Descreve-me como aquele que tem o fascínio lento pelas multidões e cujas plantas dos pés são feitas de vidro fosco.
Brinda-me como aquele que coseu a boca por dentro e escondeu o coração por detrás das pálpebras.
Retrata-me como aquele que sorri enquanto dorme e armazena sirenes que não existem para poder encarar o sono de frente.
Ri-me como aquele que apenas vive dentro de si e que descobre sempre em todas as palavras o sentido contrário do mundo.
Espalha-me como aquele que saliniza beijos no ar e que encontra na diáspora uma fuga perpétua para o próprio tédio.
Soma-me como aquele que ruge em cada manhã e volta sempre a cair nessa letal ideia do fim do dia.
Convoca-me como aquele que verbaliza dispersões, sussurra com a voz que calha e sedimenta alegorias.
Realiza-me como aquele tropeça dentro das próprias quedas e que ritualiza a neura como se de arte se tratasse.
Publicita-me como aquele que ainda não inventou a capacidade de se desinventar.
Sunday, December 19, 2004
Friday, December 17, 2004
Uno Tenore
Eu vou deixar de pensar, eu sei que há-de haver um dia em que eu vou deixar de pensar. Sinto-lhe o gosto, ao longe; o gosto desse dia. Um gosto de nada, um gosto acólito do vazio, um gosto sem gosto. O gosto perene da paz.
Se olhares bem fundo, really deep, profunda e meticulosamente, nos meus olhos, hás-de de ver, reflectida, a imagem do teu próprio rosto. Eu sou assim: um pouco de nada com alma/vontade de tudo. Desta vez fui feito para não sentir. Verdade seja escrita, eu já fui feito muitas vezes. Já fui feito muitas e diversas vezes, para muitos e diversos fins, de muitas e diversas formas. Já fui feito para não ver; e descobri-te. Já fui feito para não falar; e percorri-te. Já fui feito para não querer; e consumi-te. Já fui feito para não morrer; e morri-te.
O meu corpo é um armazém sonoro. Sou uma caixa de ressonância sem método; porque tudo vibra à minha passagem e mesmo antes e depois de ela se dar. Porque a minha passagem não é da ordem da ocorrência. A minha passagem é um anti-fenómeno. A minha passagem será sempre do porvir.
Se olhares bem fundo, really deep, profunda e meticulosamente, nos meus olhos, hás-de de ver, reflectida, a imagem do teu próprio rosto. Eu sou assim: um pouco de nada com alma/vontade de tudo. Desta vez fui feito para não sentir. Verdade seja escrita, eu já fui feito muitas vezes. Já fui feito muitas e diversas vezes, para muitos e diversos fins, de muitas e diversas formas. Já fui feito para não ver; e descobri-te. Já fui feito para não falar; e percorri-te. Já fui feito para não querer; e consumi-te. Já fui feito para não morrer; e morri-te.
O meu corpo é um armazém sonoro. Sou uma caixa de ressonância sem método; porque tudo vibra à minha passagem e mesmo antes e depois de ela se dar. Porque a minha passagem não é da ordem da ocorrência. A minha passagem é um anti-fenómeno. A minha passagem será sempre do porvir.
Não sei ressonar porque não aprendi a soar. Eu não fui feito para sentir, creio que já to referi, e quem não sente não soa. E quem não soa não ocorre. E quem não ocorre nunca nasce. Ninguém nasce quando não morre. Tenho de aprender a morrer!
Tenho sempre muita música dentro da cebeça. Preciso de preencher os meus dias com as melodias dos outros, porque eu fui feito para não sentir. Correcção: Desta vez fui feito para não sentir. Já houve vezes em que fui feito apenas para sentir. E posso garantir-te, nessas vezes senti muito. Nessas vezes senti desmesuradamente.
