Friday, March 04, 2005

o demónio anoiteceu aqui

"a sorta fairytale" Tori Amos

on my way up north up on the ventura
i pulled back the hood
and i was talking to you

and i knew then it would be a life long thing
but i didn't know that we
we could break a silver lining

and i'm so sad
like a good book
i can't put this day back
a sorta fairytale with you
a sorta fairytale with you

things you said that day
up on the 101 the girl had come undone
i tried to downplay it with a bet about us
you said that-you'd take it as long as i could
i could not erase it

and i'm so sad
like a good book
i can't put this day back
a sorta fairytale with you
a sorta fairytalewith you

and i ride along side
and i rode along side you then
and i rode along side
till you lost me there in the open road

and i rode along side
till the honey spread itself so thin
for me to break your bread
for me to take your word
i had to steal it

and i'm so sad
like a good book
i can't put this day back
a sorta fairytale with you
a sorta fairytale with you

i could pick back up whenever i feel

down new mexico way
something about the open road
i knew that he was looking for some indian blood
and find a little in you
find a little in me
we may be on this road
but
we're just impostors in this country

you know so we go along
and we said we'd fake it
feel better with oliver stone
till i almost smacked him -seemed right that night
and i don't know what takes hold out there in the desert cold
these guys think they must try and just get over on us

and i'm so sad
like a good book
i can't put this day back
a sorta fairytale with you
a sorta fairytale with you

and i was ridin' by
ridin' along side for a while
till you lost me
and i was ridin' by
ridin' along till you lost me
till you lost me in the rearview

you lost me

i said way up north
i took my day
all in all was a pretty nice day
and i put the hood right back where
you could taste heaven perfectly
feel out the summer breeze
didn't know when we'd be back
and i didn't think we'd end up like
like this

Arte Pura de Onan 5

Arte Pura de Onan 4

Arte Pura de Onan 3

Arte Pura de Onan 2

Arte Pura de Onan 1

"Arte Pura de Onan" 1ª Exposição Fotográfica Individual do Demónio

Arte Pura de Onan

Série de 5 Fotografias Digitais

Materiais:

  • Demónio
  • Telefone Nokia 3650
  • T-shirt Vermelha Puma
  • Esperma

Espaço:

  • Quarto do Demónio

Data:

  • Janeiro de 2005

Técnica:

  • Mista (masturbação, olhar e tempo)

hoje o demónio vive aqui

"Teenage Angst" Placebo


Shine the headlight
Straight into my eyes
Like the roadkill
I'm paralysed
You see through my disguise


At the drive-in
Double feature
Pull the leaver
Break the fever
And say the last good-bye

Since I was born I started to decay
Now nothing ever ever goes my way

One fluid gesture
Like stepping back in time
Trapped in amber
Petrified and still not satisfied

Airs and social graces
Elocution so divine
I'll stick to my needle
And my favourite waste of time
Both spineless and sublime


Since I was born I started to decay
Now nothing ever ever goes my way

................................................................................


tu és em todas as formas um país que eu quero ver, mais

Thursday, March 03, 2005

us 5 ou me in us 1

Vivo dentro das canções e a escrita é um transporte.
Sou um animal silencioso por norma, excepto quando sou um demónio. Nessas alturas invento palavras que ainda eu próprio desconheço. E invento-as para conservar a capacidade de me desconhecer.
Eu não quero ficar aqui; mas é precisamente daqui que eu teimo em nunca sair. E por isso abro as portas das canções e vivo entre rimas e refrões que eu reproduzo como se fossem meus. É como se a minha vida fosse crescendo, andando e rompendo uma via sólida dentro da água de onde não consigo deixar de naufragar. A vida é uma estrada que vai andando. A minha pelo menos assim o parece. Só que eu vivo dentro de água e, se os meus dias são correntes, as minhas noites são marés. E tudo isto torna a estrada muito sinuosa, escorregadia, evaporável.
Às vezes quando me olho ao espelho sinto-me transparente, imaterial, sem substância. Sinto-me uma ideia.
Quando eu era criança gostava de imaginar que não existia. Gostava de pensar que a minha pessoa era uma ideia, um delírio, uma trama, uma alucinação de alguém que se sentia muito entediado consigo mesmo. Gostava de supor que esse alguém iria, mais cedo ou mais tarde, fartar-se do seu passatempo e que eu deixaria de existir/decorrer de um momento para o outro. Essa ideia aliciava-me.
Hoje sinto-me na pele de esse outro alguém. Sinto-me esse entediado demiurgo. Sinto-me um arquitecto sempre insatisfeito, sempre incompleto. Cresci e desmorono-me todas as noites. Sou o outro alguém e a criança em simultâneo e a minha cabeça é o campo de batalha onde ambos travam a guerra. A guerra que conduz ao fim. O fim pelo fim. O fim, o fecho, a conclusão. O final da água onde naufrago. Porque ambos se olham ferozmente nos olhos. Porque ambos falam a mesma língua. Porque ambos estão fechados cá dentro. Porque ambos querem sair e habitar o meu corpo. Porque ambos querem selar a minha cabeça. Porque a criança cresceu e porque o outro alguém, o criador entediado, não criou um antídoto que neutralize o medo. Por isso mesmo nenhum dos dois, criança e criador, tem coragem para ganhar esta guerra.
Enquanto dormes na minha cama eu concluo que quero dizer-te tudo além disto.
Próximo, tu disseste próximo. O relógio quase parou. E a minha arte não é infinita. Ao fim e ao cabo isto é entre nós dois; a arte aqui não manda nada. Somos só nós, o relógio e a mútua vontade de o parar. Teremos? Eu tenho às vezes; quando não estou a arbitrar a guerra.
Fala-me de ti.

Tuesday, March 01, 2005

us 4

tu surpreendes-me.

pensei-o mas não to disse; tive medo de parecer patético, lamechas, ritualista, melífluo, mimado.

tu resolveste tudo e mostraste-me que o medo do ridículo, no amplexo, se torna o cúmulo do ridículo.

resolveste tudo e resolveste-me tudo.

tão simples; tu: sem medo, sem ridículo, sem hesitação.

com uma simples frase rasgaste-me o céu que teimava não descarregar.

e passo a citar-te:

"faz hoje uma semana que demos o nosso primeiro beijo"


as flores não são apenas inventadas por mim; descobri-o contigo durante estes dois dias.

durante estes dois dias em que o relógio não parou mas em que minha arte não deixou de te fazer rir, fora e dentro da minha cama.

descobri a tua arte: és o génio das frases simples.

e a tua arte faz-me rir (de mim).

espero-te hoje, à porta do meu quarto.

venham as flores, sejamos depois frutos já.

