Friday, March 04, 2005


Arte Pura de Onan 1

"Arte Pura de Onan" 1ª Exposição Fotográfica Individual do Demónio

Arte Pura de Onan

Série de 5 Fotografias Digitais

Materiais:

  • Demónio
  • Telefone Nokia 3650
  • T-shirt Vermelha Puma
  • Esperma

Espaço:

  • Quarto do Demónio

Data:

  • Janeiro de 2005

Técnica:

  • Mista (masturbação, olhar e tempo)

hoje o demónio vive aqui

"Teenage Angst" Placebo


Shine the headlight
Straight into my eyes
Like the roadkill
I'm paralysed
You see through my disguise


At the drive-in
Double feature
Pull the leaver
Break the fever
And say the last good-bye

Since I was born I started to decay
Now nothing ever ever goes my way

One fluid gesture
Like stepping back in time
Trapped in amber
Petrified and still not satisfied

Airs and social graces
Elocution so divine
I'll stick to my needle
And my favourite waste of time
Both spineless and sublime


Since I was born I started to decay
Now nothing ever ever goes my way

................................................................................


tu és em todas as formas um país que eu quero ver, mais

Thursday, March 03, 2005

us 5 ou me in us 1

Vivo dentro das canções e a escrita é um transporte.
Sou um animal silencioso por norma, excepto quando sou um demónio. Nessas alturas invento palavras que ainda eu próprio desconheço. E invento-as para conservar a capacidade de me desconhecer.
Eu não quero ficar aqui; mas é precisamente daqui que eu teimo em nunca sair. E por isso abro as portas das canções e vivo entre rimas e refrões que eu reproduzo como se fossem meus. É como se a minha vida fosse crescendo, andando e rompendo uma via sólida dentro da água de onde não consigo deixar de naufragar. A vida é uma estrada que vai andando. A minha pelo menos assim o parece. Só que eu vivo dentro de água e, se os meus dias são correntes, as minhas noites são marés. E tudo isto torna a estrada muito sinuosa, escorregadia, evaporável.
Às vezes quando me olho ao espelho sinto-me transparente, imaterial, sem substância. Sinto-me uma ideia.
Quando eu era criança gostava de imaginar que não existia. Gostava de pensar que a minha pessoa era uma ideia, um delírio, uma trama, uma alucinação de alguém que se sentia muito entediado consigo mesmo. Gostava de supor que esse alguém iria, mais cedo ou mais tarde, fartar-se do seu passatempo e que eu deixaria de existir/decorrer de um momento para o outro. Essa ideia aliciava-me.
Hoje sinto-me na pele de esse outro alguém. Sinto-me esse entediado demiurgo. Sinto-me um arquitecto sempre insatisfeito, sempre incompleto. Cresci e desmorono-me todas as noites. Sou o outro alguém e a criança em simultâneo e a minha cabeça é o campo de batalha onde ambos travam a guerra. A guerra que conduz ao fim. O fim pelo fim. O fim, o fecho, a conclusão. O final da água onde naufrago. Porque ambos se olham ferozmente nos olhos. Porque ambos falam a mesma língua. Porque ambos estão fechados cá dentro. Porque ambos querem sair e habitar o meu corpo. Porque ambos querem selar a minha cabeça. Porque a criança cresceu e porque o outro alguém, o criador entediado, não criou um antídoto que neutralize o medo. Por isso mesmo nenhum dos dois, criança e criador, tem coragem para ganhar esta guerra.
Enquanto dormes na minha cama eu concluo que quero dizer-te tudo além disto.
Próximo, tu disseste próximo. O relógio quase parou. E a minha arte não é infinita. Ao fim e ao cabo isto é entre nós dois; a arte aqui não manda nada. Somos só nós, o relógio e a mútua vontade de o parar. Teremos? Eu tenho às vezes; quando não estou a arbitrar a guerra.
Fala-me de ti.

Tuesday, March 01, 2005

us 4

tu surpreendes-me.

pensei-o mas não to disse; tive medo de parecer patético, lamechas, ritualista, melífluo, mimado.

tu resolveste tudo e mostraste-me que o medo do ridículo, no amplexo, se torna o cúmulo do ridículo.

resolveste tudo e resolveste-me tudo.

tão simples; tu: sem medo, sem ridículo, sem hesitação.

com uma simples frase rasgaste-me o céu que teimava não descarregar.

e passo a citar-te:

"faz hoje uma semana que demos o nosso primeiro beijo"


as flores não são apenas inventadas por mim; descobri-o contigo durante estes dois dias.

durante estes dois dias em que o relógio não parou mas em que minha arte não deixou de te fazer rir, fora e dentro da minha cama.

descobri a tua arte: és o génio das frases simples.

e a tua arte faz-me rir (de mim).

espero-te hoje, à porta do meu quarto.

venham as flores, sejamos depois frutos já.