Tenho sempre muita música dentro da cebeça. Preciso de preencher os meus dias com as melodias dos outros, porque eu fui feito para não sentir. Correcção: Desta vez fui feito para não sentir. Já houve vezes em que fui feito apenas para sentir. E posso garantir-te, nessas vezes senti muito. Nessas vezes senti desmesuradamente.
Sempre tive uma excelsa memória, sempre. Lembro-me de ter sido artilhado de uma assinalável memória, em todas as vezes que fui feito. Nunca fui feito para recordar. Fui sempre feito apenas para lembrar. É por isso que não morro. Lembro-me de sentir e de me lembrar de sentir. Mas perdi o lastro nessa diferença. Lembro-me de ti mas não me recordo do teu rosto. Morri-te na lembrança.
"A recordação tem por fim evitar as soluções de continuidade na vida humana e dar ao homem a certeza de que a sua passagem pela terra efectua uno tenore, num só traço, num soporo, e pode exprimir-se na unidade. Assim se liberta ela da necessidade em que a língua se encontra de repassar incessantemente pelas mesmas tagarelices, para reproduzir aquelas de que a vida se encontra repleta. A condição da imortalidade do homem é que a vida dele decorra uno tenore."
Soren Kierkegaard, in 'O Banquete'
Thursday, December 16, 2004
Splinter number 3
Elipse:
uma intervalo de muitos meses no inferno;
adormeci com uma folha em branco e acordei com o fantasma de uma nova língua.
uma intervalo de muitos meses no inferno;
adormeci com uma folha em branco e acordei com o fantasma de uma nova língua.
Wednesday, December 15, 2004
Splinter number 2
é fundamental que eu aprenda a pensar aqui;
eu penso sempre aí e perde-se muita verdade no regresso.
eu penso sempre aí e perde-se muita verdade no regresso.
Tuesday, December 14, 2004
Privado do Ócio, Onan pensa em Cossery
"Para ele, não havia sítios especiais para a felicidade."
"Todos os países tinham o seu contingente especial de imbecis, de sacanas e de putas. Era preciso ser um débil mental para acreditar que se passavam coisas especiais noutros lados. A única diversidade era a da linguagem e a única novidade era que os mesmos imbecis, sacanas e putas se exprimiam noutra língua diferente."
"Enquanto viveres entre os homens, sempre te oferecerão o espectáculo dos seus apetites sórdidos e da sua estupidez. Trata-se de uma comédia eterna, supremamente agradável aos olhos de um observador lúcido. E é o mesmo em toda a parte."
"Ouso ainda afirmar que só as pessoas com lazeres podem aceder a uma forma de pensamento verdadeiramente civilizada."
"são precisos ócios para aguçar o sentido crítico e elaborar um ideal"
"Sentia-se privada da presença de um inimigo seguro,"
"Olha, vou comprar um deboche de fazer tremer a terra."
"Seja qual for o modo com que colabores nesta porcaria de mundo, e por mais ínfimo que seja o trabalho que fazes, és sempre traidor a alguém. Vivemos numa sociedade alicerçada na traição."
"Todos os homens são palhaços. Palhaços sanguinários, mas sempre palhaços."
Albert Cossery, "Uma Conjura de Saltimbancos"
Obrigado Féfé (Fernanda Cardoso) por me teres apresentado, há quase dois anos, este GRANDE senhor do Ócio. Um abraço profundo, gosto muito de ti.
Monday, December 13, 2004
Friday, December 10, 2004
o inferno e Onan
"O inferno é um lugar diferente para cada homem, e cada homem tem o seu próprio inferno."
Anaïs Nin
Anaïs Nin
O inferno sou eu, por dentro e por fora: verborreia, castings, anal...gésicos, litros de Ballantines, Bairro Alto, jantar aqui/jantar ali, dormir aqui/dormir ali, dormir com este/acordar com aquela, horas e horas no Majong, ensaiar de manhã à noite, dançar, dançar muito, dançar durante semanas a fio, milhares de cigarros, estar com os meus queridos e preciosos amigos, saudades da mamã, quatro táxis por dia, gastar dinheiro estupidamente, ficar teso, penúria, depressão, algum dia mato-me.