Thursday, February 24, 2005

us 3

hoje, quando este dia começou, poucas horas depois de ter começado, disseste-me uma das coisas mais belas que alguém alguma vez me disse.
passo a citar-te:

"para adormeceres, lembra-te do som dos nossos beijos"

eu lembrei-me e adormeci.


o relógio na pára e os nossos beijos são música que embala.

us 2

ainda bem que vieste e ainda bem que soubeste vir.
fui-te abrindo aos poucos a porta do meu quarto,
mas ainda não te entreguei as flores que prometi inventar
expressamente para ti.
já estão inventadas mas ainda não se sentem flores.
talvez seja porque o relógio não tem parado e porque
a minha arte, pelos vistos, não tem deixado de te divertir.
há muito tempo que o meu diário te esperava.
agora que chegaste, deixa-me celebrar-te.
deixa-me desenhar-te.
deixa-me cantar-te.
deixa-me rimar-te,
para que as flores possam chover em silêncio e verdade,
dentro da água das nossas bocas.

Monday, February 21, 2005

us

20 do 02 ou 20/02 ou 20-02 ou 2002


Primeiro beijo.

Saí do carro a correr.

Tremi.

Adoro capicuas.

Ai, ai. A espada e a parede.

Adormeci ao tentar reviver, sem sucesso, o momento.

Amanhã é agora mesmo, quem me dera que não me deixes fugir.






Friday, February 18, 2005


self portrait of the demon

um auto epitáfio em vida (a partir de Sinead)

"Thank You For Hearing Me" (um poema e uma canção lindos de Sinead 0'Connor)

Thank you for hearing me
Thank you for hearing me
Thank you for hearing me
Thank you for hearing me

Thank you for loving me
Thank you for loving me
Thank you for loving me
Thank you for loving me

Thank you for seeing me
Thank you for seeing me
Thank you for seeing me
Thank you for seeing me

And for not leaving me
And for not leaving me
And for not leaving me
And for not leaving me

Thank you for staying with me
Thank you for staying with me
Thank you for staying with me
Thank you for staying with me

Thanks for not hurting me
Thanks for not hurting me
Thanks for not hurting me
Thanks for not hurting me

You are gentle with me
You are gentle with me
You are gentle with me
You are gentle with me

Thanks for silence with me
Thanks for silence with me
Thanks for silence with me
Thanks for silence with me

Thank you for holding me
And saying "I could be"
Thank you for saying "Baby"
Thank you for holding me

Thank you for helping me
Thank you for helping me
Thank you for helping me
Thank you, thank you for helping me

Thank you for breaking my heart
Thank you for tearing me apart
Now I've a strong, strong heart
Thank you for breaking my heart


Obrigado aos que me ouviram, e ainda ouvem
Obrigado aos que me amaram, e ainda amam
Obrigado aos que me viram, por dentro e por fora
Obrigado aos que nunca me deixaram
Obrigado aos que ficaram comigo: os que permaneceram
Obrigado aos que não me magoaram
Obrigado aos que foram gentis comigo, e que continuam a sê-lo
Obrigado aos que partilharam comigo o precioso silêncio
Obrigado aos que me abraçaram e me disseram que eu sou capaz
Obrigado aos que me sussurraram carinhos ao ouvido, e de novo me abraçaram
Obrigado aos que me ajudaram
Obrigado aos que me destroçaram o coração
Obrigado aos que me deram motivos para chorar
Obrigado aos que me endureceram o coração
Obrigado aos que me deram história de vida
Obrigado, foram, e são, muito úteis!

Wednesday, February 16, 2005

o demónio/artista/amante melhor ou a arte de inventar 5 sonhos

Esgotadas as lutas, as querelas, as batalhas e as guerras; adormeci. Ganhar ou perder deixou de fazer sentido porque o sangue deixou de querer jorrar, as feridas deixaram de doer, ou até mesmo ocorrer, e o tempo passou a ser servo de si mesmo. O passado, o presente e o futuro são, agora e sempre, resíduos do devir sem qualquer tipo de expressão.
Acordei e sou um relógio saído de um quadro do Salvador Dali.
Não sei muito bem quais são os teus sonhos. Não sei se os tens, se os desenhas, escreves, elaboras, planeias, choras. Não me interessam os teus sonhos. Interessa-me, isso sim, inventá-los por ti. Decidi que vou ser um demónio/amante/artista melhor. Vou radicalizar a minha arte. E apresentas-te como um bom objecto; melhor: tu pareces ser uma soberba matéria-prima. Tens um nome comum, isso é bom, agrada-me. Tens um rosto normal, melhor ainda. Falas baixinho e sem pressas; óptimo. És muito diferente de mim; excelente. Estás aqui; magnífico. O resto a nós pertence; como já te disse o tempo está demasiado ocupado a fazer passar-se por mim.

Os Teus 5 Principais Sonhos

  1. Tu não gostas do calor e sonhas viver num glaciar: eu sou um cubo de gelo em franca expansão.
  2. Tu tens medo da luz e sonhas isolar-te num deserto de escuridão: eu chamo-me Anã Negra e sou uma estrela extinta.
  3. Tu não gostas de acordar e sonhas nunca sair da cama: eu sou a lei da gravidade.
  4. Tu não precisas de viajar e sonhas com países que não vais conhecer: eu sou o Atlas do Mundo.
  5. Tu não queres sofrer de amor e sonhas não ter coração: eu sou o enfarte agudo do teu miocárdio.

Vamos ver se te adaptas a estes cinco sonhos. Se a experiência for frutífera outra série de cinco se seguirá, e assim consecutivamente. Se a experiência não se revelar interessante passas a ser mais um esboço no meu quarto. A arte tem destes riscos: nem sempre se acerta logo à primeira.

Agora que és livre, sonha. Eu vou inventar pesadelos para mim.

Quando acordarmos de vez quero abraçar-te com força e silêncio. E quero ouvir-te dizer:

"A TUA ARTE DIVERTE-ME E O RELÓGIO NÃO PÁRA!"

Saturday, February 12, 2005

sickcom foto 1


rui mourão, maria galhardo, isabel simões marques e selma cifka

sickcom foto 2


rui mourão e isabel simões marques

sickcom foto 3


maria galhardo

Thursday, February 10, 2005

Sickcom em Lisboa

Caros Onanistas:


SICKCOM is back.
Estreia hoje, às 22 horas no Auditório da Biblioteca Orlando Ribeiro em Telheiras.
Apareçam.
Em breve, quando tiver mais tempo, serei mais pormenorizado no posting de textos e imagens do espectáculo.
Estaremos em cena até 20 de Fevereio (5ª a Sábado às 22h e Domingos às 18h).
Reservas: 96 33 55 078/ 93 283 65 40/ 96 294 54 52

Aqui fica um teaser:


O Génio

Eu sou o génio, ninguém acredita
Eu sou o génio, ninguém dá a mão
Divorciado de uma mentira
Atropelado por um chavão

Eu sou o génio da palavra
Eu sou o génio da composição
Percorro o mar numa garrafa
Mutilado num pulmão

Eu sou o génio da poesia
Eu sou o génio da instalação
Alimentado a aletria
Apaixonado por um neutrão

Eu sou o génio da Escandinávia
Eu sou o génio do Japão
Eu sou o trolha da Moldávia
Eu sou o novo monstro papão

Eu sou o génio da literatura
Eu sou o génio da televisão
Fui condenado à candidatura
Absolvido na inscrição

Eu sou o génio do palco
Eu sou o génio da exposição
Nas narinas tenho pó de talco
Faço amizades no meu colchão


Eus sou o génio do teatro-dança
Eu sou o génio da canção
Eu sou o porco para a matança
A ocasião que faz o ladrão



(este é o poema que protagoniza um singular momento de paródia musical em SICKCOM)



Monday, February 07, 2005

para a Lara K

"Que é do mar se os rios se recusam?"

stig dagerman



Saturday, February 05, 2005


Ó vento, volta p'ra trás!

o vento é solto e lento, bento,
tento,

com temor e alento,
recordar o momento em que o vento me levou.