Thursday, February 24, 2005

us 3

hoje, quando este dia começou, poucas horas depois de ter começado, disseste-me uma das coisas mais belas que alguém alguma vez me disse.
passo a citar-te:

"para adormeceres, lembra-te do som dos nossos beijos"

eu lembrei-me e adormeci.


o relógio na pára e os nossos beijos são música que embala.

us 2

ainda bem que vieste e ainda bem que soubeste vir.
fui-te abrindo aos poucos a porta do meu quarto,
mas ainda não te entreguei as flores que prometi inventar
expressamente para ti.
já estão inventadas mas ainda não se sentem flores.
talvez seja porque o relógio não tem parado e porque
a minha arte, pelos vistos, não tem deixado de te divertir.
há muito tempo que o meu diário te esperava.
agora que chegaste, deixa-me celebrar-te.
deixa-me desenhar-te.
deixa-me cantar-te.
deixa-me rimar-te,
para que as flores possam chover em silêncio e verdade,
dentro da água das nossas bocas.

Monday, February 21, 2005

us

20 do 02 ou 20/02 ou 20-02 ou 2002


Primeiro beijo.

Saí do carro a correr.

Tremi.

Adoro capicuas.

Ai, ai. A espada e a parede.

Adormeci ao tentar reviver, sem sucesso, o momento.

Amanhã é agora mesmo, quem me dera que não me deixes fugir.






Friday, February 18, 2005


self portrait of the demon

um auto epitáfio em vida (a partir de Sinead)

"Thank You For Hearing Me" (um poema e uma canção lindos de Sinead 0'Connor)

Thank you for hearing me
Thank you for hearing me
Thank you for hearing me
Thank you for hearing me

Thank you for loving me
Thank you for loving me
Thank you for loving me
Thank you for loving me

Thank you for seeing me
Thank you for seeing me
Thank you for seeing me
Thank you for seeing me

And for not leaving me
And for not leaving me
And for not leaving me
And for not leaving me

Thank you for staying with me
Thank you for staying with me
Thank you for staying with me
Thank you for staying with me

Thanks for not hurting me
Thanks for not hurting me
Thanks for not hurting me
Thanks for not hurting me

You are gentle with me
You are gentle with me
You are gentle with me
You are gentle with me

Thanks for silence with me
Thanks for silence with me
Thanks for silence with me
Thanks for silence with me

Thank you for holding me
And saying "I could be"
Thank you for saying "Baby"
Thank you for holding me

Thank you for helping me
Thank you for helping me
Thank you for helping me
Thank you, thank you for helping me

Thank you for breaking my heart
Thank you for tearing me apart
Now I've a strong, strong heart
Thank you for breaking my heart


Obrigado aos que me ouviram, e ainda ouvem
Obrigado aos que me amaram, e ainda amam
Obrigado aos que me viram, por dentro e por fora
Obrigado aos que nunca me deixaram
Obrigado aos que ficaram comigo: os que permaneceram
Obrigado aos que não me magoaram
Obrigado aos que foram gentis comigo, e que continuam a sê-lo
Obrigado aos que partilharam comigo o precioso silêncio
Obrigado aos que me abraçaram e me disseram que eu sou capaz
Obrigado aos que me sussurraram carinhos ao ouvido, e de novo me abraçaram
Obrigado aos que me ajudaram
Obrigado aos que me destroçaram o coração
Obrigado aos que me deram motivos para chorar
Obrigado aos que me endureceram o coração
Obrigado aos que me deram história de vida
Obrigado, foram, e são, muito úteis!

Wednesday, February 16, 2005

o demónio/artista/amante melhor ou a arte de inventar 5 sonhos

Esgotadas as lutas, as querelas, as batalhas e as guerras; adormeci. Ganhar ou perder deixou de fazer sentido porque o sangue deixou de querer jorrar, as feridas deixaram de doer, ou até mesmo ocorrer, e o tempo passou a ser servo de si mesmo. O passado, o presente e o futuro são, agora e sempre, resíduos do devir sem qualquer tipo de expressão.
Acordei e sou um relógio saído de um quadro do Salvador Dali.
Não sei muito bem quais são os teus sonhos. Não sei se os tens, se os desenhas, escreves, elaboras, planeias, choras. Não me interessam os teus sonhos. Interessa-me, isso sim, inventá-los por ti. Decidi que vou ser um demónio/amante/artista melhor. Vou radicalizar a minha arte. E apresentas-te como um bom objecto; melhor: tu pareces ser uma soberba matéria-prima. Tens um nome comum, isso é bom, agrada-me. Tens um rosto normal, melhor ainda. Falas baixinho e sem pressas; óptimo. És muito diferente de mim; excelente. Estás aqui; magnífico. O resto a nós pertence; como já te disse o tempo está demasiado ocupado a fazer passar-se por mim.