Jovens irritantes, milhares de jovens irritantes, egoísmo, odiar mentiras e cobardia, olhar nos olhos, óculos escuros sempre para poder olhar para tudo e todos sem me denunciar, eu, eu, eu, sempre eu, estou farto de mim, gosto tanto de mim, o amor que vai, o amor que não vem, o amor que vai e vem, a droga do amor, não tenho paciência para o amor, não consigo viver sem amor, mais um pouco de droga do amor, por favor!
Preguicite aguda, preguicite crónica, preguicite mórbida, tenho de escrever, não consigo escrever, não gosto de trabalhar mas adoro ter ideias, amo o teatro incondicionalmente, estou farto de tudo e de todos, cocaína a rodos, a culpa, a culpa, a culpa, estou perdido, estamos todos perdidos, mas afinal quem é que não está perdido?
Engates de uma noite, engates de duas noites, engates de três noites, sms, coisas que se dizem e não se sentem, paixonetas, infatueted moods, ser actor é uma luta todos os dias, estou farto de ser actor mas não consigo ser mais nada, quando for grande quero ser... Feliz, pastilhas, mdma, Kremlin, quatro meses de paranóia, uma pessoa como eu não se pode drogar desta maneira, quero sair deste país, Lisboa é uma aldeia e o resto é paródia rural e litoral. Gosto do Porto mas ele fez-me mal, eu já disse que sou o inferno, não disse? Boys R Us, já não sou uma criança, ódio, descobri o valor do ódio, nunca te hei-de perdoar, há coisas que se perpetuam, estou farto destes fantasmas, estou cansado, vou estar outra vez muitos meses a dormir pouco, tenho a mania que sou especial, odeio a palavra especial, já disse mas repito-o: NUNCA TE HEI-DE PERDOAR.
Praia das Angeiras, 25 euros de táxi, a melhor e mais cara foda mais cara da minha vida, “tu és n inteligente”. Ah! Ah! Ah! Deixa-me rir. Gosto de me armar em diva e depois apanho com estes filmes: 36 anos, 30 anos, 22 anos, 36 anos outra vez, 19 anos, 28 anos, 23 anos, 25 anos, todos diferentes todos iguais, “Oh god, you're so beautiful, i love your eyes!”, “tens qualquer coisa de mefistofélico”, “me encantas, mi amor”, “tu és n inteligente”, blá, blá, blá, e a felicidade onde está? Para me abordar pregou-me uma rasteira e eu apaixonei-me imediatamente.
Beber, drogar, jantar fora, foder, dizer adeus, “afinal como é que te chamas?”. Andar em carros, ouvir música nos carros, cantar nos carros, fumar charros nos carros, namorar nos carros, estive quatro meses a ressacar de uma pastilha que tomei no Kremlin, a puta da paranóia, por pouco não me atirei do 5º andar. Não conseguia sair à rua, não suportava o ruído das palmas no teatro, queria ser invisível mas não consegui, tornei-me visivel em todo o lado: Finalmente, Moínho de Vento, Trumps, Pink Flamingo, Boys R Us, Royal, Pasapoga. Andámos de mãos dadas na Gran Via e eu senti-me livre como nunca, o meu gato é mau porque sofre por minha causa, uma pessoa como eu nunca deveria ter um animal de estimação, “Ó lindinho, tu e o teu gato são iguais, já reparaste?”, ja, grande novidade, por isso é que temos uma relação de amor-ódio. Em Marrakesh fui o ser mais feliz ao cimo da terra! Anvitol, Seroxat, Sedoxil, Cymerion. Quando tudo acabou entre nós estive mais de uma semana sem dormir, agora durmo doze horas por noite, se não fossem alguns dos meus amigos eu não sei o que seria de mim. Quando estive a bater mal da cabeça fugi de toda a gente. Confusão total e insuportável, os piores meses da minha vida, e eu que até estava convencido que me sentia feliz. Mas porque é que eu tomei a merda daquela pastilha? Às vezes não sinto nada, nem sequer o vazio. Tori Amos, Brian Molko, Madonna, Jeff Buckley, Ney Matogrosso, Chris Corner, Laurie Anderson, Paul Draper são eles quem sente por mim. Nomes, carreiras, cores, palavras, muitas palavras, adoro palavras, apaixono-me por palavras, música, muita música, amo tanto a música como a própria vida, acho que gosto até mais de música. Estes dois últimos anos passaram a correr, tenho quase trinta anos e ainda me comporto como um adolescente. O futuro ainda não existe e o passado tem de passar a ter uma importância relativa. Mas afinal quando é que meto isto na cabeça? Sinto que estou a melhorar, ainda não foi desta que fritei de vez. Droga do amor, o caralho!!!
