
Saturday, August 11, 2007
Friday, August 10, 2007
a solidão feia do homem bonito 3
hoje sonhei que eram servidas ao Tio Vânia sapateiras.
e acordei a pensar nisso.
e revi todos os anti-heróis russos que adoro.
e percebi que eles têm estado a "marinar" dentro de mim.
e percebi que neste presente trabalho podem ser à minha moda cozinhados.
materiais:
e acordei a pensar nisso.
e revi todos os anti-heróis russos que adoro.
e percebi que eles têm estado a "marinar" dentro de mim.
e percebi que neste presente trabalho podem ser à minha moda cozinhados.
materiais:
- dostoiévksy: o jogador, o duplo, noites brancas, o idiota, crime e castigo
- máximo gorki: o albergue nocturno, os ex homens, os orlof
- tchékhov: o ginjal, trágico à força, tio vânia
Thursday, August 09, 2007
a solidão feia do homem bonito 2
materiais:
a vespa e o cinema
listagem:
a vespa e o cinema
listagem:
- vacations roman, of William Wilder (1953)
- friends for the skin, of Franc Red (1955)
- mogli and buoi, of Leonardo de Mitri (1956)
- fathers and sons, of Mario Monicelli (1956)
- poor but beautiful, of Dino Risi (1956)
- beautiful but poor, of Dino Risi (1957)
- the coconut of mother, of Mauro Morassi (1957)
- paris destination, of Gene Kelly (1957)
- females three times, of Steno (1957)
- the giants touch the sky, Gordon Douglas (1957)
- ladro he, ladra she, of Luigi Zampa (1957)
- hunting to the ladro, of Alfred Hitchcok (1958)
- vacations to ischia, of Mario Small Rooms (1958)
- anna di brooklin, of Carl Lastrica (1958)
- sinners in blue jeans, of Marcel Carné (1958)
- first love, of Mario Small Rooms (1958)
- the saint girl of public square peter, of Peter Costa (1958)
- storys of summer, Gianni Franciolini (1958)
- blood on asphalt, of Bernard Borderie (1858)
- it changes them, of Camillo Mastrocinque (1958)
- an easy man, of Paul Heusch (1958)
- the usuals ignoti (1958)
- hello, hello child, of Sergio Grieco (1959)
- like before, of Rudolf Maté (1959)
- la dolce vita, of Federico Fellini (1959)
- the mattatore, of Dino Risi (1959)
- the world of night, of Luigi Vanzi (1959)
- the good night, of Mauro Bolognini (1959)
- the enemy of my moglie, of Gianni Puccini (1959)
- likeable mascalzone, of Mario Amendola (1959)
- archimedes clochard (1959)
- the tartassati ones, of Steno with Totò and Aldo Fabrizi (1959)
- urlatori to the slab, of Lucio Fulci (1960)
- the prince stalk, of Maurizio Arena (1960)
- dangerous mothers, of Domenico Paolella (1960)
- the super girl sprint, of Fernaud Pointrenaud (1960)
- she returns to september, of Robert Mulligan (1961)
- two husbands for time, of Ralph Thomas (1961)
- i kiss... you kisses, of Piero Vivarelli (1961)
- the new angels, of Ugo Gregoretti (1961)
- jessica, of Jean Negulesco (1961)
- not, my darling daughter, of Ralph Thomas (1961)
- boccaccio 70, of Mario Monicelli (1962)
- diciottenni in sunlight, of Camillo Mastrocinque (1962)
- sunday of summer, Guglielmo Petroni (1962)
- the dongiovanni of the blue coast, (1962)
- the loves must learn, of Delmer From Ves (1962)
- grand prix, (1966)
- american graffiti; of G. Lucas (1973)
- quadrophenia, of F. Roddam (1979)
- scarface, of Brian de Palma (1983)
- sapore od sea, of Vanzina (1984)
- the boy of campaign (1984)
- absolute beginners, of J. Temple (1986)
- the boy of the pony express, (1986)
- seven chili in seven days, of L. Verdone (1986)
- good morning vietnam, of Barry Levinson (1987)
- mine first forty years (1987)
- the grat blek, of G. Pigeons (1987)
- per diem beloved, of Nanni Moretti (1993)
- enemies for skin, (1994)
- of love and shadow, (1994)
- the river barber, (1994)
- jack frusciante e' eited from group (1996)
- american devout (1999)
- the talented mr. ripley (1999)
- saving silverman (2001)
- breath (2002)
- about a boy (2002)
- alfie (a remake of 66), (2003)
- who's your daddy (2003)
- legally blonde 2 (2003)
- premiere fois que j'a eu 20 ans (2004)
- the day after tomorrow (2004)
- saint antonio (2004)
- american party (2004)
- alfie (2004)
- saimir (2004)
- sky captain and the world of tomorrow (2004)
- handbook of love (2005)
- the interpreter (2005)
- munich, of Steven Spielberg (2005)
Monday, August 06, 2007
o título - 2
está decidido; o homem é bonito e a solidão é feia.
