Monday, February 07, 2005

para a Lara K

"Que é do mar se os rios se recusam?"

stig dagerman



Saturday, February 05, 2005


Ó vento, volta p'ra trás!

o vento é solto e lento, bento,
tento,

com temor e alento,
recordar o momento em que o vento me levou.

Thursday, February 03, 2005


onan as a child

auto re trato

Onan tem, e tinha, moléculas de gentinha
Onan tinha, e tem, acessos súbitos de desdém

Onan anda, e andava, a nadar num oceano de lava
Onan andava, e anda, a berrar os traumas numa banda

Onan vê, e via, fugir-lhe tudo o que queria
Onan via, e vê, toda a merda na TV

Onan come, e comia, caldeiradas de melancolia
Onan comia, e come, o significado lato da fome

Onan descobre, e descobria, segredos que o seu amor lhe escondia
Onan descobria, e descobre, que o amor nem sempre é nobre

Onan escreve, e escrevia, poemas para os meninos estudarem um dia
Onan escrevia, e escreve, o diário de uma língua em greve

Onan sente, e sentia, que a nada leva a apatia
Onan sentia, e sente, que o sucesso é metatangente

Onan quer, e queria, ser argonauta na poesia
Onan queria, e quer, o que isto der e vier


Sunday, January 30, 2005

L'eau D'Onan


Foto de Onan

S.O.S.

Caros Onanistas:

Este Demónio, como alguns de vós devem saber, é muito parco no que respeita a recursos do conhecimento informático. É um verdadeiro nabo informático. Diga-se de passagem, a paciência para os adquirir não é muita. O tempo disponível também não.
O Demónio pretende enriquecer este diário e para tal precisa de ajuda. Assim, se algum de vós possui conhecimentos de blogspot que lhe possam ser úteis, não se iniba em os demonstrar.

O Demónio prentende efectuar improvements tão elementares quanto:

  • Editar a sua lista de links (já tentou mas ó resultado é que está à vista: nenhum)
  • Acrescentar música (o demónio está mortinho por isso)
  • Criar um apêndice do blog onde se pode consultar os seus trabalhos finalizados (ex: o seus livros de poemas, as peças de teatro que vai escrevendo, etc)
  • Imagem animada (se isso for possível, o Demónio pensa que sim; está convicto que já o viu num blog qualquer)

O desafio está lançado, a nabice assumida.

O Demónio aguardará com alguma expectativa.