Vês como é fácil debitar incongruências? Vês como é desgastante inventar verdades?
Jovens irritantes, milhares de jovens irritantes, egoísmo, odiar mentiras e cobardia, olhar nos olhos, óculos escuros sempre para poder olhar para tudo e todos sem me denunciar, eu, eu, eu, sempre eu, estou farto de mim, gosto tanto de mim, o amor que vai, o amor que não vem, o amor que vai e vem, a droga do amor, não tenho paciência para o amor, não consigo viver sem amor, mais um pouco de droga do amor, por favor!
Preguicite aguda, preguicite crónica, preguicite mórbida, tenho de escrever, não consigo escrever, não gosto de trabalhar mas adoro ter ideias, amo o teatro incondicionalmente, estou farto de tudo e de todos, cocaína a rodos, a culpa, a culpa, a culpa, estou perdido, estamos todos perdidos, mas afinal quem é que não está perdido?
Engates de uma noite, engates de duas noites, engates de três noites, sms, coisas que se dizem e não se sentem, paixonetas, infatueted moods, ser actor é uma luta todos os dias, estou farto de ser actor mas não consigo ser mais nada, quando for grande quero ser... Feliz, pastilhas, mdma, Kremlin, quatro meses de paranóia, uma pessoa como eu não se pode drogar desta maneira, quero sair deste país, Lisboa é uma aldeia e o resto é paródia rural e litoral. Gosto do Porto mas ele fez-me mal, eu já disse que sou o inferno, não disse? Boys R Us, já não sou uma criança, ódio, descobri o valor do ódio, nunca te hei-de perdoar, há coisas que se perpetuam, estou farto destes fantasmas, estou cansado, vou estar outra vez muitos meses a dormir pouco, tenho a mania que sou especial, odeio a palavra especial, já disse mas repito-o: NUNCA TE HEI-DE PERDOAR.
Praia das Angeiras, 25 euros de táxi, a melhor e mais cara foda mais cara da minha vida, “tu és n inteligente”. Ah! Ah! Ah! Deixa-me rir. Gosto de me armar em diva e depois apanho com estes filmes: 36 anos, 30 anos, 22 anos, 36 anos outra vez, 19 anos, 28 anos, 23 anos, 25 anos, todos diferentes todos iguais, “Oh god, you're so beautiful, i love your eyes!”, “tens qualquer coisa de mefistofélico”, “me encantas, mi amor”, “tu és n inteligente”, blá, blá, blá, e a felicidade onde está? Para me abordar pregou-me uma rasteira e eu apaixonei-me imediatamente.
