Friday, March 04, 2005
o demónio anoiteceu aqui
on my way up north up on the ventura
i pulled back the hood
and i was talking to you
and i knew then it would be a life long thing
but i didn't know that we
we could break a silver lining
and i'm so sad
like a good book
i can't put this day back
a sorta fairytale with you
a sorta fairytale with you
things you said that day
up on the 101 the girl had come undone
i tried to downplay it with a bet about us
you said that-you'd take it as long as i could
i could not erase it
and i'm so sad
like a good book
i can't put this day back
a sorta fairytale with you
a sorta fairytalewith you
and i ride along side
and i rode along side you then
and i rode along side
till you lost me there in the open road
and i rode along side
till the honey spread itself so thin
for me to break your bread
for me to take your word
i had to steal it
and i'm so sad
like a good book
i can't put this day back
a sorta fairytale with you
a sorta fairytale with you
i could pick back up whenever i feel
down new mexico way
something about the open road
i knew that he was looking for some indian blood
and find a little in you
find a little in me
we may be on this road
but
we're just impostors in this country
you know so we go along
and we said we'd fake it
feel better with oliver stone
till i almost smacked him -seemed right that night
and i don't know what takes hold out there in the desert cold
these guys think they must try and just get over on us
and i'm so sad
like a good book
i can't put this day back
a sorta fairytale with you
a sorta fairytale with you
and i was ridin' by
ridin' along side for a while
till you lost me
and i was ridin' by
ridin' along till you lost me
till you lost me in the rearview
you lost me
i said way up north
i took my day
all in all was a pretty nice day
and i put the hood right back where
you could taste heaven perfectly
feel out the summer breeze
didn't know when we'd be back
and i didn't think we'd end up like
like this
"Arte Pura de Onan" 1ª Exposição Fotográfica Individual do Demónio
Série de 5 Fotografias Digitais
Materiais:
- Demónio
- Telefone Nokia 3650
- T-shirt Vermelha Puma
- Esperma
Espaço:
- Quarto do Demónio
Data:
- Janeiro de 2005
Técnica:
- Mista (masturbação, olhar e tempo)
hoje o demónio vive aqui
Shine the headlight
Straight into my eyes
Like the roadkill
I'm paralysed
You see through my disguise
At the drive-in
Double feature
Pull the leaver
Break the fever
And say the last good-bye
Since I was born I started to decay
Now nothing ever ever goes my way
One fluid gesture
Like stepping back in time
Trapped in amber
Petrified and still not satisfied
Airs and social graces
Elocution so divine
I'll stick to my needle
And my favourite waste of time
Both spineless and sublime
Since I was born I started to decay
Now nothing ever ever goes my way
................................................................................
tu és em todas as formas um país que eu quero ver, mais
Thursday, March 03, 2005
us 5 ou me in us 1
Tuesday, March 01, 2005
us 4
pensei-o mas não to disse; tive medo de parecer patético, lamechas, ritualista, melífluo, mimado.
tu resolveste tudo e mostraste-me que o medo do ridículo, no amplexo, se torna o cúmulo do ridículo.
resolveste tudo e resolveste-me tudo.
tão simples; tu: sem medo, sem ridículo, sem hesitação.
com uma simples frase rasgaste-me o céu que teimava não descarregar.
e passo a citar-te:
"faz hoje uma semana que demos o nosso primeiro beijo"
as flores não são apenas inventadas por mim; descobri-o contigo durante estes dois dias.
durante estes dois dias em que o relógio não parou mas em que minha arte não deixou de te fazer rir, fora e dentro da minha cama.
descobri a tua arte: és o génio das frases simples.
e a tua arte faz-me rir (de mim).
espero-te hoje, à porta do meu quarto.
venham as flores, sejamos depois frutos já.
