Sunday, May 15, 2005

self healing 2

gosto muito de viver. gosto muito de tudo o que me acontece. gosto muito de tudo o que me está a acontecer. na verdade, eu gosto muito de tudo. eu sou muito feliz. eu sou mais do que feliz: eu sou felicíssimo. a vida corre-me sempre muito bem. não tenho problemas. a minha vida é perfeita. a minha vida é linda.
sou muito rico. tenho dinheiro a dar com um pau. sempre fui rico. sempre vivi com muito dinheiro. por isso, eu não sei o que é passar por necessidades. nunca soube o que é não poder ter, não poder comprar, não poder ir. tenho dinheiro que chegue para duas vidas.
como sou muito altruísta, reparto tudo com todos. adoro dar e repartir. por isso todos os meus amigos também são ricos. todos os que me são queridos e próximos usufruem do meu dinheiro. deste modo, todos somos muito ricos. só faz sentido se assim for. o dinheiro não tem qualquer utilidade quando serve apenas para satisfazer a nós mesmos.
outra coisa que eu gosto muito na minha vida, e que a torna ainda mais perfeita, sou eu mesmo. eu sou perfeito. não tenho qualquer tipo de imperfeição. sou dotado de uma beleza exterior irrepreensível. eu próprio não me teria feito melhor. e interiormente sou magnânimo e genial. sou rico material e espiritualmente. todas as pessoas me adoram. sou amado profundamente por toda a gente. sou das pessoas mais inteligentes do mundo. sou das pessoas mais equilibradas que se pode encontrar. não sou uma pessoa resolvida consigo própria porque eu nunca tive nada para resolver comigo. sempre fui perfeito.
vivo por e para o amor. e o meu amor é tudo para mim. eu e o meu amor estamos juntos desde sempre. o nosso amor é perfeito. temos crescido juntos e havemos de ficar juntos para sempre. para toda a eternidade. eu e o meu amor somos tão perfeitos que estamos certos que estamos juntos desde o príncipio dos tempos. eu e o meu amor nunca discutimos, nunca nos magoámos, nunca divergimos. é sempre tudo muito orgânico e confortável entre nós. nunca há um equívoco. estamos sempre em sintonia, sempre. os silêncios são silêncios de ouro. não existe entre nós o silêncio desconfortável. temos plena confiança um no outro. sabemos ambos que qualquer um de nós seria incapaz de ser desonesto para com o outro. sabemos ambos que isso seria a morte do outro e como não queremos que o outro morra, porque assim também nós iríamos morrer (de amor), jamais colocamos a hipótese de agir de forma desleal. eu e o meu amor estamos sempre ávidos de ternura e de prazer. desejamo-nos profundamente e à distância. quando fazemos amor as estrelas movem-se no céu e interferimos com a força da gravidade. fazemos amor todos os dias; é por isso que a gravidade não é constante. eu e o meu amor choramos de felicidade ao termos orgasmos em simultâneo. eu e o meu amor somos tão diferentes que somos um só. eu e o meu amor estamos sempre a rir.
gosto muito de tudo o que faço. sou uma pessoa muito solicitada. mas trabalho por mero prazer. apesar disso, eu faço tudo muito bem e tenho todo o sucesso do mundo. eu sou da pessoas com mais mérito no mundo. sou constantemente galardoado. trabalho muito porque o trabalho é uma fonte constante de felicidade. tudo na minha vida é uma fonte constante de felicidade.
eu sou muito feliz. tenho-me a mim e adoro-me, tenho o meu dinheiro e adoro-o, tenho o meu trabalho e adoro-o, tenhos os meus ricos amigos e adoro-os, tenho o melhor amor do mundo e adoro-o. eu sou mesmo muito feliz. adoro viver e estou certo de que nunca hei-de morrer. eu sei que sou eterno e que hei-de ser feliz para todo o sempre. não percebo como é que há pessoas que não são felizes. não percebo porque é que as pessoas sofrem. não percebo a dor. não percebo a infelicidade.

este vou ser eu. ao fim e ao cabo sou actor.