Beber, drogar, jantar fora, foder, dizer adeus, “afinal como é que te chamas?”. Andar em carros, ouvir música nos carros, cantar nos carros, fumar charros nos carros, namorar nos carros, estive quatro meses a ressacar de uma pastilha que tomei no Kremlin, a puta da paranóia, por pouco não me atirei do 5º andar. Não conseguia sair à rua, não suportava o ruído das palmas no teatro, queria ser invisível mas não consegui, tornei-me visivel em todo o lado: Finalmente, Moínho de Vento, Trumps, Pink Flamingo, Boys R Us, Royal, Pasapoga. Andámos de mãos dadas na Gran Via e eu senti-me livre como nunca, o meu gato é mau porque sofre por minha causa, uma pessoa como eu nunca deveria ter um animal de estimação, “Ó lindinho, tu e o teu gato são iguais, já reparaste?”, ja, grande novidade, por isso é que temos uma relação de amor-ódio. Em Marrakesh fui o ser mais feliz ao cimo da terra! Anvitol, Seroxat, Sedoxil, Cymerion. Quando tudo acabou entre nós estive mais de uma semana sem dormir, agora durmo doze horas por noite, se não fossem alguns dos meus amigos eu não sei o que seria de mim. Quando estive a bater mal da cabeça fugi de toda a gente. Confusão total e insuportável, os piores meses da minha vida, e eu que até estava convencido que me sentia feliz. Mas porque é que eu tomei a merda daquela pastilha? Às vezes não sinto nada, nem sequer o vazio. Tori Amos, Brian Molko, Madonna, Jeff Buckley, Ney Matogrosso, Chris Corner, Laurie Anderson, Paul Draper são eles quem sente por mim. Nomes, carreiras, cores, palavras, muitas palavras, adoro palavras, apaixono-me por palavras, música, muita música, amo tanto a música como a própria vida, acho que gosto até mais de música. Estes dois últimos anos passaram a correr, tenho quase trinta anos e ainda me comporto como um adolescente. O futuro ainda não existe e o passado tem de passar a ter uma importância relativa. Mas afinal quando é que meto isto na cabeça? Sinto que estou a melhorar, ainda não foi desta que fritei de vez. Droga do amor, o caralho!!!
Vês como é fácil debitar incongruências? Vês como é desgastante inventar verdades?
(este texto está incluído no espectáculo Sickcom. a azulamavermelho vai efectuar uma reposição do mesmo em fevereiro, no auditório orlando ribeiro em lisboa)
Monday, December 06, 2004
The End Of Chemistry
one thousand times you've made laugh
one thousand times i've made you cry
one thousand times you gave me reasons to fight and live,
when i wanted to die
one thousand times you've cooked me breakfast
one thousand times i've seen you sleep
one thousand times you've called me sweet love
one thousand times i've called you a creep
one thousand times i've called you a creep
one thousand times we were so perfect
one thousand times we've had a fight
one thousand times our love was this picture;
i've tainted black where you've painted white
one thousand times we were in a game
one thousand times you've let me win
one thousand times you've washed my body
your sweet saliva kept me clean
feelings were left here to stay
feelings remain in my memory
i still wake up with your ghost everyday
i've been unable to face the end of chemistry
the chemistry between you and me
one thousand times we were this novel
where no one is ever bright
one thousand times i said i was wrong
but deep inside i knew i was right
one thousand times we were abusers
one thousand times we were so keen
one thousand times you were ideal
one thousand times i've had the spleen
feelings where left here to stay
feelings remain in my memory
i still wake up with your ghost everyday
i've been unable to face the end of chemistry
(letra de Onan para tema da banda Nude)
one thousand times i've made you cry
one thousand times you gave me reasons to fight and live,
when i wanted to die
one thousand times you've cooked me breakfast
one thousand times i've seen you sleep
one thousand times you've called me sweet love
one thousand times i've called you a creep
one thousand times i've called you a creep
one thousand times we were so perfect
one thousand times we've had a fight
one thousand times our love was this picture;
i've tainted black where you've painted white
one thousand times we were in a game
one thousand times you've let me win
one thousand times you've washed my body
your sweet saliva kept me clean
feelings were left here to stay
feelings remain in my memory
i still wake up with your ghost everyday
i've been unable to face the end of chemistry
the chemistry between you and me
one thousand times we were this novel
where no one is ever bright
one thousand times i said i was wrong
but deep inside i knew i was right
one thousand times we were abusers
one thousand times we were so keen
one thousand times you were ideal
one thousand times i've had the spleen
feelings where left here to stay
feelings remain in my memory
i still wake up with your ghost everyday
i've been unable to face the end of chemistry
(letra de Onan para tema da banda Nude)
Sunday, December 05, 2004
umbrellas
Monday, November 29, 2004
Onan e o Virtual
13:51
Vicissitudes da Virtualidade.
