Tuesday, January 22, 2008

começou a jardinagem












Jardim
(fitando a audiência) Conheces aquela teoria que defende que quando estamos a dormir abandonamos o nosso corpo e derivamos para outro local? Certamente já ouviste falar. Foi o judaísmo que inaugurou e defendeu, primordialmente, essa premissa. No Islão existe, igualmente, a mesma crença. Segundo os islâmicos, quando estás a dormir, a tua alma deposita-se nas mãos de Alá. Ali permanece durante todo o teu sono. Se Alá a reclamar para si morrerás e não regressarás à vigília. Se ele adiar essa decisão, então, devolver-te-á à vida e far-te-á acordar.
Há, entre os praticantes de viagens e projecções astrais, quem defenda que o grande responsável pela cisão entre a tua alma e teu corpo durante o teu sono é a Lei de Coulomb. Segundo Coulomb o módulo da força entre duas cargas eléctricas punctiformes é directamente proporcional ao produto dos valores absolutos das duas cargas e inversamente proporcional ao quadrado da distância r entre elas. Esta força tanto pode ser atractiva como repulsiva, dependendo do sinal das cargas. É atractiva se as cargas tiverem sinais opostos. É repulsiva se as cargas tiverem o mesmo sinal. Ora, dizem os especialistas em viagens e projecções astrais, quando adormeces esta lei toma conta de ti e surte o seu efeito, assumindo o controlo do todo o teu ser. Porque quando adormeces o teu corpo entra em relaxamento e a intensidade das tuas ondas cerebrais desce drasticamente. Isso vai alterar a polaridade magnética do teu corpo; normalmente o teu corpo tem uma carga mais negativa mas, durante o teu sono, isso vai inverter-se e ele vai passar a ter uma carga positiva. A tua alma, por outro lado, tem uma polaridade positiva constante. Assim, quando a intensidade das tuas ondas cerebrais se altera, durante o teu sono, tanto o teu corpo como a tua alma se apresentam com polaridades positivas. É aí que entra a Lei de Coulomb. E acontece exactamente isso que estás a pensar. Ambos, corpo e alma, o teu corpo e a tua alma, se vão repelir. Neste cenário de repulsa a tua alma vai manifestar uma natural inclinação para abandonar o teu corpo e vai acabar por fazê-lo efectivamente.
Já percebeste então o que estou a querer dizer-te? Sim, este é o espaço para onde a tua alma, ou, se quiseres, a tua psy-khé, o teu eu consciente, o teu ser vivente, o teu yang, o teu atman ou, simplesmente, a tua mente, vem. É para aqui que vens no preciso momento em que adormeces e exactamente antes de acordares. É por aqui que passas quando partes para os sonhos e quando regressas deles. É aqui que deixas os resíduos do mundo real e do onírico. E esses resíduos são o que aduba este jardim. Esta é a tua passagem, secreta, apenas tua, ou melhor: era a tua passagem. O que agora vês é apenas o cenário da tua ausência.
excerto de "apenas jardim".
estreamos a 13 de março.
a aventura jardinesca ainda agora começou.
haja força e adubo, em nós, sobretudo em mim, para esta jardinagem.

Monday, January 07, 2008

oh what a world

"Oh, What A World", by Rufus Wainwright

Men reading fashion magazines
Oh what a world
It seems we live in
Straight man
Oh what a world
We live in

Why am i always on a plane or a fast train
Oh what a world my parents gave me
Always
Travelin' but not in love
Still i think i'm doin' fine
Wouldn't it be a lovely headline

Life is beautiful on a New York Times

Men reading fashion magazines
Oh what a world
It seems we live in
Straight man
Oh what a world
We live in

Why am i always on a plane or a fast train
Oh what a world my parents gave me
Always
Travelin' but not in love
Still i think i'm doin' fine
Wouldn't it be a lovely headline

Life is beautiful on a New York Times

Oh what a world we live in
Why am i always on a plane or a fast train
Oh what a world my parents gave me
Always
Travelin' but not in love
Still i think i'm doin' fine
Wouldn't it be a lovely headline