Saturday, May 14, 2005

self healing

os culpados são sempre punidos, mais cedo ou mais tarde.
o que quer que seja que me fez chegar aqui: eu sei que não mereço.

virar tudo ao contrário para poder ver mais a direito.
há silêncios e silêncios: aprende a diferenciá-los.
acarinha-te: sabes que és do melhorzinho que por aí anda.
mas afinal onde é que anda a tua soberba?

daqui a uns tempos vou rir-me disto a bandeiras despregadas.
a bandeiras passadas. bandeiras passadas não apresentam nações.
eu sou uma nação do ver. eu vejo tudo. quero ver melhor.
quem vê por último vê melhor.
vou guardar isto no fundo da cabeça. sou muito melhor a rir.
sou muito melhor a rir em primeiro.
sou muito melhor a rir por último.

para quê? porquê? haja paciência. tenho mais que fazer.
não acho graça nenhuma a este jogo.

ainda tenho tudo para dar: o BEM!

Friday, May 13, 2005

citação sentida talvez mal

"É preciso tremer para crescer"
René Char

Thursday, May 12, 2005

milagre

É urgente a ocorrência de um milagre regenerador. Para me tirar daqui. Para me recolocar ali. Para me situar. Para me determinar. Para me desobscurecer. Para me libertar. Para me aliviar. Para me centrar.
Se houver algum Messias por aí: que se acuse. Os tempos já não são de lepra; são de velocidade. Preciso de um milagre veloz para me deixar ao ralenti. Quero viver aqui ao ralenti. Quero que o meu coração recupere o seu batimento normal.

Wednesday, May 11, 2005

para contrariar este dia

"IMMERSE YOUR SOUL IN LOVE"
esta é a frase que fecha a magnífica canção "Street Spirit (fade out)" que os geniais Radiohead compuseram para o seu segundo e belo disco "The Bends".
esta frase não me tem saído da cabeça durante este dia de hoje. há uma carga de tristeza no ar. eu sinto-me triste, incerto, cansado de esperar que tudo melhore. vou cantar o "Street Spirit" para mim. Resta-me aguardar pelo regresso do sol.

"IMMERSE YOUR SOUL IN LOVE"

Monday, May 09, 2005

parte-a-parte 3: resposta ao comentário/desafio de oRAnGe fUZZ

cópia de comentário/desafio de oRAnGe fUZZ:

oRAnGe fUZZ passou por aqui e decidiu lançar um desafio para o menino visionário se entreter... palavras chave: cor, emoção e movimento. objectivo: não querendo limitar a margem da tua arte, deixo o objectivo ao teu critério. beijos alaranjados

resposta/composição de Onan:

a resposta vem tarde mas julgo que não fora de tempo

cor:

deixei da ser criança quando percebi que tinha perdido a capacidade de sentir que ao ter nas mãos uma caixa de canetas de feltro da Molin teria o mundo à minha disposição.
emoção:
volto a sentir-me criança quando sinto o mundo como uma gigantesca caixa de canetas de feltro da Molin.
movimento:
fecha os olhos e deixa-me escrever nas tuas costas com a ponta dos meus dedos. vou escrever o que me der na real gana; tu vais lendo o que conseguires decifrar. o que interessa não são as palavras que escrevo mas sim a minha vontade de escrever contigo: o doce dançar da escrita na tua pele.

Friday, May 06, 2005

anti-prolegómenos da pura arte do estar (abertura)

vistas bem as coisas, a desrazão é um lado legível da razão que aparece com o mesmo ímpeto com que a última se dá a ler.
serão precisos muitos dias de penumbra para poder entrever a possibilidade de a eficácia do estar se instalar com segura/fiável perenidade.
aos rituais de escamoteamento chama-se passagens. às passagens chama-se processos de contextualização.
o avaliador mantém-se sitiado entre as duas leituras enquanto aguarda que a justa avaliação, através de actos/discursos, se torne inquestionável.
a luz é um fenómeno do movimento. a penumbra é um fenómeno que tem a desrazão como principal parturiente.

Thursday, May 05, 2005

dia bonito

que dia bonito!
linda tarde que se pôs!
vou vestir a minha camisa havaiana!
vou apanhar sol nas trombas!
vou andar por aí!
vou ver o rio!
vou ver pessoas!
vou andar por essas ruas a ouvir The Killers aos berros!
vou encontrar-me com Lisboa à tarde neste dia bonito!