Thursday, February 24, 2005
us 3
passo a citar-te:
"para adormeceres, lembra-te do som dos nossos beijos"
eu lembrei-me e adormeci.
o relógio na pára e os nossos beijos são música que embala.
us 2
fui-te abrindo aos poucos a porta do meu quarto,
mas ainda não te entreguei as flores que prometi inventar
expressamente para ti.
já estão inventadas mas ainda não se sentem flores.
talvez seja porque o relógio não tem parado e porque
a minha arte, pelos vistos, não tem deixado de te divertir.
há muito tempo que o meu diário te esperava.
agora que chegaste, deixa-me celebrar-te.
deixa-me desenhar-te.
deixa-me cantar-te.
deixa-me rimar-te,
para que as flores possam chover em silêncio e verdade,
dentro da água das nossas bocas.
Monday, February 21, 2005
us
Primeiro beijo.
Saí do carro a correr.
Tremi.
Adoro capicuas.
Ai, ai. A espada e a parede.
Adormeci ao tentar reviver, sem sucesso, o momento.
Amanhã é agora mesmo, quem me dera que não me deixes fugir.
Friday, February 18, 2005
um auto epitáfio em vida (a partir de Sinead)
Thank you for hearing me
Thank you for hearing me
Thank you for hearing me
Thank you for hearing me
Thank you for loving me
Thank you for loving me
Thank you for loving me
Thank you for loving me
Thank you for seeing me
Thank you for seeing me
Thank you for seeing me
Thank you for seeing me
And for not leaving me
And for not leaving me
And for not leaving me
And for not leaving me
Thank you for staying with me
Thank you for staying with me
Thank you for staying with me
Thank you for staying with me
Thanks for not hurting me
Thanks for not hurting me
Thanks for not hurting me
Thanks for not hurting me
You are gentle with me
You are gentle with me
You are gentle with me
You are gentle with me
Thanks for silence with me
Thanks for silence with me
Thanks for silence with me
Thanks for silence with me
Thank you for holding me
And saying "I could be"
Thank you for saying "Baby"
Thank you for holding me
Thank you for helping me
Thank you for helping me
Thank you for helping me
Thank you, thank you for helping me
Thank you for breaking my heart
Thank you for tearing me apart
Now I've a strong, strong heart
Thank you for breaking my heart
Obrigado aos que me ouviram, e ainda ouvem
Obrigado aos que me amaram, e ainda amam
Obrigado aos que me viram, por dentro e por fora
Obrigado aos que nunca me deixaram
Obrigado aos que ficaram comigo: os que permaneceram
Obrigado aos que não me magoaram
Obrigado aos que foram gentis comigo, e que continuam a sê-lo
Obrigado aos que partilharam comigo o precioso silêncio
Obrigado aos que me abraçaram e me disseram que eu sou capaz
Obrigado aos que me sussurraram carinhos ao ouvido, e de novo me abraçaram
Obrigado aos que me ajudaram
Obrigado aos que me destroçaram o coração
Obrigado aos que me deram motivos para chorar
Obrigado aos que me endureceram o coração
Obrigado aos que me deram história de vida
Obrigado, foram, e são, muito úteis!
Wednesday, February 16, 2005
o demónio/artista/amante melhor ou a arte de inventar 5 sonhos
Os Teus 5 Principais Sonhos
- Tu não gostas do calor e sonhas viver num glaciar: eu sou um cubo de gelo em franca expansão.
- Tu tens medo da luz e sonhas isolar-te num deserto de escuridão: eu chamo-me Anã Negra e sou uma estrela extinta.
- Tu não gostas de acordar e sonhas nunca sair da cama: eu sou a lei da gravidade.
- Tu não precisas de viajar e sonhas com países que não vais conhecer: eu sou o Atlas do Mundo.
- Tu não queres sofrer de amor e sonhas não ter coração: eu sou o enfarte agudo do teu miocárdio.
Vamos ver se te adaptas a estes cinco sonhos. Se a experiência for frutífera outra série de cinco se seguirá, e assim consecutivamente. Se a experiência não se revelar interessante passas a ser mais um esboço no meu quarto. A arte tem destes riscos: nem sempre se acerta logo à primeira.
