rua do norte,
fim de junho a nascer -
os pombos namoram.
Saturday, June 24, 2006
Monday, June 19, 2006
uma declaração
para _ _ _ _ cão,
gostar de ti é gostar muito de ti e é gostar muito de gostar muito de ti.
gostar de muito de ti é muito bom, porque tu mereces.
gostar muito de ti é olhar para ti e sentir que a vida pulsa e que a vida é boa.
gostar muito de ti é ter vontade de sorrir e de cantar e de comunicar.
gostar muito de ti é querer ouvir e fazer música para a cantar a toda a gente.
gostar muito de ti é querer viajar, dentro e fora da cabeça.
gostar muito de ti é querer aprender e é querer ensinar.
gostar muito de ti é querer ouvir-te e é querer falar-te.
gostar muito de ti é gostar muito de estar simplesmente contigo; é comunicar.
gostar muito de ti é uma das melhores coisas que me aconteceu nos últimos anos.
gostar muito de ti é saber que, aconteça o que acontecer, serás sempre muito, muito especial na minha vida e na minha memória.
gostar muito de ti é presente e é futuro.
gostar muito de ti é muito, muito simples.
gostar muito de ti vale a pena por tudo isto.
gostar muito de ti é viver.
gostar muito de ti é ser eu.
gostar muito de ti é o antes, o durante e o depois da arte.
gostar muito de ti é criar; é pensar a sentir.
gostar muito de ti é querer ser melhor, para ti, para mim e para o mundo.
gostar muito de ti é o princípio daquilo que eu serei; daquilo que quero ser.
obrigado, por seres assim: alguém de quem é muito bom gostar-se.
gostar de ti é gostar muito de ti e é gostar muito de gostar muito de ti.
gostar de muito de ti é muito bom, porque tu mereces.
gostar muito de ti é olhar para ti e sentir que a vida pulsa e que a vida é boa.
gostar muito de ti é ter vontade de sorrir e de cantar e de comunicar.
gostar muito de ti é querer ouvir e fazer música para a cantar a toda a gente.
gostar muito de ti é querer viajar, dentro e fora da cabeça.
gostar muito de ti é querer aprender e é querer ensinar.
gostar muito de ti é querer ouvir-te e é querer falar-te.
gostar muito de ti é gostar muito de estar simplesmente contigo; é comunicar.
gostar muito de ti é uma das melhores coisas que me aconteceu nos últimos anos.
gostar muito de ti é saber que, aconteça o que acontecer, serás sempre muito, muito especial na minha vida e na minha memória.
gostar muito de ti é presente e é futuro.
gostar muito de ti é muito, muito simples.
gostar muito de ti vale a pena por tudo isto.
gostar muito de ti é viver.
gostar muito de ti é ser eu.
gostar muito de ti é o antes, o durante e o depois da arte.
gostar muito de ti é criar; é pensar a sentir.
gostar muito de ti é querer ser melhor, para ti, para mim e para o mundo.
gostar muito de ti é o princípio daquilo que eu serei; daquilo que quero ser.
obrigado, por seres assim: alguém de quem é muito bom gostar-se.
Friday, June 16, 2006
parabéns à lena
"música não é barulho! música é silêncio; é pausa!"
lena d'água dixit.
lena d'água dixit.
obrigado lena pelo maravilhoso espectáculo de ontem no maxime. duas horas de arrepios, dos bons. mais uma vez conseguiste, e desta vez plenamente, deixar-me aparolado. provaste que a tua arte é perene e anímica, que é uma força da natureza, que é revolucionária e sempre tão fresca, pura. a tua presença transborda a fúria de um primeiro momento. e isso arrepia porque é como a força de uma maré.
parabéns, lena.
e sim, fuck olhó robot! viva o silêncio e a pausa (que tu transportas tão bem).
