Sunday, March 06, 2005


Os Dois Poemas Que Te Li Ontem 6

Os Dois Poemas Que Te Li Ontem 5

Os Dois Poemas Que Te Li Ontem 4

Os Dois Poemas Que Te Li Ontem 3

Os Dois Poemas Que Te Li Ontem 2

us 7

"(Terminou a segunda guerra mundial. Manifestações veementes por toda a parte.)

Andámos toda a noite calados e sós
de jardim em jardim, na lua
dos bancos...

(Que bom! Começou enfim o silêncio entre nós.
O silêncio da aranha a tecer cabelos brancos.)"

José Gomes Ferreira


"(Dia de sol azul, de terra azul, de mulheres azuis...)

E se, de repente,
voassem dos teus olhos duas pombas azuis?
Então sim, poeta
cairia pela primeira vez no mundo
o espanto da primavera completa."

José Gomes Ferreira


Li-te estes dois poemas ontem, estávamos sentados na minha cama. Pensando/recordando melhor, eu estava sentado mas tu não.
Li-te estes dois poemas ontem, estavam dentro da caixa de cartão. Dactilografei-os há quase dez anos, numa folha de papel cor de laranja. Numa folha de papel da tua cor. Porque tu és cor de laranja. E tenho afixado essa mesma folha, de papel laranja dactilografado, em todos os quartos que fui tendo ao longo dos anos. Pensando/recordando melhor, em quase todos os quartos. Houve um em que não o fiz e, talvez por isso, esse quarto foi tudo menos somente meu.
Li-te estes dois poemas ontem, e sei que não os li bem. Li-os sem pretensão alguma. Não preciso de fazer leituras sublimes para ti. Não o quero e creio que tu também não. Não preciso de me florear para ti. Não me quero florear para ti. Quero-me puro, duro e em bruto para ti. Na exacta medida em que gosto de te receber. Não quero que nos pintemos de outras cores que não as nossas. Nós somos o encontro acidental das nossas duas cores. Quanto a mim é um bom acidente; um bom encontro.
Li-te estes dois poemas ontem, li-os mal; não me importei e tu também não. Ao fim e ao cabo, tu apenas me pediste para te mostrar fotografias.
Acordar contigo é bom!

us 6

quando te vais eu olho-me ao espelho e sinto que acabei de chegar de uma boa viagem.

sabes bem fazer regressos.

dizes que me achaste; eu acredito.

há rotas para tudo e a vida por vezes é uma expedição.

vou hastear a tua bandeira na minha nuca; para ter sempre comigo a tua conquista.

estou viciado em nós.

Friday, March 04, 2005

o demónio anoiteceu aqui

"a sorta fairytale" Tori Amos

on my way up north up on the ventura
i pulled back the hood
and i was talking to you

and i knew then it would be a life long thing
but i didn't know that we
we could break a silver lining

and i'm so sad
like a good book
i can't put this day back
a sorta fairytale with you
a sorta fairytale with you

things you said that day
up on the 101 the girl had come undone
i tried to downplay it with a bet about us
you said that-you'd take it as long as i could
i could not erase it

and i'm so sad
like a good book
i can't put this day back
a sorta fairytale with you
a sorta fairytalewith you

and i ride along side
and i rode along side you then
and i rode along side
till you lost me there in the open road

and i rode along side
till the honey spread itself so thin
for me to break your bread
for me to take your word
i had to steal it

and i'm so sad
like a good book
i can't put this day back
a sorta fairytale with you
a sorta fairytale with you

i could pick back up whenever i feel

down new mexico way
something about the open road
i knew that he was looking for some indian blood
and find a little in you
find a little in me
we may be on this road
but
we're just impostors in this country

you know so we go along
and we said we'd fake it
feel better with oliver stone
till i almost smacked him -seemed right that night
and i don't know what takes hold out there in the desert cold
these guys think they must try and just get over on us

and i'm so sad
like a good book
i can't put this day back
a sorta fairytale with you
a sorta fairytale with you

and i was ridin' by
ridin' along side for a while
till you lost me
and i was ridin' by
ridin' along till you lost me
till you lost me in the rearview

you lost me

i said way up north
i took my day
all in all was a pretty nice day
and i put the hood right back where
you could taste heaven perfectly
feel out the summer breeze
didn't know when we'd be back
and i didn't think we'd end up like
like this

Arte Pura de Onan 5

Arte Pura de Onan 4

Arte Pura de Onan 3

Arte Pura de Onan 2

Arte Pura de Onan 1

"Arte Pura de Onan" 1ª Exposição Fotográfica Individual do Demónio

Arte Pura de Onan

Série de 5 Fotografias Digitais

Materiais:

  • Demónio
  • Telefone Nokia 3650
  • T-shirt Vermelha Puma
  • Esperma

Espaço:

  • Quarto do Demónio

Data:

  • Janeiro de 2005

Técnica:

  • Mista (masturbação, olhar e tempo)

hoje o demónio vive aqui

"Teenage Angst" Placebo


Shine the headlight
Straight into my eyes
Like the roadkill
I'm paralysed
You see through my disguise


At the drive-in
Double feature
Pull the leaver
Break the fever
And say the last good-bye

Since I was born I started to decay
Now nothing ever ever goes my way

One fluid gesture
Like stepping back in time
Trapped in amber
Petrified and still not satisfied