In Sul Tão

És a Inteligência Rara.
És o Carmo e a Trindade e a Rua do Ouro e da Prata e quase todas onde há gente.
És o sabor de Lisboa ao fim da tarde, em Abril, em Maio, Junho, Julho, Agosto, Setembro, Outubro, Novembro, Dezembro, Janeiro e Fevereiro.
És a nudez, a Roupa Nova e a Roupa Velha.
És o toque e a música, és a Rosa dos Ventos e a Calçada Portuguesa.
És um cata-vento e és o vento por catar.
És um comboio permanente de Lisboa a Roma Antiga.
És um Calipo de Limão.
És uma logoteca de brincar e eu brinco-me em ti.
És o Génio da Lâmpada e os Quarenta Ladrões do Ali Babá.
És as coisas todas que andas a aprender.
És o Alecrim aos Molhos, és o Galo de Barcelos e a Menina das Sete Saias.
És a Primeira Infância e Os Meninos À Volta Da Fogueira.
És o Sequim D'Ouro, a Sopa de Pedra, o Caprisone e a Internet.
És o Bailinho da Madeira ("Ai que bem que bailas velhaco") e és o Trio Odemira.
És o Fa Fresh e a Lógica da Batata.
És o Bolo Rei (és o brinde e és a fava).
És um retrato para ser visto ao contrário.
És o Drops de Anis e o Escurinho do Cinema.
És o Yellow Submarine, a Montserrat Caballé e a Décima Quarta Maravilha do Mundo.
És o Crime Passional, a Revolução Francesa e a Távola Redonda.
És o Tronco de Natal, a Fatia Dourada e a Baba do Camelo.
És a TVI, o Natal dos Hospitais e o Boca Doce É Bom É Bom É Diz o Avô e Diz O Bébé.
És o Pingo Doce, a Cantora Careca, a Serenata À Chuva e o Crêpe Suzzete.
És a Muralha da China, a Tosta Mista e a Agatha Christie.
És a Luta Livre, a Princesa Diana e o Cabelo à Foda-se.
És a Renda de Bilros, a Expo 98 e a Aspirina C Efervescente.
És a Raiz Quadrada, a Estenografia, o Pão de Ló e a Loja do Mestre André.
És o 112, a Mansão da Playboy, a Música Pimba e as Claras em Castelo.
És o 28, a Lara Lee, a Banana Fa Si e a Simara.
És o 25 de Abril, o Zé Povinho, o Futebol de Salão e a Festa Na Mouraria.
És a Gabriela Cravo e Canela, o Chico Fininho, a Fafá de Belém, e Roleta Russa.
És o Tiro no Escuro, a Regra Do Jogo e a Cabra Cega
És o Arco da Rua Augusta, és a Coca-Cola, o Candomblé e a Catarina Furtado.
És o Circo no Gelo, a Vodka Limão, a Carga de Trabalhos e o Pavilhão do Futuro.
És a Bic Laranja, és a Bic Cristal, és a Maria Madelena e a Alheira de Mirandela.
És o Manguito, a Gioconda, a Natação Sincronizada, a Memória Ram e a Bola de Berlim.
És Boceta de Pandora, a Onomatopeia, o Cristo Rei e a Maluquinha de Arroios.
És a Castanha Assada, a Batata a Murro, a Eurovisão, o Fado e a Wallstreet.
És a Bota Botilde, a Pop Art, a Sorte Grande e a Terminação, o Titanic, a Valsa, o Tango, o Samba, o Tcha Tcha Tcha, a Cannabis, a Inquisição, as Vinte Mil Léguas Submarinas, és o Euro 2004, és a Chain Reaction, és a Linda Reis, a Suzy Paula, és a Palmira Bastos, a Branca de Neve, a Fada Madrinha, a Bruxa Má, a Tolerância Zero, o Pontilhismo, a Ejaculação Precoce, a Puberdade, a Maria Callas, a Laika, o Osso Duro de Roer,o Espírito Santo, a Vogue Japonesa, a Readers Digest,os Gipsy Kings, o Pentateuco, a Esparregata, o Buraco Negro, a Banha da Cobra, o Rodízio, a Dança do Ventre, a Rua da Amargura, a Santíssima Trindade, a Homeopatia, a Pornografia, a Nova Dramaturgia, a Catalepsia, a Astrologia, a Bolacha Maria e a Mitomania. És Filho de Uma Rosa de Um Cravo Nascido.

ÉS A MINHA REAL GANA.

EU SOU UM MEGAFONE.


no comments

Saturday, January 29, 2005

say no to missile. missile people do not rule (kick them out of your life)

"so you came like a missile
falling on my head
with a black sky
you think you're giving
but
you're taking my life away

then you came with your breezeblocks
smashing up my face like a bus-stop
you think you're giving
but
you're taking my life away

like the drunk you conviced was sober
you keep me falling over
you think you're giving
but
you're taking my life away

with your best of intentions
you try to give an ocean directions
you yhink you're giving
but
you're taking my life away

so you came like a missile
leaving me the whole world in exile
you think you're giving
but
you're taking my life away

like the drunk you convinced was sober
you keep me falling over
you think you're giving
but
you're taking my life away
you think you're giving
but
you're taking my life away"


uma canção linda de um senhor chamado Chris Corner (um génio da música contemporânea) incluído no recente, e excelente, álbum "Kiss+Swallow" que marca a sua estreia a solo, no projecto intitulado IAMX