Thursday, June 08, 2006
medula party para um início de junho
correm, mas não fogem.
embatem, uns nos outros, e dançam, blandiciosos, no ar.
tornam as línguas inequívocas como rastos de cometas.
já não se surpreendem mas deixam-se ficar à espera que um flanco lhes apresente a frescura de um quadro que ainda se está a pensar pintar ou, até mesmo, o frescor leitoso de um primeiro beijo trocado às escondidas.
vivem de olhos fechados, não por medo da luz, ou devoção à escuridão, mas porque querem prolongar até ao infinito a suspeita de que todos os dias podem ser iguais na sua tão desastrada diferença.
carregam no corpo apenas o peso da própria pele e riem-se disso como se as palavras fossem milhões de pequenas partículas de um gás desconhecido que projecta na atmosfera (ao instituir-lhe novas discretíssimas tonalidades) o frugal tempo de vida de uma sensação, necessidade ou desejo.
não são serenos nem furiosos; são livres e acutilantes como as notas desta música que toda sabe mas que jamais alguém se atreveu a inventar.
embatem, uns nos outros, e dançam, blandiciosos, no ar.
tornam as línguas inequívocas como rastos de cometas.
já não se surpreendem mas deixam-se ficar à espera que um flanco lhes apresente a frescura de um quadro que ainda se está a pensar pintar ou, até mesmo, o frescor leitoso de um primeiro beijo trocado às escondidas.
vivem de olhos fechados, não por medo da luz, ou devoção à escuridão, mas porque querem prolongar até ao infinito a suspeita de que todos os dias podem ser iguais na sua tão desastrada diferença.
carregam no corpo apenas o peso da própria pele e riem-se disso como se as palavras fossem milhões de pequenas partículas de um gás desconhecido que projecta na atmosfera (ao instituir-lhe novas discretíssimas tonalidades) o frugal tempo de vida de uma sensação, necessidade ou desejo.
não são serenos nem furiosos; são livres e acutilantes como as notas desta música que toda sabe mas que jamais alguém se atreveu a inventar.
Monday, June 05, 2006
anti-haiku
(regresso a casa, domingo, 08:3?h, rua d. pedro v)
gulls try to match-
imaginary waterfront-
right mood to compose an haiku, but i don't.
gulls try to match-
imaginary waterfront-
right mood to compose an haiku, but i don't.
Saturday, June 03, 2006
spit it out
apaixonei-me por esta canção do genial IAMX. apaixonei-me sem perceber que ela viria a tornar-se o hino daquilo que sinto. durante esta semana todas as palavras desta canção têm sido exactamente tudo aquilo que tenho sentido e que poderia vir a ter vontade de te dizer. é magnífico isto das canções se tornarem retratos nítidos das nossas vidas. eu sinto cada uma das seguintes palavras. mas isto é um assunto meu.
"spit it out", by iamx
And if you're hurting
I will replace the noise with silence instead
Flushing out your head
If you like it violent
We can play rough and tumble
Fall into bed
And I won't breathe so you can recover
When you're in pieces
Just follow the echo of my voice
It's okay
Tune into that frequency
Don't fight your reflex
Embrace the instinct
You can feel your way
Through the bed and weak face in the end
'cause it breaks my heart
That we live this way
I know people need love
'cause them people never play the game
And we talk the talk
We communicate
The people need love
Those people never play the game
Pleasure for pleasure
It eases consequence
And love for a fall
But I know you love to take a risk
The past is weakness
Don't beg the question when the answer is war
There are moments when I'm overcome
'cause it breaks my heart
That we live this way
I know people need love
'cause them people never play the game
And we talk the talk
We communicate
Them people need love
Those people never play the game
And it breaks my heart
And it breaks my heart
In love
.............................................................................................................................................
agora as minhas palavras (o meu spit out). para acabar de uma vez com o assunto.
you remember the ending
i remember a little bit more.
why did it happened? we don't know,
maybe it was the engine that pushed us, into each other, when it closed it's door.
you remember the the ending
i remember feeling pulsion, bodies rush and bodies lost.
four? you said four kisses?
i wanna buy you that memory. please tell me, how much does it cost?
(done now!)