novo elemento: um motociclo, uma vespa encarnada ou azul turquesa.
o homem bonito alimenta-se de filmes italianos.
isto não é um monólogo.
trabalho a fazer: pesquisar a história da vespa e a importância da mesma na sociedade e cinema italianos. fazer uma procura detalhada das campanhas publicitárias realizadas pela marca nas décadas de 50, 60 e 70.
subjects: repescar a ideia de fridge buzz in the summer quiet afternoons que me assola há meses e me remete para os bons momentos de infância passados em casa dos meus avós maternos. os sons da infância, os pequenos elementos pós-uterinos. a quietude de se ser pequeno e a tormenta de ainda não se ser suficientemente grande. a suspeita da criança relativamente ao peso do mundo. a criança que sofre por antecipação. a mediunidade da criança só.
novo elemento: um motociclo, uma vespa encarnada ou azul turquesa.
o homem bonito alimenta-se de filmes italianos.
isto não é um monólogo.
trabalho a fazer: pesquisar a história da vespa e a importância da mesma na sociedade e cinema italianos. fazer uma procura detalhada das campanhas publicitárias realizadas pela marca nas décadas de 50, 60 e 70.
subjects: repescar a ideia de fridge buzz in the summer quiet afternoons que me assola há meses e me remete para os bons momentos de infância passados em casa dos meus avós maternos. os sons da infância, os pequenos elementos pós-uterinos. a quietude de se ser pequeno e a tormenta de ainda não se ser suficientemente grande. a suspeita da criança relativamente ao peso do mundo. a criança que sofre por antecipação. a mediunidade da criança só.
Sunday, August 05, 2007
o título
a solidão bonita do homem feio, ou: a solidão feia do homem bonito.???
esta é a minha presente dúvida. e é exactamente esse esclarecimento que decidírá o título da peça de teatro que pretendo escrever. e definirá , muito concreta e taxativamente, o miolo (comecei a fartar-me do vocábulo: conteúdo) da mesma.
estou mais inclinado para o homem bonito, confesso. gosto mais dessa solidão.
elementos: um fogão muito velho, um frigorífico muito velho, um escadote muito velho (cheio de tinta), um maçarico novo e um homem bonito. bolas e mais bolas de esferovite. um homem bonito e a verborreia.
a articulação dos elementos não revelo, nem a relação da "boniteza" com a "feieza" da solidão.
o meu laptop está sem carregador, está portanto comatoso, escrevo no do meu irmão. como perdi o gosto pela "manuscritura" (apesar de ter trazido para o algarve o caderno lindo e tosco que comprei em fort kochim) decido usar o meu diário como bloco de notas.
não é a primeira vez; jamais será a última.
(ainda irei pensar no peso que tem a última frase que acabo de redigir).
feio? bonito? feia? bonita? soli dão, ão, ão, ão. (pode, mas não tem porque, rimar com laptop do irmão).
esta é a minha presente dúvida. e é exactamente esse esclarecimento que decidírá o título da peça de teatro que pretendo escrever. e definirá , muito concreta e taxativamente, o miolo (comecei a fartar-me do vocábulo: conteúdo) da mesma.
estou mais inclinado para o homem bonito, confesso. gosto mais dessa solidão.
elementos: um fogão muito velho, um frigorífico muito velho, um escadote muito velho (cheio de tinta), um maçarico novo e um homem bonito. bolas e mais bolas de esferovite. um homem bonito e a verborreia.
a articulação dos elementos não revelo, nem a relação da "boniteza" com a "feieza" da solidão.
o meu laptop está sem carregador, está portanto comatoso, escrevo no do meu irmão. como perdi o gosto pela "manuscritura" (apesar de ter trazido para o algarve o caderno lindo e tosco que comprei em fort kochim) decido usar o meu diário como bloco de notas.
não é a primeira vez; jamais será a última.