Agora que és livre, sonha. Eu vou inventar pesadelos para mim.
Quando acordarmos de vez quero abraçar-te com força e silêncio. E quero ouvir-te dizer:
"A TUA ARTE DIVERTE-ME E O RELÓGIO NÃO PÁRA!"
Saturday, February 12, 2005
Thursday, February 10, 2005
Sickcom em Lisboa
SICKCOM is back.
Estreia hoje, às 22 horas no Auditório da Biblioteca Orlando Ribeiro em Telheiras.
Apareçam.
Em breve, quando tiver mais tempo, serei mais pormenorizado no posting de textos e imagens do espectáculo.
Estaremos em cena até 20 de Fevereio (5ª a Sábado às 22h e Domingos às 18h).
Reservas: 96 33 55 078/ 93 283 65 40/ 96 294 54 52
Aqui fica um teaser:
O Génio
Eu sou o génio, ninguém acredita
Eu sou o génio, ninguém dá a mão
Divorciado de uma mentira
Atropelado por um chavão
Eu sou o génio da palavra
Eu sou o génio da composição
Percorro o mar numa garrafa
Mutilado num pulmão
Eu sou o génio da poesia
Eu sou o génio da instalação
Alimentado a aletria
Apaixonado por um neutrão
Eu sou o génio da Escandinávia
Eu sou o génio do Japão
Eu sou o trolha da Moldávia
Eu sou o novo monstro papão
Eu sou o génio da literatura
Eu sou o génio da televisão
Fui condenado à candidatura
Absolvido na inscrição
Eu sou o génio do palco
Eu sou o génio da exposição
Nas narinas tenho pó de talco
Faço amizades no meu colchão
Eus sou o génio do teatro-dança
Eu sou o génio da canção
Eu sou o porco para a matança
A ocasião que faz o ladrão
(este é o poema que protagoniza um singular momento de paródia musical em SICKCOM)
Monday, February 07, 2005
Saturday, February 05, 2005
Ó vento, volta p'ra trás!
tento,
com temor e alento,
recordar o momento em que o vento me levou.
Thursday, February 03, 2005
auto re trato
Onan tinha, e tem, acessos súbitos de desdém
Onan anda, e andava, a nadar num oceano de lava
Onan andava, e anda, a berrar os traumas numa banda
Onan vê, e via, fugir-lhe tudo o que queria
Onan via, e vê, toda a merda na TV
Onan come, e comia, caldeiradas de melancolia
Onan comia, e come, o significado lato da fome
Onan descobre, e descobria, segredos que o seu amor lhe escondia
Onan descobria, e descobre, que o amor nem sempre é nobre
Onan escreve, e escrevia, poemas para os meninos estudarem um dia
Onan escrevia, e escreve, o diário de uma língua em greve
Onan sente, e sentia, que a nada leva a apatia
Onan sentia, e sente, que o sucesso é metatangente
Onan quer, e queria, ser argonauta na poesia
Onan queria, e quer, o que isto der e vier
Sunday, January 30, 2005
S.O.S.
Este Demónio, como alguns de vós devem saber, é muito parco no que respeita a recursos do conhecimento informático. É um verdadeiro nabo informático. Diga-se de passagem, a paciência para os adquirir não é muita. O tempo disponível também não.
O Demónio pretende enriquecer este diário e para tal precisa de ajuda. Assim, se algum de vós possui conhecimentos de blogspot que lhe possam ser úteis, não se iniba em os demonstrar.
O Demónio prentende efectuar improvements tão elementares quanto:
- Editar a sua lista de links (já tentou mas ó resultado é que está à vista: nenhum)
- Acrescentar música (o demónio está mortinho por isso)
- Criar um apêndice do blog onde se pode consultar os seus trabalhos finalizados (ex: o seus livros de poemas, as peças de teatro que vai escrevendo, etc)
- Imagem animada (se isso for possível, o Demónio pensa que sim; está convicto que já o viu num blog qualquer)
O desafio está lançado, a nabice assumida.