Tuesday, January 25, 2005

fénix

sim, é verdade, todos somos fénix tantas vezes renascida das cinzas. sim, é verdade, tens razão. e agora? ficamos em quê? ficamos onde? ficamos porquê? ficamos para quem? ficamos?
fala-me das tuas cinzas! descreve-me o seu odor, a sua gradação cromática, o seu peso e a sua espessura. acreditas que as tuas cinzas têm um peso diferente das minhas cinzas? acreditas! fala-me dessa diferença. como é que a sentes? é verdade, costumas sentir as tuas próprias cinzas? costumas guardar as tuas
próprias cinzas? costumas inalar as tuas próprias cinzas? costumas gostar das tuas próprias cinzas? não? não me digas que não. não não é resposta. não é o princípio do fogo.
preferes falar do fogo, é isso? queres falar, então, do fogo? vossa senhoria prefere o fogo! pois muito bem, falemos do fogo.
já alguma vez tiveste tanto medo de ti ao ponto de permitires que a tua sede de paz suplante a tua própria vontade? já alguma vez te questionaste sobre a tua necessidade de inventar paisagens, atrozes ou não, para poder ter algum lugar onde situar os olhos? já alguma vez tentaste perceber onde começa e acaba a tua voz? já alguma vez quiseste ser cego, surdo e mudo e viver apenas confinado ao teu próprio pensamento? já alguma vez ponderaste a possibilidade de te alimentares apenas da tua própria saliva? pois... sim
sabes nada do fogo
como queres tu contabilizar cinzas se ainda não aprendeste o valor da boca?
quando aprenderes a deslizar pela vida serás forçado a embater na tua própria boca. serás forçado a engolir-te a ti mesmo, de uma só vez, sem respirar. para não partires os teus próprios ossos. irás ficar alojado, inerte, sereno, hibernado, incapaz no teu próprio estômago. irás ficar imóvel durante quase dez meses. irás pontapear-te por dentro. irás sentir o prazer da fome. então, o teu segundo estômago, o interior, tornar-se-á feroz. irás sentir a fúria da fome, da lazeira, da míngua, da subnutrição. e começarás a comer-te, de dentro para fora. irás devorar sofregamente as tuas próprias vísceras, roer os teus próprios ossos, sorver o teu próprio sangue, apreciar a tua própria saliva. e quando morderes os teus próprios miolos vais aprender a ter boca.
vais saber tudo do fogo, vais saber nada da paz.

Monday, January 17, 2005

work in progress (mais um passo depois de mais um passo)

Depois de ter chorado, Ela, sentiu necessidade de chorar ainda mais. Uma necessidade não cerebral mas corpórea, uma necessidade epidérmica. Deteve-se nua diante do grande espelho do quarto de hotel e fitou o seu corpo indefeso, prostrado perante o seu próprio olhar. Estudou a sua própria nudez, como se esta não lhe pertencesse. E as lágrimas não surgiram. Focou e desfocou o olhar algumas vezes, tentando tornar a sua figura uma entidade abstracta e sem qualquer tipo de experiência, história, vida. As lágrimas voltaram a não surgir.
A necessidade de chorar tornou-se cada vez mais imperativa. Então, Ela, sentiu que a recordação seria a via pela qual o choro teria possibilidade de ocorrer. Apelou à memória da pele e os seus olhos adquiriram o brilho lubrificado do choro. A sua pele recordou o peso exacto das mãos dele, a extensão de cada um dos seus dedos, a duração de cada afago, a meticulosidade de cada carícia. Os seus mamilos enrijeceram-se e as lágrimas começaram a rolar-lhe pelo rosto abaixo. Concentrou-se no espaço, o pequeno vazio, que ficava entre as suas coxas. O espaço em branco tantas vezes preenchido pela língua quente e húmida dele e que parecia ter sido criado exactamente para esse fim. Recordou o início de um poema dele:
"Foi daí, das tuas coxas, que o sol saiu para que a minha língua tivesse um país onde reinar...".
O choro tornou-se compulsivo, feroz. Sentiu-se habitada, como se a memória tivesse a capacidade de ser um substituto da presença. Como se o choro fosse um processo alquímico capaz de converter o vazio em carne arrebatada. E sentiu-o. Sentiu o seu hálito quente e salgado a percorrer-lhe a nuca, sentiu o seu queixo mal barbeado a roçagar o seu pescoço. Sentiu as suas mãos vorazes a afastarem-lhe as nádegas. E parou de chorar. Caída no chão, nua, pequena, parou de chorar.
Ele deixou de ter vontade de falar e assim o fez. Sentiu a inutilidade a instalar-se na língua e cortou uma pequena porção da mesma, a ponta, com uma navalha. Acabara de instituir o silêncio na própria carne.