Tuesday, May 30, 2006
Sunday, May 28, 2006
Wednesday, May 24, 2006
stomach butterflies
to a. (while september does not come)
at the same time odd and warm
and
quite hard to explain
but
i get a glimpse of heaven
when you say:
"i want to fuck you brain"
now always eager to get home
at
the end of shallow day
i start
to smile at six o'clock
wondering
how fresh will be the things you'll say
i'm ready to throw knives out
and say farewell to whats and whys
let me thank you, napchild,
for bringing, back to me, these sweet stomach butterflies
at the same time odd and warm
and
quite hard to explain
but
i get a glimpse of heaven
when you say:
"i want to fuck you brain"
now always eager to get home
at
the end of shallow day
i start
to smile at six o'clock
wondering
how fresh will be the things you'll say
i'm ready to throw knives out
and say farewell to whats and whys
let me thank you, napchild,
for bringing, back to me, these sweet stomach butterflies
Thursday, May 18, 2006
post modern icarus
i would catch if i could reach you
when you fall i know i'll lose my muse
don't want to be the one to preach you
your addicted to this rushing abuse
why, why, tell me why,
do you bring your chaos to the sky
when we come here to fly, to fly, to fly?
why, why, tell me why,
do you cause explosions in the sky
when we come here to fly, to fly, to fly our pain away?
there are no more lessons to teach you
since we've waisted all our springs
pick up your debris from the the ocean
love is useless without wings
why, why, tell me why,
do you bring your chaos to the sky
when we come here to fly, to fly, to fly?
why, why, tell me why,
do you always try to taint the sky
when we come here to fly, to fly, to fly our pain away?
we fly, and fly, to achieve bliss
but we're no myths from ancient greece.
we fly, and fly, to achieve bliss
but we're no myths from ancient greece.
fly, fly, to achieve bliss,
babe, you're not still in ancient greece.
(a letra de uma nova canção em que estamos, os nude, a trabalhar. vim agora do ensaio e acabei de a escrever em definitivo aqui. ao fim e ao cabo, este diário também é um bloco de notas.)
when you fall i know i'll lose my muse
don't want to be the one to preach you
your addicted to this rushing abuse
why, why, tell me why,
do you bring your chaos to the sky
when we come here to fly, to fly, to fly?
why, why, tell me why,
do you cause explosions in the sky
when we come here to fly, to fly, to fly our pain away?
there are no more lessons to teach you
since we've waisted all our springs
pick up your debris from the the ocean
love is useless without wings
why, why, tell me why,
do you bring your chaos to the sky
when we come here to fly, to fly, to fly?
why, why, tell me why,
do you always try to taint the sky
when we come here to fly, to fly, to fly our pain away?
we fly, and fly, to achieve bliss
but we're no myths from ancient greece.
we fly, and fly, to achieve bliss
but we're no myths from ancient greece.
fly, fly, to achieve bliss,
babe, you're not still in ancient greece.
(a letra de uma nova canção em que estamos, os nude, a trabalhar. vim agora do ensaio e acabei de a escrever em definitivo aqui. ao fim e ao cabo, este diário também é um bloco de notas.)
Wednesday, May 17, 2006
uma fantasia
comer romãs a correr, de mão dada,
bocas que escorrem uma para dentro da outra.
olhar fixo no outro a tarde inteira e crer juntos que se está num templo do Butão.
encher a banheira com água, sal e páginas dos livros todos que se gosta, ler nas plantas dos pés, nas axilas e no sexo as frases que se foi sublinhando, a solo, ao longo da vida.
lavar louça nas escadas do prédio e pintar com verniz dos chineses os dentes das vizinhas mal humoradas.
fazer desenhos obscenos, com guache e tinta de água, nas fachadas de todos os ministérios.
entrar em táxis e dar, convicta e soberbamente, ao motorista a indicação para só parar em Dresden.
ficar em total imobilidade e silêncio durante dois dias de agosto e apenas agitar os corpos para dar pequenos tragos em água das pedras choca.
comer bolachas de água e sal e rasgar notas de cinquenta euros em pedacinhos mínimos; fazer chuva de euro-confetis.
adormecer com vontade de acordar para estar de novo aqui, ou na lapónia, de dedos entrelaçados.
a paixão é isto: o vício de matar o teu tempo, nesta dádiva clara do meu.
