor. um grande obrigado a todos, you live in me forever. vocês são a minha principal inspiração.

Thursday, July 06, 2006

tem de ser

deixou de me fazer bem, gostar muito de ti, por isso tenho de deixar de gostar muito de ti. passarei a gostar apenas. a vida tem destas coisas...
....................................................................g...a.....m...e.....o....v....e.....r..........
o problema reside no facto de isto nunca ter sido um jogo. ou talvez seja o jogo da vida. o jogo de quem vive. eu vivo.

Saturday, June 24, 2006

um haiku com um ano

rua do norte,
fim de junho a nascer -
os pombos namoram.

Monday, June 19, 2006

uma declaração

para _ _ _ _ cão,

gostar de ti é gostar muito de ti e é gostar muito de gostar muito de ti.
gostar de muito de ti é muito bom, porque tu mereces.
gostar muito de ti é olhar para ti e sentir que a vida pulsa e que a vida é boa.
gostar muito de ti é ter vontade de sorrir e de cantar e de comunicar.
gostar muito de ti é querer ouvir e fazer música para a cantar a toda a gente.
gostar muito de ti é querer viajar, dentro e fora da cabeça.
gostar muito de ti é querer aprender e é querer ensinar.
gostar muito de ti é querer ouvir-te e é querer falar-te.
gostar muito de ti é gostar muito de estar simplesmente contigo; é comunicar.
gostar muito de ti é uma das melhores coisas que me aconteceu nos últimos anos.
gostar muito de ti é saber que, aconteça o que acontecer, serás sempre muito, muito especial na minha vida e na minha memória.
gostar muito de ti é presente e é futuro.
gostar muito de ti é muito, muito simples.
gostar muito de ti vale a pena por tudo isto.
gostar muito de ti é viver.
gostar muito de ti é ser eu.
gostar muito de ti é o antes, o durante e o depois da arte.
gostar muito de ti é criar; é pensar a sentir.
gostar muito de ti é querer ser melhor, para ti, para mim e para o mundo.
gostar muito de ti é o princípio daquilo que eu serei; daquilo que quero ser.
obrigado, por seres assim: alguém de quem é muito bom gostar-se.

Friday, June 16, 2006

parabéns à lena

"música não é barulho! música é silêncio; é pausa!"
lena d'água dixit.

obrigado lena pelo maravilhoso espectáculo de ontem no maxime. duas horas de arrepios, dos bons. mais uma vez conseguiste, e desta vez plenamente, deixar-me aparolado. provaste que a tua arte é perene e anímica, que é uma força da natureza, que é revolucionária e sempre tão fresca, pura. a tua presença transborda a fúria de um primeiro momento. e isso arrepia porque é como a força de uma maré.
parabéns, lena.
e sim, fuck olhó robot! viva o silêncio e a pausa (que tu transportas tão bem).

Thursday, June 08, 2006

medula party para um início de junho

correm, mas não fogem.
embatem, uns nos outros, e dançam, blandiciosos, no ar.
tornam as línguas inequívocas como rastos de cometas.
já não se surpreendem mas deixam-se ficar à espera que um flanco lhes apresente a frescura de um quadro que ainda se está a pensar pintar ou, até mesmo, o frescor leitoso de um primeiro beijo trocado às escondidas.
vivem de olhos fechados, não por medo da luz, ou devoção à escuridão, mas porque querem prolongar até ao infinito a suspeita de que todos os dias podem ser iguais na sua tão desastrada diferença.
carregam no corpo apenas o peso da própria pele e riem-se disso como se as palavras fossem milhões de pequenas partículas de um gás desconhecido que projecta na atmosfera (ao instituir-lhe novas discretíssimas tonalidades) o frugal tempo de vida de uma sensação, necessidade ou desejo.
não são serenos nem furiosos; são livres e acutilantes como as notas desta música que toda sabe mas que jamais alguém se atreveu a inventar.

Monday, June 05, 2006

anti-haiku

(regresso a casa, domingo, 08:3?h, rua d. pedro v)
gulls try to match-
imaginary waterfront-
right mood to compose an haiku, but i don't.