Airs and social graces
Elocution so divine
I'll stick to my needle
And my favourite waste of time
Both spineless and sublime


Since I was born I started to decay
Now nothing ever ever goes my way

................................................................................


tu és em todas as formas um país que eu quero ver, mais

Thursday, March 03, 2005

us 5 ou me in us 1

Vivo dentro das canções e a escrita é um transporte.
Sou um animal silencioso por norma, excepto quando sou um demónio. Nessas alturas invento palavras que ainda eu próprio desconheço. E invento-as para conservar a capacidade de me desconhecer.
Eu não quero ficar aqui; mas é precisamente daqui que eu teimo em nunca sair. E por isso abro as portas das canções e vivo entre rimas e refrões que eu reproduzo como se fossem meus. É como se a minha vida fosse crescendo, andando e rompendo uma via sólida dentro da água de onde não consigo deixar de naufragar. A vida é uma estrada que vai andando. A minha pelo menos assim o parece. Só que eu vivo dentro de água e, se os meus dias são correntes, as minhas noites são marés. E tudo isto torna a estrada muito sinuosa, escorregadia, evaporável.
Às vezes quando me olho ao espelho sinto-me transparente, imaterial, sem substância. Sinto-me uma ideia.
Quando eu era criança gostava de imaginar que não existia. Gostava de pensar que a minha pessoa era uma ideia, um delírio, uma trama, uma alucinação de alguém que se sentia muito entediado consigo mesmo. Gostava de supor que esse alguém iria, mais cedo ou mais tarde, fartar-se do seu passatempo e que eu deixaria de existir/decorrer de um momento para o outro. Essa ideia aliciava-me.
Hoje sinto-me na pele de esse outro alguém. Sinto-me esse entediado demiurgo. Sinto-me um arquitecto sempre insatisfeito, sempre incompleto. Cresci e desmorono-me todas as noites. Sou o outro alguém e a criança em simultâneo e a minha cabeça é o campo de batalha onde ambos travam a guerra. A guerra que conduz ao fim. O fim pelo fim. O fim, o fecho, a conclusão. O final da água onde naufrago. Porque ambos se olham ferozmente nos olhos. Porque ambos falam a mesma língua. Porque ambos estão fechados cá dentro. Porque ambos querem sair e habitar o meu corpo. Porque ambos querem selar a minha cabeça. Porque a criança cresceu e porque o outro alguém, o criador entediado, não criou um antídoto que neutralize o medo. Por isso mesmo nenhum dos dois, criança e criador, tem coragem para ganhar esta guerra.
Enquanto dormes na minha cama eu concluo que quero dizer-te tudo além disto.
Próximo, tu disseste próximo. O relógio quase parou. E a minha arte não é infinita. Ao fim e ao cabo isto é entre nós dois; a arte aqui não manda nada. Somos só nós, o relógio e a mútua vontade de o parar. Teremos? Eu tenho às vezes; quando não estou a arbitrar a guerra.
Fala-me de ti.

Tuesday, March 01, 2005

us 4

tu surpreendes-me.

pensei-o mas não to disse; tive medo de parecer patético, lamechas, ritualista, melífluo, mimado.

tu resolveste tudo e mostraste-me que o medo do ridículo, no amplexo, se torna o cúmulo do ridículo.

resolveste tudo e resolveste-me tudo.

tão simples; tu: sem medo, sem ridículo, sem hesitação.

com uma simples frase rasgaste-me o céu que teimava não descarregar.

e passo a citar-te:

"faz hoje uma semana que demos o nosso primeiro beijo"


as flores não são apenas inventadas por mim; descobri-o contigo durante estes dois dias.

durante estes dois dias em que o relógio não parou mas em que minha arte não deixou de te fazer rir, fora e dentro da minha cama.

descobri a tua arte: és o génio das frases simples.

e a tua arte faz-me rir (de mim).

espero-te hoje, à porta do meu quarto.

venham as flores, sejamos depois frutos já.

Thursday, February 24, 2005

us 3

hoje, quando este dia começou, poucas horas depois de ter começado, disseste-me uma das coisas mais belas que alguém alguma vez me disse.
passo a citar-te:

"para adormeceres, lembra-te do som dos nossos beijos"

eu lembrei-me e adormeci.


o relógio na pára e os nossos beijos são música que embala.

us 2

ainda bem que vieste e ainda bem que soubeste vir.
fui-te abrindo aos poucos a porta do meu quarto,
mas ainda não te entreguei as flores que prometi inventar
expressamente para ti.
já estão inventadas mas ainda não se sentem flores.
talvez seja porque o relógio não tem parado e porque
a minha arte, pelos vistos, não tem deixado de te divertir.
há muito tempo que o meu diário te esperava.
agora que chegaste, deixa-me celebrar-te.
deixa-me desenhar-te.
deixa-me cantar-te.
deixa-me rimar-te,
para que as flores possam chover em silêncio e verdade,
dentro da água das nossas bocas.

Monday, February 21, 2005

us

20 do 02 ou 20/02 ou 20-02 ou 2002


Primeiro beijo.

Saí do carro a correr.

Tremi.

Adoro capicuas.

Ai, ai. A espada e a parede.

Adormeci ao tentar reviver, sem sucesso, o momento.

Amanhã é agora mesmo, quem me dera que não me deixes fugir.