Saturday, January 15, 2005

hey jupiter


"hey jupiter, nothings been the same so are you gay? are you blue? thought we both could use a friend to run to. and i thought you'd see with me you wouldn't have to be something new" tori amos, in "hey jupiter" (included in "Boys For Pele")

Monday, January 10, 2005

work in progress (mais um passo)

Ele perdeu a heroína ao entrar num táxi. Ela hospedou-se no hotel favorito dele em Buenos Aires. Não conseguiu ficar com o quarto que sabia ser o mesmo que ele sempre reservara: o quarto 111. Foi-lhe atribuído o 112. Decidiu que enquanto não conseguisse deitar-se na cama onde ele o tinha feito tantas vezes não deixaria a Argentina. Adormeceu a relembrar-se da conversa que tinha tido com ele na segunda noite que tinham passado juntos. Dormiu ininterruptamente durante catorze horas.
Ele acordou sobressaltado, olhou para o relógio e viu que eram sete e trinta e oito. Lembrou-se que antes de adomecer, exausto, o relógio marcava as seis de doze. Tinha dormido apenas uma hora e vinte e seis minutos. Soube que não iria ser capaz de voltar a adormecer. Levantou-se, bebeu água no lavatório da casa de banho e deteve-se em frente ao espelho a observar os sinais de esgotamento que cresciam livremente no seu próprio rosto. Os olhos encheram-se-lhe de lágrimas e um violento vómito forçou-o a devolver ao lavatório toda a água que havia bebido. A vontade de chorar dissipou-se. Nasceu-lhe nesse instante a vontade de morrer.
Ela acordou confusa, voltou a sentir a ausência. O gosto a hortelã voltara a abandonar-lhe a boca. Chorou durante uma hora e vinte e seis minutos.

uma questão como qualquer outra


Onde está Onan?

you are welcome to Onan's room 1

é domingo à tarde, é Janeiro, e eu tremo ao obsevar uma imagem do planeta terra visto do espaço. nunca me tinha apercebido que eu também estou, tácito, nessa imagem. esta contextualização chocou-me.



no meu quarto a paciência tem um convénio eterno com o estar.
no meu quarto as horas são ecos das marteladas
que dou no meu próprio crânio, ao deitar e ao acordar.
no meu quarto eu crio os sintomas da minha própria presença,
e escrevo, e leio, e planeio com as palavras a cura
como se o pensamento fosse uma espécie de uma desconhecida doença.
no meu quarto faço viagens no tempo e invento as palavras que direi
quando conseguir ter um total domínio da minha própria expressão.
no meu quarto deixo o meu rosto em paz, não preciso dele, porque,
no meu quarto, as paredes são espelhos sem solução.
no meu quarto há um campo de batalha, muito antigo,
onde eu travo com o tempo uma guerra guerreira.
no meu quarto sou forçado a ver a vida como uma experiência,
que se quer plena e inteira.
no meu quarto a cama é um laboratório onde eu, com a epiderme,
testo os resultados e a ideia do amor.
no meu quarto abro e fecho a porta do mundo onde só eu sou rei e senhor.
no meu quarto amontoam-se memórias de conversas e retalhos dos hálitos
que pela minha boca passaram.
no meu quarto já convivo com os fantasmas daqueles que no meu quarto
ainda nem sequer entraram.