O Demónio aguardará com alguma expectativa.
In Sul Tão
ÉS A MINHA REAL GANA.
EU SOU UM MEGAFONE.
Saturday, January 29, 2005
say no to missile. missile people do not rule (kick them out of your life)
falling on my head
with a black sky
you think you're giving
but
you're taking my life away
then you came with your breezeblocks
smashing up my face like a bus-stop
you think you're giving
but
you're taking my life away
like the drunk you conviced was sober
you keep me falling over
you think you're giving
but
you're taking my life away
with your best of intentions
you try to give an ocean directions
you yhink you're giving
but
you're taking my life away
so you came like a missile
leaving me the whole world in exile
you think you're giving
but
you're taking my life away
like the drunk you convinced was sober
you keep me falling over
you think you're giving
but
you're taking my life away
you think you're giving
but
you're taking my life away"
uma canção linda de um senhor chamado Chris Corner (um génio da música contemporânea) incluído no recente, e excelente, álbum "Kiss+Swallow" que marca a sua estreia a solo, no projecto intitulado IAMX
Tuesday, January 25, 2005
fénix
Monday, January 17, 2005
work in progress (mais um passo depois de mais um passo)
Saturday, January 15, 2005
hey jupiter
Monday, January 10, 2005
work in progress (mais um passo)
you are welcome to Onan's room 1
no meu quarto a paciência tem um convénio eterno com o estar.
no meu quarto as horas são ecos das marteladas
que dou no meu próprio crânio, ao deitar e ao acordar.
no meu quarto eu crio os sintomas da minha própria presença,
e escrevo, e leio, e planeio com as palavras a cura
como se o pensamento fosse uma espécie de uma desconhecida doença.
no meu quarto faço viagens no tempo e invento as palavras que direi
quando conseguir ter um total domínio da minha própria expressão.
no meu quarto deixo o meu rosto em paz, não preciso dele, porque,
no meu quarto, as paredes são espelhos sem solução.
no meu quarto há um campo de batalha, muito antigo,
onde eu travo com o tempo uma guerra guerreira.
no meu quarto sou forçado a ver a vida como uma experiência,
que se quer plena e inteira.
no meu quarto a cama é um laboratório onde eu, com a epiderme,
testo os resultados e a ideia do amor.
no meu quarto abro e fecho a porta do mundo onde só eu sou rei e senhor.
no meu quarto amontoam-se memórias de conversas e retalhos dos hálitos
que pela minha boca passaram.
no meu quarto já convivo com os fantasmas daqueles que no meu quarto
ainda nem sequer entraram.
Sunday, January 09, 2005
uma nova paixão de Onan
António Variações
Estou apaixonado por esta frase. Confesso que também estou bastante enamorado pelo disco dos Humanos. Estou, sobretudo, fascinado com a beleza das interpretações do Camané. Os poemas inétidos do António Variações são como que um grito de uma obra que não queria morrer. Os Humanos deram-lhe a possibilidade da vida. Bem hajam.
Vou viver
amanhã
e a vida
e a vida
Friday, January 07, 2005
Thursday, January 06, 2005
o rio semântico
Tuesday, January 04, 2005
um poema da gaveta de Onan (a questão cada vez está mais viva)
Platão
Burroughs
Cesariny
Kierkegaard
A fragmentação do pensamento e as ideias que consumo
martelam-me a cabeça toda a tarde.
Hegel
Ronan
Highsmith
Kant
Tenho a barriga inchada, a família na ignorância, pés de porco, trombas de elefante.
Nin
Pessoa
Melville
Natália Correia
Se eu fosse um escantilhão tu serias o nome de uma odisseia.
Barthes
Cossery
Hesse
Marc Chagall
Ainda em mim sinto embaraço por não haver um Pai Natal.
Fassbinder
Neto Jorge
Sade
Gomes Ferreira
Quando a cabeça não pára afogo os cornos na banheira.