Eu disse-lhe- Bem, vou postar.
Ele disse- Qual é o tema hoje?
Eu respondi- Ainda não sei.
Ele sugeriu- Fala da maior árvore da Europa.
Eu instiguei- Vou falar de ti.
Eu assentiu- Ok... mas arranja um pseudónimo fixe. Podes chamar-me de Ernesto.
Eu eu comecei a postar:
Vicissitudes da Virtualidade.
Eu disse-lhe- Bem, vou postar.
Ele disse- Qual é o tema hoje?
Eu respondi- Ainda não sei.
Ele sugeriu- Fala da maior árvore da Europa.
Eu instiguei- Vou falar de ti.
Eu assentiu- Ok... mas arranja um pseudónimo fixe. Podes chamar-me de Ernesto.
Eu eu comecei a postar:
Daqui a pouco tempo faz um ano que conheci o Ernesto. Foi em Janeiro, tenho quase a certeza que foi em Janeiro. Foi, e é, um conhecimento intermitente, muito intermitente. Um conhecimento virtual é sempre intermitente. Acho piada a estas coisas dos conhecimentos virtuais. Porque o primeiro instrumento é sempre a palavra. Eu, como deve ser bastante óbvio, gosto muito de palavras e gosto de usá-las como instrumentos.
O Ernesto nunca está no sítio de onde é. Começo a suspeitar que o Ernesto já não é de lado algum. Não sei, não o conheci num sítio concreto.
Nestas coisas da virtualidade as pessoas têm sempre a tendência, muito pouco estranha, de tentarem firmar esse "conhecimento" em matérias muito pouco virtuais. Querem firmá-lo através de matérias concretas, correntes, caracterizadoras, matérias materiais; apesar de se tratar de conhecimento virtual. Eu, na verdade, não estou de acordo com esta definição de conhecimento virtual. O conhecimento não é virtual, é efectivo. Tem um molde, uma frequência, uma configuração, um espaço. É precisamente esse espaço que é virtual. Assim, existe sempre a tendência, quase sempre mórbida, para tentar contrariar a virtualidade desse espaço. As pessoas ficam ávidas pela definição. Muito preocupadas em se definirem, eu fico, e em definirem o outro, eu também fico.
O Ernesto apresentou duas grandes particularides: apresentou-se-me, virtualmente é certo, de uma forma semelhante à primeira pessoa de quem eu gostei muito e tem o signo da pessoa de quem eu gostei mais. Na verdade tem o signo de ambas essas pessoas. "Gémeos, tu és gémos? Ui, logo vi. Tchau." Eu e os nativos desse, tão particular signo, temos estórias plenas mas nada fáceis. De modo que o Ernesto, apesar da virtualidade da nossa estória, é o co-protagonista daquela que se tem mostrado a menos danosa.
Conheci o Ernesto, em pessoa, em Setembro. Creio que foi em Setembro. Não foi, Ernesto? De certeza que não te lembras. Tu nunca te lembras de nada, és Gemeos.
O Ernesto estava muito perturbado, ia ter uma entrevista que visava a sua ida para o Japão (para ir trabalhar ou estudar, nunca cheguei a perceber). Fomos almoçar ao Maracanã. O Ernesto só sabia dizer que estava muito agoniado e sem fome. Tentou comer uma sopa, eu comi um peixe com ameijoas. Bebi duas Superbock Stout, ele pediu um IceT mas não sei se o chegou a beber porque não estive atento.
