Monday, April 24, 2006

gus van sant

cada vez gosto mais dos filmes do gus van sant. revi o "elephant" ontem, com o miguel. é brilhante, de facto. ele não filma apenas, ele dança sobre o tempo. o sentido obtuso demonstra-se, na expressão daquele movimento, daquela coreografia, a essência última, e pura, do que é a capacidade/verdade fílmica.
tenho de rever o "gerry".
a cabeça que aquele homem deve ter!

Sunday, April 23, 2006


photo by fairyboy

a portrait song for thee

a poem that, in a few hours, can become a song.
to fairychild (from portugal to iceland).
"it's in the water baby"

a portrait song for thee

with my L issue
in my english spelling
i can make it last in lusty leisure

with this night addiction
and my weak self-caring,
it all stays still with some sort of pleasure

well i am tonight:
a jolly drunkie,
low-fi poet,
supa troopa,
arsonist

i was before:
the horny heart,
the regret sucker
all paradoxal
arty bitch

with my L issue
in my english spelling
i can always reach you; reykjavik

with these poor conditions
and my grammar melting
springs arrival always makes me sick

well i was:
the perfect lover,
head traveller,
lazy brain
in constant twist

half of me is:
huge and tiny,
neurotic schedule,
cursed genius,
onanist

these are, sometimes, words to feel an see
congratulate us
i made my portrait song for thee

i'd like to cross that bridge, i'd like to ride your bike,
napchild,
always catch your fairy golden strike



Saturday, April 15, 2006

3 anti-heróis

é durante aquele espaço de tempo que precede, ou intercala, o sono (deve ter um nome técnico, científico, mas eu não sei) que eu invento os meus anti-heróis.

O primeiro (inventei-a há alguns meses), é a Travequinja, o segundo é a Mikado Girl e o terceiro é a Pocket Demon.

mas agora não posso falar sobre isso, falo depois, agora chegou a caty. estamos na conversa. e depois tenho de ir comprar vinho e ir para casa do miguel para o jantar com o paul auster. não resisti a escarrapachar isto aqui. JANTAR COM O PAUL AUSTER.

Monday, April 10, 2006

para sentir no futuro

fingi que acordei para me lembrar o quão contrário o teu beijo era a espremer limões.

Thursday, April 06, 2006

um desejo forte

muèstrame tu lengua!

Monday, April 03, 2006

segunda-feira

nada como começar a semana cedo e a dar uma auto-insufladela no ego. depois de ler a redacção anterior:

vou fazer carpaccio do meu coração para alimentar putas e ricos.

fuck, sou mesmo um génio. só esta frase, num mundo mais dinâmico e interessante, noutro tempo e, definitivamente, noutro espaço, dar-me-ia direito a uma bolsa vitalícia de criação livre e onanista.

Tuesday, March 28, 2006

o acto da primavera

queres vir comigo?
vou pintar as unhas a animais ferozes!
vou guilhotinar a minha cabeça na boca de um crocodilo!
vou encantar uma legião de serpentes!
vou provocar choques em cadeia numa estrada nacional!
vou banquetear-me com os abutres!
vou rir-me com as hienas num talk show semanal!
vou discursar para as paramécias!
vou dormir com os inimigos!
vou fazer carpaccio do meu coração para alimentar putas e ricos!
queres vir comigo?
vou fazer nada, vou derreter o interior da cabeça perante o sol que não aquece nem vale a pena!
queres vir comigo?
vou espirrar, tenho alergia a portugal!



Friday, March 17, 2006

long thursday

(estou há vários anos para concretizar isto que há-de ser uma canção que hei-de cantar. hoje senti, mais ou menos, isto, a letra que trauteio para mim mesmo de uma canção que ainda não tem melodia mas que hei-de vir a cantar. isto nada tem de passional, nada.)

should i? tell me, should i? ah, ah, ah.
just like me, as far as i can see, you're just like me.

money and sperm make the world turn
money and sperm made my house burn

money and sperm make the world turn
money and sperm made me want to learn.

money and sperm made to happen this storm.
money and sperm made my heart warm.

it's me and the fucker,
oh, it's me and the fucker

it's me and this sucker
oh, it's me as a sucker.

divertes-me, não mais do que isso, não sabes nada do que escrevo. falas demais eu ouço, gosto de ouvir e tu és mais um acidente. ganhei mais um amigo, sei que sim, divertes-me. vim-me embora sem te agradecer, não foi por mal. obrigado por hoje, diverti-me. divertiste-me porque eu gosto de ouvir. nada disto tem a ver com dinheiro mas todas as nossas conversas (e acções) vão dar ao dinheiro. as surpresas do mundo, fazem-me rir (e a ti também), as surpresas do mundo. rir, rir.

não te disse, nem to direi, desmontaste-me a cama. montei-a a rir, hoje à tarde, antes de irmos rir mais uma vez. divertes-me, não mais do que isso e eu preciso de rir para além de mim. obrigado, pelo dinheiro que gastaste para nos fazer rir. quem diria que te havia de conhecer? o mundo é pequeno e o riso é tão fundamental. nada disto é passional.