Thursday, February 03, 2005


onan as a child

auto re trato

Onan tem, e tinha, moléculas de gentinha
Onan tinha, e tem, acessos súbitos de desdém

Onan anda, e andava, a nadar num oceano de lava
Onan andava, e anda, a berrar os traumas numa banda

Onan vê, e via, fugir-lhe tudo o que queria
Onan via, e vê, toda a merda na TV

Onan come, e comia, caldeiradas de melancolia
Onan comia, e come, o significado lato da fome

Onan descobre, e descobria, segredos que o seu amor lhe escondia
Onan descobria, e descobre, que o amor nem sempre é nobre

Onan escreve, e escrevia, poemas para os meninos estudarem um dia
Onan escrevia, e escreve, o diário de uma língua em greve

Onan sente, e sentia, que a nada leva a apatia
Onan sentia, e sente, que o sucesso é metatangente

Onan quer, e queria, ser argonauta na poesia
Onan queria, e quer, o que isto der e vier


Sunday, January 30, 2005

L'eau D'Onan


Foto de Onan

S.O.S.

Caros Onanistas:

Este Demónio, como alguns de vós devem saber, é muito parco no que respeita a recursos do conhecimento informático. É um verdadeiro nabo informático. Diga-se de passagem, a paciência para os adquirir não é muita. O tempo disponível também não.
O Demónio pretende enriquecer este diário e para tal precisa de ajuda. Assim, se algum de vós possui conhecimentos de blogspot que lhe possam ser úteis, não se iniba em os demonstrar.

O Demónio prentende efectuar improvements tão elementares quanto:

  • Editar a sua lista de links (já tentou mas ó resultado é que está à vista: nenhum)
  • Acrescentar música (o demónio está mortinho por isso)
  • Criar um apêndice do blog onde se pode consultar os seus trabalhos finalizados (ex: o seus livros de poemas, as peças de teatro que vai escrevendo, etc)
  • Imagem animada (se isso for possível, o Demónio pensa que sim; está convicto que já o viu num blog qualquer)

O desafio está lançado, a nabice assumida.

O Demónio aguardará com alguma expectativa.

In Sul Tão

És a Inteligência Rara.
És o Carmo e a Trindade e a Rua do Ouro e da Prata e quase todas onde há gente.
És o sabor de Lisboa ao fim da tarde, em Abril, em Maio, Junho, Julho, Agosto, Setembro, Outubro, Novembro, Dezembro, Janeiro e Fevereiro.
És a nudez, a Roupa Nova e a Roupa Velha.
És o toque e a música, és a Rosa dos Ventos e a Calçada Portuguesa.
És um cata-vento e és o vento por catar.
És um comboio permanente de Lisboa a Roma Antiga.
És um Calipo de Limão.
És uma logoteca de brincar e eu brinco-me em ti.
És o Génio da Lâmpada e os Quarenta Ladrões do Ali Babá.
És as coisas todas que andas a aprender.
És o Alecrim aos Molhos, és o Galo de Barcelos e a Menina das Sete Saias.
És a Primeira Infância e Os Meninos À Volta Da Fogueira.
És o Sequim D'Ouro, a Sopa de Pedra, o Caprisone e a Internet.
És o Bailinho da Madeira ("Ai que bem que bailas velhaco") e és o Trio Odemira.
És o Fa Fresh e a Lógica da Batata.
És o Bolo Rei (és o brinde e és a fava).
És um retrato para ser visto ao contrário.
És o Drops de Anis e o Escurinho do Cinema.
És o Yellow Submarine, a Montserrat Caballé e a Décima Quarta Maravilha do Mundo.
És o Crime Passional, a Revolução Francesa e a Távola Redonda.
És o Tronco de Natal, a Fatia Dourada e a Baba do Camelo.
És a TVI, o Natal dos Hospitais e o Boca Doce É Bom É Bom É Diz o Avô e Diz O Bébé.
És o Pingo Doce, a Cantora Careca, a Serenata À Chuva e o Crêpe Suzzete.
És a Muralha da China, a Tosta Mista e a Agatha Christie.
És a Luta Livre, a Princesa Diana e o Cabelo à Foda-se.
És a Renda de Bilros, a Expo 98 e a Aspirina C Efervescente.
És a Raiz Quadrada, a Estenografia, o Pão de Ló e a Loja do Mestre André.
És o 112, a Mansão da Playboy, a Música Pimba e as Claras em Castelo.
És o 28, a Lara Lee, a Banana Fa Si e a Simara.
És o 25 de Abril, o Zé Povinho, o Futebol de Salão e a Festa Na Mouraria.
És a Gabriela Cravo e Canela, o Chico Fininho, a Fafá de Belém, e Roleta Russa.
És o Tiro no Escuro, a Regra Do Jogo e a Cabra Cega
És o Arco da Rua Augusta, és a Coca-Cola, o Candomblé e a Catarina Furtado.
És o Circo no Gelo, a Vodka Limão, a Carga de Trabalhos e o Pavilhão do Futuro.
És a Bic Laranja, és a Bic Cristal, és a Maria Madelena e a Alheira de Mirandela.
És o Manguito, a Gioconda, a Natação Sincronizada, a Memória Ram e a Bola de Berlim.
És Boceta de Pandora, a Onomatopeia, o Cristo Rei e a Maluquinha de Arroios.
És a Castanha Assada, a Batata a Murro, a Eurovisão, o Fado e a Wallstreet.
És a Bota Botilde, a Pop Art, a Sorte Grande e a Terminação, o Titanic, a Valsa, o Tango, o Samba, o Tcha Tcha Tcha, a Cannabis, a Inquisição, as Vinte Mil Léguas Submarinas, és o Euro 2004, és a Chain Reaction, és a Linda Reis, a Suzy Paula, és a Palmira Bastos, a Branca de Neve, a Fada Madrinha, a Bruxa Má, a Tolerância Zero, o Pontilhismo, a Ejaculação Precoce, a Puberdade, a Maria Callas, a Laika, o Osso Duro de Roer,o Espírito Santo, a Vogue Japonesa, a Readers Digest,os Gipsy Kings, o Pentateuco, a Esparregata, o Buraco Negro, a Banha da Cobra, o Rodízio, a Dança do Ventre, a Rua da Amargura, a Santíssima Trindade, a Homeopatia, a Pornografia, a Nova Dramaturgia, a Catalepsia, a Astrologia, a Bolacha Maria e a Mitomania. És Filho de Uma Rosa de Um Cravo Nascido.