Baudelaire
Kristof
Bataille
Yourcenar
Mas afinal quando é que eu cresço e ganho dinheiro a pensar?
Friday, December 31, 2004
a lição que 2004 deu a Onan/ medidas para o futuro de Onan
2004
Ainda é 25 de Junho
Este dia ainda acontece, ainda tenho quarenta e cinco minutos deste dia.
Quero, nos minutos que me restam deste dia, afirmar de mim para mim:
- Não quero mais gente psicótica à minha volta
- Não quero mais mulheres psicóticas perto de mim (eu nem consumo o género, muito menos psicóticas)
- Não quero mais saraus cocaímanos, acabou-se (pelo menos de forma corrente)
- Não quero mais bebedeiras gratuitas, tenho de aprender a divertir-me sem beber em excesso
- Nao quero mais entrar em relações ambíguas com quem quer que seja
- Não quero mais partilhar a minha vida com pessoas que não respeitem a minha liberdade, a minha necessidade de recolhimento e individualidade
- Não quero voltar a estar em contacto com pessoas mesquinhas, frustradas e hipócritas
- Não quero mais esbanjar o dinheiro, que me custa tanto a ganhar, em futilidades e decadência
- Não quero mais voltar a ser ingénuo e comodista em relação a situações dúbias que me possam prejudicar
- Não quero mais viver no caos e alienado da realidade
- Não quero mais viver perto de pessoas que têm a chantagem, o suborno, a mentira e a manipulação como conduta
- Não quero mais estar perto de pessoas que pensem que têm o direito de organizar, comandar, manipular e alterar a minha vida
- Não quero mais estar perto de pessoas fascinadas, deslumbradas e obcecadas com a minha pesoa
- Não quero mais estar perto de pessoas que me façam mal, que me perturbem e que me instabilizem
- Não quero mais estar perto de pessoas que vivam da auto e heterocomiseração (tentarei também aniquilar tais dispositivos em mim)
- Não quero mais estar mal comigo devido à absorção, muitas vezes forçada, da paranóia e psicose alheias
- Não quero mais estar perto de pessoas que pensam que têm de cuidar de mim porque eu não o sei fazer sozinho (p’ró caralho; olhem bem para vocês e arranjem uma vida que não a minha)
- Não quero mais estar perto de pessoas que não suportam estar sozinhas
- Não quero mais estar perto de pessoas que abominam o silêncio
- Não quero mais estar perto de pessoas vazias, amargas, profanadoras, cobardes, mentirosas, ressabiadas, mentalmente doentes, mal amadas, mal fodidas e sobretudo mal paridas.
Onan dixit
+++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
O meu pressentimento é que 2005 será um ano azul turquesa.
Venha ele!!!
+++++++++++++++++++++++++++++++
Wednesday, December 29, 2004
um work in progress (ainda muito em progress)
- a semântica do amor
- o amor como linguagem que se nasce entre os amantes
- porquê uma linguagem?
- dar exemplos dos códigos
- o fim do amor como o ínicio da morte dessa semântica
- a linguagem desterrada
nela
- ainda não sei
Friday, December 24, 2004
gostos e desgostos de Onan
Gosto de acordar tarde/ não gosto (abomino) trabalhar para outrém
Gosto de viver em Lisboa/ não gosto de sentir esta necessidade violenta de emigrar
Gosto de blind dates/ não gosto de pessoas sem expediente
Gosto de escrever desta forma/não gosto de não conseguir escrever canções em português
Gosto de me fazer de parvo/ não gosto das pessoas que não sabem fazer-se de parvas (irritam-me)
Gosto de estar em casa do Miguel Andrade/ não gosto que apareça lá a polícia para nos cortar o barato
Gosto que a Sandra me corte o cabelo/ não gosto das minhas entradas
Gosto de fumar/ não gosto de ter vontade de pôr os pulmões a limpar na 5 à Sec
Gosto de restaurantes/ não gosto de engordar (sobretudo se for mais 15 kilos)
Gosto de baralhar algumas pessoas/ não gosto de mentes planas
Gosto de fazer teatro/ não gosto de estar sempre na penúria
Gosto de gostar das pessoas de quem gosto/ não gosto de faltas de raccord de sentimentos
Gosto de esperar por um milagre/ não gosto de ter vontade de desistir
Gosto de acreditar em mim/ não gosto de não ser mais oportunista
Gosto de conversar e ver telenovelas com a Rosa/ não gosto que ela não goste de incenso
Gosto de flirtar/ não gosto de não fixar os nomes de alguns intelocutores carnais logo à primeira
Gosto de amar os meus amigos/ não gosto disto que estou a escrever, não faz justiça a coisa alguma
Não gosto do Natal mas sei que vou gostar quando for rico. Ao fim e ao cabo é disso que se trata, certo?