Sunday, January 09, 2005

uma nova paixão de Onan

"Tu foste em todas as formas um país que eu nunca vi"
António Variações


Estou apaixonado por esta frase. Confesso que também estou bastante enamorado pelo disco dos Humanos. Estou, sobretudo, fascinado com a beleza das interpretações do Camané. Os poemas inétidos do António Variações são como que um grito de uma obra que não queria morrer. Os Humanos deram-lhe a possibilidade da vida. Bem hajam.
Quero é viver

Vou viver
até quando eu não sei
me importa o que serei
quero é viver

amanhã
espero sempre um amanhã
e acredito que será
mais um prazer

e a vida
é sempre uma curiosidade
que me desperta com a idade
interessa-me o que está para vir

e a vida
em mim é sempre uma certeza
que nasce da minha riqueza
do meu prazer em descobrir
encontrar, renovar, vou fugir ao repetir
(a interpretação do Camané, nesta canção, é comovente)

Friday, January 07, 2005

o teu beijo


o teu beijo foi a metade do sol que ousou vir morrer ao céu da minha boca

Thursday, January 06, 2005

o rio semântico

trinta e três horas e trinta e três minutos de pouca luta. havias de ver os desenhos que fiz nas tuas costas. quando estiveres perto de um espelho, confirma se ainda lá estão. se estiverem telefona-me. sabes que atenderei. sabes que estarei à espera. tu conheces-me, sabes que eu sou sempre aquele que está sempre à espera. sabes de cor as minhas esperas. já viveste quase dentro do meu telefone.
há dias em que sou quase interventivo, audaz, nocivo, revolucionário. mas estamos em crise. e sabes que em tempos de crise não há revolução que sobreviva?! agora não. agora já não. esta crise é dessas. é dentro.
lembras-te dos tempos que antecederam a crise? lembras-te desses dias? os anos eram mesmo feitos de meses e os meses eram mesmo feitos de dias. nessa altura os dias eram dias. a luz era luz. o real era real. um beijo sabia a beijo, a pele a pele e a flor da idade era uma nação inteira a olhar-se mutuamente nos olhos.
ainda gostas de sorrir?
já não me recordo claramente do teu rosto. sei que é um rosto não comum. sei que é um rosto que combina na perfeição com a tua pessoa. o teu rosto é a assinatura digna e eficaz da tua própria existência. é um rosto demorado e luminoso. recordo-me do cheiro. sim, recordo-me com grande exactidão do cheiro do teu rosto. agora a imagem, essa começa a tornar-se difusa.
sabes que eu não choro? sabes, sim, tu sabes. há cerca de uma hora aconteceu-me uma vontade estrondosa de chorar. como se dentro de mim houvesse um sítio que se assumisse como uma foz, um afluente, um caudal de todas a lágrimas que estou incapacitado de verter. falo-te disto porque enquanto te escrevo este telegrama sinto um alívio próximo do choro. sinto que estou a desaguar. é como se as palavras fossem gotas de água, como se escorressem para fora de mim.
este telegrama não é um telegrama; é uma convulsão. é a pequena revolução que me é permitida neste tempo de crise. é uma guerra que eu travo contra uma coisa que sei exactamente o que é mas que tenho muito pudor em ta nomear. é grito de água que corre para ti. é um rio semântico.
voltei a lembrar-me da exacta imagem do teu rosto. tens cara de mar!

Tuesday, January 04, 2005

um poema da gaveta de Onan (a questão cada vez está mais viva)


Platão
Burroughs
Cesariny
Kierkegaard

A fragmentação do pensamento e as ideias que consumo
martelam-me a cabeça toda a tarde.


Hegel
Ronan
Highsmith
Kant

Tenho a barriga inchada, a família na ignorância, pés de porco, trombas de elefante.

Nin
Pessoa
Melville
Natália Correia

Se eu fosse um escantilhão tu serias o nome de uma odisseia.

Barthes
Cossery
Hesse
Marc Chagall

Ainda em mim sinto embaraço por não haver um Pai Natal.

Fassbinder
Neto Jorge
Sade
Gomes Ferreira

Quando a cabeça não pára afogo os cornos na banheira.

Baudelaire
Kristof
Bataille
Yourcenar

Mas afinal quando é que eu cresço e ganho dinheiro a pensar?