Estas coisas do espaço virtual não deixam de ser coisas, coisas concretas. Os indivíduos ficam a conhecer-se de facto. Eu decidi provar essa minha suspeita. Levei vestida a minha camisa havaiana, uma camisa muito berrante, de que eu gosto incondicionalmente porque já vivemos muita coisa juntos e também porque é berrante. Levei essa camisa de propósito. E quando a meio do almoço (do meu almoço, porque se houve verbo que o Ernesto não conjugou naquela ocasião foi precisamente o verbo almoçar) ele subitamente me disse: "Essa camisa é horrível", eu tive então a certeza absoluta de que estava diante do Ernesto. O bom e velho Ernesto, o meu amigo virtual. O, unilateral, almoço decorreu sem grandes ocorrências a destacar. O Ernesto fitava o prato da sopa que não conseguia comer, eu terminei o peixe, as ameijoas e as Stout, e lá fomos cada um à sua vida.
Ficámos muito tempo sem nos comunicar. Eu pensava que o Ernesto não mais iria querer conferenciar com criaturas que usam camisas horríveis. O Ernesto não sei o que pensou. Sei que ficou com o computador doente e, consequentemente, impedido de aceder ao espaço de encontro virtual.
Voltámos a falar no mês passado. O Ernesto comunicou-me que iria morar uns meses para a Hungria. Acho que são seis meses. Temos falado com alguma frequência. O facto de ele estar na Hungria, curiosamente, não tem acrescentado grande conteúdo espacial às nossas conferências virtuais. Tudo está basicamente na mesma. O cenário é exactamente o mesmo: eu, um computador, um programa chamado Messenger, uma janela que se abre, um rectângulo cor de laranja que pisca e palavras que se vão lendo e escrevendo. Palavras que ilustram as disposições de duas pessoas; os seus quotidianos, hábitos, humores, amores (ou as ausências dos mesmos), desejos, fantasias, raivas, frustrações, interiores. Palavras, apenas palavras, minhas e do Ernesto.
Agora vou perguntar ao Ernesto, que está on-line à espera que eu acabe de escrever isto para me dizer que achou uma grande merda, qual é a maior árvore da Europa. Isso ele deve saber. Sim, porque não vale a pena perguntar por goulash ou pelo sabor do povo húngaro. Ele ainda não provou nenhum, nem goulash nem húngaros. É muito estranho este Ernesto!
Thursday, November 25, 2004
a urgência e a fúria de Onan
(22/10/04)
Os dias passam, as horas acumulam-se, os minutos sedimentam-se e os segundos,
de ainda tão imberbes, congratulam-se. E eu tremo para poder crescer.
De há uns meses, largos meses, a esta parte, tenho vindo a aperceber-me, de uma forma pouco fácil mas precisa, de que sou um furioso. Tem vindo a crescer em de mim, pouco a pouco, de alto a baixo, de dentro para fora e vice-versa, uma fúria extrema e extremosa a que tenho passado a habituar-me. Já não me angustia, já não me confunde, já não me atormenta, já não me descontextualiza. Instalou-se sobre e sob a minha pele, alterou o meu batimento cardíaco, passou a ser a batuta do meu discurso (as minhas palavras já não são ditas, são matraqueadas), passou a fazer parte da constituição molecular dos meus fluídos (sangue, saliva, suor e esperma; das lágrimas não porque eu não choro). Somos um só, eu e a minha fúria, da mesma forma plena e orgânica que a palavra SOMOS é um palíndromo. Aprendemos a viver em comunhão, uma comunhão de facto. E andamos pela vida impertinentes, impetuosos e imediatos. Temos objectivos precisos e preciosos e havemos inscrever o nosso nome, a ferro e fogo, na História Universal da Veemência. Não temos planos objectivos, temos objectivos precisos e preciosos, note-se. Não somos meticulosos, muito menos calculistas ou premeditados. Somos vagos e simbólicos. Deixamos charadas no ar para posterior auto e heteroavaliação. Não conseguimos estar calados porque, mesmo quando estamos em silêncio, somos sempre escravos de uma desaustinada retórica. Somos hipercinéticos, hiperdotados, hipersensíveis, hiperlascivos, hiperendócrinos, hipersolúveis, hipercínicos, hiperviciosos, hipermortais e sempre hiperincorentes. Estamos sempre à procura de qualquer coisa que não sabemos o que é exactamente. Muitas vezes olhamo-nos bem no fundo dos olhos e sorrimos exaustos, porque sabemos perfeitamente que a nossa procura não é mais do que a mera procura de uma mera procura. É um vício pouco secreto que nós temos. Creio que já disse que somos hiperviciosos, não disse? Não me recordo bem. É que nós também somos hiperesquecidos.