(finda a fantasia descubro que tenho o tempo todo para mim e para o relógio.) hmmmmpffffff. faz-se tarde, vou dormir.
o diário de onan, esta virtual e tabularrásica entidade, ganha, pela primeiríssima vez, expressão e afirma:
- Este demónio mente. Onan tem fobia a relógios, não os possui, não se compreendem mutuamente. Quando Onan pensa, fantasia e conclui os relógios páram no seu pulso e implodem. E Onan passa noites em claro a tentar medir a intensidade do parto de cada novo minuto. Deixai-o mentir, é assim que adormece.
Tuesday, May 16, 2006
farewell Elisa promenade
o terçolho está menor, ainda dói, mas, em todo o caso, não foi por isso que acordei. acordou-me o sonho e o barulho da folha de papel a arrastar-se, sobre o tapete, à porta do quarto (eram um quarto para as oito). dormi quatro horas e meia, não consegui dormir mais; não o lamento, hoje não o lamento.
a folha estava lá; vi-a quando decidi levantar-me para vir escrever; era um recado da rosa, por causa do dinheiro. ai, o dinheiro.
o sonho:
a H., que não é de todo actriz, estava a fazer um espectáculo sobre a sua ligação com o A.. a D. entrava no palco e, qual espectro, seguia a H. durante toda a acção; invadia-lhe o palco e deixava-se ficar, em silêncio, porque a ligação de H. a A. foi, como toda a gente sabe, uma terrível facada para D..
este sonho fez-me perceber uma série de coisas; levou-me, de novo, a Elisa. god, Elisa voltou e foi em força. este sonho fez-me perceber muita coisa; sobretudo a questão da espectralidade, o registo suspenso, o filtro onírico. é por aí, é por aí que Elisa tem de ir. é incrível que tenha sido através de um sonho, com uma das pessoas que mais amo na vida, que Elisa, essa mulher que me tem obcecado nos últimos meses, que vai e volta e que ainda não tem a consistência suficiente para que eu a escreva de fio a pavio, tenha voltado.
a espectralidade não é exactamente de Elisa, é de Ele. Elisa torna-se um espectro quando conferencia com Ele. mas Elisa não estará mais com Ele. na verdade, penso que Ele já estará morto. Elisa conferencia com um espectro, daí a sua grande perturbação. Elisa ficou presa na frescura interrompida da sua juventude, é por isso que não consegue ser agora Elisa.
o sonho trouxe-me de volta Elisa e o nome da obra. valeu a pena dormir pouco, hoje valeu a pena dormir pouco. hoje começa, em ganas e fúria, neste ataque concreto e profícuo de maníaca ansiedade primaveril (síndroma que cada vez estou mais certo possuir), a obra: Farewell Elisa Promenade.
ainda bem que voltaste, Elisa. não vou deixar-te partir de novo.
(este verde rima com promenade) é primavera, senhores, e eu não páro!
Sunday, May 14, 2006
uma conclusão
se o mundo é isto: um mar revolto de vontades arbitrárias.
eu sou: uma jangada insolente (mas nunca muda)!
eu sou: uma jangada insolente (mas nunca muda)!
nada
nada, quero nada de ti.
já alguém te pediu algo tão concreto?
quando fores grande vais lembrar-te de mim!
e vais saber o que é o aqui e o agora.
vais viver!
já alguém te pediu algo tão concreto?
quando fores grande vais lembrar-te de mim!
e vais saber o que é o aqui e o agora.
vais viver!
Saturday, May 13, 2006
medula parties vs coração e o nome
não retenho os nomes, retenho as vozes.
estico os cheiros, ficam-me nas mãos; este ficou, nos dedos (falanginhas e falangetas) da mão direita.
mão direita, lado direito: onde não está o coração.
não retenho os nomes; retenho a espessura dos cabelos e as cores dos dentes (o grau ou ausência de brancura).
processo os timbres das vozes, alojam-se nos meus pavilhões auriculares, mas jamais os arrumo cronologicamente; ecoam conforme lhes apraz.
eu só ouço, com paixão e atenção, as canções que me fazem cócegas na gelatina dos ossos (medula party).
não retenho os nomes, retenho palavras ao acaso e diferentes formas de as pronunciar.
selecciono frases chave para me trazerem, onanistamente ou não, à memória decalques de rostos que me cativaram na escuridão de um qualquer antro.