Monday, May 02, 2005

45 prioridades

nova semana, coisas a fazer a partir de agora:
  1. deixar que o sol me entre dentro da cabeça
  2. deitar-me mais cedo
  3. acordar mais cedo
  4. LER
  5. deixar de gastar horas a estupidificar em frente ao computador
  6. deixar de pensar no que não devo
  7. dizer anda mais disparates
  8. ir ver mais vezes ver o rio
  9. telefonar à mamã
  10. atirar-me de cabeça à labtools
  11. pensar nos ensaios do Baile Demutante
  12. marcar reunião da Azul Ama Vermelho (tê-la efectivamente)
  13. telefonar ao Manuel Paulo
  14. começar a ter uma alimentação mais equilibrada
  15. beber litradas de água (tipo shot)
  16. beber menos (period)
  17. pensar no bom e no bonito
  18. cagar no mau e no insondável
  19. ouvir Jacques Brel, Dalida, Brigitte Bardot, Serge Gainsbourg e Marco Paulo
  20. fingir que vivo nos anos cinquenta
  21. não pensar no que não me acontece
  22. dar valor ao que me acontece
  23. ir ver pessoas à noite
  24. namorar ao ralenti
  25. voltar a pensar em projectos deixados a meio (ou apenas pensados)
  26. não deixar acumular lixo na varanda
  27. fumar menos charros
  28. fumar menos cigarros
  29. ir correr (sem ser a fugir)
  30. deixar de acumular pilhas de cd's em cima da secretária
  31. levar o computador ao médico dos computadores
  32. marcar dentista
  33. descobrir o número da clínica dos tais psicólogos
  34. cortar as unhas (mãos e pés) de três em três dias
  35. não fazer birras
  36. arrumar alguma roupa de inverno
  37. recuperar o Finis Praxis (sabe-se lá como)
  38. arranjar rendimentos (nem que seja a assaltar velhinhas no Jardim da Estrela)
  39. responder ao desafio que falta
  40. deixar de dar dentadas que aleijam
  41. estar para o que der e vier
  42. dançar a dois
  43. arrumar as prateleiras da esquerda
  44. tratar da porcaria do irs (irs sucks)
  45. estabelecer prioridades para 44 prioridades

Sunday, May 01, 2005

dor de dente

odeio domingos

se o tempo não fosse tão relativo, e pessoal,
eu poderia andar de planeta em planeta à procura da melhor face sol.

se eu soubesse mais do espaço e de astronomia
podia ver o mundo de fora e auscultar o efeito que isso em mim teria.

se eu soubesse naufragar
iria dormir sempre no fundo calmo do mar.

slogans para um produto que não se vende

  • fascina-me a tua matéria!
  • intriga-me a tua substância!
  • gosto de saber em que parte do globo estás!
  • se acordares avisa!
  • espera-me à porta da tua satisfação!
  • sorri, estás a ser amado!
  • diz-me porque estás aqui!
  • cada dia és melhor que ontem!
  • não te esqueças da minha sede!
  • faz-me sempre o que pensas!
  • canta-me na tua cabeça!
  • canto-te a toda gente!
  • se isto não fosse bom não eras!
  • faz-me chorar a rir, uma vez mais!
  • luta comigo!

um retrato do sempre

desde muito novos foram fazendo a sua vidinha,
ela lavava para fora,
ele bebia ginginha

iam sempre de mãos dadas à aldeia vizinha
ele vinha aos tombos p'ra casa,
ela deixava-o a dormir na cozinha

tinham os seus arrufos e guerras; até berros havia
ela levantava as saias,
ele fumava e sorria

faziam tudo em conjunto com alegria
ele saía da cama,
ela ligava a telefonia

olharam-se sempre nos olhos durante de setenta anos
ela chamava-lhe morcão,
ele Maria dos Panos

ainda se beijavam nas bocas onde já quase não sobravam dentes
faziam amor às escuras e nunca estavam dormentes

deitaram-se cedo uma noite e enlaçaram as mãos trementes
nunca mais acordaram; morrerram juntos e contentes

lilac wine

"i lost myself on a cool damp night
gave mself in that misty light
was hypnotized by a strange delight
under a lilac tree

i made wine from the lilac tree
put my heart in its recipe
it makes me see what i want to see...
and be what i want to be

when i think more than i want to think
do things i never should do
i drink much more that i ought to drink
because it brings me back you...

lilac wine is sweet and heady, like my love
lilac wine, i feel unsteady, like my love
listen to me... I cannot see clearly
isn't that he coming to me nearly here?

lilac wine is sweet and heady, where's my love?
lilac wine, i feel unsteady, where's my love?

listen to me, why is everything so hazy?
isn't that he, or am i just going crazy, dear?

lilac wine, i feel unready for my love..."

um belo poema belamente intepretado por essa bela, a seu modo, Nina Simone

cocktail party

uma congregação mediana de criaturas em estado de permanente liquidez:

às segundas servem-se cabeças de pessoas normais em bandejas de prata e
procede-se à leitura das actas dos encontros anteriores.