Thursday, March 16, 2006

as canções

as canções, ah as canções, colecciono-as. as canções fazem tanto parte de mim como eu me pertenço a mim mesmo. uso-as, abuso-as (pois, sempre as canções como referência), sinto-as. servem para tudo, as canções. há alturas e situações da minha vida em que não me apetece expressar-me por mim mesmo: apetece-me, nessas alturas e situações, instalar canções. apetece-me ser uma juke box andante, creio que o sou. em quase tudo o que me acontece há sempre uma canção que se instala como se fosse uma tela sobre a qual a minha vida se pinta. vivo audiovisualmente, em sons e em imagens, vivo em videoclip.
receito e recito canções a mim mesmo, aos amigos, amantes e desconhecidos. estou sempre a trautear. quando descubro uma nova canção que me fascina apetece-me instalar a mesma no mundo. gostava que todo o mundo estivesse dentro dos meus headphones. está, às vezes está, eu sinto, eu sei que o consigo. apetece-me fazer espectáculos em que não se fala, só se canta, ou só se faz acontecer sobre as canções. deve ser por isso que gosto tanto de espectáculos de travesti, por est@s trabalham sobre as canções. as canções são trágicas, são cómicas, são tragicómicas, infinitamente finitas. são minhas, as canções, passam a ser-me e passam a ser tudo o quero e posso dizer: adequamo-nos. (hei-de voltar a este assunto mais tarde, há muito e mais, profundamente, por dizer/escrever).
segue-se a letra da canção em que estão neste momento três pessoas viciadas, eu sou uma delas. fui a última pessoa a conhecer a mesma mas sou o mais viciado. sou excessivo, eu sei e gosto.
"It Can't Come Quickly Enough" by Scissor Sisters
Sailling through the tunnels
In the morning by yourself
There's a very special feeling
True sensation all is well
If you stand and reach your arms out wide
Close your eyes and try to fly
It's an underground illusion
Tricking you from side to side
We knew all the answers
And we shouted them like anthems
Anxious and suspicious
That God knew how much we cheated
It can't come quickly enough
And now you've spent your life
Waiting for this moment
And when you finally saw it come
It passed you by and left you so defeated
Skyscrapers rise between us
Keeping me from finding you
If the concrete architecture
Dissapeared there'd be so few
Of us left to navigate and
Defend ourselves from the tide
It's an underground illusion
Tricking you from side to side
There's no indication of
What we were meant to be
Sucking up to strangers
Throwing wishes to the sea
It can't come quickly enough
And now you've spent your life
Waiting for this moment
And when you finally saw it come
It passed you by and
Left you so defeated
(quando a ouço, e ouço-a muitas vezes, apetece-me sorrir, beijar, viajar, embater, chorar e foder. tudo ao mesmo tempo, apetece-me tudo ao mesmo tempo, GANDA canção.

Saturday, March 11, 2006


e mai nada. mai nada. nada.