Life is Beautiful

(estou viciado nesta canção. tenho de a ouvir todos os dias, pelo menos, ao acordar e ao deitar. isto quando não a ouço em loop enquanto durmo. sei que é com ela que vai acabar o espectáculo que vou começar a ensaiar de hoje a uma semana. tenho esta semana para o acabar de escrever. nervos e intermitência na inspiração. que a santa rufulina me ajude e inspire!)
ao vivo:

Sunday, December 23, 2007

fim deste dia

eu sou o rickshaw insonorizado que te leva até ao centro nevrálgico da tua preciosa estupefacção. vamos cantar por aí? vamos desafinar lisboa, deixar sulcos, cravados, unha a unha, nas fachadas dos prédios, vamos implantar a verborreia! quero a escrita fina e a escrita normal em bic laranja e em bic cristal. vamos bicar por aí? com a força da garganta; vamos morrer nas ruas ao ralenti. acorda-me agora, de mansinho, com o calor menino das tua falangetas, toca-me, ao de leve, nas pontas das pestanas e dá-me uma razão para esta manhã ser mais manhã.
roga-me as pragas que quiseres e precises e achares. centra-te em mim. faz-me uma salada de frutas antológica. vê o mundo, sobe às árvores e serve-me a proibição, juntamente com a tua cabeça, numa bandeja de prata ou de plástico de uma loja de chineses. vai aprender outras línguas e fala-me delas. apresenta-me a fonética e o toque e a esperança. traz-me novidades e lendas. lembra-te de mim quando a tua vida correr perigo.
ouve-te cantar, por mim.torna-te o aprendiz e o feiticeiro. vai aprender a dominar, e a explicar, sim, a explicar, o onde, o quando, o como e o porquê do feng shui.
vai a roma, vai a pavia, vai à lua e à mouraria. vai ver a campa do jim morrison, vai ver o papa, vai espetar a tua cabeça numa estaca. vai à tropa, vai à muralha da china, faz o teu halloween com uma abóbora menina. vai à grécia e ao taj mahal, vai ver um quadro do marc chagall. vai ao circo e à suíça, se estás careca: cabeleira postiça. vai à escola, à universidade, vai ver o rosto da felicidade. vai de comboio, vai de avião, vai atravessar o rubicão. vai ao kosovo, aprender a ler, vai e volta, vai-te foder.
pronto, agora que fiz a descarga verborreica. agora que expeli o excesso das palavras, agora que toquei na facilidade; agora sim, posso ir masturbar-me e tentar dormir.

Friday, December 14, 2007

sobre a transnaturalidade e o conhecimento

um dia perguntei-lhe:
quem és tu?
fartei-me dessa, tão recorrente, rebuscada, retorcida, reciclada, ridícula, visão.
quem és tu? responde-me, foda-se, responde?
ficava horas e horas, dias e dias, meses e meses... anos não sei, a minha contemplação não ultrapassou os trezentos dias. mas ficava, portanto, muito tempo, demasiado tempo, diga-se, a receber pelo revestimento epidérmico toda e qualquer informação que o que julgava ser o exterior lhe pudesse facultar.
sim, pode dizer-se que se tratava de uma esponja.
natural? não, não vejo tal criatura como uma esponja natural. digamos que era, antes e acima de tudo (mas não acima de qualquer suspeita), uma esponja transnatural. tinha as motivações, as aspirações, as experiências, os desejos, as conclusões, em suma, o conhecimento transduzidos em magabytes; era uma criatura que se apresentava profundamente recolectora, uma criatura que respigava.
uma vez perguntei-lhe:
ouve lá, tu respigas o respirar?
piscou os olhos duas vezes, o sinal irrefutável de que a indignação se apoderara dos seus circuitos (a criatura não tinha exactamente circuitos, ainda não conseguira ser biónica; mas a metáfora aplica-se), clicou duas vezes no rato do laptop, pigarreou e procurou o significado de coprofagia no wikipedia.
o pior era a chuva; esborratava a tinta das suas paredes e das suas roupas, repletas de anotações e anotações.
o pior era a tempestade; a electricidade desistia do abastecimento e a criatura chorava a incapacidade e falsa verdade da autosustentabilidade das baterias de iões de lítio.
o pior foi mar; a criatura não lhe soube definir a cor e afogou-se nesse desconhecimento.
interrogou-se:
relativamente a mar, o que diz o wikipedia? blup, blup, blup, blup, blllllluuup, blllll
não aprendi a tempo. não aprendi com tempo. não aprendi (pensava a criatura enquanto morria).