às terças ri-se, caçam-se borboletas com jactos de esperma e
lêem-se cartas recusadas por antigos e eternos amores.

às quartas fala-se do futuro com saudade e
mata-se quem não vier por bem.

às quintas olha-se alguém bem fundo nos olhos e
gasta-se em carne humana o último vintém.

às sextas toca-se à porta do inimigo e
corre-se para dentro da escuridão.

aos sábados e aos domingos está-se com febre e
dá-se o que se pode ao mundo em cima do colchão.

Friday, April 29, 2005

quem me dera ser acéfalo!

Thursday, April 28, 2005

aufhebung

hoje acordei Hegeliano.
e digo, de mim para mim:
aufhebung now!!! (no interior da cabeça)

sintídoto

"quem não tem cão caça com gato!"

antídoto

"quem tem medo compra um cão!"

Wednesday, April 27, 2005

o medo

o medo de ficar. o medo de não perceber. o medo de falhar. o medo de ganhar e o medo de perder. o medo de pensar. o medo de dizer. o medo de perguntar e o medo de responder. o medo de voltar. o medo de voltar a sofrer. o medo de alucinar e o medo de o inferno prever. o medo de não ultrapassar. o medo de enlouquecer. o medo de confiar e o medo de me dar a conhecer. o medo de confirmar. o medo de querer saber. o medo de me entregar. o medo de voltar a nascer. o medo de castigar. o medo de não ver. o medo de criticar. o medo de me envolver. o medo de querer clarificar. o medo de tremer. o medo de chorar. o medo de morrer. o medo de não te poupar. o medo de não ter perceber. o medo de mal te julgar. o medo de não te compreender. o medo de te injustiçar. o medo de teres um mau ser. o medo de não me conseguir ocultar. o medo de em má hora te surpreender. o medo de querer tudo aniquilar. o medo de tudo fazer crescer. o medo de me enganar. o medo de não te conseguir ver. o medo de te obrigar. o medo de deixar de te ter. o medo do fugir constante do teu olhar. o medo do que pareces não ser capaz de dizer. o medo de te ultrapassar. o medo de te aborrecer. o medo de me saturar. o medo de seres a morte sem que eu a possa ver. o medo de te cansar. o medo de te fazer estremecer. o medo de não te conseguir suportar. o medo de te deixar esmorecer. o medo de parar. o medo de fugir a correr. o medo do que pode não ser salutar. o medo do lado de ti que me não dás a conhecer. o medo de não me conseguir calar. o medo do que há para saber. o medo do silêncio que parece cortar. o medo da ilusão que pode haver. o medo de estar a inventar. o medo de estar a subverter. o medo da história que tens para contar. o medo da tua pele quando não a posso morder. o medo da tua cabeça a funcionar. o medo da minha cabeça a conceber. o medo do fim da verdade que quero sempre reservar. o medo da mentira que pode haver. o medo de regressar. o medo de não ser capaz de adormecer. o medo do que o futuro possa vir a reservar. o medo da trama que ainda se pode escrever. o medo de ir e não querer voltar. o medo de perceber que nada me pode deter. o medo de quem possas vir a encontrar. o medo do que possas estar a esconder. o medo de estar. o medo de quem te fez doer. o medo de não te conseguir encontrar. o medo de te estar enaltecer. o medo de me estar a enfatizar. o medo de, amanhã, olhar para ti e não gostar do que vou ver. o medo de não me importar. o medo de me prender. o medo de deixar de gostar. o medo eterno de perder. o medo de me amarrar. o medo de querer viver. o medo de acordar. o medo de deixar de viver. o medo de baralhar. o medo de entontecer. o medo de me descontrolar. o medo de me estar sempre a conter. o medo de me encantar. o medo de envaidecer. o medo de mergulhar. o medo de não estar a ver o que devo ver. o medo de amar. o medo de deitar tudo a perder. o medo de respirar. o medo do anoitecer. o medo de acordar. o medo de nunca conseguir esquecer.

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