Saturday, August 11, 2007

a solidão feia do homem bonito 5

excerto de uma conversa tida no messenger com o ricardo batista.

esta conversa é um material para o presente projecto.

i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude: eu

i am no good: ricardo

excerto:


i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
por acaso já tinha pensado em convidar-te para me desenhares o espaço da peça q vou começar a escrever
aquela para a qual estou a recolher material no blog

i am no good diz:
sim
i am no good diz:
tenho ido ao teu blog ver
i am no good diz:
a vespa
i am no good diz:
o christo
i am no good diz:
falas também de uma série de outros objectos
i am no good diz:
mas não contas como estão relacionados


i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
sim, ainda não posso revelar

i am no good diz:
ok


i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
só estou a levantar material formal; estou a começar pelos elementos. ainda não escrevi nada. sei do que vou falar mas pouco mais do q isso. e o texto vai partir dessa solidão feia de um homem muito bonito; perdido em elementos que são memórias... ou mesmo personagens

i am no good diz:
(o titulo parecia-me óbvio. nao percebi a tua dúvida)


i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
como assim?

i am no good diz:
começas por questionar-te


i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
sim

i am no good diz:
a solidao feia do homem bonito ou a solidao bonita do homeme feio


i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
eu não sabia se o homem havia de ser feio ou bonito


i am no good diz:
lololol


i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
ou se a solidão era feia ou bonita; seriam duas coisas muito distintas


i am no good diz:

sendo tu um onanista achas que o homem poderia ser feio?


i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
podia ser... e a sua solidão ser bonita e, contudo, onanista


i am no good diz:
sim, podia, mas nao serias tu


i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
mas não é necessáriamente autobiográfico; não quero muito que seja

i am no good diz:
eu, pessoalmente, acho sempre mais interessante alguém bonito com as mãos muitos sujas


i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
pois, é mto melhor. ou com o coração muito sujo


i am no good diz:
mais interessante do que alguém muito feio com as mãos brancas como o mármore.


i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
eu quero que os elementos sejam velhos e sujos mas que o espaço seja imaculado; quase de espuma. um gigante banho de espuma

i am no good diz:
e se o espaço for uma casa de banho branca? toda branca, até os canos?
quase como a casa de banho do greenaway?


i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
não quero um espaço mto concreto. mas é por aí. e os elementos: o frigorífico, fogão, a vespa estarão pendurados. o sujo está no ar; o chão é imaculado. daí as bolas de esferovite. uma brancura imponente.


i am no good diz:
quem diz casa de banho diz sala, ou quarto. totalmente branca, luminosa e imaculada, com os objectos pendurados, com cordas e correntes, sujos, empoeirados, como cadáveres.


i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
that's it. e há a possibilidade de estarem embrulhados; daí o christo.

i am no good diz:
sim. um invólucro, que pode ser rasgado revelando o interior


i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
mais do que isso: queimado; daí o maçarico

i am no good diz:
hum... assim os objectos em suspenso teriam de ser de um material nao incendiável, para que no decorrer da peça


i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
são de ferro


i am no good diz:
possas pegar fogo no ar e o invólucro possa arder sem perigo


i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
vai haver um extintor. uma coisa que quero usar há muito numa peça


i am no good diz:
sempre que queimares um objecto o quarto ficara mais sujo?


i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
mas eu quero essa erosão
e os objectos estarão pendurados por cordas que terão de arder
para ao longo da peça caírem no chão


i am no
good diz:
mas sujam o quarto


i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
sim, dá um trabalhão.



i am no good diz:
ok, tinha percebido que não querias o quarto sujo.


i want my heart and brian to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
no início não. mas vai sujando-se.


i am no good diz:
sim, foi o que eu disse, lol,
mas pareceu-me que tinhas dito q não querias a erosão


i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
não, eu quero erosão.
percebeste mal


i am no good diz:
ok.
i am no good diz:
pois percebi
i am no good diz:
lolol
i am no good diz:
esquece


i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
os objectos são os orgão vitais dele

i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
o fogão é o cérebro

i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
o frigorífico o coração

i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
a vespa são os olhos

i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
os embrulhos a pele

i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
as cordas os nervos

i am no good diz:
porquê tanta importância dada aos olhos?