ÉS A MINHA REAL GANA.

EU SOU UM MEGAFONE.


no comments

Saturday, January 29, 2005

say no to missile. missile people do not rule (kick them out of your life)

"so you came like a missile
falling on my head
with a black sky
you think you're giving
but
you're taking my life away

then you came with your breezeblocks
smashing up my face like a bus-stop
you think you're giving
but
you're taking my life away

like the drunk you conviced was sober
you keep me falling over
you think you're giving
but
you're taking my life away

with your best of intentions
you try to give an ocean directions
you yhink you're giving
but
you're taking my life away

so you came like a missile
leaving me the whole world in exile
you think you're giving
but
you're taking my life away

like the drunk you convinced was sober
you keep me falling over
you think you're giving
but
you're taking my life away
you think you're giving
but
you're taking my life away"


uma canção linda de um senhor chamado Chris Corner (um génio da música contemporânea) incluído no recente, e excelente, álbum "Kiss+Swallow" que marca a sua estreia a solo, no projecto intitulado IAMX

Tuesday, January 25, 2005

fénix

sim, é verdade, todos somos fénix tantas vezes renascida das cinzas. sim, é verdade, tens razão. e agora? ficamos em quê? ficamos onde? ficamos porquê? ficamos para quem? ficamos?
fala-me das tuas cinzas! descreve-me o seu odor, a sua gradação cromática, o seu peso e a sua espessura. acreditas que as tuas cinzas têm um peso diferente das minhas cinzas? acreditas! fala-me dessa diferença. como é que a sentes? é verdade, costumas sentir as tuas próprias cinzas? costumas guardar as tuas
próprias cinzas? costumas inalar as tuas próprias cinzas? costumas gostar das tuas próprias cinzas? não? não me digas que não. não não é resposta. não é o princípio do fogo.
preferes falar do fogo, é isso? queres falar, então, do fogo? vossa senhoria prefere o fogo! pois muito bem, falemos do fogo.
já alguma vez tiveste tanto medo de ti ao ponto de permitires que a tua sede de paz suplante a tua própria vontade? já alguma vez te questionaste sobre a tua necessidade de inventar paisagens, atrozes ou não, para poder ter algum lugar onde situar os olhos? já alguma vez tentaste perceber onde começa e acaba a tua voz? já alguma vez quiseste ser cego, surdo e mudo e viver apenas confinado ao teu próprio pensamento? já alguma vez ponderaste a possibilidade de te alimentares apenas da tua própria saliva? pois... sim
sabes nada do fogo
como queres tu contabilizar cinzas se ainda não aprendeste o valor da boca?
quando aprenderes a deslizar pela vida serás forçado a embater na tua própria boca. serás forçado a engolir-te a ti mesmo, de uma só vez, sem respirar. para não partires os teus próprios ossos. irás ficar alojado, inerte, sereno, hibernado, incapaz no teu próprio estômago. irás ficar imóvel durante quase dez meses. irás pontapear-te por dentro. irás sentir o prazer da fome. então, o teu segundo estômago, o interior, tornar-se-á feroz. irás sentir a fúria da fome, da lazeira, da míngua, da subnutrição. e começarás a comer-te, de dentro para fora. irás devorar sofregamente as tuas próprias vísceras, roer os teus próprios ossos, sorver o teu próprio sangue, apreciar a tua própria saliva. e quando morderes os teus próprios miolos vais aprender a ter boca.
vais saber tudo do fogo, vais saber nada da paz.

Monday, January 17, 2005

work in progress (mais um passo depois de mais um passo)

Depois de ter chorado, Ela, sentiu necessidade de chorar ainda mais. Uma necessidade não cerebral mas corpórea, uma necessidade epidérmica. Deteve-se nua diante do grande espelho do quarto de hotel e fitou o seu corpo indefeso, prostrado perante o seu próprio olhar. Estudou a sua própria nudez, como se esta não lhe pertencesse. E as lágrimas não surgiram. Focou e desfocou o olhar algumas vezes, tentando tornar a sua figura uma entidade abstracta e sem qualquer tipo de experiência, história, vida. As lágrimas voltaram a não surgir.
A necessidade de chorar tornou-se cada vez mais imperativa. Então, Ela, sentiu que a recordação seria a via pela qual o choro teria possibilidade de ocorrer. Apelou à memória da pele e os seus olhos adquiriram o brilho lubrificado do choro. A sua pele recordou o peso exacto das mãos dele, a extensão de cada um dos seus dedos, a duração de cada afago, a meticulosidade de cada carícia. Os seus mamilos enrijeceram-se e as lágrimas começaram a rolar-lhe pelo rosto abaixo. Concentrou-se no espaço, o pequeno vazio, que ficava entre as suas coxas. O espaço em branco tantas vezes preenchido pela língua quente e húmida dele e que parecia ter sido criado exactamente para esse fim. Recordou o início de um poema dele:
"Foi daí, das tuas coxas, que o sol saiu para que a minha língua tivesse um país onde reinar...".
O choro tornou-se compulsivo, feroz. Sentiu-se habitada, como se a memória tivesse a capacidade de ser um substituto da presença. Como se o choro fosse um processo alquímico capaz de converter o vazio em carne arrebatada. E sentiu-o. Sentiu o seu hálito quente e salgado a percorrer-lhe a nuca, sentiu o seu queixo mal barbeado a roçagar o seu pescoço. Sentiu as suas mãos vorazes a afastarem-lhe as nádegas. E parou de chorar. Caída no chão, nua, pequena, parou de chorar.
Ele deixou de ter vontade de falar e assim o fez. Sentiu a inutilidade a instalar-se na língua e cortou uma pequena porção da mesma, a ponta, com uma navalha. Acabara de instituir o silêncio na própria carne.