"NATAL É QUANDO UM HOMEM QUISER"
Eu quero o Natal da vida, já!!!
Tuesday, December 21, 2004
É uma aflição
Se é Primavera
É um fim de Outono
Um tempo morno
É quase Verão
Em pleno Inverno
É um abandono"
Excerto de "Porque não me vês", de Fausto Bordalo Dias
Estou há dezenas de meses, mas de duas dezenas, a fugir de uma depressão. Ela tem andado, qual sombra impertinente, colada à minha pessoa; tenha-a ignorado. Não lhe tenho dado a devida atenção. Tenho preferido, se é que o termo se pode aplicar, dar prioridade a distúrbios de outra ordem. Distúrbios mais dinâmicos. A depressão tem estado renegada para a condição de estado desinteressante, fastidioso, bolorento e secundário com que um dia, longínquo, me haveria de ocupar. Mas eis que a dita é caprichosa e parece aqui estar. Veio sorrateira, lenta, sem alarido. E agora...
estou muito cansado, vou dormir
O lugar comum dos lugares comuns: APETECE-ME DORMIR PARA SEMPRE!!!
Era só mesmo o que me faltava: estar na maior das penúrias e com um surto de spleen.
MECENAS TOTALMENTE FILANTROPO PRECISA-SE (PARA ONTEM)
EU PROMETO QUE CRIO; OH, SE CRIO!
Sunday, December 19, 2004
Sem Título
Brinda-me como aquele que coseu a boca por dentro e escondeu o coração por detrás das pálpebras.
Retrata-me como aquele que sorri enquanto dorme e armazena sirenes que não existem para poder encarar o sono de frente.
Ri-me como aquele que apenas vive dentro de si e que descobre sempre em todas as palavras o sentido contrário do mundo.
Espalha-me como aquele que saliniza beijos no ar e que encontra na diáspora uma fuga perpétua para o próprio tédio.
Soma-me como aquele que ruge em cada manhã e volta sempre a cair nessa letal ideia do fim do dia.
Convoca-me como aquele que verbaliza dispersões, sussurra com a voz que calha e sedimenta alegorias.
Realiza-me como aquele tropeça dentro das próprias quedas e que ritualiza a neura como se de arte se tratasse.
Publicita-me como aquele que ainda não inventou a capacidade de se desinventar.
Friday, December 17, 2004
Uno Tenore
Se olhares bem fundo, really deep, profunda e meticulosamente, nos meus olhos, hás-de de ver, reflectida, a imagem do teu próprio rosto. Eu sou assim: um pouco de nada com alma/vontade de tudo. Desta vez fui feito para não sentir. Verdade seja escrita, eu já fui feito muitas vezes. Já fui feito muitas e diversas vezes, para muitos e diversos fins, de muitas e diversas formas. Já fui feito para não ver; e descobri-te. Já fui feito para não falar; e percorri-te. Já fui feito para não querer; e consumi-te. Já fui feito para não morrer; e morri-te.