(ainda irei pensar no peso que tem a última frase que acabo de redigir).
feio? bonito? feia? bonita? soli dão, ão, ão, ão. (pode, mas não tem porque, rimar com laptop do irmão).
Tuesday, July 03, 2007
b.i.
o meu b.i, expirou há mais de um mês; ainda não fiz a ponta de um corno para o renovar. não me apetece.
hoje decidi que iria arrumar algumas coisas, in and out: finalmente ir às finanças para tratar da porcaria dos imis em atraso e conceber o plano de pagamento faseado (done), limpar e arrumar o quarto (parcialmente done: a roupa de cama foi mudada, aspirar fica para outro dia, quando a sinusite mo permitir, arrumar a bagunça na secretária e no estirador foi tarefa, uma vez mais, adiada porque a falta de paciência me impediu), opto, para compensar a inconclusão da tarefa anterior, por inventar, e cumprir, uma outra tarefa não prevista: lavar ténis, mochilas e tapetes do quarto (done, a máquina acabou de o fazer), estender (tarefa ainda não cumprida). por ora fica adiada outra tarefa cuja importância, não apenas de hoje mas de há muito tempo para cá é para mim inegável: voltar a mergulhar em "malos aires", o romance que venho a escrever há dois anos. esta tarefa fica, quer parecer-me, por hoje, adiada. opto por regressar ao meu diário, que nestes últimos meses tem sido bastante relegado para um plano pouco classificável e pouco recomendável.
a decisão deste regresso ocorreu-me enquanto andava nesta onda de lavagens e, parciais, limpezas.
numa das playlists do iTunes regresso aos The Killers, ocorre a regressão. há dois anos atrás estava completamente fascinado pelas belas composições destes senhores. e este regresso, imprevisto, hoje fez-me querer voltar ao meu diário. cobriu-me de nostalgia. não que há dois anos atrás seja um tempo que me seja particularmente grato e fácil recordar. a ansiedade é quase a mesma, a insatisfação também, a apreensão é agora maior.
recordo-me de há dois anos andar pelas ruas a ouvir "Somebody Told Me" e "All These Things That I Have Done" aos berros nos headphones e isso me ajudar a atenuar a ansiedade. lembro-me também que quando ouvia a segunda canção que referi ter uma irreprimível vontade de começar a correr pelas ruas sem rumo certo; a recordação que tenho é de ter vontade de correr horas, dias a fio. imaginava, então, o início de um filme em que um homem corre por lisboa desenfreadamente. um homem que corre mas que não foge. um homem que corre porque não se pode dar ao luxo de parar (ao mesmo tempo que se ouve a canção que enunciei). eu conseguia ver a indiferença que era devotada, pelos outros transeuntes, ao corredor; como se fosse normal. o homem apenas tinha uma única intenção: correr tão velozmente que a velocidade conseguida lhe possibilitasse entrar numa outra dimensão, onde correr não fosse necessário. onde correr fosse absurdo. onde correr fosse impossível.
All These Things That I've Done
When there's nowhere else to run
Is there room for one more son
One more son
If you can hold on
If you can hold on, hold on
I wanna stand up, I wanna let go
You know, you know - no you don't, you don't
I wanna shine on in the hearts of men
I wanna mean it from the back of my broken hand
Another head aches, another heart breaks
I am so much older than I can take
And my affection, well it comes and goes
I need direction to perfection, no no no no
Help me out
Yeah, you know you got to help me out
Yeah, oh don't you put me on the back burner
You know you got to help me out
And when there's nowhere else to run
Is there room for one more son
These changes ain't changing me
The gold-hearted boy I used to be
Yeah, you know you got to help me out
Yeah, oh don't you put me on the back burner
You know you got to help me out
You're gonna bring yourself down
Yeah, you're gonna bring yourself down
Yeah, you're gonna bring yourself down
[x10]
I got soul, but I'm not a soldier
I got soul, but I'm not a soldier
Yeah, you know you got to help me out
Yeah, oh don't you put me on the back burner
You know you got to help me out
You're gonna bring yourself down
You're gonna bring yourself down
Yeah, oh don't you put me on the back burner
You're gonna bring yourself down
Yeah, you're gonna bring yourself down
Over and in, last call for sin
While everyone's lost, the battle is won
With all these things that I've done
All these things that I've done
If you can hold on
If you can hold on
(amanhã vou ao arquivo de identificação de lisboa. exigirei que no meu novo bilhete de identidade conste a letra que acabei de transcrever. i mean every word of it.)
continuo a correr, não a fugir.