não retenho os nomes, retenho a forma de acordar, retenho a forma de um abraço, retenho (na lista preguiçosa do telefone) números de telefone, retenho o recolher ritual da roupa para a voltar a instalar no corpo (quase sempre o silêncio, retenho-o também com perícia), retenho o fechar da porta, retenho o dizer adeus (com o lado direito da boca, onde não está o coração).
não retenho os nomes porque sou hieroglífico (nos tempos que correm, bidimensional); vivo a torto e a direito no mundo. apenas sou esquerdino antes de adormecer, quando sinto com a mão esquerda o bater do coração e recito, com o lado esquerdo da boca, a beleza do teu nome.
estico os cheiros, ficam-me nas mãos; este ficou, nos dedos (falanginhas e falangetas) da mão direita.
mão direita, lado direito: onde não está o coração.
não retenho os nomes; retenho a espessura dos cabelos e as cores dos dentes (o grau ou ausência de brancura).
processo os timbres das vozes, alojam-se nos meus pavilhões auriculares, mas jamais os arrumo cronologicamente; ecoam conforme lhes apraz.
eu só ouço, com paixão e atenção, as canções que me fazem cócegas na gelatina dos ossos (medula party).
não retenho os nomes, retenho palavras ao acaso e diferentes formas de as pronunciar.
selecciono frases chave para me trazerem, onanistamente ou não, à memória decalques de rostos que me cativaram na escuridão de um qualquer antro.
não retenho os nomes, retenho a forma de acordar, retenho a forma de um abraço, retenho (na lista preguiçosa do telefone) números de telefone, retenho o recolher ritual da roupa para a voltar a instalar no corpo (quase sempre o silêncio, retenho-o também com perícia), retenho o fechar da porta, retenho o dizer adeus (com o lado direito da boca, onde não está o coração).
não retenho os nomes porque sou hieroglífico (nos tempos que correm, bidimensional); vivo a torto e a direito no mundo. apenas sou esquerdino antes de adormecer, quando sinto com a mão esquerda o bater do coração e recito, com o lado esquerdo da boca, a beleza do teu nome.
Wednesday, May 10, 2006
quem és tu?
quase à minha frente, a uma confortável distância.
não fui capaz de tirar os óculos, creio que corei.
olhares cruzados no vidro.
tentei não olhar demais, para não gastar e porque estava em doce choque.
um rosto assim, tão desconhecido e, deliciosamente, tão familiar.
uns olhos que não eram apenas uns olhos. uns olhos que eram os portões de um olhar onde eu consegui viajar milhares de quilómetros.
uma boca assim, tão pronta ao beijo e ao mimo, que denuncia perfeitamente o tardio e arrastado vício da chucha.
maior do que eu, talvez com mais idade.
um embate, de vermelho com vermelho; os dois de vermelho.
tinha um fio de couro com um amuleto quase invisível ao pescoço.
invento um desejo para aquele amuleto.
saiu no marquês, eu continuei imóvel a tentar inventar-lhe também um aroma.
acabei de me apaixonar no metro.quem és tu?
Sunday, May 07, 2006
esboços inúteis e os anti-neurais
deixou-se andar à deriva, à tona, ao sabor da corrente, porque reaprendeu, nesse fim de tarde, a fazer do mar uma estância de brincar. lembrou-se de quando era criança, as tardes de agosto: nadar e cantar, cantar a nadar, nadar e cantar para tentar falar com Deus. recuperou o método de outrora mas agora Deus não estava presente, no céu que namorava o mar e muito menos dentro de si mesmo.
deixou-se andar, à deriva, tão dormente, e esperou que a noite chegasse. o mar tornou-se uma estância de brincar às escuras.