(25/10/04)
A minha fúria chegou durante a noite, enquanto eu combatia a morte, depois da morte de um forte amor. A minha fúria trouxe consigo a cara da insónia e instalou-se dentro do meu estômago. A minha fúria veio de uma só vez, sem cerimónias, estrondosa, veio furiosa. A minha fúria veio para me salvar. Era urgente a minha salvação. Porque eu havia deixado de saber o meu próprio nome. A minha fúria veio a tempo e horas.
(26/10/04)
Hoje não é Onan quem escreve, é a FÚRIA de Onan. Esta missiva não é uma missiva, são pontapés na cabeça dele.
Sai daí, sai daí já! Vai para ali, vai para além, vai para algures, vai para nenhures mas vai! Sai!
És o pagador justo das tuas próprias dívidas. Tens de sofrer por elas, isto de andar por aqui tem destas coisas. Pensavas que era simples, não pensavas? De facto é muito simples. É muito mais simples do que tu possas imaginar. Tens é de te mover, de te pro-mover. Tens de correr, encarar, gritar, rasgar e esgalhar. Tens quatros euros no bolso e ainda falta um pouco menos de uma semana para o fim do mês. O fim do mês. O fimzinho do mês todos os meses. Os eurozinhos ao fim do mês. Sofres tanto com esta merda, jamais desejaste isto para ti. Ao fim e ao cabo és um artista. É suposto os verdadeiros artistas serem uns tesos, uns borra-botas, uns indigentes, decadentes, impertinentes. És isso tudo. Que bom, já és um verdadeiro artista! Só tens um problema: vives aqui e agora. E aqui e agora os verdadeiros artistas não são tesos, não contam os euros, não passam fome, não andam de semblante carregado a olhar para o chão. Aqui e agora os verdadeiros artistas se são tesos é porque são duros e tesudos, não contam euros porque ganham a vida a contar anedotas, não passam fome porque vão matá-la nas festas de aniversário de um qualquer centro comercial no subúrbio, não têm o semblante carregado porque nem sequer sabem o que isso significa e não olham para o chão porque estão sempre a olhar para o olho voraz de uma câmara. O artista do aqui e agora é o oposto absoluto de tudo aquilo que tu és. Por isso tu não tens qualquer tipo de arte. Porque se fosses artista estavas nos escaparates, na boca das gentes, em todo o tipo de publicações, em todas as casas à hora do pequeno almoço, à hora do almoço, à hora do lanche, do jantar, à ceia, à hora de deitar, à hora de foder, à hora de nascer e à hora de morrer. Ninguém come a olhar para ti, ninguém se deita a olhar para ti, ninguém fode a olhar para ti, ninguém nasce a olhar para ti e ninguém morrer a olhar para ti. Tu não tens público. Tu não és emergente. Tens urgência, sentes que tens uma urgência, mas não és urgente. Tu não és urgente, não és do aqui e do agora. Ainda não dominas esse conceito.
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Explicações de intervenção no aqui e no agora precisam-se. Com urgência!!! Tenho sítio. Abstenham-se os interesseiros e/ou pervertidos.
Resposta neste blog, s.f.f..
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