Monday, June 11, 2007
esta noite inventa-se
esta noite invento sensações.
invento o cheiro do céu da tua boca, deixado e desejado, nas pontas do meus dedos.
invento o sorriso que me deixas estampado no rosto, preservado e adocicado, quando me beijas e sais da cama porque o dia cedo te chama.
invento a memória do nervoso miudinho (sentido a dois, eu sei) que precede o momento, bem calculado, bem cicatrizado, bem escrito, da nossa tão primeira vez.
invento o cheiro, já fresco, do fim dessa tarde em que, sem rodeio, receio, reclusão, me dizes: amo-te com certeza.
invento o arrepio que o teu sussurro, branco, brando, bravo, me provoca no lóbulo da orelha direita, tão atenta, no escuro domingueiro dessa noite no cinema.
invento o gozo das minhas mãos quando cozinham para ti.
invento o gosto da minha escrita.
invento o gosto da tua leitura; onde te afundas sem reserva, máscara, revolução.
invento a paz e as palavras.
invento o inventar.
invento o cheiro do céu da tua boca, deixado e desejado, nas pontas do meus dedos.
invento o sorriso que me deixas estampado no rosto, preservado e adocicado, quando me beijas e sais da cama porque o dia cedo te chama.
invento a memória do nervoso miudinho (sentido a dois, eu sei) que precede o momento, bem calculado, bem cicatrizado, bem escrito, da nossa tão primeira vez.
invento o cheiro, já fresco, do fim dessa tarde em que, sem rodeio, receio, reclusão, me dizes: amo-te com certeza.
invento o arrepio que o teu sussurro, branco, brando, bravo, me provoca no lóbulo da orelha direita, tão atenta, no escuro domingueiro dessa noite no cinema.
invento o gozo das minhas mãos quando cozinham para ti.
invento o gosto da minha escrita.
invento o gosto da tua leitura; onde te afundas sem reserva, máscara, revolução.
invento a paz e as palavras.
invento o inventar.
Wednesday, May 30, 2007
iamx em lisboa
dia 05 de junho no lux.
quem perder este concerto é asno.
no que me diz respeito, é um sonho concretizado; o iamx (chris corner) é uma das minhas grandes referências.
the real self made man vais estar entre nós.
estou em contagem decrescente.
Thursday, May 17, 2007
casa de bonecas (promo)

este é o espectáculo que estou a fazer. estreia amanhã.
recomendo a visita a esta casa (casa de teatro de sintra; convertida agora em "casa de bonecas").
todas as informações aqui:
http://www.chaodeoliva.com/cartaz.htm
Tuesday, April 24, 2007
a avó carminha

a foto da minha querida avó Carminha que sempre amei (a avó e a foto). sempre me pareceu, aqui, uma estrela do cinema mudo.
tirei-a no dia do seu funeral, com o telefone, por isso a qualidade é tão pouca. mas muita é a qualidade da imensa lembrança que esta tão especial mulher deixou em mim.
amo-te, sempre, minha querida avó.
Tuesday, April 17, 2007
Saturday, April 07, 2007
torrente
vitaliciamente sendo
vitaliciamente, tu
vitaliciamente crendo:
where the fuck are you?
olhos de ver,
esperança de ter,
viver e morrer
ter o que não ler.
rir e fartar
mundo na cama
querer é durar
língua com lama
nunca te li
foste-me a ferros
enegreci
sou anti-berros
dia que nasce, oh, ai de mim
sou este traste, vivo-me assim
a minha língua é este país que se faz à força de tanto se calar.
a minha visão turva-se, apraz-se (com isso), mas... eu não.
hei-de querer; oh, eu hei-de querer.
mirar-te para?
eu ainda não me comecei... aguarda-me.
rir e rir, para não, apenas, sorrir.
sou hipercineticamente metaneurasténico, e?
vitaliciamente, tu
vitaliciamente crendo:
where the fuck are you?
olhos de ver,
esperança de ter,
viver e morrer
ter o que não ler.
rir e fartar
mundo na cama
querer é durar
língua com lama
nunca te li
foste-me a ferros
enegreci
sou anti-berros
dia que nasce, oh, ai de mim
sou este traste, vivo-me assim
a minha língua é este país que se faz à força de tanto se calar.
a minha visão turva-se, apraz-se (com isso), mas... eu não.
hei-de querer; oh, eu hei-de querer.
mirar-te para?
eu ainda não me comecei... aguarda-me.
rir e rir, para não, apenas, sorrir.
sou hipercineticamente metaneurasténico, e?