Saturday, January 15, 2005

hey jupiter


"hey jupiter, nothings been the same so are you gay? are you blue? thought we both could use a friend to run to. and i thought you'd see with me you wouldn't have to be something new" tori amos, in "hey jupiter" (included in "Boys For Pele")

Monday, January 10, 2005

work in progress (mais um passo)

Ele perdeu a heroína ao entrar num táxi. Ela hospedou-se no hotel favorito dele em Buenos Aires. Não conseguiu ficar com o quarto que sabia ser o mesmo que ele sempre reservara: o quarto 111. Foi-lhe atribuído o 112. Decidiu que enquanto não conseguisse deitar-se na cama onde ele o tinha feito tantas vezes não deixaria a Argentina. Adormeceu a relembrar-se da conversa que tinha tido com ele na segunda noite que tinham passado juntos. Dormiu ininterruptamente durante catorze horas.
Ele acordou sobressaltado, olhou para o relógio e viu que eram sete e trinta e oito. Lembrou-se que antes de adomecer, exausto, o relógio marcava as seis de doze. Tinha dormido apenas uma hora e vinte e seis minutos. Soube que não iria ser capaz de voltar a adormecer. Levantou-se, bebeu água no lavatório da casa de banho e deteve-se em frente ao espelho a observar os sinais de esgotamento que cresciam livremente no seu próprio rosto. Os olhos encheram-se-lhe de lágrimas e um violento vómito forçou-o a devolver ao lavatório toda a água que havia bebido. A vontade de chorar dissipou-se. Nasceu-lhe nesse instante a vontade de morrer.
Ela acordou confusa, voltou a sentir a ausência. O gosto a hortelã voltara a abandonar-lhe a boca. Chorou durante uma hora e vinte e seis minutos.

uma questão como qualquer outra


Onde está Onan?

you are welcome to Onan's room 1

é domingo à tarde, é Janeiro, e eu tremo ao obsevar uma imagem do planeta terra visto do espaço. nunca me tinha apercebido que eu também estou, tácito, nessa imagem. esta contextualização chocou-me.



no meu quarto a paciência tem um convénio eterno com o estar.
no meu quarto as horas são ecos das marteladas
que dou no meu próprio crânio, ao deitar e ao acordar.
no meu quarto eu crio os sintomas da minha própria presença,
e escrevo, e leio, e planeio com as palavras a cura
como se o pensamento fosse uma espécie de uma desconhecida doença.
no meu quarto faço viagens no tempo e invento as palavras que direi
quando conseguir ter um total domínio da minha própria expressão.
no meu quarto deixo o meu rosto em paz, não preciso dele, porque,
no meu quarto, as paredes são espelhos sem solução.
no meu quarto há um campo de batalha, muito antigo,
onde eu travo com o tempo uma guerra guerreira.
no meu quarto sou forçado a ver a vida como uma experiência,
que se quer plena e inteira.
no meu quarto a cama é um laboratório onde eu, com a epiderme,
testo os resultados e a ideia do amor.
no meu quarto abro e fecho a porta do mundo onde só eu sou rei e senhor.
no meu quarto amontoam-se memórias de conversas e retalhos dos hálitos
que pela minha boca passaram.
no meu quarto já convivo com os fantasmas daqueles que no meu quarto
ainda nem sequer entraram.

Sunday, January 09, 2005

uma nova paixão de Onan

"Tu foste em todas as formas um país que eu nunca vi"
António Variações


Estou apaixonado por esta frase. Confesso que também estou bastante enamorado pelo disco dos Humanos. Estou, sobretudo, fascinado com a beleza das interpretações do Camané. Os poemas inétidos do António Variações são como que um grito de uma obra que não queria morrer. Os Humanos deram-lhe a possibilidade da vida. Bem hajam.
Quero é viver

Vou viver
até quando eu não sei
me importa o que serei
quero é viver

amanhã
espero sempre um amanhã
e acredito que será
mais um prazer

e a vida
é sempre uma curiosidade
que me desperta com a idade
interessa-me o que está para vir

e a vida
em mim é sempre uma certeza
que nasce da minha riqueza
do meu prazer em descobrir
encontrar, renovar, vou fugir ao repetir
(a interpretação do Camané, nesta canção, é comovente)

Friday, January 07, 2005

o teu beijo


o teu beijo foi a metade do sol que ousou vir morrer ao céu da minha boca

Thursday, January 06, 2005

o rio semântico

trinta e três horas e trinta e três minutos de pouca luta. havias de ver os desenhos que fiz nas tuas costas. quando estiveres perto de um espelho, confirma se ainda lá estão. se estiverem telefona-me. sabes que atenderei. sabes que estarei à espera. tu conheces-me, sabes que eu sou sempre aquele que está sempre à espera. sabes de cor as minhas esperas. já viveste quase dentro do meu telefone.
há dias em que sou quase interventivo, audaz, nocivo, revolucionário. mas estamos em crise. e sabes que em tempos de crise não há revolução que sobreviva?! agora não. agora já não. esta crise é dessas. é dentro.
lembras-te dos tempos que antecederam a crise? lembras-te desses dias? os anos eram mesmo feitos de meses e os meses eram mesmo feitos de dias. nessa altura os dias eram dias. a luz era luz. o real era real. um beijo sabia a beijo, a pele a pele e a flor da idade era uma nação inteira a olhar-se mutuamente nos olhos.
ainda gostas de sorrir?
já não me recordo claramente do teu rosto. sei que é um rosto não comum. sei que é um rosto que combina na perfeição com a tua pessoa. o teu rosto é a assinatura digna e eficaz da tua própria existência. é um rosto demorado e luminoso. recordo-me do cheiro. sim, recordo-me com grande exactidão do cheiro do teu rosto. agora a imagem, essa começa a tornar-se difusa.
sabes que eu não choro? sabes, sim, tu sabes. há cerca de uma hora aconteceu-me uma vontade estrondosa de chorar. como se dentro de mim houvesse um sítio que se assumisse como uma foz, um afluente, um caudal de todas a lágrimas que estou incapacitado de verter. falo-te disto porque enquanto te escrevo este telegrama sinto um alívio próximo do choro. sinto que estou a desaguar. é como se as palavras fossem gotas de água, como se escorressem para fora de mim.
este telegrama não é um telegrama; é uma convulsão. é a pequena revolução que me é permitida neste tempo de crise. é uma guerra que eu travo contra uma coisa que sei exactamente o que é mas que tenho muito pudor em ta nomear. é grito de água que corre para ti. é um rio semântico.
voltei a lembrar-me da exacta imagem do teu rosto. tens cara de mar!

Tuesday, January 04, 2005

um poema da gaveta de Onan (a questão cada vez está mais viva)


Platão
Burroughs
Cesariny
Kierkegaard

A fragmentação do pensamento e as ideias que consumo
martelam-me a cabeça toda a tarde.


Hegel
Ronan
Highsmith
Kant

Tenho a barriga inchada, a família na ignorância, pés de porco, trombas de elefante.

Nin
Pessoa
Melville
Natália Correia

Se eu fosse um escantilhão tu serias o nome de uma odisseia.

Barthes
Cossery
Hesse
Marc Chagall

Ainda em mim sinto embaraço por não haver um Pai Natal.

Fassbinder
Neto Jorge
Sade
Gomes Ferreira

Quando a cabeça não pára afogo os cornos na banheira.

Baudelaire
Kristof
Bataille
Yourcenar

Mas afinal quando é que eu cresço e ganho dinheiro a pensar?

Friday, December 31, 2004

a lição que 2004 deu a Onan/ medidas para o futuro de Onan

Escrevi isto há mais de seis meses. Hoje parece-me muito acertada a sua publicação.