O meu corpo é um armazém sonoro. Sou uma caixa de ressonância sem método; porque tudo vibra à minha passagem e mesmo antes e depois de ela se dar. Porque a minha passagem não é da ordem da ocorrência. A minha passagem é um anti-fenómeno. A minha passagem será sempre do porvir.
Tenho sempre muita música dentro da cebeça. Preciso de preencher os meus dias com as melodias dos outros, porque eu fui feito para não sentir. Correcção: Desta vez fui feito para não sentir. Já houve vezes em que fui feito apenas para sentir. E posso garantir-te, nessas vezes senti muito. Nessas vezes senti desmesuradamente.
Sempre tive uma excelsa memória, sempre. Lembro-me de ter sido artilhado de uma assinalável memória, em todas as vezes que fui feito. Nunca fui feito para recordar. Fui sempre feito apenas para lembrar. É por isso que não morro. Lembro-me de sentir e de me lembrar de sentir. Mas perdi o lastro nessa diferença. Lembro-me de ti mas não me recordo do teu rosto. Morri-te na lembrança.
"A recordação tem por fim evitar as soluções de continuidade na vida humana e dar ao homem a certeza de que a sua passagem pela terra efectua uno tenore, num só traço, num soporo, e pode exprimir-se na unidade. Assim se liberta ela da necessidade em que a língua se encontra de repassar incessantemente pelas mesmas tagarelices, para reproduzir aquelas de que a vida se encontra repleta. A condição da imortalidade do homem é que a vida dele decorra uno tenore."
Soren Kierkegaard, in 'O Banquete'
Thursday, December 16, 2004
Splinter number 3
uma intervalo de muitos meses no inferno;
adormeci com uma folha em branco e acordei com o fantasma de uma nova língua.
Wednesday, December 15, 2004
Splinter number 2
eu penso sempre aí e perde-se muita verdade no regresso.
Tuesday, December 14, 2004
Privado do Ócio, Onan pensa em Cossery
Monday, December 13, 2004
Friday, December 10, 2004
o inferno e Onan
Anaïs Nin
Jovens irritantes, milhares de jovens irritantes, egoísmo, odiar mentiras e cobardia, olhar nos olhos, óculos escuros sempre para poder olhar para tudo e todos sem me denunciar, eu, eu, eu, sempre eu, estou farto de mim, gosto tanto de mim, o amor que vai, o amor que não vem, o amor que vai e vem, a droga do amor, não tenho paciência para o amor, não consigo viver sem amor, mais um pouco de droga do amor, por favor!
Preguicite aguda, preguicite crónica, preguicite mórbida, tenho de escrever, não consigo escrever, não gosto de trabalhar mas adoro ter ideias, amo o teatro incondicionalmente, estou farto de tudo e de todos, cocaína a rodos, a culpa, a culpa, a culpa, estou perdido, estamos todos perdidos, mas afinal quem é que não está perdido?
Engates de uma noite, engates de duas noites, engates de três noites, sms, coisas que se dizem e não se sentem, paixonetas, infatueted moods, ser actor é uma luta todos os dias, estou farto de ser actor mas não consigo ser mais nada, quando for grande quero ser... Feliz, pastilhas, mdma, Kremlin, quatro meses de paranóia, uma pessoa como eu não se pode drogar desta maneira, quero sair deste país, Lisboa é uma aldeia e o resto é paródia rural e litoral. Gosto do Porto mas ele fez-me mal, eu já disse que sou o inferno, não disse? Boys R Us, já não sou uma criança, ódio, descobri o valor do ódio, nunca te hei-de perdoar, há coisas que se perpetuam, estou farto destes fantasmas, estou cansado, vou estar outra vez muitos meses a dormir pouco, tenho a mania que sou especial, odeio a palavra especial, já disse mas repito-o: NUNCA TE HEI-DE PERDOAR.