i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
o escadote é a memória


i am no good diz:
porque não ao coração?


i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
ainda não está definida a importância dada a cada elemento

i am no good diz:
ok ok.


i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
posso transcrever esta conversa no meu blog?


i am no good diz:
podes


i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
só no q diz respeito a esta parte da conversa.

i am no good diz:
sim. o meu projecto não interessa para o teu blog


i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
porque cheguei a conclusões e questões importantes nesta conversa.


i am no good diz:
óptimo

i want my heart and brain to be wrapped by christo and jeanne-claude diz:
so, i'll do it now.


i am no good diz:
eu vou tomar banho
ate ja


.......................................................

o trabalho do ricardo pode ser consultado aqui:

http://mauvest.blogs.sapo.pt/

a solidão feia do homem bonito 4





















mais materiais (estes para a forma)/referências antigas:
para o miolo (conteúdo)
conseguir: a poesia de cyril christo
reler: a poesia de anno birkin e de jeff buckley

Friday, August 10, 2007

a solidão feia do homem bonito 3

hoje sonhei que eram servidas ao Tio Vânia sapateiras.
e acordei a pensar nisso.
e revi todos os anti-heróis russos que adoro.
e percebi que eles têm estado a "marinar" dentro de mim.
e percebi que neste presente trabalho podem ser à minha moda cozinhados.

materiais:

  • dostoiévksy: o jogador, o duplo, noites brancas, o idiota, crime e castigo
  • máximo gorki: o albergue nocturno, os ex homens, os orlof
  • tchékhov: o ginjal, trágico à força, tio vânia

Thursday, August 09, 2007

a solidão feia do homem bonito 2

materiais:

a vespa e o cinema

listagem:

  • vacations roman, of William Wilder (1953)
  • friends for the skin, of Franc Red (1955)
  • mogli and buoi, of Leonardo de Mitri (1956)
  • fathers and sons, of Mario Monicelli (1956)
  • poor but beautiful, of Dino Risi (1956)
  • beautiful but poor, of Dino Risi (1957)
  • the coconut of mother, of Mauro Morassi (1957)
  • paris destination, of Gene Kelly (1957)
  • females three times, of Steno (1957)
  • the giants touch the sky, Gordon Douglas (1957)
  • ladro he, ladra she, of Luigi Zampa (1957)
  • hunting to the ladro, of Alfred Hitchcok (1958)
  • vacations to ischia, of Mario Small Rooms (1958)
  • anna di brooklin, of Carl Lastrica (1958)
  • sinners in blue jeans, of Marcel Carné (1958)
  • first love, of Mario Small Rooms (1958)
  • the saint girl of public square peter, of Peter Costa (1958)
  • storys of summer, Gianni Franciolini (1958)
  • blood on asphalt, of Bernard Borderie (1858)
  • it changes them, of Camillo Mastrocinque (1958)
  • an easy man, of Paul Heusch (1958)
  • the usuals ignoti (1958)
  • hello, hello child, of Sergio Grieco (1959)
  • like before, of Rudolf Maté (1959)
  • la dolce vita, of Federico Fellini (1959)
  • the mattatore, of Dino Risi (1959)
  • the world of night, of Luigi Vanzi (1959)
  • the good night, of Mauro Bolognini (1959)
  • the enemy of my moglie, of Gianni Puccini (1959)
  • likeable mascalzone, of Mario Amendola (1959)
  • archimedes clochard (1959)
  • the tartassati ones, of Steno with Totò and Aldo Fabrizi (1959)
  • urlatori to the slab, of Lucio Fulci (1960)
  • the prince stalk, of Maurizio Arena (1960)
  • dangerous mothers, of Domenico Paolella (1960)
  • the super girl sprint, of Fernaud Pointrenaud (1960)
  • she returns to september, of Robert Mulligan (1961)
  • two husbands for time, of Ralph Thomas (1961)
  • i kiss... you kisses, of Piero Vivarelli (1961)
  • the new angels, of Ugo Gregoretti (1961)
  • jessica, of Jean Negulesco (1961)
  • not, my darling daughter, of Ralph Thomas (1961)
  • boccaccio 70, of Mario Monicelli (1962)
  • diciottenni in sunlight, of Camillo Mastrocinque (1962)
  • sunday of summer, Guglielmo Petroni (1962)
  • the dongiovanni of the blue coast, (1962)
  • the loves must learn, of Delmer From Ves (1962)
  • grand prix, (1966)
  • american graffiti; of G. Lucas (1973)
  • quadrophenia, of F. Roddam (1979)
  • scarface, of Brian de Palma (1983)
  • sapore od sea, of Vanzina (1984)
  • the boy of campaign (1984)
  • absolute beginners, of J. Temple (1986)
  • the boy of the pony express, (1986)
  • seven chili in seven days, of L. Verdone (1986)
  • good morning vietnam, of Barry Levinson (1987)
  • mine first forty years (1987)
  • the grat blek, of G. Pigeons (1987)
  • per diem beloved, of Nanni Moretti (1993)
  • enemies for skin, (1994)
  • of love and shadow, (1994)
  • the river barber, (1994)
  • jack frusciante e' eited from group (1996)
  • american devout (1999)
  • the talented mr. ripley (1999)
  • saving silverman (2001)
  • breath (2002)
  • about a boy (2002)
  • alfie (a remake of 66), (2003)
  • who's your daddy (2003)
  • legally blonde 2 (2003)
  • premiere fois que j'a eu 20 ans (2004)
  • the day after tomorrow (2004)
  • saint antonio (2004)
  • american party (2004)
  • alfie (2004)
  • saimir (2004)
  • sky captain and the world of tomorrow (2004)
  • handbook of love (2005)
  • the interpreter (2005)
  • munich, of Steven Spielberg (2005)

a solidão feia do homem bonito


Monday, August 06, 2007

o título - 2

está decidido; o homem é bonito e a solidão é feia.

novo elemento: um motociclo, uma vespa encarnada ou azul turquesa.


o homem bonito alimenta-se de filmes italianos.

isto não é um monólogo.


trabalho a fazer: pesquisar a história da vespa e a importância da mesma na sociedade e cinema italianos. fazer uma procura detalhada das campanhas publicitárias realizadas pela marca nas décadas de 50, 60 e 70.

subjects: repescar a ideia de fridge buzz in the summer quiet afternoons que me assola há meses e me remete para os bons momentos de infância passados em casa dos meus avós maternos. os sons da infância, os pequenos elementos pós-uterinos. a quietude de se ser pequeno e a tormenta de ainda não se ser suficientemente grande. a suspeita da criança relativamente ao peso do mundo. a criança que sofre por antecipação. a mediunidade da criança só.

Sunday, August 05, 2007

o título

a solidão bonita do homem feio, ou: a solidão feia do homem bonito.???

esta é a minha presente dúvida. e é exactamente esse esclarecimento que decidírá o título da peça de teatro que pretendo escrever. e definirá , muito concreta e taxativamente, o miolo (comecei a fartar-me do vocábulo: conteúdo) da mesma.


estou mais inclinado para o homem bonito, confesso. gosto mais dessa solidão.


elementos: um fogão muito velho, um frigorífico muito velho, um escadote muito velho (cheio de tinta), um maçarico novo e um homem bonito. bolas e mais bolas de esferovite. um homem bonito e a verborreia.


a articulação dos elementos não revelo, nem a relação da "boniteza" com a "feieza" da solidão.

o meu laptop está sem carregador, está portanto comatoso, escrevo no do meu irmão. como perdi o gosto pela "manuscritura" (apesar de ter trazido para o algarve o caderno lindo e tosco que comprei em fort kochim) decido usar o meu diário como bloco de notas.

não é a primeira vez; jamais será a última.