antes de dormir, fizeram-me bem

e onan diz, de si para si mesmo, como se dois demónios houvesse:
não te desejo mais do que todas as vezes ou todas as carícias do mundo. sei que as tens, precisas-te tu. não te preciso, imaculado, sei que não vens, precisas-te tu. estou a morrer de fome, entrecortado, sei que não tens, nasce-te tu. sou entrefeito, exasperado, sei que não vês, faz-te tu. sou de vidro, fosco e quebrado, estilhaçado, martela-me tu. morro e remorro, em mim sepultado, nascido e nado, em ti e em tu.
há-de haver um dia em que tudo te parecerá fosco, imóvel, irretornável, findo. nesse dia o espelho será o teu único interlocutor, vais rir-te, eu também me ri, e vais sentir-te detentor do princípio da criação. vais devorar tudo o que existe na cozinha, como se o mundo fosse acabar agora e como se a tua fome fosse um vendaval de vontade e de finito. finitei-me aqui, em ti.
e eis que onan é interrompido
elas fizeram-me bem, as adolescentes na cozinha, a madalena e amiga, fizeram-me bem. fizeram-me relatos da sua juventude. falaram-me de curtes e de rapazes da portela. e de problemas do enlace, do alto dos seu 17 anos, dos desencontros na discoteca, fizeram-me bem. estou tão próximo, fizeram-me bem, queremos o mesmo, fizeram-me bem. vamos dormir, fizeram-me bem.
afinal as miúdas tinham dois cigarros, fizeram-me bem.
tenho de ir, fizeram-me bem.
estou mais do que vivo, fizeram-me bem.
ainda não morri, reaprendo o riso, fizeram-me bem.
é uma dádiva, isto de ter cabeça, faço-me bem.
tu não me matas, nasço-me contigo, far-me-ei bem.
NÃO, EU AINDA NÃO MORRI. VIVO-ME, VOLÁTIL, BEM.

Friday, March 10, 2006

o rapaz e a rua

Esforcei-me, sem o planear, por perder todos os comboios, todos os aviões, todos e barcos e todas as composições que comportam em si a própria essência da cinestesia, para não poder parar de andar.
Se cortei as unhas foi por ti, foi para não te arranhar. Foi para não te ferir. Foi para não te deixar marcas do encontro da tua pele com as minhas mãos.
Desapareci-me. Podia esmagar-te agora. Posso esmagar-te quando eu quiser. Não existes. Posso esmagar-te ontem à noite e à hora de te encontrar. Não tens nome, nem cara, nem cheiro, nem história, nem vontade exactos. Não tens presença, não existes. Não existes aqui. Existes apenas nas ruas que percorreres, e que escreverão a história do teu corpo, até ao dia em que me encontrares. Serão, a partir do nosso encontro, ruas passadas. Serão ruas passadas demais. Quando me encontrares as ruas serão as mesmas mas parecer-te-ão completamente novas. Parecer-te-ão ruas acabadas de fazer. É isso que sentirás, eu sei. Vou sentir o mesmo. Isto é apenas entre nós os dois, cada uma na sua ponta da rua.

Tenho vontade de abraçar pessoas desconhecidas na rua, de lhes dizer coisas doces ao ouvido. Tenho vontade de lhes dar notícias boas e realmente importantes. Tenho vontade de lhes dizer que estou aqui e que as vou salvar. Tenho vontade de as ouvir. Preciso de ouvir. Preciso de ouvir coisas que não sei que existem. Preciso de rir e de chorar com as pessoas desconhecidas na rua. Preciso de ser pasmado pela sua verdade e pela ideia que fazem da mesma. Preciso do espanto. Preciso de tocar em rugas profundas e em lábios que não têm por que, ou quem, se abrir. Não me comovo, vejo. Vejo como espero ser visto.
Vou pelas ruas e finjo que sou feliz. Canto, euforicamente. Faço isso pelas ruas, por quem anda nelas e por mim. Faço isso porque quero que alguém diga ao chegar a casa, ou ao jantar, ou enquanto faz amor: Olha, hoje vi um rapaz feliz na rua.
Esse rapaz sou eu. E o meu segredo jaz comigo. Invento felicidades para me inventar feliz nas ruas.
Eu, que invento, recolho-te por aí. És milhares de pessoas, és toda a gente que anda na rua à uma da tarde, és toda a gente que come ao balcão de um qualquer snack bar, és quem vende e és quem compra, és um casal crianças ricas à saída do colégio, és uma excursão de turistas japoneses, de turistas espanhóis, italianos, suecos, dinamarqueses. És quem escolhe as canções nas estações de rádio, és quem arranja os semáforos, és quem corta o gás, és quem cola os cartazes, és quem tem acidentes, és quem anda.
Não és mais do que o passeio do meu olhar.
Caí numa rua e vi-me cair. Não me vi levantar. Estou aqui, caído, como tu vês, feliz. Não tiro os olhos do sol. Estou feliz por ter caído. Estou cego. Cego e feliz. Estou mesmo feliz. E tu? Tu, que és esta cruzada de pés me esmaga os membros, o crânio, a boca e pescoço, nada fizeste.
Quando ponho o pé na rua adormeço, para te sonhar. Vens, e és, aos bocadinhos/farpas/estilhaços nas mãos vazias de quem passa. Roubo-te das mãos dos desconhecidos e eles não dão por nada. Sabes porquê? Porque te roubo devagarinho, com jeito, perícia e silêncio. Porque estou a dormir e a sonhar enquanto ouço canções para te ensinar um dia. Durmo e sonho na rua a cantar.
Olha, hoje não vi mas senti nascer e morrer um rapaz feliz na rua.