Friday, November 16, 2007

zidane e jim black

apesar da grande curiosidade, ainda não tive oportunidade para ir ver "zidane". mas, pelo que fui lendo, acho a ideia muito boa. acho um exercício assertivíssimo. não posso mesmo deixar de ver. agora, acharia também muito interessante e assertivo que um projecto muito semelhante fosse desenvolvido em torno do jim black. a ideia surgiu-me há duas noites durante o concerto do projecto de ellery eskelin no cabaret maxime.
é impressionante observar o jim a tocar, é uma experiência, realmente, enriquecedora para todos os sentidos. é comovente a forma como ele explora ao limite o instrumento (bateria) e como é de limite a relação simbiótica que o seu corpo cria com o mesmo. a forma como o ritmo se instala, multiplica, divide, fragmenta em cada um dos seus membros é algo que nos deixa perplexos e desarmados. apetece mesmo ver toda a sua performance decomposta, filmada exaustivamente, complusivamente e degustá-la, em diferido, em tempo real, high motion e, sobretudo, ao ralenti.
percebe-se de facto, percebi agora eu, porque é que o jim black está há quatro anos em digressão pelo mundo. o mundo precisa de o ouvir e, essencialmente, de o ver.
cheers, mate.

http://home.earthlink.net/~eskelin/

http://www.jimblack.com/events.html


http://www.myspace.com/alasnoaxismusic

Wednesday, November 14, 2007

o autor desnaturado

meu queridíssimo, amadíssimo, estimadíssimo, fundamentalíssimo, diário:
fizeste três anos no dia oito de novembro e eu, autor desnaturado que sou, nem te congratulei (como sabes, a lembrança de datas de aniversários constitui um dos meus calcanhares de aquiles) . mil perdões e

MUITOS PARABÉNS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

prometo que, para te compensar, durante este teu novo ano vou tentar ser mais produtivo no sentido de te enriquecer. prometo ainda algum esforço para que surpresas agradáveis te possam ser apresentadas em jeito de oferenda.
prometo tratar melhor de nós. prometo ser menos desnaturado. prometo não ter de voltar a prometer.

do sempre teu,
onan

Wednesday, November 07, 2007

choque

deixou uma vez mais, com a mente e nada mais do que a mente, que o talher se fizesse repousar sobre o dia de água. manteve intacta e serena a linha da boca e percorreu, segundo a segundo, o primeiro aviso que as suas células entre si fizeram aquando da visão de tão chocante criatura. o choque terá de ser encarado como um bom choque; o choque é um acontecimento feliz e, por isso mesmo, assim se pretende que continue.
não é todos os dias que as vidraças sucumbem à minha passagem - disse-me.
eu sei - disse eu, enquanto lhe lambia as falangetas.

anoiteceu. dormimos na rua ou em minha casa? dormimos? na minha rua ou em tua casa, acordados, tanto faz, desde que os dias não deixem de ser de água, desde que as sirenes não se calem, desde que não se dilua no ar esta pequena e estrondosa vontade de nos vermos a ouvirmos falar.
no chão, no tecto, nos esgotos, no telhado, debaixo das unhas: o choque.

não é todos os dias que as vidraças sucumbem a esta espécie de namoro - disse-me.

eu sei - não disse eu; sinto.

Wednesday, October 31, 2007

halloween statement

burn alive all motha fucking witches.
let starve, 'till death, all psycho bitches.
don't forget to listen to the teaches of peaches.

Saturday, October 20, 2007

saturday afternoon fever

querido diário:
não escrevo em ti há tanto tempo que ainda nem me tinha apercebido que o blogger tem melhorias no seu funcionamento.
não escrevo uma linha há semanas.
tenho uma dor estranha, desde segunda-feira, na direita baixa da zona abdominal. não é bem uma dor; é uma presença. um incómodo. acho difícil conseguir ir ao médico na próxima semana porque vou estar sempre a trabalhar (filmagens, id, bar, projecto das noites brancas, etc).
sábado à tarde: apetece-me andar de barco, comer cornetos de morango e castanhas, silêncio e um beijo teu em contraluz.