2004
Ainda é 25 de Junho
Este dia ainda acontece, ainda tenho quarenta e cinco minutos deste dia.
Quero, nos minutos que me restam deste dia, afirmar de mim para mim:


  • Não quero mais gente psicótica à minha volta
  • Não quero mais mulheres psicóticas perto de mim (eu nem consumo o género, muito menos psicóticas)
  • Não quero mais saraus cocaímanos, acabou-se (pelo menos de forma corrente)
  • Não quero mais bebedeiras gratuitas, tenho de aprender a divertir-me sem beber em excesso
  • Nao quero mais entrar em relações ambíguas com quem quer que seja
  • Não quero mais partilhar a minha vida com pessoas que não respeitem a minha liberdade, a minha necessidade de recolhimento e individualidade
  • Não quero voltar a estar em contacto com pessoas mesquinhas, frustradas e hipócritas
  • Não quero mais esbanjar o dinheiro, que me custa tanto a ganhar, em futilidades e decadência
  • Não quero mais voltar a ser ingénuo e comodista em relação a situações dúbias que me possam prejudicar
  • Não quero mais viver no caos e alienado da realidade
  • Não quero mais viver perto de pessoas que têm a chantagem, o suborno, a mentira e a manipulação como conduta
  • Não quero mais estar perto de pessoas que pensem que têm o direito de organizar, comandar, manipular e alterar a minha vida
  • Não quero mais estar perto de pessoas fascinadas, deslumbradas e obcecadas com a minha pesoa
  • Não quero mais estar perto de pessoas que me façam mal, que me perturbem e que me instabilizem
  • Não quero mais estar perto de pessoas que vivam da auto e heterocomiseração (tentarei também aniquilar tais dispositivos em mim)
  • Não quero mais estar mal comigo devido à absorção, muitas vezes forçada, da paranóia e psicose alheias
  • Não quero mais estar perto de pessoas que pensam que têm de cuidar de mim porque eu não o sei fazer sozinho (p’ró caralho; olhem bem para vocês e arranjem uma vida que não a minha)
  • Não quero mais estar perto de pessoas que não suportam estar sozinhas
  • Não quero mais estar perto de pessoas que abominam o silêncio
  • Não quero mais estar perto de pessoas vazias, amargas, profanadoras, cobardes, mentirosas, ressabiadas, mentalmente doentes, mal amadas, mal fodidas e sobretudo mal paridas.


    Onan dixit

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O meu pressentimento é que 2005 será um ano azul turquesa.

Venha ele!!!

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Wednesday, December 29, 2004

um work in progress (ainda muito em progress)

Quando ela lhe disse adeus para sempre, mesmo no fim do inverno, ele deitou a língua de fora; desceu as escadas a correr e saiu a assobiar. Abrandou a marcha no fim da rua e acendou o último cigarro que tinha.
Ela fechou-se na casa de banho, pôs os pés dentro de água a ferver e sentiu nascer-lhe, de novo, na boca um gosto a hortelã. Voltou a sentir-se viva.
Ele foi para casa escrever, ela telefonou para o aeroporto. Escureu nesse instante.
Ela aterrou em Buenos Aires. Ele acordou às seis da tarde. Já era noite, havia três dias que não via a luz do sol. Bem no fundo de si, não nascia qualquer tipo de ressentimento, crescia a pena. Sentiu uma tremenda pena. Pena, pena - pensava ele- uma sensação diferente de um lamento. Uma sensação mais redonda. Tão redonda como a própria palavra. Até o som da palavra lhe parecia redondo.
Era a primeira vez que ela se deslocava a Buenos Aires. Prometeu a si mesma que seria também a última. Nunca havia tido qualquer tipo de interesse pela cidade em questão. Buenos Aires era, sempre havia sido e sempre haveria de ser, a cidade preferida dele. Ele sempre desejou revisitá-la com ela. Ela sempre sentiu que isso jamais iria acontecer.
Ela comprou uns sapatos em Buenos Aires. Ele comprou heroína em Lisboa.
Desenvolver:
nele
  • a semântica do amor
  • o amor como linguagem que se nasce entre os amantes
  • porquê uma linguagem?
  • dar exemplos dos códigos
  • o fim do amor como o ínicio da morte dessa semântica
  • a linguagem desterrada

nela

  • ainda não sei

Friday, December 24, 2004

gostos e desgostos de Onan

Gosto destes dia de frio e sol/ não gosto de transpirar
Gosto de acordar tarde/ não gosto (abomino) trabalhar para outrém
Gosto de viver em Lisboa/ não gosto de sentir esta necessidade violenta de emigrar
Gosto de blind dates/ não gosto de pessoas sem expediente
Gosto de escrever desta forma/não gosto de não conseguir escrever canções em português
Gosto de me fazer de parvo/ não gosto das pessoas que não sabem fazer-se de parvas (irritam-me)
Gosto de estar em casa do Miguel Andrade/ não gosto que apareça lá a polícia para nos cortar o barato
Gosto que a Sandra me corte o cabelo/ não gosto das minhas entradas
Gosto de fumar/ não gosto de ter vontade de pôr os pulmões a limpar na 5 à Sec
Gosto de restaurantes/ não gosto de engordar (sobretudo se for mais 15 kilos)
Gosto de baralhar algumas pessoas/ não gosto de mentes planas
Gosto de fazer teatro/ não gosto de estar sempre na penúria
Gosto de gostar das pessoas de quem gosto/ não gosto de faltas de raccord de sentimentos
Gosto de esperar por um milagre/ não gosto de ter vontade de desistir
Gosto de acreditar em mim/ não gosto de não ser mais oportunista
Gosto de conversar e ver telenovelas com a Rosa/ não gosto que ela não goste de incenso
Gosto de flirtar/ não gosto de não fixar os nomes de alguns intelocutores carnais logo à primeira
Gosto de amar os meus amigos/ não gosto disto que estou a escrever, não faz justiça a coisa alguma

Não gosto do Natal mas sei que vou gostar quando for rico. Ao fim e ao cabo é disso que se trata, certo?

"NATAL É QUANDO UM HOMEM QUISER"

Eu quero o Natal da vida, já!!!


Tuesday, December 21, 2004

"E a saudade é uma espera
É uma aflição
Se é Primavera
É um fim de Outono
Um tempo morno
É quase Verão
Em pleno Inverno
É um abandono"

Excerto de "Porque não me vês", de Fausto Bordalo Dias

Estou há dezenas de meses, mas de duas dezenas, a fugir de uma depressão. Ela tem andado, qual sombra impertinente, colada à minha pessoa; tenha-a ignorado. Não lhe tenho dado a devida atenção. Tenho preferido, se é que o termo se pode aplicar, dar prioridade a distúrbios de outra ordem. Distúrbios mais dinâmicos. A depressão tem estado renegada para a condição de estado desinteressante, fastidioso, bolorento e secundário com que um dia, longínquo, me haveria de ocupar. Mas eis que a dita é caprichosa e parece aqui estar. Veio sorrateira, lenta, sem alarido. E agora...

estou muito cansado, vou dormir

O lugar comum dos lugares comuns: APETECE-ME DORMIR PARA SEMPRE!!!