a beleza e a arte estão nas ruas e eu apenas ando a sonhar

Tuesday, March 07, 2006

piropo

isto aconteceu, mais ou menos, há um ano e meio. eu estava a sair de um certo sítio com uma certa pessoa. era madrugada, íamos para casa. íamos para casa dessa pessoa, nessa altura eu andava a ir frequentemente para casa dessa pessoa. na rua, a caminho do carro, em frente à porta desse certo sítio, uma outra pessoa, que vinha com um grupo de pessoas, mete conversa com a pessoa com que eu ia para casa.
o diálogo foi o seguinte:

a outra pessoa que vinha com um grupo de pessoas- olá.
a pessoa com que eu ia para casa- olá, tudo bem?
a outra pessoa que vinha com um grupo de pessoas- sim, tudo bem. vais para onde?
a pessoa com que eu ia para casa- já não vou a lado nenhum. vou pra casa.
a outra pessoa que vinha com um grupo de pessoas- pudera, com um homem desses também eu ia para casa. aliás, com um homem desses, eu nem saía de casa.
eu- (rindo-me) muito obrigado.

foi o piropo mais cómico que recebi. um piropo cómico de situação. lembrei-me disto ontem, não sei porquê, e voltei a rir-me.

Monday, March 06, 2006

aborto

oh god,
you drive and drive and well and on and on
across this city that is mine
and where i hope to turn you off and on.
i try and try to blink my eyes slow
to reach you there
in urban lust square
and youthful flow.

oh god.
the moment skips
beneath your breath
and your fresh perfect lips

blá blá blá

perdi a paciência para isto que estava a escrever. não é suficientemente bom para o efeito pretendido. desisto. aborto a escrita. oportunidades não faltarão, com toda a certeza, para atingir uma redacção mais justa e interessante para retratar isto que quero retratar.

Friday, March 03, 2006

a aliança

detenho-me, olho para eles continuada e insistentemente. ele retribui-me a atenção, ela nem dá pela minha presença. os meus amigos não lhes devotam a mínima curiosiade. pois, as minhas atenção e curiosidade esta noite são trífidas e dedicam-se a eles, ali a três mesas da nossa, à feliz disposição dos meus amigos e a esta dor no céu da boca, resultado evidente da intensidade da noite passada, que me impede de saborear devidamente esta espetada esplendorosamente suculenta de carne mal passada.
eu e eles, o casal, estamos, ainda que, no meio do mesmo desfile dos mesmos bifes, das mesmas sapateiras, das mesmas cervejas mistas e dos mesmos empregados revoltados com a vida, em partes distintas do mesmo mundo. mas eu, nem por isso, deixo de os querer observar.
ele já foi bonito, ainda tem qualquer coisa bonita, não a trouxe para aquela mesa mas transporta, na forma lenta como boceja e fecha as pálpebras, algo de belo. ela nunca foi bonita e tenho a certeza de que nunca o será. estou aqui há uma hora e ainda não os vi trocar uma única palavra. ela é feia de tão triste, ele belo de tão ausente.
ele olhou agora para mim, lentamente, como que a pedir socorro. eu engasguei-me. olhei para ela. ela rodou o anel insípido que tem no dedo anelar, provavelmente uma aliança, a aliança daquela união. rodou o anel e foi incapaz de olhar para ele. ele bebeu um gole de cerveja e olhou para o anel dela. ele não tem anel, deve tê-lo perdido de propósito.
mastigo com dificuldade. apetece-me uma cerveja mas não me atrevo, talvez mais tarde.
ele olha uma vez mais para mim e rápidamente para ela a seguir. percebo-o, ele não quer que ela descubra que está a trocar olhares comigo. não quer que ela descubra os seus pedidos lentos de socorro. não quer que ela descubra que tem estado este tempo todo a pedir-me que me levante e o leve para fora deste restaurante impessoal e que lhe conte coisas absurdas que o façam rir. não quer que ela perceba o que, pensa talvez ele, ela não pode perceber.
ela não tira os olhos do anel. ele não tira os olhos do infinito, nem de mim.
eu volto a concentrar-me na conversa que decorre na minha mesa e rio-me com os meus amigos. pelo canto do olho ainda vejo. vejo que ele precisa de rir fora daquela mesa e daquela aliança, daquela vida. vejo que ela precisa que ele lhe diga que a ama, precisa que ele lhe diga que tudo vai correr pelo melhor, que ele lhe diga que nada no mundo o vai fazer derivar.
deixo de conseguir olhar para eles, não por falta de vontade mas por falta de coragem. não tenho coragem para continuar a ser um espectador furtivo do arrastar inerte, silencioso e triste daquela união que de unido, cúmplice, fresco e apaixonado parece ter tão pouco. não tenho coragem para continuar a assistir à tristeza passiva dela e à ausência empedernida dele. não tenho coragem para ver aquele silêncio.
desejo que partam. desejo nunca os ter visto. tenho pena de os ter visto. deixo de os ver.
a minhas minhas atenção e curiosidade bifidicam-se. concentro-me na dor no céu da minha boca, enquanto vou degustanto a espetada, e luto com ela enquanto me tento destrair com as novidades e episódios hilariantes que os meus amigos vão contando.
a dor parece ir-se amenizando. a espetada acaba-se e eu e os meus amigos confirmamos o quão revoltado está com a vida o empregado que nos tem estado a atender. como somos pessoas civilizadas, e como não estamos para nos aborrecer, acabamos por relativizar a situação entre dois pares de gargalhdas.
a minha atenção unifica-se. um silêncio denso e lento sobrepõe-se aos risos que partilho com os meus amigos.
olha para a mesa deles, do casal, e vejo que já lá não estão. pois não, estão à minha frente. passam pela nossa mesa. mudos e lentos. passam por nós. ela olha para o chão, ele põe-lhe automática e instintivamente o braço por cima do ombro e olha para mim. sorri e, uma última vez, olha para mim. eu fecho os olhos lentamente e retribuo-lho o sorriso. sem me engasgar, retribuo o sorriso mas não o olhar.
abro os olhos e murmuro aos meus amigos (que não me ouvem porque se estão a rir deliciosamente): amo-vos.