(preciso de viajar e fazer música).

Tuesday, September 18, 2007

the songs between us

the songs between us;
there where always dozens, hundreds and thousands of songs between, in and within us.
between you and me the songs and you mean many as the songs; almost as many as every single word in every single song; or all the words in all the songs together.
you and me together.
the songs between us as the nights and the days between us and all of our ages, and rages and emotional cages.
tonight i can´t sleep, again, and i can´t find any song to comfort me.
and i can't find or feel any of the many of you.
the songs between us, between you and me, are tonight a promised land for past or future memory.
this silence between me and me can tonight be the measure of the time i devoted to songs; devoted to thee.

Wednesday, September 12, 2007

estreamos dia 14: "se não me dás um revólver, ao menos tem pena de mim"



O revólver de TCHEKOV, em Sintra.
Completando o “Roteiro da Intemporalidade” iniciado em 2005 e dedicado aos três grandes dramaturgos que marcaram a passagem dos séculos XIX para o XX, Strindberg, Ibsen e Tchekov, a Companhia de Teatro de Sintra / Chão de Oliva vai apresentar dois espectáculos, baseados em obras deste último autor.

“Se não me dás um REVÓLVER, ao menos tem pena de mim” parte da fusão dos textos “Um Pedido de Casamento” e “O Trágico à Força”, incluídas do chamado grupo das “pequenas peças”, onde o fio dramatúrgico passa pela força dos temperamentos, o convencionalismo cerimonioso e ridículo, as regras impostas pela sociedade, tão “normais” e tão normalmente ridículas…

Esta 55ª produção da Companhia de Teatro de Sintra / Chão de Oliva, tem estreia marcada para o próximo dia 14 (ante-estreia a 13) na Casa de Teatro de Sintra, mantendo-se em cena até 14 de Outubro com representações de quinta a sábado às 21,30h e domingos às 18h.
São intérpretes Nuno Correia Pinto, Pedro Cardoso, Hugo Amaro, Sónia Louçada e Fernando Figueira; a fixação do texto, dramaturgia e encenação é de João de Mello Alvim.

Monday, September 10, 2007

um dos sintomas bons de sentimento oceânico

"Os mais poderosos incidentes de beleza são os que sentimos como descobertas pessoais, os que parecem destinar-se especificamente a nós, como se uma inteligência imensa nos tivesse escolhido e quisesse mostrar-nos algo."
michael cunningham in, "dias exemplares"
já por diversas vezes tenho exprimentado exactamente o que o michael cunningham descreve. nunca o tinha expressado por palavras; tinha-o sentido apenas. e cada vez com mais regularidade. isso tem reforçado, também, a minha convicção de que tenho a responsabilidade de escrever cada vez mais e com método, disciplina, profissionalmente; o meu verdadeiro trabalho.
descubro que este livro do michael cunningham está repleto de manifestações muito interessantes do chamado sentimento oceânico (debatido por freud e romain rolland) em que tenho andado ultimamente a pensar. e eu acho que a arte pode ser o grande repositor do desconsolo primordial do eu nesse processo. e acho isso bom. e gosto te sentir isso, por muito patológico que seja; por muito errado que esteja.

Monday, September 03, 2007

statement

o meu sonho é viver num país inventado pela pipilotti rist e governado pela annie sprinkle.

Thursday, August 30, 2007

breaking glass

ele colocou o dedo indicador da mão esquerda sobre o rebordo do copo; fê-lo tombar e observou-o, plácida ou, julgar-se-ia, pela expressão que o rosto apresentava, friamente a rebolar mesa fora até no chão se estilhaçar.
ela sorriu e fez o mesmo.
nessa noite não mais falaram; nem na seguinte, nem na noite que sucedeu a essa. na verdade, jamais voltaram a trocar uma única palavra.
o amor que os une passou a ser isso: os dedos indicadores, o som do vidro a partir, cacos no chão e um abraço permanente, profundo, amigo, quente e impressionantemente resistente; amor à prova de choque, abrigo eterno das tempestades que as bocas geram antes, durante e depois das palavras.
partem tudo por onde passam; há quem os tema, quem os abomine, quem os ature e quem deles zombe. partem tudo por onde passam mas todos sabem que o fazem porque, numa noite há muito ida, decidiram, em conjunto e em silêncio, jamais partir o coração um ao outro.