Era só mesmo o que me faltava: estar na maior das penúrias e com um surto de spleen.

MECENAS TOTALMENTE FILANTROPO PRECISA-SE (PARA ONTEM)
EU PROMETO QUE CRIO; OH, SE CRIO!
Vai ser sempre a criar, 24 horas por dia!!!!!!!!!!!




Sunday, December 19, 2004


Este gato tinha a capacidade de ser um espelho da minha pessoa. A nossa relação era conturbada, mas era a nossa relação. Ele deixou-me. Nos últimos dias tenho sentido muito a sua falta. Creio que amava mesmo o raio do gato/espelho.

Sem Título

Descreve-me como aquele que tem o fascínio lento pelas multidões e cujas plantas dos pés são feitas de vidro fosco.

Brinda-me como aquele que coseu a boca por dentro e escondeu o coração por detrás das pálpebras.

Retrata-me como aquele que sorri enquanto dorme e armazena sirenes que não existem para poder encarar o sono de frente.

Ri-me como aquele que apenas vive dentro de si e que descobre sempre em todas as palavras o sentido contrário do mundo.

Espalha-me como aquele que saliniza beijos no ar e que encontra na diáspora uma fuga perpétua para o próprio tédio.

Soma-me como aquele que ruge em cada manhã e volta sempre a cair nessa letal ideia do fim do dia.

Convoca-me como aquele que verbaliza dispersões, sussurra com a voz que calha e sedimenta alegorias.

Realiza-me como aquele tropeça dentro das próprias quedas e que ritualiza a neura como se de arte se tratasse.

Publicita-me como aquele que ainda não inventou a capacidade de se desinventar.

Friday, December 17, 2004

Uno Tenore

Eu vou deixar de pensar, eu sei que há-de haver um dia em que eu vou deixar de pensar. Sinto-lhe o gosto, ao longe; o gosto desse dia. Um gosto de nada, um gosto acólito do vazio, um gosto sem gosto. O gosto perene da paz.

Se olhares bem fundo, really deep, profunda e meticulosamente, nos meus olhos, hás-de de ver, reflectida, a imagem do teu próprio rosto. Eu sou assim: um pouco de nada com alma/vontade de tudo. Desta vez fui feito para não sentir. Verdade seja escrita, eu já fui feito muitas vezes. Já fui feito muitas e diversas vezes, para muitos e diversos fins, de muitas e diversas formas. Já fui feito para não ver; e descobri-te. Já fui feito para não falar; e percorri-te. Já fui feito para não querer; e consumi-te. Já fui feito para não morrer; e morri-te.

O meu corpo é um armazém sonoro. Sou uma caixa de ressonância sem método; porque tudo vibra à minha passagem e mesmo antes e depois de ela se dar. Porque a minha passagem não é da ordem da ocorrência. A minha passagem é um anti-fenómeno. A minha passagem será sempre do porvir.
Não sei ressonar porque não aprendi a soar. Eu não fui feito para sentir, creio que já to referi, e quem não sente não soa. E quem não soa não ocorre. E quem não ocorre nunca nasce. Ninguém nasce quando não morre. Tenho de aprender a morrer!

Tenho sempre muita música dentro da cebeça. Preciso de preencher os meus dias com as melodias dos outros, porque eu fui feito para não sentir. Correcção: Desta vez fui feito para não sentir. Já houve vezes em que fui feito apenas para sentir. E posso garantir-te, nessas vezes senti muito. Nessas vezes senti desmesuradamente.

Sempre tive uma excelsa memória, sempre. Lembro-me de ter sido artilhado de uma assinalável memória, em todas as vezes que fui feito. Nunca fui feito para recordar. Fui sempre feito apenas para lembrar. É por isso que não morro. Lembro-me de sentir e de me lembrar de sentir. Mas perdi o lastro nessa diferença. Lembro-me de ti mas não me recordo do teu rosto. Morri-te na lembrança.

"A recordação tem por fim evitar as soluções de continuidade na vida humana e dar ao homem a certeza de que a sua passagem pela terra efectua uno tenore, num só traço, num soporo, e pode exprimir-se na unidade. Assim se liberta ela da necessidade em que a língua se encontra de repassar incessantemente pelas mesmas tagarelices, para reproduzir aquelas de que a vida se encontra repleta. A condição da imortalidade do homem é que a vida dele decorra uno tenore."
Soren Kierkegaard, in 'O Banquete'

Thursday, December 16, 2004

Splinter number 4

Que é o amor, senão a casa de um novo idioma?

Splinter number 3

Elipse:
uma intervalo de muitos meses no inferno;
adormeci com uma folha em branco e acordei com o fantasma de uma nova língua.

Wednesday, December 15, 2004


"o bobo e a estrela", um desenho bobo de Onan

Splinter number 2

é fundamental que eu aprenda a pensar aqui;
eu penso sempre aí e perde-se muita verdade no regresso.

Tuesday, December 14, 2004

Privado do Ócio, Onan pensa em Cossery

"Para ele, não havia sítios especiais para a felicidade."
"Todos os países tinham o seu contingente especial de imbecis, de sacanas e de putas. Era preciso ser um débil mental para acreditar que se passavam coisas especiais noutros lados. A única diversidade era a da linguagem e a única novidade era que os mesmos imbecis, sacanas e putas se exprimiam noutra língua diferente."
"Enquanto viveres entre os homens, sempre te oferecerão o espectáculo dos seus apetites sórdidos e da sua estupidez. Trata-se de uma comédia eterna, supremamente agradável aos olhos de um observador lúcido. E é o mesmo em toda a parte."
"Ouso ainda afirmar que só as pessoas com lazeres podem aceder a uma forma de pensamento verdadeiramente civilizada."
"são precisos ócios para aguçar o sentido crítico e elaborar um ideal"
"Sentia-se privada da presença de um inimigo seguro,"
"Olha, vou comprar um deboche de fazer tremer a terra."
"Seja qual for o modo com que colabores nesta porcaria de mundo, e por mais ínfimo que seja o trabalho que fazes, és sempre traidor a alguém. Vivemos numa sociedade alicerçada na traição."
"Todos os homens são palhaços. Palhaços sanguinários, mas sempre palhaços."
Albert Cossery, "Uma Conjura de Saltimbancos"
Obrigado Féfé (Fernanda Cardoso) por me teres apresentado, há quase dois anos, este GRANDE senhor do Ócio. Um abraço profundo, gosto muito de ti.

"Harlequin"


A propósito de palhaços - "Harlequin", foto de Gabriela Delosso

Onan recomenda


"kiss+swallow" de IAMX ("...you're the christmas promising the summer", in "Simple Girl")

Monday, December 13, 2004


What about some Onanism?