Thursday, March 29, 2007
descubra as diferenças
no que a diferenças diz respeito, o que distingue os dois grandes mitos da humanidade: amor e deus?
deus dura para sempre
deus dura para sempre
uma riminha
enquanto fazia a barba surgiu-me uma riminha à António Aleixo. Cá vai:
tinha fulano de sicrano
particular digestão:
comia moelas de frango,
arrotava faisão.
dedico este post a todas as bertas arrotadeiras que por aí cirandam.
("popular, surrealizar por aí í, popular...")
tinha fulano de sicrano
particular digestão:
comia moelas de frango,
arrotava faisão.
dedico este post a todas as bertas arrotadeiras que por aí cirandam.
("popular, surrealizar por aí í, popular...")
Saturday, March 17, 2007
o fio da navalha deixou de ser o artimanhoso, habitual e insuspeito fio da navalha para passar a ser o insuspeito, habitual e artimanhoso fio do serrote.
sobes-desces-desces-sobes, intáctil, voraz, locónico, o vórtice do esforço que assiste o simples acto de abrir ou, mesmo, fechar os olhos. escreves, escreves, rescreves, rescreves-te; desmoronas, posicionas, clonas a vontade, a voltagem; decisão.
sabes que, mais cedo ou mais tarde, te casarás com a sintaxe e a semântica e a superlativa capacidade de poder, querer, instituir.
no fio do serrote permaneces, admoestas, feneces a tua capacidade, ou vontade, de voar.
finges que morres, pressentes, desenhas a tua vontade de fugir.
apregoas, amaldiçoas, doas a tua, volátil, voltaica, volitiva, vontade de sentir (e ir).
escrever é abrir portas, é ser abençoado, é poder ver -tempo-, é escavar em todo o lado.
a coisa mais maravilhosa da escrita (suspeita minha pouco provada) é poder ter acesso ao que ainda nunca existiu. isto é avassalador, é enorme. é disso que eu tenho medo. é disso que eu tenho de viver. é isso que me procura,
sobes-desces-desces-sobes, intáctil, voraz, locónico, o vórtice do esforço que assiste o simples acto de abrir ou, mesmo, fechar os olhos. escreves, escreves, rescreves, rescreves-te; desmoronas, posicionas, clonas a vontade, a voltagem; decisão.
sabes que, mais cedo ou mais tarde, te casarás com a sintaxe e a semântica e a superlativa capacidade de poder, querer, instituir.
no fio do serrote permaneces, admoestas, feneces a tua capacidade, ou vontade, de voar.
finges que morres, pressentes, desenhas a tua vontade de fugir.
apregoas, amaldiçoas, doas a tua, volátil, voltaica, volitiva, vontade de sentir (e ir).
escrever é abrir portas, é ser abençoado, é poder ver -tempo-, é escavar em todo o lado.
a coisa mais maravilhosa da escrita (suspeita minha pouco provada) é poder ter acesso ao que ainda nunca existiu. isto é avassalador, é enorme. é disso que eu tenho medo. é disso que eu tenho de viver. é isso que me procura,
Tuesday, March 13, 2007
bloco de notas 1
enquanto a musa anda sabe-se lá onde e não me visita, vou eu visitando as notas soltas, muitas inacabadas, que jazem na pasta "os meus documentos" do meu pc.
nota 1 (sem nome, mais um acesso de febre rimática; terá uns quatro meses)
A hora é chegada
Aprender a tremer
Ter tudo ou ter nada
Gemer é crescer
Deitar tudo por terra
Ter a faca na liga
Dizer sim à guerra
Rematar à antiga.