Monday, August 27, 2007

narciso (contre-plongé)

serei eu quem contempla as estrelas ou serão elas quem, lá do alto, me vigia?
certo estou de que:
cada vez que uma cadente se torna e no vazio se precipita
é porque um abraço meu tenta, pois à distância não resiste.
ou:
de me mirar se cansou e de ser estrela desiste.

Wednesday, August 22, 2007

a sobriedade

era assim, convicto de ter a pele coberta pela realidade da claridade,
que se atrevia a percorrer os labirínticos caminhos que o levariam à sua,
muito aspirada e verdadeira, verdade.

era assim - um olho aberto e um outro fechado - ao fim da tarde
que fazia a consulta aos arquivos, dóceis e ásperos, abertos
nessa sua tão tenra idade.

era assim, semi-perdido/semi-achado, impotente na fugacidade
que tentava decifrar -boca a boca-
o palimpsesto que descobrira ser a moralidade.

é assim, numa tarde de agosto,
que se escreve - de mudar, de reler, de ver, de querer- a vontade.

é isto a que chama a sua sobriedade.

Tuesday, August 21, 2007

um retrato de onan






um retrato de ricardo batista

Saturday, August 18, 2007

a solidao feia do homem bonito - 7

decisão:

cinco intépretes, cinco homens: 22, 33, 44, 55, 66


a cada um dos homens corresponderá um, ou mais, dos elementos/símbolos


22: vespa (os olhos)

33: frigorífico (o coração)

44: fogão (o cérebro)

55: revestimentos dos símbolos/embrulhos dos mesmos/citações de christo e jeanne-claude (pele)

66: maçarico/cordas (nervos), escadote (memória)


frase comum a todos:

no fundo, no fundo, sou um homem bonito a quem nada realmente feio ou bonito acontece.



configuração:

entra a cena e o público há um quarto de uma quarta parede. uma faixa, da largura da "boca de cena", com cerca de 1,5m de altura em acrílico.
o chão da cena está coberto com bolas de esferovite (cerca de um metro de altura).

as paredes: ainda não sei.


pensar:

na antiga ideia de total ausência dos sentidos, na tetraplegia, na funcionalidade apenas do orgãos vitais. o cérebro encarcerado; a lucidez mais pura; a terrível prisão. o tempo todo para a cogita. finis praxis.

a solidao feia do homem bonito - 6

(o blogspot num mac não tem metade das potencialidades; como muitas coisas. é uma pena. está tudo feito para pc.)


bloco de notas:

discurso

66



nunca velejei mas fartei-me de andar de bicicleta. é por isso que ainda tenho as pernas tonificadas, é por isso que ainda subo bem escadas e escalo coisas, é por isso que não consigo parar de andar dentro desta casa. este corredor conhece-me bem; de lés a lés, este corredor, conhece todos os meus podres e todas as minhas pequenas virtudes.
amanhã vou dançar; faço sessenta e seis anos e sei que ainda sou um homem bonito. nunca velejei mas fartei-me de foder. e o que preciso amanhã, no dia em que farei sessenta e seis anos, é de uma valentíssima foda.


material:

os bailes da terceira idade.

Saturday, August 11, 2007

a solidão feia do homem bonito 5

excerto de uma conversa tida no messenger com o ricardo batista.

esta conversa é um material para o presente projecto.

i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude: eu

i am no good: ricardo

excerto:


i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
por acaso já tinha pensado em convidar-te para me desenhares o espaço da peça q vou começar a escrever
aquela para a qual estou a recolher material no blog

i am no good diz:
sim
i am no good diz:
tenho ido ao teu blog ver
i am no good diz:
a vespa
i am no good diz:
o christo
i am no good diz:
falas também de uma série de outros objectos
i am no good diz:
mas não contas como estão relacionados


i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
sim, ainda não posso revelar

i am no good diz:
ok


i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
só estou a levantar material formal; estou a começar pelos elementos. ainda não escrevi nada. sei do que vou falar mas pouco mais do q isso. e o texto vai partir dessa solidão feia de um homem muito bonito; perdido em elementos que são memórias... ou mesmo personagens

i am no good diz:
(o titulo parecia-me óbvio. nao percebi a tua dúvida)


i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
como assim?