Splinter number 1

Dá-se em mim uma frissão catalúpica quando invento palavras para ti.


Friday, December 10, 2004

o inferno e Onan

"O inferno é um lugar diferente para cada homem, e cada homem tem o seu próprio inferno."
Anaïs Nin
O inferno sou eu, por dentro e por fora: verborreia, castings, anal...gésicos, litros de Ballantines, Bairro Alto, jantar aqui/jantar ali, dormir aqui/dormir ali, dormir com este/acordar com aquela, horas e horas no Majong, ensaiar de manhã à noite, dançar, dançar muito, dançar durante semanas a fio, milhares de cigarros, estar com os meus queridos e preciosos amigos, saudades da mamã, quatro táxis por dia, gastar dinheiro estupidamente, ficar teso, penúria, depressão, algum dia mato-me.
Jovens irritantes, milhares de jovens irritantes, egoísmo, odiar mentiras e cobardia, olhar nos olhos, óculos escuros sempre para poder olhar para tudo e todos sem me denunciar, eu, eu, eu, sempre eu, estou farto de mim, gosto tanto de mim, o amor que vai, o amor que não vem, o amor que vai e vem, a droga do amor, não tenho paciência para o amor, não consigo viver sem amor, mais um pouco de droga do amor, por favor!
Preguicite aguda, preguicite crónica, preguicite mórbida, tenho de escrever, não consigo escrever, não gosto de trabalhar mas adoro ter ideias, amo o teatro incondicionalmente, estou farto de tudo e de todos, cocaína a rodos, a culpa, a culpa, a culpa, estou perdido, estamos todos perdidos, mas afinal quem é que não está perdido?
Engates de uma noite, engates de duas noites, engates de três noites, sms, coisas que se dizem e não se sentem, paixonetas, infatueted moods, ser actor é uma luta todos os dias, estou farto de ser actor mas não consigo ser mais nada, quando for grande quero ser... Feliz, pastilhas, mdma, Kremlin, quatro meses de paranóia, uma pessoa como eu não se pode drogar desta maneira, quero sair deste país, Lisboa é uma aldeia e o resto é paródia rural e litoral. Gosto do Porto mas ele fez-me mal, eu já disse que sou o inferno, não disse? Boys R Us, já não sou uma criança, ódio, descobri o valor do ódio, nunca te hei-de perdoar, há coisas que se perpetuam, estou farto destes fantasmas, estou cansado, vou estar outra vez muitos meses a dormir pouco, tenho a mania que sou especial, odeio a palavra especial, já disse mas repito-o: NUNCA TE HEI-DE PERDOAR.
Praia das Angeiras, 25 euros de táxi, a melhor e mais cara foda mais cara da minha vida, “tu és n inteligente”. Ah! Ah! Ah! Deixa-me rir. Gosto de me armar em diva e depois apanho com estes filmes: 36 anos, 30 anos, 22 anos, 36 anos outra vez, 19 anos, 28 anos, 23 anos, 25 anos, todos diferentes todos iguais, “Oh god, you're so beautiful, i love your eyes!”, “tens qualquer coisa de mefistofélico”, “me encantas, mi amor”, “tu és n inteligente”, blá, blá, blá, e a felicidade onde está? Para me abordar pregou-me uma rasteira e eu apaixonei-me imediatamente.
Beber, drogar, jantar fora, foder, dizer adeus, “afinal como é que te chamas?”. Andar em carros, ouvir música nos carros, cantar nos carros, fumar charros nos carros, namorar nos carros, estive quatro meses a ressacar de uma pastilha que tomei no Kremlin, a puta da paranóia, por pouco não me atirei do 5º andar. Não conseguia sair à rua, não suportava o ruído das palmas no teatro, queria ser invisível mas não consegui, tornei-me visivel em todo o lado: Finalmente, Moínho de Vento, Trumps, Pink Flamingo, Boys R Us, Royal, Pasapoga. Andámos de mãos dadas na Gran Via e eu senti-me livre como nunca, o meu gato é mau porque sofre por minha causa, uma pessoa como eu nunca deveria ter um animal de estimação, “Ó lindinho, tu e o teu gato são iguais, já reparaste?”, ja, grande novidade, por isso é que temos uma relação de amor-ódio. Em Marrakesh fui o ser mais feliz ao cimo da terra! Anvitol, Seroxat, Sedoxil, Cymerion. Quando tudo acabou entre nós estive mais de uma semana sem dormir, agora durmo doze horas por noite, se não fossem alguns dos meus amigos eu não sei o que seria de mim. Quando estive a bater mal da cabeça fugi de toda a gente. Confusão total e insuportável, os piores meses da minha vida, e eu que até estava convencido que me sentia feliz. Mas porque é que eu tomei a merda daquela pastilha? Às vezes não sinto nada, nem sequer o vazio. Tori Amos, Brian Molko, Madonna, Jeff Buckley, Ney Matogrosso, Chris Corner, Laurie Anderson, Paul Draper são eles quem sente por mim. Nomes, carreiras, cores, palavras, muitas palavras, adoro palavras, apaixono-me por palavras, música, muita música, amo tanto a música como a própria vida, acho que gosto até mais de música. Estes dois últimos anos passaram a correr, tenho quase trinta anos e ainda me comporto como um adolescente. O futuro ainda não existe e o passado tem de passar a ter uma importância relativa. Mas afinal quando é que meto isto na cabeça? Sinto que estou a melhorar, ainda não foi desta que fritei de vez. Droga do amor, o caralho!!!
Vês como é fácil debitar incongruências? Vês como é desgastante inventar verdades?
(este texto está incluído no espectáculo Sickcom. a azulamavermelho vai efectuar uma reposição do mesmo em fevereiro, no auditório orlando ribeiro em lisboa)

lamp (praia das angeiras)


when hell started i was looking at this. minutes later, i came. it was a hell of a screw.

Monday, December 06, 2004

The End Of Chemistry

one thousand times you've made laugh
one thousand times i've made you cry
one thousand times you gave me reasons to fight and live,
when i wanted to die

one thousand times you've cooked me breakfast
one thousand times i've seen you sleep
one thousand times you've called me sweet love
one thousand times i've called you a creep

one thousand times i've called you a creep

one thousand times we were so perfect
one thousand times we've had a fight
one thousand times our love was this picture;
i've tainted black where you've painted white

one thousand times we were in a game
one thousand times you've let me win
one thousand times you've washed my body
your sweet saliva kept me clean

feelings were left here to stay
feelings remain in my memory
i still wake up with your ghost everyday
i've been unable to face the end of chemistry

the chemistry between you and me

one thousand times we were this novel
where no one is ever bright
one thousand times i said i was wrong
but deep inside i knew i was right

one thousand times we were abusers
one thousand times we were so keen
one thousand times you were ideal
one thousand times i've had the spleen

feelings where left here to stay
feelings remain in my memory
i still wake up with your ghost everyday
i've been unable to face the end of chemistry

(letra de Onan para tema da banda Nude)