Ter sorte ou azar
Dormir com o inimigo
Abrir os olhos em par
Ir com gosto ao castigo
Cantar p’ra espantar
Correr sem fugir
Ser um barco; afundar
Resolver é emergir
Fazer por fim a mala
Ter o tecto no mundo
Esquecer a própria fala
Cair no sono profundo
Fixar bem o olhar
Curar a garganta por dentro
Ter quem gostar de amar
Ser belo em movimento
nota 1 (sem nome, mais um acesso de febre rimática; terá uns quatro meses)
A hora é chegada
Aprender a tremer
Ter tudo ou ter nada
Gemer é crescer
Deitar tudo por terra
Ter a faca na liga
Dizer sim à guerra
Rematar à antiga.
Ter sorte ou azar
Dormir com o inimigo
Abrir os olhos em par
Ir com gosto ao castigo
Cantar p’ra espantar
Correr sem fugir
Ser um barco; afundar
Resolver é emergir
Fazer por fim a mala
Ter o tecto no mundo
Esquecer a própria fala
Cair no sono profundo
Fixar bem o olhar
Curar a garganta por dentro
Ter quem gostar de amar
Ser belo em movimento
Friday, March 09, 2007
caro diário:
aqui fica uma confissão que ainda não te havia feito e que há muito está adiada.
...............................................................
faz hoje cinco meses que a avó Cárminha nos deixou. o coração dela deixou de bater por volta das onze da manhã do dia cinco de outubro de dois mil e seis. morreu porque o coração decidiu deixar de bater. o coração dela, sempre tão grande, do tamanho do mundo, não lhe coube mais no peito; partiu-se numa segunda-feira.
a avó Cárminha foi a pessoa que mais incondional e puramente me amparou, e, estou certo, percebeu ao longo da vida. chorava sempre que me via, umas três vezes por ano. o coração dela decidiu parar e, a partir desse dia, houve algo no meu coração que se estilhaçou. não sei bem o quê mas que aconteceu, lá isso, aconteceu. comecei a sentir mais o meu coração, literalmente.
epitáfio ideal:
pura, atenta, nobre, doce
- do bem para o bem, sempre-
o anjo mais anjo que o mundo ao mundo trouxe
(à avó carminha, que tinha um coração maior que o mundo. queria postar uma foto linda que tenho dela mas o hello picasa não parece funcionar hoje a meu favor.)
aqui fica uma confissão que ainda não te havia feito e que há muito está adiada.
...............................................................
faz hoje cinco meses que a avó Cárminha nos deixou. o coração dela deixou de bater por volta das onze da manhã do dia cinco de outubro de dois mil e seis. morreu porque o coração decidiu deixar de bater. o coração dela, sempre tão grande, do tamanho do mundo, não lhe coube mais no peito; partiu-se numa segunda-feira.
a avó Cárminha foi a pessoa que mais incondional e puramente me amparou, e, estou certo, percebeu ao longo da vida. chorava sempre que me via, umas três vezes por ano. o coração dela decidiu parar e, a partir desse dia, houve algo no meu coração que se estilhaçou. não sei bem o quê mas que aconteceu, lá isso, aconteceu. comecei a sentir mais o meu coração, literalmente.
epitáfio ideal:
pura, atenta, nobre, doce
- do bem para o bem, sempre-
o anjo mais anjo que o mundo ao mundo trouxe
(à avó carminha, que tinha um coração maior que o mundo. queria postar uma foto linda que tenho dela mas o hello picasa não parece funcionar hoje a meu favor.)
Monday, March 05, 2007
as mãos
angel: "wich hands are my hands, wich hands are your hands?"
tess: "they are all your hands!"
in, "tess" de roman polanski (a partir de "tess of d'uberville" de thomas hardy)
o amor é um trabalho manual; descobri isto há uns anos.
(não tenho a certeza se a minha transcrição é literal; o que conta é, no fundo, a mensagem. a literalidade não passa de um conceito pequeno burguês!!!)
tess: "they are all your hands!"
in, "tess" de roman polanski (a partir de "tess of d'uberville" de thomas hardy)
o amor é um trabalho manual; descobri isto há uns anos.
(não tenho a certeza se a minha transcrição é literal; o que conta é, no fundo, a mensagem. a literalidade não passa de um conceito pequeno burguês!!!)