i am no good diz:
começas por questionar-te


i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
sim

i am no good diz:
a solidao feia do homem bonito ou a solidao bonita do homeme feio


i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
eu não sabia se o homem havia de ser feio ou bonito


i am no good diz:
lololol


i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
ou se a solidão era feia ou bonita; seriam duas coisas muito distintas


i am no good diz:

sendo tu um onanista achas que o homem poderia ser feio?


i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
podia ser... e a sua solidão ser bonita e, contudo, onanista


i am no good diz:
sim, podia, mas nao serias tu


i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
mas não é necessáriamente autobiográfico; não quero muito que seja

i am no good diz:
eu, pessoalmente, acho sempre mais interessante alguém bonito com as mãos muitos sujas


i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
pois, é mto melhor. ou com o coração muito sujo


i am no good diz:
mais interessante do que alguém muito feio com as mãos brancas como o mármore.


i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
eu quero que os elementos sejam velhos e sujos mas que o espaço seja imaculado; quase de espuma. um gigante banho de espuma

i am no good diz:
e se o espaço for uma casa de banho branca? toda branca, até os canos?
quase como a casa de banho do greenaway?


i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
não quero um espaço mto concreto. mas é por aí. e os elementos: o frigorífico, fogão, a vespa estarão pendurados. o sujo está no ar; o chão é imaculado. daí as bolas de esferovite. uma brancura imponente.


i am no good diz:
quem diz casa de banho diz sala, ou quarto. totalmente branca, luminosa e imaculada, com os objectos pendurados, com cordas e correntes, sujos, empoeirados, como cadáveres.


i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
that's it. e há a possibilidade de estarem embrulhados; daí o christo.

i am no good diz:
sim. um invólucro, que pode ser rasgado revelando o interior


i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
mais do que isso: queimado; daí o maçarico

i am no good diz:
hum... assim os objectos em suspenso teriam de ser de um material nao incendiável, para que no decorrer da peça


i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
são de ferro


i am no good diz:
possas pegar fogo no ar e o invólucro possa arder sem perigo


i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
vai haver um extintor. uma coisa que quero usar há muito numa peça


i am no good diz:
sempre que queimares um objecto o quarto ficara mais sujo?


i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
mas eu quero essa erosão
e os objectos estarão pendurados por cordas que terão de arder
para ao longo da peça caírem no chão


i am no
good diz:
mas sujam o quarto


i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
sim, dá um trabalhão.



i am no good diz:
ok, tinha percebido que não querias o quarto sujo.


i want my heart and brian to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
no início não. mas vai sujando-se.


i am no good diz:
sim, foi o que eu disse, lol,
mas pareceu-me que tinhas dito q não querias a erosão


i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
não, eu quero erosão.
percebeste mal


i am no good diz:
ok.
i am no good diz:
pois percebi
i am no good diz:
lolol
i am no good diz:
esquece


i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
os objectos são os orgão vitais dele

i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
o fogão é o cérebro

i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
o frigorífico o coração

i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
a vespa são os olhos

i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
os embrulhos a pele

i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
as cordas os nervos

i am no good diz:
porquê tanta importância dada aos olhos?


i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
o escadote é a memória


i am no good diz:
porque não ao coração?


i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
ainda não está definida a importância dada a cada elemento

i am no good diz:
ok ok.


i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
posso transcrever esta conversa no meu blog?


i am no good diz:
podes


i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
só no q diz respeito a esta parte da conversa.

i am no good diz:
sim. o meu projecto não interessa para o teu blog


i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
porque cheguei a conclusões e questões importantes nesta conversa.


i am no good diz:
óptimo

i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
so, i'll do it now.


i am no good diz:
eu vou tomar banho
ate ja


.......................................................

o trabalho do ricardo pode ser consultado aqui:

http://mauvest.blogs.sapo.pt/