Praia das Angeiras, 25 euros de táxi, a melhor e mais cara foda mais cara da minha vida, “tu és n inteligente”. Ah! Ah! Ah! Deixa-me rir. Gosto de me armar em diva e depois apanho com estes filmes: 36 anos, 30 anos, 22 anos, 36 anos outra vez, 19 anos, 28 anos, 23 anos, 25 anos, todos diferentes todos iguais, “Oh god, you're so beautiful, i love your eyes!”, “tens qualquer coisa de mefistofélico”, “me encantas, mi amor”, “tu és n inteligente”, blá, blá, blá, e a felicidade onde está? Para me abordar pregou-me uma rasteira e eu apaixonei-me imediatamente.
Beber, drogar, jantar fora, foder, dizer adeus, “afinal como é que te chamas?”. Andar em carros, ouvir música nos carros, cantar nos carros, fumar charros nos carros, namorar nos carros, estive quatro meses a ressacar de uma pastilha que tomei no Kremlin, a puta da paranóia, por pouco não me atirei do 5º andar. Não conseguia sair à rua, não suportava o ruído das palmas no teatro, queria ser invisível mas não consegui, tornei-me visivel em todo o lado: Finalmente, Moínho de Vento, Trumps, Pink Flamingo, Boys R Us, Royal, Pasapoga. Andámos de mãos dadas na Gran Via e eu senti-me livre como nunca, o meu gato é mau porque sofre por minha causa, uma pessoa como eu nunca deveria ter um animal de estimação, “Ó lindinho, tu e o teu gato são iguais, já reparaste?”, ja, grande novidade, por isso é que temos uma relação de amor-ódio. Em Marrakesh fui o ser mais feliz ao cimo da terra! Anvitol, Seroxat, Sedoxil, Cymerion. Quando tudo acabou entre nós estive mais de uma semana sem dormir, agora durmo doze horas por noite, se não fossem alguns dos meus amigos eu não sei o que seria de mim. Quando estive a bater mal da cabeça fugi de toda a gente. Confusão total e insuportável, os piores meses da minha vida, e eu que até estava convencido que me sentia feliz. Mas porque é que eu tomei a merda daquela pastilha? Às vezes não sinto nada, nem sequer o vazio. Tori Amos, Brian Molko, Madonna, Jeff Buckley, Ney Matogrosso, Chris Corner, Laurie Anderson, Paul Draper são eles quem sente por mim. Nomes, carreiras, cores, palavras, muitas palavras, adoro palavras, apaixono-me por palavras, música, muita música, amo tanto a música como a própria vida, acho que gosto até mais de música. Estes dois últimos anos passaram a correr, tenho quase trinta anos e ainda me comporto como um adolescente. O futuro ainda não existe e o passado tem de passar a ter uma importância relativa. Mas afinal quando é que meto isto na cabeça? Sinto que estou a melhorar, ainda não foi desta que fritei de vez. Droga do amor, o caralho!!!
Vês como é fácil debitar incongruências? Vês como é desgastante inventar verdades?
Monday, December 06, 2004
The End Of Chemistry
one thousand times i've made you cry
one thousand times you gave me reasons to fight and live,
when i wanted to die
one thousand times you've cooked me breakfast
one thousand times i've seen you sleep
one thousand times you've called me sweet love
one thousand times i've called you a creep
one thousand times i've called you a creep
one thousand times we were so perfect
one thousand times we've had a fight
one thousand times our love was this picture;
i've tainted black where you've painted white
one thousand times we were in a game
one thousand times you've let me win
one thousand times you've washed my body
your sweet saliva kept me clean
feelings were left here to stay
feelings remain in my memory
i still wake up with your ghost everyday
i've been unable to face the end of chemistry
the chemistry between you and me
one thousand times we were this novel
where no one is ever bright
one thousand times i said i was wrong
but deep inside i knew i was right
one thousand times we were abusers
one thousand times we were so keen
one thousand times you were ideal
one thousand times i've had the spleen
feelings where left here to stay
feelings remain in my memory
i still wake up with your ghost everyday
i've been unable to face the end of chemistry
(letra de Onan para tema da banda Nude)


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