Thursday, February 15, 2007
o grande amante
regresso hoje a lisboa, estou no algarve.
sonhei com facas hoje; não sei o que significa, procuro na net mas a resposta obtida nos sites brasileiros manhosos desanima-me. não me dou ao trabalho de aprofundar a pesquisa. sonhei com facas, pronto, paciência. podia ter sonhado com rodas dentadas ou bombas de hidrogénio.
faz hoje exactamente um mês que cheguei à Índia; essa bela e doce Índia. a esta hora estaria muito provavelmente a almoçar no leopold pela primeira vez. oh, que saudades do leopold!
não escrevi mais depois de cochim. fomos de lá para trinvandrum (não gostei de trinvandrum). esse viagem de comboio foi ao fim da tarde, anoiteceu entretanto. não usufruí, portanto, da porta do comboio nem do desfilar da Índia. era noite, veria muito pouco. fiquei na carruagem, ouvi o "six" dos mansun e fiz um desenho nas últimas páginas do caderno tosco que comprei em cochim. em trinvandrum foi difícil arranjar onde jantar. na manhã seguinte fomos ao mercado e a um templo cujos nomes não me recordo; recordo-me de que gostei. apanhámos, nessa tarde, o avião de regresso a mumbai. mumbai, mumbai, a gigantesca, viva, electrizante mumbai. chegámos ao fim do dia, demorámos uma hora e meia de taxi do aeroporto até colaba causeway, instalámo-nos no hotel causeway e fomos jantar ao nosso velho leopold. finalmente voltei a devorar half roast fry chicken; as saudades que eu tinha do leopold; aqui já não havia bules para esconder a cerveja, nem estratagemas. havia, de novo, a bela da garrafa da kingfisher à nossa frente. no dia seguinte percorremos mumbai como nunca; de manhã à noite. foi a nossa despedida, mumbai num domingo; uma bela despedida. fomos jantar no fancy "goa portuguesa", que tinha um proprietário muito particular. o dia seguinte foi o stress para levantar dinheiro, pagar o hotel e ir para o aeroporto. e aí, nessa viagem de táxi, as belas viagens de táxi que se fazem na Índia (sobretudo em mumbai), tive a minha hora de despedida. tal como se nos apresentou, assim se despediu, mumbai, suja, viva, cheia, forte, sonora, bela, doce; assim se despediu mumbai pela janela.
confirmei o que sempre suspeitei: a Índia é a grande janela, é a grande pintura, é a grande, grande, grande, liberdade.
demorei uns dois dias até conseguir desfazer a mala. o jet lag bateu forte. quando chegámos a londres estava exausto e indisposto, triste. dormimos em londres e regressámos cedíssimo para portugal. frio.
chegámos a lisboa e tudo nos parecia calmo, muito calmo, perguntámo-nos se seria feriado. não era; era lisboa, a, agora tão, pequena lisboa. o trânsito era fluído, não havia multidões, não havia uma sinfonia de buzinas. lisboa parecia ao ralenti. assim fiquei, ao ralenti.
não me conseguia decidir a desfazer a mala, não queria fazê-lo; seria acabar definitivamente a viagem. reuni forças e fi-lo. um nó na garganta. tudo cheirava a Índia, as roupas, os sacos, a própria mochila, as minhas mãos ficaram a cheirar a Índia. um choro pequenino, mais interior do que efectivo. comecei a ouvir os cds que comprei e prossegui. coloquei tudo em cima da cama e detive-me a olhar as coisas: as roupas que levei e que usei (poucas), as roupas que levei e não usei (muitas), as roupas que comprei, a bolsa com os medicamentos, os chinelos, a toalha de praia, tudo. tudo tinha estado na Índia; tudo ainda estava, de certa forma, na Índia. percebi que o que sentia era tão estranho e forte e palpável como o fim de uma relação da qual se sai ferido. a mesma necessidade de reconstrução de tudo o que a mesma foi, o coleccionismo das memórias da relação, das memórias do outro, do cheiro do outro, da voz do outro, da pele, suor e sangue do outro. percebi que chorava a Ìndia como se de um amante se tratasse. estranho mas tão real. ainda tenho tudo por arrumar no quarto, trabalhei durante o fim de semana e no domingo vim para o algarve para votar e ver a minha mãe e mano. só ontem consegui dormir mais do que cinco horas. só ontem comecei a recuperar. hoje estou triste e ansioso, por partir e voltar uma vez mais, apetecia-me ficar aqui no ninho um pouco mais. sem nada para fazer. mas sei que vou ter de me preparar. vou ter de entrar de novo na minha vida. sei que vou ter de entrar no meu quarto e organizar os destroços da suspensão que teve de haver entre mim e o meu grande amante: Índia.
parti com saudades do voltar!
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