(ainda irei pensar no peso que tem a última frase que acabo de redigir).

feio? bonito? feia? bonita? soli dão, ão, ão, ão. (pode, mas não tem porque, rimar com laptop do irmão).

Tuesday, July 03, 2007

b.i.

o meu b.i, expirou há mais de um mês; ainda não fiz a ponta de um corno para o renovar. não me apetece.
hoje decidi que iria arrumar algumas coisas, in and out: finalmente ir às finanças para tratar da porcaria dos imis em atraso e conceber o plano de pagamento faseado (done), limpar e arrumar o quarto (parcialmente done: a roupa de cama foi mudada, aspirar fica para outro dia, quando a sinusite mo permitir, arrumar a bagunça na secretária e no estirador foi tarefa, uma vez mais, adiada porque a falta de paciência me impediu), opto, para compensar a inconclusão da tarefa anterior, por inventar, e cumprir, uma outra tarefa não prevista: lavar ténis, mochilas e tapetes do quarto (done, a máquina acabou de o fazer), estender (tarefa ainda não cumprida). por ora fica adiada outra tarefa cuja importância, não apenas de hoje mas de há muito tempo para cá é para mim inegável: voltar a mergulhar em "malos aires", o romance que venho a escrever há dois anos. esta tarefa fica, quer parecer-me, por hoje, adiada. opto por regressar ao meu diário, que nestes últimos meses tem sido bastante relegado para um plano pouco classificável e pouco recomendável.
a decisão deste regresso ocorreu-me enquanto andava nesta onda de lavagens e, parciais, limpezas.
numa das playlists do iTunes regresso aos The Killers, ocorre a regressão. há dois anos atrás estava completamente fascinado pelas belas composições destes senhores. e este regresso, imprevisto, hoje fez-me querer voltar ao meu diário. cobriu-me de nostalgia. não que há dois anos atrás seja um tempo que me seja particularmente grato e fácil recordar. a ansiedade é quase a mesma, a insatisfação também, a apreensão é agora maior.
recordo-me de há dois anos andar pelas ruas a ouvir "Somebody Told Me" e "All These Things That I Have Done" aos berros nos headphones e isso me ajudar a atenuar a ansiedade. lembro-me também que quando ouvia a segunda canção que referi ter uma irreprimível vontade de começar a correr pelas ruas sem rumo certo; a recordação que tenho é de ter vontade de correr horas, dias a fio. imaginava, então, o início de um filme em que um homem corre por lisboa desenfreadamente. um homem que corre mas que não foge. um homem que corre porque não se pode dar ao luxo de parar (ao mesmo tempo que se ouve a canção que enunciei). eu conseguia ver a indiferença que era devotada, pelos outros transeuntes, ao corredor; como se fosse normal. o homem apenas tinha uma única intenção: correr tão velozmente que a velocidade conseguida lhe possibilitasse entrar numa outra dimensão, onde correr não fosse necessário. onde correr fosse absurdo. onde correr fosse impossível.
All These Things That I've Done

When there's nowhere else to run
Is there room for one more son
One more son
If you can hold on
If you can hold on, hold on
I wanna stand up, I wanna let go
You know, you know - no you don't, you don't
I wanna shine on in the hearts of men
I wanna mean it from the back of my broken hand
Another head aches, another heart breaks
I am so much older than I can take
And my affection, well it comes and goes
I need direction to perfection, no no no no
Help me out
Yeah, you know you got to help me out
Yeah, oh don't you put me on the back burner
You know you got to help me out
And when there's nowhere else to run
Is there room for one more son
These changes ain't changing me
The gold-hearted boy I used to be
Yeah, you know you got to help me out
Yeah, oh don't you put me on the back burner
You know you got to help me out
You're gonna bring yourself down
Yeah, you're gonna bring yourself down
Yeah, you're gonna bring yourself down
[x10]
I got soul, but I'm not a soldier
I got soul, but I'm not a soldier
Yeah, you know you got to help me out
Yeah, oh don't you put me on the back burner
You know you got to help me out
You're gonna bring yourself down
You're gonna bring yourself down
Yeah, oh don't you put me on the back burner
You're gonna bring yourself down
Yeah, you're gonna bring yourself down
Over and in, last call for sin
While everyone's lost, the battle is won
With all these things that I've done
All these things that I've done
If you can hold on
If you can hold on
(amanhã vou ao arquivo de identificação de lisboa. exigirei que no meu novo bilhete de identidade conste a letra que acabei de transcrever. i mean every word of it.)
continuo a correr, não a fugir.