.....................................................................................................................
hey, hey,
drop your mask now or soon
i'm not your conscience or your devil
but the world is not a ball room
hey, hey,
i'm awake for more than a week
i dream everywhere cose i can
but giving birth can make us sick
hey, hey,
------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
hoje estou impróprio para consumo. duas noites longas seguidas deixam a pessoa neste estado:neura.
tenho ouvido incessantemente a minha canção nova. gosto mesmo muito, acho que tem bastante potencial. acho que os làtigo (projecto de música electrónica que eu e o nuno formámos) tem mesmo pernas para andar. o fairyboy também gosta muito da canção, confessou-me estar viciado.
felizmente tenho tinho dois bons anti-neurais: meat to the beat (a nossa nova canção) e o perdurar do embevecimento obtido com o maravilhoso espectáculo do tom zé, na culturgest. genial. aquele homem é, de facto, muito inteligente. o espectáculo, que não é um concerto, como diz o próprio, é uma "sessão de paradoxos". um verdadeiro encontro com o sublime. eu já adorava as canções dele mas vê-lo a interpretá-las e a explicar a origem das mesmas é um privilégio. belo, de heráclito a ezra pound, estimulante e belo. simples e belo.
http://www.tomze.com.br/
deixou-se andar, à deriva, tão dormente, e esperou que a noite chegasse. o mar tornou-se uma estância de brincar às escuras.
.....................................................................................................................
hey, hey,
drop your mask now or soon
i'm not your conscience or your devil
but the world is not a ball room
hey, hey,
i'm awake for more than a week
i dream everywhere cose i can
but giving birth can make us sick
hey, hey,
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hoje estou impróprio para consumo. duas noites longas seguidas deixam a pessoa neste estado:neura.
tenho ouvido incessantemente a minha canção nova. gosto mesmo muito, acho que tem bastante potencial. acho que os làtigo (projecto de música electrónica que eu e o nuno formámos) tem mesmo pernas para andar. o fairyboy também gosta muito da canção, confessou-me estar viciado.
felizmente tenho tinho dois bons anti-neurais: meat to the beat (a nossa nova canção) e o perdurar do embevecimento obtido com o maravilhoso espectáculo do tom zé, na culturgest. genial. aquele homem é, de facto, muito inteligente. o espectáculo, que não é um concerto, como diz o próprio, é uma "sessão de paradoxos". um verdadeiro encontro com o sublime. eu já adorava as canções dele mas vê-lo a interpretá-las e a explicar a origem das mesmas é um privilégio. belo, de heráclito a ezra pound, estimulante e belo. simples e belo.
http://www.tomze.com.br/
Thursday, May 04, 2006
will fades will
you and i,
can't you see?
the perfect set
when you play the rocket
i can always be the jet
you and i,
can't you see?
together in a mutual smile
when i think loud
you stay silent for a while
you and me,
can't you see?
can make these days the best
reaching, teaching,
is this passion or a test?
you and me
can't you see?
could go left or could turn right
my world blooms
when he drink and talk all night
let's walk on this water
this bridge is under construction still
but i count all the minutes
'till your will fades in my will
can't you see?
the perfect set
when you play the rocket
i can always be the jet
you and i,
can't you see?
together in a mutual smile
when i think loud
you stay silent for a while
you and me,
can't you see?
can make these days the best
reaching, teaching,
is this passion or a test?
you and me
can't you see?
could go left or could turn right
my world blooms
when he drink and talk all night
let's walk on this water
this bridge is under construction still
but i count all the minutes
'till your will fades in my will
Tuesday, May 02, 2006
citação sentida
henrique maximiliano dixit:
"deve haver algures o que quer que seja de mais perfeito do que nós próprios, um bem cuja presença nos confunde e cuja ausência nos é insuportável."
in, "a obra ao negro" de marguerite yourcenar
há mais de dez anos que ando com este livro para trás e para a frente e a sua leitura sempre se me tornou difícil, odisseica, impossível. presentemente, mergulho ávida e deliciosamente nos percursos de maximiliano e desse hermético zenão. vicissitudes da idade: a cabeça abre-se, para o pior e para o melhor. aqui está a prova do melhor. recomendo, faz-nos bem.
"deve haver algures o que quer que seja de mais perfeito do que nós próprios, um bem cuja presença nos confunde e cuja ausência nos é insuportável."
in, "a obra ao negro" de marguerite yourcenar
há mais de dez anos que ando com este livro para trás e para a frente e a sua leitura sempre se me tornou difícil, odisseica, impossível. presentemente, mergulho ávida e deliciosamente nos percursos de maximiliano e desse hermético zenão. vicissitudes da idade: a cabeça abre-se, para o pior e para o melhor. aqui está a prova do melhor. recomendo, faz-nos bem.
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