Saturday, June 03, 2006

spit it out

apaixonei-me por esta canção do genial IAMX. apaixonei-me sem perceber que ela viria a tornar-se o hino daquilo que sinto. durante esta semana todas as palavras desta canção têm sido exactamente tudo aquilo que tenho sentido e que poderia vir a ter vontade de te dizer. é magnífico isto das canções se tornarem retratos nítidos das nossas vidas. eu sinto cada uma das seguintes palavras. mas isto é um assunto meu.
"spit it out", by iamx
And if you're hurting
I will replace the noise with silence instead
Flushing out your head
If you like it violent
We can play rough and tumble
Fall into bed
And I won't breathe so you can recover
When you're in pieces
Just follow the echo of my voice
It's okay
Tune into that frequency
Don't fight your reflex
Embrace the instinct
You can feel your way
Through the bed and weak face in the end
'cause it breaks my heart
That we live this way
I know people need love
'cause them people never play the game
And we talk the talk
We communicate
The people need love
Those people never play the game
Pleasure for pleasure
It eases consequence
And love for a fall
But I know you love to take a risk
The past is weakness
Don't beg the question when the answer is war
There are moments when I'm overcome
'cause it breaks my heart
That we live this way
I know people need love
'cause them people never play the game
And we talk the talk
We communicate
Them people need love
Those people never play the game
And it breaks my heart
And it breaks my heart
In love
.............................................................................................................................................
agora as minhas palavras (o meu spit out). para acabar de uma vez com o assunto.
you remember the ending
i remember a little bit more.
why did it happened? we don't know,
maybe it was the engine that pushed us, into each other, when it closed it's door.
you remember the the ending
i remember feeling pulsion, bodies rush and bodies lost.
four? you said four kisses?
i wanna buy you that memory. please tell me, how much does it cost?
(done now!)

Sunday, May 28, 2006

a verdade

gosto tanto de ti!

Wednesday, May 24, 2006

stomach butterflies

to a. (while september does not come)

at the same time odd and warm
and
quite hard to explain
but
i get a glimpse of heaven
when you say:
"i want to fuck you brain"

now always eager to get home
at
the end of shallow day
i start
to smile at six o'clock
wondering
how fresh will be the things you'll say

i'm ready to throw knives out
and say farewell to whats and whys
let me thank you, napchild,
for bringing, back to me, these sweet stomach butterflies

Thursday, May 18, 2006

post modern icarus

i would catch if i could reach you
when you fall i know i'll lose my muse
don't want to be the one to preach you
your addicted to this rushing abuse

why, why, tell me why,
do you bring your chaos to the sky
when we come here to fly, to fly, to fly?

why, why, tell me why,
do you cause explosions in the sky
when we come here to fly, to fly, to fly our pain away?

there are no more lessons to teach you
since we've waisted all our springs
pick up your debris from the the ocean
love is useless without wings

why, why, tell me why,
do you bring your chaos to the sky
when we come here to fly, to fly, to fly?

why, why, tell me why,
do you always try to taint the sky
when we come here to fly, to fly, to fly our pain away?

we fly, and fly, to achieve bliss
but we're no myths from ancient greece.

we fly, and fly, to achieve bliss
but we're no myths from ancient greece.

fly, fly, to achieve bliss,
babe, you're not still in ancient greece.

(a letra de uma nova canção em que estamos, os nude, a trabalhar. vim agora do ensaio e acabei de a escrever em definitivo aqui. ao fim e ao cabo, este diário também é um bloco de notas.)