Monday, June 11, 2007

esta noite inventa-se

esta noite invento sensações.
invento o cheiro do céu da tua boca, deixado e desejado, nas pontas do meus dedos.
invento o sorriso que me deixas estampado no rosto, preservado e adocicado, quando me beijas e sais da cama porque o dia cedo te chama.
invento a memória do nervoso miudinho (sentido a dois, eu sei) que precede o momento, bem calculado, bem cicatrizado, bem escrito, da nossa tão primeira vez.
invento o cheiro, já fresco, do fim dessa tarde em que, sem rodeio, receio, reclusão, me dizes: amo-te com certeza.
invento o arrepio que o teu sussurro, branco, brando, bravo, me provoca no lóbulo da orelha direita, tão atenta, no escuro domingueiro dessa noite no cinema.
invento o gozo das minhas mãos quando cozinham para ti.
invento o gosto da minha escrita.
invento o gosto da tua leitura; onde te afundas sem reserva, máscara, revolução.
invento a paz e as palavras.
invento o inventar.

Wednesday, May 30, 2007

iamx em lisboa

finalmente em lisboa, o genial iamx.
dia 05 de junho no lux.
quem perder este concerto é asno.
no que me diz respeito, é um sonho concretizado; o iamx (chris corner) é uma das minhas grandes referências.
the real self made man vais estar entre nós.
estou em contagem decrescente.

Thursday, May 17, 2007

casa de bonecas (promo)


este é o espectáculo que estou a fazer. estreia amanhã.
recomendo a visita a esta casa (casa de teatro de sintra; convertida agora em "casa de bonecas").
todas as informações aqui:

http://www.chaodeoliva.com/cartaz.htm

Tuesday, April 24, 2007

a avó carminha



a foto da minha querida avó Carminha que sempre amei (a avó e a foto). sempre me pareceu, aqui, uma estrela do cinema mudo.
tirei-a no dia do seu funeral, com o telefone, por isso a qualidade é tão pouca. mas muita é a qualidade da imensa lembrança que esta tão especial mulher deixou em mim.
amo-te, sempre, minha querida avó.

Tuesday, April 17, 2007

uffff

negative
(and the panic in my bedsit goes away)

Saturday, April 07, 2007

torrente

vitaliciamente sendo
vitaliciamente, tu
vitaliciamente crendo:
where the fuck are you?

olhos de ver,
esperança de ter,
viver e morrer
ter o que não ler.

rir e fartar
mundo na cama
querer é durar
língua com lama

nunca te li
foste-me a ferros
enegreci
sou anti-berros

dia que nasce, oh, ai de mim
sou este traste, vivo-me assim

a minha língua é este país que se faz à força de tanto se calar.

a minha visão turva-se, apraz-se (com isso), mas... eu não.

hei-de querer; oh, eu hei-de querer.

mirar-te para?

eu ainda não me comecei... aguarda-me.

rir e rir, para não, apenas, sorrir.

sou hipercineticamente metaneurasténico, e?

Thursday, March 29, 2007

descubra as diferenças

no que a diferenças diz respeito, o que distingue os dois grandes mitos da humanidade: amor e deus?

deus dura para sempre

uma riminha

enquanto fazia a barba surgiu-me uma riminha à António Aleixo. Cá vai:


tinha fulano de sicrano
particular digestão:
comia moelas de frango,
arrotava faisão.

dedico este post a todas as bertas arrotadeiras que por aí cirandam.