Wednesday, March 01, 2006

my favourite things

"my favourite things" from the musical movie "the sound of music"
Raindrops on roses and whiskers on kittens
Bright copper kettles and warm woollen mittens
Brown paper packages tied up with strings,
These are a few of my favorite things.

Cream coloured ponies and crisp apple strudel,
Door bells and sleigh bells and schnitzel with noodles
Wild geese that fly with the moon on their wings,
These are a few of my favorite things.

Girls in white dresses and blue satin sashes,
Snow-flakes that stay on my nose and eye-lashes,
Silver white winters that melt into springs,
These are a few of my favorite things,

When the dog bites,
When the bee stings,
When I'm feeling sad,
I simply remember my favorite things,
And then I don't feel, so bad.

há umas duas semanas que passo a vida a cantarolar isto. sobretudo a parte dos "brown paper packages tied up with strings" (que são, na verdade, coisas que adoro). fui à procura da letra no google e eis que me deparo com um link para um sing along. fiquei tão contente. agora já posso fazer karaoke disto. já fiz. mais um itém a acrescentar às minhas coisas favorita.

recomendo:
http://www.geocities.com/EnchantedForest/Cottage/3192/Myfavorite.html

Saturday, February 25, 2006

uma (boa?) ideia, um desejo, uma decisão

uma casa branca, toda branca. tudo é branco: os móveis, os utensílios, as roupas, tudo. tudo completamente branco. a casa nunca é limpa, nunca.
objectivo da casa onde tudo é branco: ir ganhando cores das vidas que nela habitam. o que numa outra casa se poderia considerar sujidade, na casa onde tudo é branco considera-se registo, história, vida.
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(o que eu espero que me aconteça um dia)
os seus olhares não se cruzaram, embateram. embateram estrondosa e violentamente.
cada um sentiu dentro de si o furioso impacto de uma colisão. ainda não trocaram uma única palavra, deixaram de saber falar, desaprenderam a própria língua. tudo isto porque renasceram. os seus olhares não se cruzaram, embateram, e eles voltaram a nascer na eternidade que durou esse momento.
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há palavras que nos entram directamente nas veias e nelas navegam enquanto o sangramento não sucede.
são embarcações vocabulares que escrevem no nosso sangue a história da nossa vida.
vou sangrar-me para te apagar de mim.

Wednesday, February 22, 2006


in finito