Wednesday, May 17, 2006

uma fantasia

comer romãs a correr, de mão dada,
bocas que escorrem uma para dentro da outra.
olhar fixo no outro a tarde inteira e crer juntos que se está num templo do Butão.
encher a banheira com água, sal e páginas dos livros todos que se gosta, ler nas plantas dos pés, nas axilas e no sexo as frases que se foi sublinhando, a solo, ao longo da vida.
lavar louça nas escadas do prédio e pintar com verniz dos chineses os dentes das vizinhas mal humoradas.
fazer desenhos obscenos, com guache e tinta de água, nas fachadas de todos os ministérios.
entrar em táxis e dar, convicta e soberbamente, ao motorista a indicação para só parar em Dresden.
ficar em total imobilidade e silêncio durante dois dias de agosto e apenas agitar os corpos para dar pequenos tragos em água das pedras choca.
comer bolachas de água e sal e rasgar notas de cinquenta euros em pedacinhos mínimos; fazer chuva de euro-confetis.
adormecer com vontade de acordar para estar de novo aqui, ou na lapónia, de dedos entrelaçados.
a paixão é isto: o vício de matar o teu tempo, nesta dádiva clara do meu.
(finda a fantasia descubro que tenho o tempo todo para mim e para o relógio.) hmmmmpffffff. faz-se tarde, vou dormir.
o diário de onan, esta virtual e tabularrásica entidade, ganha, pela primeiríssima vez, expressão e afirma:
- Este demónio mente. Onan tem fobia a relógios, não os possui, não se compreendem mutuamente. Quando Onan pensa, fantasia e conclui os relógios páram no seu pulso e implodem. E Onan passa noites em claro a tentar medir a intensidade do parto de cada novo minuto. Deixai-o mentir, é assim que adormece.


Tuesday, May 16, 2006

farewell Elisa promenade

o terçolho está menor, ainda dói, mas, em todo o caso, não foi por isso que acordei. acordou-me o sonho e o barulho da folha de papel a arrastar-se, sobre o tapete, à porta do quarto (eram um quarto para as oito). dormi quatro horas e meia, não consegui dormir mais; não o lamento, hoje não o lamento.
a folha estava lá; vi-a quando decidi levantar-me para vir escrever; era um recado da rosa, por causa do dinheiro. ai, o dinheiro.
o sonho:
a H., que não é de todo actriz, estava a fazer um espectáculo sobre a sua ligação com o A.. a D. entrava no palco e, qual espectro, seguia a H. durante toda a acção; invadia-lhe o palco e deixava-se ficar, em silêncio, porque a ligação de H. a A. foi, como toda a gente sabe, uma terrível facada para D..
este sonho fez-me perceber uma série de coisas; levou-me, de novo, a Elisa. god, Elisa voltou e foi em força. este sonho fez-me perceber muita coisa; sobretudo a questão da espectralidade, o registo suspenso, o filtro onírico. é por aí, é por aí que Elisa tem de ir. é incrível que tenha sido através de um sonho, com uma das pessoas que mais amo na vida, que Elisa, essa mulher que me tem obcecado nos últimos meses, que vai e volta e que ainda não tem a consistência suficiente para que eu a escreva de fio a pavio, tenha voltado.
a espectralidade não é exactamente de Elisa, é de Ele. Elisa torna-se um espectro quando conferencia com Ele. mas Elisa não estará mais com Ele. na verdade, penso que Ele já estará morto. Elisa conferencia com um espectro, daí a sua grande perturbação. Elisa ficou presa na frescura interrompida da sua juventude, é por isso que não consegue ser agora Elisa.
o sonho trouxe-me de volta Elisa e o nome da obra. valeu a pena dormir pouco, hoje valeu a pena dormir pouco. hoje começa, em ganas e fúria, neste ataque concreto e profícuo de maníaca ansiedade primaveril (síndroma que cada vez estou mais certo possuir), a obra: Farewell Elisa Promenade.
ainda bem que voltaste, Elisa. não vou deixar-te partir de novo.
(este verde rima com promenade) é primavera, senhores, e eu não páro!

Sunday, May 14, 2006

uma conclusão

se o mundo é isto: um mar revolto de vontades arbitrárias.
eu sou: uma jangada insolente (mas nunca muda)!

nada

nada, quero nada de ti.
já alguém te pediu algo tão concreto?
quando fores grande vais lembrar-te de mim!
e vais saber o que é o aqui e o agora.
vais viver!