("popular, surrealizar por aí í, popular...")

Saturday, March 17, 2007

o fio da navalha deixou de ser o artimanhoso, habitual e insuspeito fio da navalha para passar a ser o insuspeito, habitual e artimanhoso fio do serrote.
sobes-desces-desces-sobes, intáctil, voraz, locónico, o vórtice do esforço que assiste o simples acto de abrir ou, mesmo, fechar os olhos. escreves, escreves, rescreves, rescreves-te; desmoronas, posicionas, clonas a vontade, a voltagem; decisão.
sabes que, mais cedo ou mais tarde, te casarás com a sintaxe e a semântica e a superlativa capacidade de poder, querer, instituir.
no fio do serrote permaneces, admoestas, feneces a tua capacidade, ou vontade, de voar.
finges que morres, pressentes, desenhas a tua vontade de fugir.
apregoas, amaldiçoas, doas a tua, volátil, voltaica, volitiva, vontade de sentir (e ir).

escrever é abrir portas, é ser abençoado, é poder ver -tempo-, é escavar em todo o lado.

a coisa mais maravilhosa da escrita (suspeita minha pouco provada) é poder ter acesso ao que ainda nunca existiu. isto é avassalador, é enorme. é disso que eu tenho medo. é disso que eu tenho de viver. é isso que me procura,

Tuesday, March 13, 2007

bloco de notas 1

enquanto a musa anda sabe-se lá onde e não me visita, vou eu visitando as notas soltas, muitas inacabadas, que jazem na pasta "os meus documentos" do meu pc.

nota 1 (sem nome, mais um acesso de febre rimática; terá uns quatro meses)

A hora é chegada
Aprender a tremer
Ter tudo ou ter nada
Gemer é crescer

Deitar tudo por terra
Ter a faca na liga
Dizer sim à guerra
Rematar à antiga.

Ter sorte ou azar
Dormir com o inimigo
Abrir os olhos em par
Ir com gosto ao castigo

Cantar p’ra espantar
Correr sem fugir
Ser um barco; afundar
Resolver é emergir

Fazer por fim a mala
Ter o tecto no mundo
Esquecer a própria fala
Cair no sono profundo

Fixar bem o olhar
Curar a garganta por dentro
Ter quem gostar de amar
Ser belo em movimento

Friday, March 09, 2007

caro diário:

aqui fica uma confissão que ainda não te havia feito e que há muito está adiada.

...............................................................


faz hoje cinco meses que a avó Cárminha nos deixou. o coração dela deixou de bater por volta das onze da manhã do dia cinco de outubro de dois mil e seis. morreu porque o coração decidiu deixar de bater. o coração dela, sempre tão grande, do tamanho do mundo, não lhe coube mais no peito; partiu-se numa segunda-feira.

a avó Cárminha foi a pessoa que mais incondional e puramente me amparou, e, estou certo, percebeu ao longo da vida. chorava sempre que me via, umas três vezes por ano. o coração dela decidiu parar e, a partir desse dia, houve algo no meu coração que se estilhaçou. não sei bem o quê mas que aconteceu, lá isso, aconteceu. comecei a sentir mais o meu coração, literalmente.

epitáfio ideal:

pura, atenta, nobre, doce
- do bem para o bem, sempre-
o anjo mais anjo que o mundo ao mundo trouxe


(à avó carminha, que tinha um coração maior que o mundo. queria postar uma foto linda que tenho dela mas o hello picasa não parece funcionar hoje a meu favor.)

Monday, March 05, 2007

as mãos

angel: "wich hands are my hands, wich hands are your hands?"
tess: "they are all your hands!"


in, "tess" de roman polanski (a partir de "tess of d'uberville" de thomas hardy)

o amor é um trabalho manual; descobri isto há uns anos.
(não tenho a certeza se a minha transcrição é literal; o que conta é, no fundo, a mensagem. a literalidade não passa de um conceito pequeno burguês!!!)