Os Teus 5 Principais Sonhos

  1. Tu não gostas do calor e sonhas viver num glaciar: eu sou um cubo de gelo em franca expansão.
  2. Tu tens medo da luz e sonhas isolar-te num deserto de escuridão: eu chamo-me Anã Negra e sou uma estrela extinta.
  3. Tu não gostas de acordar e sonhas nunca sair da cama: eu sou a lei da gravidade.
  4. Tu não precisas de viajar e sonhas com países que não vais conhecer: eu sou o Atlas do Mundo.
  5. Tu não queres sofrer de amor e sonhas não ter coração: eu sou o enfarte agudo do teu miocárdio.

Vamos ver se te adaptas a estes cinco sonhos. Se a experiência for frutífera outra série de cinco se seguirá, e assim consecutivamente. Se a experiência não se revelar interessante passas a ser mais um esboço no meu quarto. A arte tem destes riscos: nem sempre se acerta logo à primeira.

Agora que és livre, sonha. Eu vou inventar pesadelos para mim.

Quando acordarmos de vez quero abraçar-te com força e silêncio. E quero ouvir-te dizer:

"A TUA ARTE DIVERTE-ME E O RELÓGIO NÃO PÁRA!"

Saturday, February 12, 2005

sickcom foto 1


rui mourão, maria galhardo, isabel simões marques e selma cifka

sickcom foto 2


rui mourão e isabel simões marques

sickcom foto 3


maria galhardo

Thursday, February 10, 2005

Sickcom em Lisboa

Caros Onanistas:


SICKCOM is back.
Estreia hoje, às 22 horas no Auditório da Biblioteca Orlando Ribeiro em Telheiras.
Apareçam.
Em breve, quando tiver mais tempo, serei mais pormenorizado no posting de textos e imagens do espectáculo.
Estaremos em cena até 20 de Fevereio (5ª a Sábado às 22h e Domingos às 18h).
Reservas: 96 33 55 078/ 93 283 65 40/ 96 294 54 52

Aqui fica um teaser:


O Génio

Eu sou o génio, ninguém acredita
Eu sou o génio, ninguém dá a mão
Divorciado de uma mentira
Atropelado por um chavão

Eu sou o génio da palavra
Eu sou o génio da composição
Percorro o mar numa garrafa
Mutilado num pulmão

Eu sou o génio da poesia
Eu sou o génio da instalação
Alimentado a aletria
Apaixonado por um neutrão

Eu sou o génio da Escandinávia
Eu sou o génio do Japão
Eu sou o trolha da Moldávia
Eu sou o novo monstro papão

Eu sou o génio da literatura
Eu sou o génio da televisão
Fui condenado à candidatura
Absolvido na inscrição

Eu sou o génio do palco
Eu sou o génio da exposição
Nas narinas tenho pó de talco
Faço amizades no meu colchão


Eus sou o génio do teatro-dança
Eu sou o génio da canção
Eu sou o porco para a matança
A ocasião que faz o ladrão



(este é o poema que protagoniza um singular momento de paródia musical em SICKCOM)



Monday, February 07, 2005

para a Lara K

"Que é do mar se os rios se recusam?"

stig dagerman



Saturday, February 05, 2005


Ó vento, volta p'ra trás!

o vento é solto e lento, bento,
tento,

com temor e alento,
recordar o momento em que o vento me levou.

Thursday, February 03, 2005


onan as a child

auto re trato

Onan tem, e tinha, moléculas de gentinha
Onan tinha, e tem, acessos súbitos de desdém

Onan anda, e andava, a nadar num oceano de lava
Onan andava, e anda, a berrar os traumas numa banda

Onan vê, e via, fugir-lhe tudo o que queria
Onan via, e vê, toda a merda na TV

Onan come, e comia, caldeiradas de melancolia
Onan comia, e come, o significado lato da fome

Onan descobre, e descobria, segredos que o seu amor lhe escondia
Onan descobria, e descobre, que o amor nem sempre é nobre

Onan escreve, e escrevia, poemas para os meninos estudarem um dia
Onan escrevia, e escreve, o diário de uma língua em greve

Onan sente, e sentia, que a nada leva a apatia
Onan sentia, e sente, que o sucesso é metatangente

Onan quer, e queria, ser argonauta na poesia
Onan queria, e quer, o que isto der e vier